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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Jessé F. Nascimento (Plantando Trovas)


1
A formiga, na labuta,
nos dá profunda lição;
não se curva ao peso e à luta,
vive em perfeita união.
2
Ah, relógio, meu amigo,
teus ponteiros, como correm!
O tempo voa contigo
e com ele os sonhos morrem...
3
Após tantos desenganos
e conselhos não ouvidos,
chego ao final dos meus anos
sem ter meus dias vividos.
4
“Aproveite a promoção”,
na loja, a faixa dizia;
aproveitou-a o ladrão,
num cochilo do vigia.
5
À sombra dos arvoredos,
dos meus sonhos de criança,
na rua dos meus folguedos
havia a placa: Esperança.
6
Caminhos, jardins e praças,
flores, cores - que beleza!
Deus derrama suas graças
dando graça à natureza!
7
Chora o coração sentindo
tristeza, nunca revolta;
os amigos vão partindo
numa viagem sem volta.
8
Com meus sonhos mais singelos,
embalados na esperança,
venho erguendo meus castelos
desde os tempos de criança.
9
Com respeito e amor, de fato,
um mundo melhor se faz;
e simbolizando o ato:
– a pomba branca da paz.
10
Corres tanto, mocidade,
és pela vida levada:
– amanhã, serás saudade,
serás velhice, mais nada.
11
Curtindo muita amargura,
trancado na solidão,
anônimo, sou figura
no meio da multidão.
12
Da infância alegre e sadia
guardo uma eterna lembrança.
“Meu Deus, oh, quanto queria
ser novamente criança."
13
Dos meus sonhos de criança
e dos folguedos, saudade!
E na rua da lembrança,
a placa: – Felicidade!
14
Em seu pensamento insano,
vindo a tudo destruir,
como pode o ser humano
a arara azul extinguir?
15
Extraí toda a beleza
de uma vida bem vivida;
e a velhice, com certeza,
vai adiando a partida...
16
Galgo nuvens montanhosas,
sou na vida um alpinista;
mesmo em trilhas perigosas,
busco os sonhos da conquista.
17
Leu “Campanha do Agasalho”,
quando por ali passou;
o espertalhão ou paspalho
em vez de deixar, pegou.
18
Não adormeças teus sonhos,
não os esqueças, jamais;
os dias são mais risonhos
pra aqueles que sonham mais.
19
Não censuro o teu pecado,
não me censures também;
de vidro é o nosso telhado,
pecados... quem não os têm?
20
Não há glória, com certeza,
nem desafio maior,
que a conquista da riqueza
com trabalho e com suor.
21
Não viva em sonhos somente,
mas com todo o seu ardor,
viva mais intensamente
os seus momentos de amor.
22
Navegando nas poesias,
nas ondas da inspiração,
iço as velas de alegrias
deixo o rumo ao coração.
23
Navego em ondas serenas
ou mar às vezes cruel;
consciente, sou apenas
um barquinho de papel.
24
Nesta vida, de passagem
sem morada permanente,
numa tão breve viagem,
sou um turista somente.
25
Noite bela e enluarada,
vejo-me em sonho bonito,
numa tênue caminhada
rumando para o infinito.
26
No meu sonho mais profundo,
em pensamentos imerso,
eu fui além do meu mundo,
viajei pelo universo.
27
No silêncio dos meus dias,
alheio a tudo e à razão,
eu vivo as noites vazias
abraçado à solidão...
28
Num cenário colorido,
cheio de encanto e alegria,
a vida tem mais sentido:
– a primavera extasia!
29
O céu de nuvens ornado,
as ondas vêm e se vão;
na areia, um carro isolado:
– o mar...dois jovens...paixão...
30
O genro sempre é quem dança,
a minha sogra é um porre;
o nome dela é "Esperança"
que é a última que morre.
31
Pôr do sol... em frente ao mar,
na rede os jovens, sentados,
num cenário singular,
trocam segredos e agrados.
32
Pra acreditar foi um custo;
na primeira gravidez,
levou um tremendo susto;
foram cinco de uma vez!
33
Pressuroso em meu afã
de projetar minha ação,
sempre esqueço: é o amanhã
ponto de interrogação.
34
Semelhante a um quartel
tem sido assim minha casa;
minha mulher, coronel
e eu sempre patente rasa.
35
Sempre fui um sonhador,
sonhos...por que não os ter?
Vivo meus sonhos de amor
porque sonhar é viver.
36
Ser solteiro é livre estar,
jamais me vejo casado;
para subir ao altar,
só vou mesmo acorrentado...
37
Tenho ciúme e desgosto,
quando, à noite, leve brisa
afaga o teu meigo rosto
e os teus cabelos alisa.
38
Teu olhar, quanta ternura! 
Tuas mãos, quanto carinho! 
Teu amor, oh, que ventura
pôs a vida em meu caminho.
39
Velhice, andar vacilante;
noite... a sombra descortina
o seu passado distante:
– os tempos de bailarina.
40
Viçosas, plantas e flores,
a natureza se esmera.
É o despertar dos amores,
tudo é belo. É primavera!
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
JESSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO nasceu em 1944, em Ibiraçu/ ES. Filho de José Antonio do Nascimento e Júlia Fernandes Nascimento. Mudou-se para o estado do Rio de Janeiro, onde residiu por mais de 50 anos na capital fluminense. Posteriormente, transferiu sua residência fixa para a cidade histórica de Angra dos Reis (RJ). Atuou e aposentou-se como jornalista. Descobriu o encanto pela trova ainda na adolescência, quando ganhou de presente de uma prima o livro "Meus irmãos, os Trovadores". Aos 16 anos, participou e foi premiado em seu primeiro concurso de trovas (promovido pela Rádio Mayrink Veiga). Escreve de forma prolífica e possui mais de uma centena de crônicas, contos e poesias publicados em plataformas de leitura literária digital, como o Recanto das Letras. É um trovador premiado e veterano em concursos nacionais de grande relevância na cultura da trova. Entre suas distinções, destacam-se posições laureadas em certames como o Concurso de Trovas de Maranguape/CE, o Prêmio Capistrano de Abreu, os Jogos Florais e concursos de São Gonçalo/RJ, Caicó/RN e Itaocara/RJ. Na Coleção Terra e Céu, antologia poética que reúne suas principais e mais celebradas trovas. Ele também possui participação em dezenas de coletâneas e coletivos de Jogos Florais impressos por todo o Brasil.
A importância de Jessé Fernandes do Nascimento concentra-se na preservação e difusão da Trova no Brasil. Como jornalista e delegado, Jessé atua como um verdadeiro guardião dessa herança cultural, ajudando a descentralizar a poesia e levando oficinas, concursos e visibilidade literária para a região de Angra dos Reis. Sua escrita é reconhecida entre seus pares pela extrema precisão métrica e capacidade de emocionar através da concisão lírica e filosófica. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Octávio Babo Filho (Trovas Avulsas)


