Era uma vez, no topo de uma colina verdejante, uma ouriço chamado Tatá e um coelho chamado Leco. Tatá era conhecida por sua paciência extrema, enquanto Leco era o bicho mais apressado de toda a floresta. Tudo para ele tinha que ser para ontem.
Certo dia, os dois se encontraram perto de um grande pé de amora. Tatá olhava para cima, esperando calmamente uma amora bem madura cair. Leco, impaciente, dava pulos ao redor da árvore.
— Ai, Tatá, como você consegue ficar aí parada? Desse jeito o dia vai acabar e você não vai comer nada! — reclamou Leco, balançando as orelhas.
— Ora, Leco, as melhores coisas da vida levam tempo para amadurecer. Se eu esperar o momento certo, a amora cairá docinha bem na minha frente — respondeu Tatá, com sua voz calma e pausada.
— Que bobagem! Quem se mexe primeiro consegue o melhor. Quer ver? — Leco tomou distância e deu um salto enorme, agarrando o galho mais baixo e puxando uma amora com força. — Viu só? Sou mais rápido!
Ele colocou a fruta na boca com entusiasmo, mas imediatamente fez uma careta horrível, fechando os olhos e chacoalhando a cabeça.
— Argh! Que horror! Está super azeda e amarga! — cuspiu o coelho, limpando a língua com a patinha.
Tatá deu um leve sorriso e explicou:
— Ela ainda estava verde, Leco. Você não deu tempo para a natureza fazer o trabalho dela.
— Mas eu não gosto de esperar! Esperar é chato, é perda de tempo! — protestou ele, cruzando os braços e batendo o pé no chão.
Nesse exato momento, um sopro suave de vento balançou as folhas mais altas da amoreira. Uma amora enorme, bem pretinha e brilhante, desprendeu-se do galho e caiu suavemente, plof, bem em cima das costas de Tatá.
A ouriço pegou a fruta com cuidado e deu uma mordida.
— Hum... Que delícia. Está tão doce quanto o mel — disse Tatá, saboreando cada pedacinho.
Leco olhou para a amiga, depois para a árvore, e soltou um longo suspiro. Sua barriga até roncou de fome.
— É... Acho que a sua amora estava muito melhor que a minha — admitiu o coelho, cabisbaixo.
— Quer metade, Leco? — ofereceu Tatá, estendendo o pedaço que restava. — Há tempo para correr e há tempo para esperar. O segredo é saber quando fazer cada coisa.
Leco aceitou o pedaço, agradeceu e comeu devagar, descobrindo que saborear a fruta sem pressa a tornava ainda mais gostosa.
Moral:
A pressa muitas vezes nos faz perder as melhores oportunidades. Ter paciência nos permite colher os melhores frutos no momento certo.
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JOSÉ FELDMAN é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo (1954), ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Taboão da Serra, Curitiba, Ubiratã e Maringá (PR) onde se fixou desde o ano de 2011. Casado desde 1994 com a Ph.D. Alba Krishna Topan, professora e coordenadora do curso de letras em língua inglesa da Universidade Estadual de Maringá. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por mais de 10 anos no Hospital das Clínicas da FMUSP. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. Professor de trovas e escrita criativa. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo “Euclides da Cunha”, na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister da Confraria Luso-Brasileira de Trovadores, em Portugal; Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias de Artur da Távola. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo. É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores:
1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos;
2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor;
3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.
Fonte:
José Feldman. Contos para crianças. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.

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