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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

XXV Concurso de Trovas de Caicó-RN 2026 (Premiados)


Tema: Conquista

ÂMBITO NACIONAL 
VETERANOS

1. Lugar: 
Cezar Defilippo 
(Astolfo Dutra-MG)
Nas crises emocionais
– conquisto em mim – nas batalhas,
reversões que valem mais
do que troféus ou medalhas...

2. Lugar: 
Lúcia Spadarotto 
(Itaperuna-RJ)
Antes mesmo que desistas
ante as lutas e os percalços,
lembra que muitas conquistas
são ganhas com os pés descalços.

3. Lugar: 
A. A. de Assis 
(Maringá-PR)
Esta, sim, é uma conquista
que imensa importância tem:
vencer o impulso egoísta
que nos afasta do bem.

4. Lugar: 
Marilia Tresca 
(São Paulo-SP)
O mundo aplaude a conquista,
ao ver dourado troféu;
mas não tem nenhuma pista
do calvário antes do céu!

5. Lugar: 
Karen Souza 
(Curitiba-PR)
Todo intento nos redime
se a empatia segue viva:
a conquista mais sublime
é a vitória coletiva.

6. Lugar: 
Renata Paccola 
(São Paulo-SP)
Da vitória, não desista,
mas os prazeres pequenos
valem mais do que a conquista
de um título a mais ou menos!

7. Lugar: 
Edy Soares 
(Vila Velha-ES)
Não existe luta inglória,
mas falta de afinco apenas...
Não se conquista a vitória
travando lutas pequenas!

8. Lugar: 
Sérgio Bernardo 
(Nova Friburgo-RJ)
Parti num barco sem rota
— tolo corsário otimista —
comandando a ingênua frota
dos meus sonhos de conquista...

9. Lugar: 
Ana Maria Guerrize Gouveia 
(Santos-SP)
Seja forte, não desista!
Quer no sonho ou na expansão,
pois, o valor da conquista,
nunca foi competição!

10. Lugar: 
José Ouverney 
(Pindamonhangaba-SP)
Bobagem pensar que assisto,
à distância, o que amealhas;
vou junto, a ver se conquisto
quem conquista essas medalhas!

11. Lugar: 
Arlindo Tadeu Hagen 
(Juiz de Fora-MG)
O progresso continua,
porém continua a guerra.
O homem que conquista a lua
não conquista a paz na Terra!

12. Lugar: 
Gilvan Carneiro 
(Niterói-RJ)
Em mil lutas me perdi...
E a maior conquista, sei,
foi quando enfim me rendi
e a mim mesmo conquistei!

13. Lugar: 
José Feldman 
(Floresta-PR)
Uma conquista de vida
não é apenas ganhar,
é ver a lição colhida
no dom de saber lutar.

14. Lugar: 
Abdo Hallack 
(Juiz de Fora-MG)
Não há conquista sem luta,
seja na vida ou no amor,
mas vencer na força bruta
é erguer o troféu da dor.

15. Lugar: 
Cipriano Ferreira Gomes 
(São Paulo-SP)
Mesmo a evidência pungente
da conquista que enobrece,
se dilui naturalmente
até que desaparece.

ÂMBITO NACIONAL 
NOVOS TROVADORES

1. Lugar: 
Jonas Freimann 
(Nova Friburgo-RJ)
Vi conquista no olhar pleno
da mãe, com suas mãos postas,
levando o filho pequeno
num balaio em suas costas.

2. Lugar: 
Victor Emanuel Moura de Moraes 
(Arcoverde-PE)
Não tema, jamais desista,
por medo de algum fracasso,
pois só se alcança a conquista
quem dá o primeiro passo!

3. Lugar: 
Jeferson Rodrigo Batista de Souza 
(Curitiba-PR)
Eu mantenho a integridade
no coração otimista.
A paz entre a humanidade
é a verdadeira conquista.

4. Lugar: 
Carlos Carvalho Cavalheiro 
(Sorocaba-SP)
Levanta a cabeça, amigo;
siga em frente, não desista:
no caminho do perigo
é que se encontra a conquista.