1
A diferença que vejo
entre a virtude e o pecado:
– virtuoso - peca a varejo,
pecador - por atacado.
2
A facilidade imensa
com que os homens são julgados
simboliza bem a crença
de sermos todos culpados.
3
A força do inevitável,
já pela força que tem,
faz o destino imutável,
sem indagar quem é quem.
4
Ante a vinda inesperada
da indesejável cegonha,
de susto morre a empregada,
morre o patrão... de vergonha!
5
Ao partires, mãe querida,
deixaste a imagem comigo:
nem durante toda a vida
eu te segui como sigo!
6
A paz verdadeira e pura,
que a consciência enobrece,
é a que sente a criatura
que, para subir, não desce.
7
As desventuras da vida,
eu não as conto a ninguém,
pois mágoa, que é transmitida,
se multiplica por cem.
8
Bem que procuro ser santo,
mas não consigo, porque
eu encontro em cada canto
alguém que lembra você...
9
Buscando falsa razão
para razão que não tem,
ninguém ilude o irmão
sem iludir-se também.
10
Construíste mil castelos...
E a tua imaginação,
depois de sonhos tão belos,
quis morar num barracão...
11
Convém às vezes fugir,
porque a presença frequente   
não deixa a gente sentir
se sentem falta da gente.
12
Creio que ninguém duvida
desta inconteste verdade:
há mundo, mas não há vida,
quando falta a liberdade!
13
Dentro da imensa tristeza
que a minha alma sempre invade,
o que me mata é a certeza
de não sentires saudade.
14
Dois destinos são iguais,
na proporção em que dois,
sofrendo menos ou mais,
sofrerão juntos, depois.
15
Enquanto os povos discutem
a teoria da paz,
os mais fracos se desnutrem
e os mais fortes comem mais…
16
Esta Fé que hoje me invade,
traz tanto alento à minha alma
que, dentro da tempestade
sinto a natureza calma!
17
Eu perdi muita amizade,
defendendo injustiçados.
- É que o vento da maldade
sopra de todos os lados.
18
Eu rezo em casa, na igreja,
na rua, em qualquer lugar...
Duvido Deus não esteja
onde costumo rezar!
19
Façamos logo um acordo,
sem queixa, mágoa ou rancor:
– dividamos o ciúme,
multipliquemos o amor.
20
Gosto de moça formosa,
sabendo embora o perigo
- Eu não desprezo uma rosa,
temendo o espinho inimigo…
21
Mãe - é palavra sem rima,
buscá-la é inútil, não tente,
pois mãe está muito acima
de tudo, coisas e gente.
22
Minha mulher não perdoa
a quem me faça maldade.
Não porque ela seja boa:
– pretende é exclusividade!  
23
Na mentira a se perder,
não sabe aquele infeliz
que ele nunca se faz crer
nem nas verdades que diz.
24
Não dou ouvido ao lamento
e não escondo o porquê:
tudo, na vida, é um momento
- e o meu momento é você...
25
Não há calvários iguais,
toda cruz é diferente,
e as cruzes que pesam mais
são sempre as cruzes da gente.
26
Não lhe adivinhando o nome,
batizei-a de Maria.
E o remorso me consome:
– nunca vi tanta heresia!
27
Não nos feneçam os sonhos,
deles precisamos tanto!
Mudam pensares tristonhos
e secam fontes de pranto.
28
Nascemos sentenciados:
“Os que vierem se vão”.
E nem somos informados
do dia da execução...
29
Os santos de antigamente
só foram santos, porque,
conhecendo tanta gente,
não conheceram você...
30
Penetrei fundo demais
no poço das ambições.
Vejo, agora, o mal que faz
um sonho sem proporções.
31
Poeta mau não conheço,
mau poeta ah, isto sim!
Conheço e digo onde mora:
bem aqui… dentro de mim.
32
Por que será que você,
tendo os defeitos que tem,
os seus defeitos não vê,
vendo os dos outros tão bem?
33
Quando penso em falsidade,
teu nome logo me vem:
Teu nome: Felicidade!
- Felicidade? De quem?...
34
Quanta alegria semeia
quem vive sempre contente:
- A felicidade alheia
também faz feliz a gente.
35
Quem da riqueza faz praça,
muito cedo se esqueceu
de que Deus tira de graça
o que, de graça, nos deu.
36
Quem constrói seu barracão
no do vizinho apoiado,
pelo sim e pelo não,
confia... desconfiado!
37
Saber não ocupa espaço,
mas é preciso que a gente,
ao caminhar, passo a passo,
modere o passo da frente...
38
Saudade, o mundo embalando,
dói, de modo tão diverso,
que o poeta, mesmo chorando,
pode cantá-la em seu verso.
39
Se a morte nos avisasse
a respeito do seu dia,
não creio que nos matasse:
a gente é que morreria...
40
Se é por simples gentileza
que a mim você se anuncia,
não me leve a mal, Tristeza!
Prefiro a casa vazia!
41
Se o trabalho me enfastia,
eu dele logo me vingo,
fazendo, de cada dia,
a sucursal de domingo…
42
Se querer fazer mistério
de coisas tão triviais:
- É na paz do cemitério
que vivem todos em paz…
43
Se toda gente soubesse
como custa querer bem,
quanta gente gostaria
de não gostar de ninguém!
44
Tenham medo é dos medrosos
- fugidios, reticentes -,
mil vezes mais perigosos
que os atrevidos valentes...
45
Teus encantos, criatura,
mexeram tanto comigo
que eu vivo da desventura
de sonhar sempre contigo…
46
Toda mulher tem seu quê,
tem um encanto qualquer.
Não tendo, é o que a gente vê
naquela que a gente quer.
47
Trabalho, sem me cansar.
E é tão bom que seja assim!
- Chego, às vezes, a pensar
que Deus trabalha por mim.
48
Ventura... Felicidade...
Duas palavras vazias
que, depois de certa idade,
não enchem mais nossos dias.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
OCTÁVIO BABO FILHO, intelectual carioca de múltiplos interesses que uniu a agudeza do direito à sensibilidade da poesia e da música popular brasileira, nasceu em 1915, na cidade do Rio de Janeiro (RJ)  e faleceu na mesma cidade em 2003, aos 88 anos de idade. Viveu e construiu toda a sua história pessoal e profissional na cidade do Rio de Janeiro. Formou-se em Direito e foi um advogado criminalista e trabalhista altamente conceituado na capital fluminense. Teve um papel de vanguarda social marcante: entre as décadas de 1950 e 1970, tornou-se um dos pioneiros na defesa dos direitos civis e na luta pelos direitos do consumidor no Brasil, antecipando discussões que só viriam a se consolidar juridicamente anos mais tarde. 
Primo do compositor Lamartine Babo, Octávio carregava a veia artística na família. Na literatura, dedicou-se apaixonadamente à arte da trova. Paralelamente, atuou na música popular como compositor e letrista. Sua obra musical mais famosa é a clássica marchinha natalina "O Velhinho" (composta em 1953), eternizada pelos versos "Botei meu sapatinho na janela do quintal...". Seu maior reconhecimento na poesia se deu pelo acolhimento de suas trovas na comunidade literária e em saraus fluminenses. Na música, a canção "O Velhinho" ficou originalmente em 3º lugar em um concurso natalino na voz de João Dias, mas obteve o maior prêmio possível: a consagração absoluta e atemporal do público brasileiro. 
Livros de trovas publicados: Cantigas das Horas Vagas; Ao Correr das Horas  
A relevância de Octávio Babo Filho reside na sua capacidade de manter viva e sofisticar a tradição da trova e da lírica popular brasileira. Em seus livros e escritos, ele demonstrava uma precisão cirúrgica para sintetizar grandes dilemas existenciais — como a melancolia, a finitude, o amor e a ironia do cotidiano — em pequenos blocos rimados de extrema beleza e acessibilidade. Além disso, sua contribuição cruza fronteiras literárias e musicais: ao compor "O Velhinho", ele ofereceu ao Brasil uma das raras e mais emblemáticas identidades de folclore natalino genuinamente nacionais, regravada por nomes que vão de Simone a Caetano Veloso e Roupa Nova.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Henriette Effenberger (Trovas Temáticas)