5. Lugar: 
José Fernando Cardoso da Silva Nascimento 
(Pindamonhangaba-SP)
Mais que fama transitória;
uma atitude humanista
deixa louros na memória
do coração, à conquista.
= = = = = = = = = = = = = =  

ÂMBITO ESTADUAL

1. Lugar: 
Hélio Alexandre S. e Souza 
(Natal-RN)
Mais que bravatas e causos,
na conquista, os vencedores
não se forjam dos aplausos,
mas do silêncio das dores!

2. Lugar: 
Eva Yanni de Araújo Garcia 
(Caicó-RN)
Conquista é quando os olhares,
em silêncio e sem razão,
florescem, formando pares
pelo olhar do coração!

3. Lugar: 
Professor Garcia 
(Caicó-RN)
Se a luta não nos condena,
da busca, jamais desista;
não há conquista pequena,
ante uma justa conquista!

4. lugar: 
Hélio Pedro Souza 
(Natal-RN)
Os meus sonhos de criança
sonhei sem perder de vista,
com pés firmes da esperança
a cada nova conquista!

5. Lugar: 
Ramon Barros 
(Caicó-RN)
Minha conquista mais nova,
de poeta trovador,
foi saber amar a trova
fazendo trova de amor.

6. Lugar: 
Marciano Medeiros 
(Parnamirim-RN)
Entre os ventos da jornada
num jardim que transcendeu,
beijo a rosa conquistada
do sonho que floresceu.

7. Lugar: 
Rozanni Garcia 
(Caicó-RN)
Acolhendo os destemidos,
a conquista é feito um ninho;
Onde as dores e os gemidos
são detalhes do caminho.

8. Lugar: 
Joamir Medeiros 
(Natal-RN)
Não vale juntar riqueza,
fama, poder, vaidade...
Há mais encanto e nobreza
na conquista da verdade.

9. Lugar: 
Prof. Maia 
(Caicó-RN)
Na jornada da conquista,
sofri quedas sem cessar;
cada queda deixou pista
pra poder recomeçar.

10. Lugar: 
Marcos Antônio Campos 
(Natal-RN)
Agrega-se à ação heroica
à força – divina e humana –
ante a dor, da luta estoica
a conquista soberana.

11. Lugar: 
Mara Melinni 
(Caicó-RN)
Conquista é, ao fim do horizonte,
na vitória ou no fracasso,
mais do que chegar ao monte,
dar valor a cada passo!

12. Lugar: 
Francisco Gabriel Ribeiro 
(Natal-RN)
Mesmo de forças amenas,
surgem vitórias perfeitas...
são com conquistas pequenas
que grandes obras são feitas.

13. Lugar: 
Carlos Alberto 
(São José do Seridó-RN)
Tantas conquistas suadas,
se contar, são mais de cem;
todas foram conquistadas
entre as conquistas do bem.

14. Lugar: 
Manoel Cavalcante 
(Pau dos Ferros-RN)
Dinheiro quando amontoa
às vezes nem faz efeito...
Conquista é quando pessoa
tem paz rendendo no peito...

15. Lugar: 
Francisco Francilaide Campos 
(Natal-RN)
Com o olhar nasce o namoro,
santa união é benquista;
a emoção conduz o choro
à alegria da conquista.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Roberto Tchepelentyky (Semeando Trovas)

 

A caminho do infinito,
prossigo a minha viagem...
Levo o que é de mais bonito:
O nosso amor na bagagem!
= = = = = = = = = = = = = =  

A chama já consumia
a casa do seu Arlindo,
quando psiu... ele dizia:
" Minha sogra está dormindo"!...
= = = = = = = = = = = = = =  

À interferência me oponho 
do que não pude viver... 
Acendo a luz de outro sonho 
e me faço amanhecer!
= = = = = = = = = = = = = =  

A minha sogra eu veria,
não importa em que planeta,
se pudesse, todo dia...
Claro, por uma luneta!!!
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Amor, estranha magia,
do coração e da mente.
Com toda sua alquimia,
nos faz um adolescente.  
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À noite, em frente á TV,
a vovó e o manto dela...
Ela dorme e nada vê,
o manto assiste à novela...
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A paz que tanto nos falta,
deixando a vida feroz,
é uma criança peralta,
oculta dentro de nós!
= = = = = = = = = = = = = =  