= = = = = = =
SAUDADE
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Para falar de saudade
sempre se vai precisar
ter um pouquinho de idade
e coisas para lembrar...

Saudade de nossa infância,
saudade de tempos idos...
Saudade pela distância
dos nossos entes queridos.

Saudade de gargalhadas,
saudades da adolescência,
das noites enluaradas,
plenas de efervescência...

Saudade não é lembrança,
saudade não é sofrer.
Lembrança sem esperança,
isso ela pode até ser.…

A campa tão nua e fria
do morto desconhecido
recebeu a cortesia
de um ipê todo florido.

A saudade, envelhecida,
virou apenas lembrança
não dói mais como ferida,
pois já perdeu a esperança…

Na quietude da noite
onde até o silêncio dorme,
a saudade, qual açoite,
retalha o sonho disforme.

Nos meus momentos de insônia,
minha saudade acalanto
e ela, sem cerimônia,
repousa sobre meu pranto.

Pra espantar felicidade,
a maldade tanto fez
que se vestiu de saudade
pra machucar outra vez.

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DESTINO
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A vida que tenho agora
é apenas resultado
de escolhas de outrora,
de opções do passado...

Dizem que eu tive sorte,
que o destino me sorriu,
ao escolher o meu norte
todo caminho se abriu.

O que chamam de destino,
boa, má sorte ou maré
eu apenas denomino
fruto de trabalho e fé.

Sei que fiz o meu destino,
palmo a palmo, linha a linha,
nada veio repentino
nem tive fada madrinha...

= = = =
PAZ
= = = =

A paz nem sempre é perfeita,
esconde-se em descaminhos,
entre dores, fica à espreita,
como rosa entre os espinhos.

Paz: muitas vezes usada
para gerar tanta guerra,
palavra tão desgastada,
não a vemos cá na Terra.

Pedir paz é tão vulgar,
lugar comum, um clichê;
melhor mesmo é desejar
que a paz habite em você...

Viver na Paz do Senhor,
nos dizia a tia Sila,
só mesmo com muito amor
e com fé que não vacila.

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ESTAÇÕES DO ANO
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Bom seria cada dia
viver como a primavera,
trazendo luz e alegria,
pois o verão nos espera..

Na primavera me aninho,
sou colibri, beija-flor,
sou menina-passarinho
buscando por teu amor...

Gosto de verão “caliente”,
sol daqueles de rachar,
que aquece a alma da gente
e nos convida a amar.

Verão agora é assim
chove, chove, sem parar.
Essa água não tem fim,
parece o céu a chorar...

Às vezes penso que o outono
por vir depois do verão
é uma estação de sono,
de invernos que chegarão...

O  verão com sol brilhando
e um azul no céu sem fim;
no fundo está preparando
o outono que existe em mim...

Não gosto de tempo frio
nem daquele céu cinzento.
O inverno, eu avalio,
é um velho rabugento...
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HENRIETTE EFFENBERGER é uma romancista, contista, poeta, memorialista e autora de literatura infantil da cena contemporânea brasileira. Destaca-se não apenas pela sensibilidade de sua produção, mas também por seu papel combativo na valorização das vozes femininas e como uma forte ativista cultural. Nasceu em 1952, na cidade de Bragança Paulista (SP). Desenvolveu toda a sua trajetória pessoal e profissional em sua terra natal, onde reside e mantém firme sua atuação na comunidade artística local. Formou-se professora primária (Magistério) em 1970. Em 1972, concluiu o curso Técnico em Contabilidade e, em 1975, graduou-se em Administração de Empresas pela Universidade São Francisco (USF). Conciliou suas formações técnicas com o engajamento social e cultural. Trabalhou inicialmente na APAE de sua cidade e, ao longo dos anos, uniu sua veia profissional ao resgate da memória e da história de diferentes instituições regionais por meio de livros encomendados e pesquisas históricas.
Henriette construiu uma carreira sólida na literatura independente nacional. É amplamente reconhecida como uma das criadoras e entusiastas do Mulherio das Letras, um coletivo literário feminista de grande relevância nacional que joga luz sobre a produção de escritoras mulheres. Pertence à ASES (Associação de Escritores de Bragança Paulista): sócia-pioneira, ex-presidente e diretora da instituição. Com uma produção vasta e diversificada, Henriette passeia por diferentes gêneros:
Romances e Ficção: A Ilha dos Anjos (2002, em coautoria com Maria Dulce N. K. Louro) e Quase nada de azul sobre os olhos (2022, seu elogiado primeiro romance solo).  
Contos: Linhas Tortas (2008): composto por contos premiados em concursos literários nacionais e internacionais, com apresentação de Ignácio Loyola Brandão e Fissuras (2018, publicado pela Editora Penalux). Em 2017, organizou a coletânea de contos: Horas partidas e a coletânea de contos e crônicas do Movimento Mulherio das Letras.
Literatura Infantil: As Aventuras do Superagora (2008) e Vida de Sabiá – O que sabiam os sabiás além de assobiar. vencedor do Prêmio João de Barro de Literatura Infantil, editado em 2009, pela Fundação Cultural de Belo Horizonte.
A autora acumula dezenas de prêmios em concursos literários nacionais e internacionais de poesia e prosa. Entre as principais honrarias, destacam-se: Prêmio João de Barro de Literatura Infantil (um dos mais tradicionais e importantes do segmento no Brasil); Prêmio Manaus de Literatura. Sua obra transcendeu as livrarias e tornou-se objeto de pesquisas universitárias. Seu livro Fissuras foi indicado como leitura na pós-graduação em Crítica Feminista da Universidade Federal Fluminense (UFF), e sua produção foi catalogada e estudada na obra acadêmica Vozes Femininas na Literatura Brasileira.
importância de Henriette Effenberger está profundamente atrelada à resistência da literatura descentralizada e ao fortalecimento da autoria feminina no Brasil. Ao criar narrativas que mergulham em fraturas cotidianas (como em Fissuras) e debater as complexidades do universo da mulher, ela subverte estruturas tradicionais e abre espaço para que temas intimistas e sociais caminhem juntos. Além disso, sua dedicação na liderança da ASES e no movimento Mulherio das Letras funciona como uma ponte fundamental para acolher, divulgar e pavimentar o caminho para as novas gerações de escritoras fora dos grandes eixos metropolitanos.

Biografia = Típico Local, Ser Mulher Arte, Papo D’Oro. Editora Penalux. Seção Bragança Paulista, etc.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Edy Soares (Caderno de Trovas)


Ah, mas que espirro maldito,
que me deixou avexado.
Além de forçar um grito,
ainda veio acompanhado!
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A memória enfraquecida,
a fronte calva, a bengala,
mostra no ciclo da vida
o velho que o neto embala.  
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A morte, visita chata,
desprezível,  deprimente
vem sorrateira,  arrebata,
levando a vida da gente.
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A mulher, pura beleza...
foi feita a partir de um osso,
mas a sogra, com certeza...
da carne de algum pescoço.
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Ao deparar com a cena
de uma boa escorregada,
confesso que tenho pena,
mas não seguro a risada.
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A trapaça é artifício
do covarde sem pudor,
que sem nenhum sacrifício
quer se fazer vencedor.
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Cabisbaixo pelos cantos
me pego pensando em ti.
Pai, o maior dos meus prantos,
é saber que te perdi.
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Cada mulher preparando
em seu ventre uma criança,
é o mundo se renovando,
é Deus nos dando esperança.
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Com o planeta por um fio,
tanta gente a desmatar.
Queira Deus que algum plantio,
seja feito no lugar.
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Da semente, a nova planta;
 da planta, a semente e o pão.
Do pão, a vida que encanta,
 que planta e cultiva o chão. 
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Deixemos de lado o orgulho,
pois nobre é o dom do perdão;
rancor guardado é entulho,
que adoece o coração.
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- Era profunda a raiz!
Disse o dentista ao cliente,
ao perceber que o nariz
saiu agarrado ao dente.
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Esse meu corpo curvado,
feito quem reverencia,
já dá sinais de cansado
e agradece mais um dia!
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Este amor que me oferece,
sinto – já não me convence.
Meu coração não merece,
pois a outro já pertence.
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É uma agressão desumana,
uma falta de respeito...
Num país com tanta grana,
hospitais faltando leito.
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Eu... você... as confidências...
Que pena que o tempo passa!
Hoje vivo de aparências
e a vida já não tem graça...
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Há que se enxergar o amor
em cada olhar, cada canto.
E perceber que onde for,
todo olhar tem seu encanto.
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Meu Noel é de dar dó...
Nesta crise, veio a pé,
sem renas e sem trenó...
E entalou na chaminé!
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Necessita ser “curado”,
todo aquele que imagina,
que quando estiver errado,
compra o certo com propina.
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Nunca vi trova sem rima,
macaco enjeitar banana;
nunca vi chover pra cima.
nem político sem grana.
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O chato que mais me irrita
e que mais me funde a cuca...
é aquela pessoa aflita,
que enquanto fala, cutuca.
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Os olhos as vezes falam
mais que palavras em vão;
silentes as bocas calam
enquanto amando se dão.
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Por egoísmo e ganância
a Terra está dividida.
Tanto poder e arrogância,
ante a pobreza sofrida.
= = = = = = = = = = = = = =  

Por se valer da trapaça,
ás vezes quem trapaceia,
por mais esforço que faça,
se enreda na própria teia.
= = = = = = = = = = = = = =  

Qualquer tipo de trapaça,
será sempre repugnante.
Mesmo que vencedor, faça...
Não fará mais que um farsante!
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Quando saio em devaneios,
navegando em pensamentos,
cruzo bravos mares cheios,
velejo em grandes tormentos.
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Quer, ricos ou indigentes,
todos são filhos de Deus;
sejam mansos ou valentes,
sejam nobres ou plebeus. 
= = = = = = = = = = = = = =  