A vida é um fogo de palha
e o tempo se mostra algoz,
mais parece uma fornalha
onde a palha...  somos nós! …
= = = = = = = = = = = = = =  

"Bate" a inspiração na gente...
Verso nenhum se aquieta,
quando Deus, onipotente,
nos permite ser poeta!
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Deixa o que passou "de lado",
a vida é um ensinamento...
Pois lamentar o passado
é correr atrás do vento!...
= = = = = = = = = = = = = =  

Dentista tem a virtude
de cumprir sua missão,
sendo artesão da saúde,
traz sorriso ao seu irmão!
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Dentre as forças deste mundo,
procurando paz, eu vim,
encontrá-la aqui no fundo,
de onde crio a força em mim.
= = = = = = = = = = = = = =  

De político do “avesso”,
a gente já tem calombo...
pois, quando ele dá tropeço,
é o povo que leva o tombo!!!
= = = = = = = = = = = = = =  

Deste-me um beijo no rosto,
tal qual verso de ousadia…
e o problema meu é o gosto
de completar a poesia!
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Em cada dia, a humildade
nos ensina uma lição…
É um degrau da humanidade
na escala da evolução!…
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E o velhinho gritou: “Opa!...”
Depois de tanta procura...
no prato de sua sopa,
encontrou a dentadura.
= = = = = = = = = = = = = =  

Lamenta a tecnologia...
e, por saber, não se acalma,
que jamais construiria
um homem de corpo e alma!
= = = = = = = = = = = = = =  

Louvo "Os Timbiras" na história,
por ser um poema fecundo:
São quatro cantos de glória
nos quatro cantos do mundo!…
= = = = = = = = = = = = = =  

Na despedida, o teu lenço
deixou o meu com “revolta”!
Nem viu, num adeus intenso...
que o meu...acenava: Volta!!!
= = = = = = = = = = = = = =  

Na homenagem ao dentista,
com singelos versos, friso:
Mais do que ser um artista,
é um poeta do sorriso!
= = = = = = = = = = = = = =  

Nossos olhares ousados,
já perceberam que são
dois desejos conjugados
num “ jogo de sedução”!…
= = = = = = = = = = = = = =  

O amargor da despedida
de alguém que amamos demais,
é ter o sabor na vida
do “gosto de nunca mais”!…
= = = = = = = = = = = = = =  

O "bebum" vai ao velório
e abraça a "booooa” comadre,
dando um pesar vexatório:
"Me solta, que eu sou o Padre!!!”
= = = = = = = = = = = = = =  

O bem oculto a dispor,
seja a quem for, sem vaidade,
é a essência pura do amor,
vestida de caridade!
= = = = = = = = = = = = = =  

O chão do quarto molhado...
A sogra pagou o mico
após seu grito abafado:
" Meu Deus! Errei o penico"!!!
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O destino escreve a escolha
do amor de nós dois assim:
Páginas da mesma folha...
Tu... de costas para mim!…
= = = = = = = = = = = = = =  

O silêncio traz a paz
do universo e se engrandece,
com amor que o homem faz
do silêncio sua prece! 
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O teatro é fantasia,
mas, às vezes, como tal,
ninguém o diferencia
da nossa vida real...
= = = = = = = = = = = = = =  

O vento faz serenata
e o mar se põe a cantar
versos, em ondas de prata,
de uma poesia... ao luar…
= = = = = = = = = = = = = =  

Partiste... E a nossa amizade
no infinito se enternece...
Tu me mandas a saudade,
eu te mando a minha prece!…
= = = = = = = = = = = = = =  

Político que faz "rolo",
bem ou mal ele se arranja,
pois no meio do seu "bolo",
tem recheio de "laranja"!!!
= = = = = = = = = = = = = =  

Pra aquela visita chata,
o que me deixa mais louco,
é ouvir a frase insensata:
"Já vai? Fica mais um pouco"!...
= = = = = = = = = = = = = =  