Refletia a luz da lua,
o orvalho da noite fria;
sobre o menino de rua,
que na calçada dormia.  
= = = = = = = = = = = = = =  

Sem o amor do jardineiro,
o que seria da flor?...
Rosas não teriam cheiro,
jardins não teriam cor!...
= = = = = = = = = = = = = =  

Sempre achei que o céu é aqui,
à sombra dessa palmeira...
escutando o bem-te-vi,
no meu banco de madeira. 
= = = = = = = = = = = = = =  

Se não posso  amar a Bela
ou tê-la aqui junto a mim,
ainda sim, sonho com ela
entre as flores, no jardim.
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Sete vidas eu tivesse
ou talvez, setenta mil,
quantas vidas Deus me desse...
Que elas fossem no Brasil...
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Supera tristeza e dor,
quem na vida por batalhas,
aprende ser vencedor,
sem contentar com migalhas.
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Terra molhada no cio,
pronta, esperando a semente
das mãos que fazem plantio...
Tal qual amada nubente.
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Trago essa grande saudade,
longe, no peito que dói,
por amor a essa cidade...
Por amar-te Niterói.  
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- “Três dias de penitencia”,
pede o padre ao confessado.
- "Pode dobrar a exigência,
vou repetir o pecado!"
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Velhas fotos no monóculo,
na gaveta de uma estante...
É como ver de binóculo,
um tempo já bem distante.
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Vi sumir ao longe o trem.
Levou, chorando, Maria.
Na estação fiquei também
chorando porque a perdia.
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EDY SOARES (cujo nome de batismo é Edmardo Lourenço Rodrigues) é um poeta, sonetista clássico e trovador brasileiro. Nascido na cidade de Ibatiba/ES, em 1964, se destaca nacionalmente como uma das principais vozes da revitalização e preservação do movimento trovadoresco e do soneto clássico no Sudeste do Brasil. Nascido em solo capixaba e filho de pais agricultores, sua trajetória internacional e regional moldou sua vivência. Residiu nos Estados Unidos entre os anos de 1991 e 2006. Santo: Após retornar ao Brasil, fixou residência no município de Vila Velha/ES, onde vive, trabalha e mantém sua base de atuação cultural e empresarial. Paralelamente ao seu envolvimento de décadas com as letras, Edy Soares atua profissionalmente como empresário do ramo hoteleiro. Destaca-se por sua atuação em grandes eventos literários, tendo integrado ativamente as equipes de apoio, debates e programação da FLIC (Feira Literária Capixaba) nas edições de 2015, 2016 e 2017, além de participar da Bienal Capixaba do Livro.
Edy Soares possui uma vasta folha de serviços dedicados à comunidade literária de forma institucional, atuando de maneira marcante na liderança de agremiações de fomento à poesia. Exerceu o cargo de Presidente Estadual da UBT no Espírito Santo e presidiu a seção municipal em Vila Velha. Membro efetivo da Academia Brasileira de Sonetistas (ABRASSO); Membro da Academia Pan-Americana de Letras e Artes (APALA);* Acadêmico Correspondente da Academia Iunense de Letras (AIL); Membro da ASSEI (Associação de Escritores de Ibatiba), em sua terra natal.
O autor é amplamente reconhecido por dominar a técnica de formas poéticas fixas. Suas principais publicações incluem: Poemas, Canções e Sonetos; Flores no Deserto; Sonetos Sonantes; Três em Trovas (coautoria); Além de participação como prefaciador de obras regionais e publicação em dezenas de antologias e coletâneas literárias nacionais. Ao longo de sua trajetória na poesia acumulou importantes distinções, como Troféu Carlos Drummond de Andrade (2015): Recebido na histórica cidade de Itabira/MG, em reconhecimento à sua produção poética. Diploma Especial de Mérito Cultural concedido por academias literárias capixabas devido à sua dedicação e contribuição para a difusão da arte e das letras. Classificado recorrentemente em certames nacionais e internacionais e convidado frequente para compor comissões julgadoras de concursos de trovas.
A relevância de Edy Soares para a literatura contemporânea reside essencialmente no seu papel de preservador e articulador das formas poéticas tradicionais no Brasil. Em uma época literária amplamente dominada pelo verso livre, ele atua como resistência estética ao produzir e ensinar o soneto clássico e a trova. Mais do que produzir textos, sua importância manifesta-se no associativismo: ao liderar a UBT no Espírito Santo, ele ajudou a transformar a trova de uma prática de escrita solitária em um movimento coletivo forte. Edy estimula o surgimento de novos trovadores, organiza concursos de fomento à escrita rápida e sintética e atua ativamente conectando a literatura clássica às novas dinâmicas das redes sociais e feiras de livros modernas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Luiz Poeta (Trovas, com amor)


Aquele velho gabola
quis marcar um gol de placa,
tropeçou na própria bola,
coitado! Saiu de maca.
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Aqui, galo não se tem.
Relógio? ...deixa pra lá,
De manhã, me sinto bem,
quem me acorda é um sabiá.
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Caramba! Que desperdício!
Tanto alambique bacana
e o meu carrinho sem vício
movido a goles de cana!
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Coitada... pobre da gringa...
Quis sambar na passarela,
tropeçou na própria ginga
e a ginga tropeçou nela.
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Com a grana que ele roubou,
o doleiro se ufana.
por comer do que sobrou,
o pobre é quem vai em cana.
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Comilão come o que quer,
basta apenas sentir fome,
nem precisa de colher,
mete o dedo e tudo some.
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Fiel ao que a mestra ensina
com tanto amor e ternura,
orgulhosa, a pequenina
sorri ao fim da leitura.
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Filho e mãe, finda a leitura, '
adormecem… que obra prima!
É num toque de ternura
que a leitura se sublima.
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Há certo tipo de lama
que serve de adubação
e a semente nem reclama
da lama da podridão.
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Há lirismo e sentimento
em cada ramo que oscile,
polinizando, com o vento,
grinaldas de Bougainville.
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Há no caminho da trova
um preconceito exigente
de quem nunca se renova
nem sente o que a trova sente.
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Há poder na onda do mar;
há poder no Sol ardente,
mas há mais poder no olhar
de quem ama ardentemente.
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Hoje eu faço aniversário!
...estou vivo, quem diria
que esse meu itinerário
nem num caixão caberia!
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Nossa vida é um desafio:
o recém-nato que o diga;
sem um útero macio,
que ventre que nos abriga?
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Num rabisco num caderno,
a família reunida.
Quando um sentimento é terno,
um desenho ganha vida.
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Numa página molhada
pelo pranto, a poesia
ficou tão desfigurada,
que borrou a fantasia.
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Numa pequena gravura,
a família reunida.
Só Deus desenha a ternura
que representa uma vida,
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Numa trova sensual,
fiz o teu corpo de trilha,
mas meu verso irracional
tropeçou na redondilha.
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Num verso, se me confesso, 
nunca impeço a emoção
de escrever o que nem peço,
impeço, sim, a razão.
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Nunca fui muito bonito...
mas sempre fui sedutor:
seduzi o infinito
bonito do teu amor.
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O amor pede que eu siga
os rumos de um sonhador,
mas a mudez que me instiga,
se abriga na minha dor.
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O bonde do Corcovado
leva o povo embevecido
a cada vez que é trilhado
seu caminho colorido.
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Poeta nasce poeta,
mas o tempo o aprimora;
quando a vida é incompleta,
que poeta que não chora?
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Poeta que diz que mente,
certamente se desdiz,
pois só diz o que não sente,
quando mente que é feliz.
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Quando a alma está vazia
e o amor torna-se vago,
só se tem por companhia
a lembrança de um afago.
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Quem nunca tomou porrada,
não sabe nada da vida;
faz da avenida, a calçada
e da calçada, avenida.
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Quem parte, deixa uma parte,
encarte fora da obra,
mas quando a dor nos reparte,
a parte triste é que sobra,
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Quem prejulga e não se julga,
ou é tolo ou desvairado,
cachorro escondendo a pulga
nos pelos do condenado.
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Quem reclama o tempo inteiro
do tempo que Deus lhe deu,
será sempre prisioneiro
do tempo que já perdeu
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Quem se dedica ao ofício
sublime da poesia,
transforma esse dom em vício
e esse vício em fantasia.
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Quem se vai e a dor não deixa,
não se vai completamente,
pois se a solidão se queixa,
a saudade diz: "presente"!
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Quem te pôs, Drummond de Andrade,
dando as costas para o mar,
na certa quis que a cidade
pudesse te admirar.
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Quis pintar em aquarela
a história do nosso amor,
não pintei nada na tela,
como é que se pinta a dor?
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Redondilhas d'além-mar,
poesia lusitana,
Portugal no meu olhar
na quadra camoniana
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Roubei tuas fantasias,
mas tu ficaste com as minhas;
guardaste mais que podias
e eu quis bem mais do que tinhas.
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Tantas dádivas divinas
e o homem, contestador,
fechando suas retinas
para as dádivas do amor.
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Tantas vezes a sorrir,
minha mãe me abençoava;
quando teve que partir,
foi seu filho quem chorava.