Pra que a filha não se “perca”,
meu vizinho fica alerta...
De que vale “fazer cerca”
pra quem tem porteira aberta?!
= = = = = = = = = = = = = =  

Quem tem amor verdadeiro  
que brota no coração,
vivifica o seu canteiro
com as flores do perdão!
= = = = = = = = = = = = = =  

Sobre a parreira, o luar
no sereno te retrata…
E os teus olhos a brilhar:
“Duas uvas”… cor de prata…  
= = = = = = = = = = = = = =  

Ter “gandula bonitinha”,
rebolando, só piora...
O jogo quase não tinha:
- por tantas bolas pra fora! ...
= = = = = = = = = = = = = =  

Teu abraço me agasalha
com carinho tão profundo...
sinto em volta uma muralha,
separando-nos do mundo!…
= = = = = = = = = = = = = =  

Teu “jogo de amor” peralta,
por ciúme, nos devora:
- tu cobraste a minha falta,
batendo o “pênalti” fora! …
= = = = = = = = = = = = = =  

Três luas, na madrugada, 
me fazem um sonhador: 
Uma no céu, prateada... 
e as do olhar de meu amor!
= = = = = = = = = = = = = =  

Um amor que já floresce,
escondido, não se assume.
É uma flor que nem parece...
Mas que exala seu perfume!
= = = = = = = = = = = = = =  

Um casal tão agitado
no sofá de namorico,
parecia ter tomado
um banho de pó-de-mico!...
= = = = = = = = = = = = = =  

Vive a "página da vida"
nem que seja a "solavanco"!...
Pior é quem na "partida",
carimba a página: "Em branco"!

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Roberto Tchepelentyky
ROBERTO TCHEPELENTYKY é um dos nomes da trova contemporânea na capital paulista. Nasceu na cidade de São Paulo/SP, onde reside atualmente. Na esfera profissional, divide sua rotina entre as artes e a ciência médica, atuando como médico Clínico Geral na região de Santo Amaro, em São Paulo. Essa dupla jornada — a precisão do diagnóstico e a sensibilidade do verso — reflete-se na profundidade de suas composições.
Roberto descobriu o universo da trova em 2003, através do magnífico trovador Izo Goldman. Desde então, tornou-se um dos poetas mais ativos do movimento. Concorrente assíduo e multipremiado em Jogos Florais e concursos nacionais e regionais. A sua produção poética está vastamente documentada em antologias oficiais, coletâneas de Jogos Florais por todo o Brasil e em publicações especializadas do gênero da trova, tanto impressas quanto em importantes portais trovadorescos. 
A relevância de Roberto Tchepelentyky para a literatura nacional reside no seu papel de guardião e modernizador da Trova. Com humor refinado, lirismo e capacidade de síntese poética, Roberto não apenas enriquece o patrimônio literário paulistano com suas vitórias em concursos, mas também atua ativamente nos bastidores da trova. Ele ajuda a democratizar o acesso à poesia, provando que a literatura clássica e rimada continua vibrante, acessível e essencial no século XXI.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Elisabete Aguiar (Semeando trovas)