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Tanto achismo e tanto achado,
tanto eu acho e... "desachei",
que olhando o lado errado,
eu percebo que acertei.
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Tantos olhares perdi,
procurando me encontrar,
mas dos olhos que escolhi,
só me vi no teu olhar,
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Te traí comigo mesmo.
Não perguntes como fíz.
Amar quem me ama a esmo
sempre me fez infeliz.
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Tenho pena dessas pombas
que já nem têm mais pombais;
elas são pombas das bombas,
não são mais pombas da paz.
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Tem sempre alguém que nos planta;
e com carinho, nos colhe,
alguém que nos agiganta
e sempre alguém... que nos tolhe.
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Tem tanta gente que indaga
sobre seu destino vão,
porque além da ideia vaga,
Deus lhe deu um coração.
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- Tens tanto predicativo
no teu olhar sedutor...
e eu só uso um vocativo...
sabe qual é? Meu amor!
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LUIZ GILBERTO DE BARROS, amplamente conhecido pelo seu pseudônimo patenteado LUIZ POETA, é um renomado professor, escritor, poeta, cantor e compositor brasileiro. Nasceu em 1950, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Desenvolveu toda a sua vida pessoal e artística estabelecido na própria cidade natal. Formou-se e atuou fortemente na área da educação como Professor de Língua Portuguesa, Redação e Literaturas Brasileira e Portuguesa. Lecionou em instituições tradicionais como os Colégios Santa Mônica, Itu e em escolas da rede pública do Município do Rio de Janeiro. É reconhecido também como gramático, revisor literário, prefaciador e tradutor. 
Sua veia poética começou a se consolidar fortemente a partir de 1967. Ele transita com extrema facilidade por diferentes vertentes da escrita, atuando como cronista, contista, ensaísta, trovador e adepto do movimento aldravianista. Pelo grande envolvimento e liderança em prol da cultura, Luiz Poeta acumula diversas condecorações institucionais de relevância: Presidente, Embaixador, Cônsul, Comendador e Chanceler em corporações de fomento às artes. Membro atuante e reconhecido no cenário das Federações e Academias de Letras e Artes do Brasil. Foi Presidente da Academia Pan-Americana de Letras e Artes; do Centro Cultural Leopoldina de Souza Marques, da Faculdade Souza Marques, e Diretor Presidente do Jornal “ O Coruja “, de circulação universitária; membro da Academia Luso-Brasileira de Letras; Associação dos Acadêmicos da Academia Brasileira de Letras; Academia Paulista de Letras; Academia Aldrava, Letras e Artes; Cerc Universal des Ambasssadeurs de la Paix; Divine Academie Française de Letters y Arts;  Cônsul dos Poetas del Mundo; Diretor Cultural da Associação Cultural Encontros Musicais; Inbrasci (Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, etc..
Teve, inclusive, o seu nome imortalizado na Sala de Leitura Luiz Poeta, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (5ª CRE), uma homenagem direta ao seu legado acadêmico. Ao longo de sua jornada, Luiz Poeta recebeu expressivos prêmios lítero-musicais (muitas vezes competindo sob pseudônimos para preservar a avaliação cega de suas obras): Prêmio UNESCO: Foi premiado duas vezes pela UNESCO em reconhecimento ao valor humanitário e cultural de seus escritos. Melhor Poeta do Estado do RJ (2008), condecorado pelo Congresso da Sociedade de Cultura Latina (Seção Brasil) na categoria de Poesia Clássica. Prêmio de Ensaio Poético: Teve sua obra "Gullarearte" (um cordel em homenagem a Ferreira Gullar) premiada em um concurso literário em Porto Alegre. Na Pele da Poesia (2007): Uma de suas obras poéticas de maior circulação, onde reúne poesias que exploram o cotidiano, o lirismo e a sensibilidade humana. Canção de Ninar Estátuas (2019) – contos; Trov…Ansi…Arte(2022) – trovas.
Sua extensa produção literária e artística espalha-se por livros autorais, coletâneas, CDs e DVDs, possuindo traduções em cinco línguas (português, espanhol, italiano, inglês e francês). Entre suas principais contribuições estão: Participação em Antologias de Peso: Como a antologia "Poemas à flor da pele", além de inúmeros sonetos clássicos publicados no Brasil e no exterior (como no Portal CEN, de Portugal). Obra Lítero-Musical: Registro expressivo de composições poéticas transformadas em faixas de áudio e vídeo distribuídas no mercado fonográfico e literário.
A relevância de Luiz Poeta reside no seu papel como elo integrador entre a erudição técnica e a sensibilidade popular. Como professor e gramático, ele defende a pureza e a beleza da língua, mas despe a poesia de "rebuscamentos intelectualóides". Ele democratizou o acesso à leitura poética e influenciou gerações de alunos no Rio de Janeiro. Herdando o talento do pai (que tocava flauta de bambu), Luiz tornou-se violonista, cantor, produtor musical e compositor de mão cheia. Ele atuou como Diretor Cultural da Associação Cultural Encontros Musicais, e sua relevância técnica é tão vasta que ele foi integrado como membro do casting oficial de suporte artístico da Orquestra Sinfônica. No campo das artes visuais, ele se destaca de forma inovadora pela criação de telas plásticas utilizando técnicas singulares com esmaltes de unha.

Fontes:
Luiz Poeta. Trov... Ansi... Arte. RJ: ZMF Ed., 2022. Livro enviado pelo autor.
Biografia = Dicionário MPB, Recanto das Letras, O Secular Soneto, Portal CEN, Confraria Brasileira de Letras, etc.

Versos Esparsos * 7 *