1
Andar por ínvios caminhos
buscando a Felicidade
é como colher espinhos
na Rosa da Eternidade.
2
Atritos, perdas, cuidados
que a vida te patenteia
são despojos naufragados
que agora jazem na areia.
3
A vida é feita de nadas,
enganando muita gente
que julgando águas paradas
vai ao sabor da corrente.
4
A vida é uma mesa posta
com diversas iguarias;
se de amargores não gosta,
ponha doçura em seus dias.
5
Batem três horas na torre,
é já tempo de dormir...
mas a noite corre, corre,
e eu fico a vê-la fugir...
6
Boa trova não troveja,
não faz barulho ou ruído:
doce música de igreja
a consolar-nos o ouvido.
7
Com canto combate o pranto
e a treva em que a Terra jaz;
em cada canto e recanto
cante-se a Visão da Paz!
8
Das mil palavras que li,
cada letra foi um beijo
que, alado, voou pra ti,
no sonho de ser arpejo.
9
Desenhar passos incertos,
ao sabor da multidão,
é navegar em desertos
em busca de água ou de pão.
10
É fácil ser um herói
com uma espada e armadura;
mas é quando a alma dói
que se revela a bravura.
11
É na noite tenebrosa,
quando os astros vestem dor,
que uma estrelinha teimosa
persiste em parecer flor.
12
Gente anônima e distante,
que comigo cruza a rua,
é também meu semelhante
na cruz que a vida insinua.
13
Há zeros a mais na conta!
Milionário, tem cuidado.
Na tua conta, desconta
o amor que tu não tens dado.
14
Mais alto que o Céu profundo,
mais vasto que o imenso mar,
é o Amor que envolve o Mundo
e o faz pra Luz caminhar.
15
Meu amor é como um hino
que eu muito bem sei cantar.
nos gorjeios do destino
o poderás escutar.
16
Muita riqueza fugaz
o homem que corre a buscar;
é mais rico se é capaz
de a ver partir sem chorar.
17
Na corda bamba da Vida,
o futuro sempre em vista,
sou criança divertida
brincando de equilibrista.
18
Não adies nunca o Amor
para outro dia ou momento;
pois o vento embala a flor
sem pedir consentimento.
19
Não deixes que um pensamento
fortuito, vil e malsão,
ensombre com seu lamento
a Luz do teu coração.
20
Não quero correr Contigo,
mas a Teu lado correr,
pra correr com o perigo
que corre pra me vencer.
21
Não te espantes da mudança,
tudo voa e vai no vento;
ou prendes bem a lembrança
ou voa com o pensamento.
22
No meu livro de memórias,
guardo, com todo o recato,
as mil saudosas histórias
que conta o nosso retrato.
  23
Ó linda Mãe-Natureza,
tão pródiga e salutar,
perdoa a cega vileza
do homem, quando te queimar!
24
"Para o alto e sempre em frente"
- mostra o guia da cidade;
sigo o rumo e, de repente...
"Bem-vindo a Felicidade!"
25
Passo a vida passo a passo,
com receio de espantar
com o ruído que faço
a Vida, em mim, a cantar.
26
Pela semente do Amor
que lançaste no meu peito,
faz que eu, vá aonde for,
saiba viver satisfeito.
27
Pinheiros, carvalhos, vinhas,
das cores mais variadas,
são coros de ladainhas
pras almas angustiadas.
28
Por muito que a gente mude
e busque amor a seu jeito,
um só salva e nunca ilude:
o de mãe -Amor-perfeito!
29
Porque a vida tem escolhos,
não hesites na jornada;
a rosa tem seus abrolhos
mas deixa a mão perfumada.
30
Por ser estreito o Caminho,
cada qual vai como pode;
mas não empurre o vizinho...
Se cair, ele lhe acode!
31
Quando a mente se alimenta
de daninha nutrição,
corta o joio da tormenta
e semeia um novo pão.
32
Quando chega, quando parte,
do cais que esta vida é,
aceita, pois que faz parte
do bailado da maré.
33
Rumoreja o pinheiral
uma conversa secreta
entre os pios de um pardal
e a doce brisa discreta.
34
Subiu ao topo da vida
nas asas de um furacão;
descuidou-se na descida...
estatelou-se no chão.
35
Um concerto a uma só voz
reverbera em céu e terra,
contra a mágoa e dor atroz
que um peito humilhado encerra.
36
Um coração sempre aberto,
um sorriso sempre à mão,
fazem jorrar no deserto
águas de Paz e Perdão.
37
Vozes de aves nas ramadas,
em harmonia de irmãs,
são como missas cantadas
no silêncio das manhãs.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Elisabete Aguiar (1951)
ELISABETE DO AMARAL ALBUQUERQUE FREIRE AGUIAR é uma poetisa, trovadora e educadora portuguesa contemporânea, reconhecida pela sensibilidade de seus versos e dedicação ao ensino da língua e da cultura. Nascida em 1951 na freguesia de Ribamondego, Concelho de Gouveia, Portugal. Embora nascida no Concelho de Gouveia, possui forte ligação afetiva e residencial com a região de Mangualde, distrito de Viseu, local que frequentemente serve de referência para a divulgação de suas trovas e produção artística. Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Coimbra. Dedicou grande parte de sua vida à docência, atuando como professora de Português, Literatura Portuguesa e, em determinados períodos, também de Francês, moldando gerações através do ensino das Letras.
No universo literário, destaca-se primorosamente no gênero da trova. Suas criações poéticas são marcadas pelo lirismo, espiritualidade e observação do cotidiano humano, circulando ativamente em espaços dedicados à preservação da poesia tradicional e dos trovadores ibero-americanos. Possui dois livros de poesia publicados individualmente e um livro de traduções concebido em coautoria com o amigo e escritor Fernando Augusto Teixeira Gonçalves. Sua atuação concentra-se de forma independente e colaborativa em grêmios, tertúlias e movimentos de poetas trovadores.
A relevância de Elisabete do Amaral Albuquerque Freire Aguiar reside na manutenção ativa da tradição trovadoresca, uma das formas poéticas mais antigas e ricas da língua portuguesa. Ao unir sua bagagem como filóloga e professora à escrita lírica, ela atua como uma ponte fundamental entre o rigor acadêmico e a sensibilidade popular, assegurando que a poesia breve, rimada e metrificada continue viva e tocando a alma humana na contemporaneidade.

domingo, 13 de setembro de 2026

Luiz Damo (Semeando Trovas)


A face pode não ter
a mesma força do olhar,
mas, nela podemos ler,
o que o dono quer falar.

A mentira, então solteira,
foi juntar-se ao desrespeito
e a traição, filha primeira,
fez nascer um lar desfeito.

Ampla e plena liberdade
à humanidade Deus deu,
mas a sensibilidade
nem a todos concedeu.

Ante as rochas da imprudência
todo o sonho se tritura,
só resta à sobrevivência
destroços de uma aventura.

Às aves Deus tira o medo,
de voarem nas alturas,
diz aos homens, vos concedo:
luz para as noites escuras!

A velha e frágil escada,
quase perdeu seu valor
de conduzir à sacada
alguém pelo elevador.

A verdade que hoje buscas,
num passado tão distante,
está na imagem que ofuscas
todo o dia, a cada instante!

Ávida, à vida a alma segue,
busca o porvir tão sonhado,
num presente que prossegue
carregando o seu passado.

Cada dia que somamos
à caminhada vivida,
nova flor acrescentamos
no ramalhete da vida.

Conquistas vão se somando,
pela subtração da dor,
divide, multiplicando,
teu sentimento de amor.

Dentro e fora da família,
tudo gire em torno dela,
sirva ao mundo de estampilha
sendo à paz sua chancela.

Destemido, o sol mergulha,
no horizonte debruçado,
deita à terra, tal fagulha,
sendo por ela abraçado.

De uma indigesta amizade
muitas vezes nada resta,
nem arestas de saudade
sobram pra fazer seresta.

Diz quem ama, à parte amada:
esquecer-te eu não consigo,
sem ti sou menos que nada,
mais que tudo, eu sou contigo.

É depois de um tratamento
que o doente convalesce
e ao sumir o sofrimento
a saúde lhe aparece.

Faça a verdade imperar
sobre qualquer julgamento
e assim a chance de errar
pode ser zero por cento.

Frágil corpo os pais nos deram,
vida e sinais que eram seus,
o corpo, os filhos o enterram,
mas a essência volta a Deus.

Há quem queira ser modelo
de uma vivência exemplar,
luta tanto e por não sê-lo
passa a se autocontemplar.

Jamais posso imaginar,
ou projetar meu porvir,
sem ao passado voltar
e no agora me inserir.

Longínquas tardes amenas
com o rubor da pitanga,
trazem imagens serenas
do sol dormindo na sanga.

Livro! Tua estrela brilha,
sob o cosmos da cultura,
iluminas quem palmilha
as estradas da leitura.

Mantenha a chama do embate
na luta, sem se apagar,
siga em frente no combate
com o exemplo a propagar.

Mesmo fraca, a dor na luta,
avança e nos faz sofrer,
nunca, se a nossa conduta,
for mais forte e não ceder.

Na contramão do sucesso
segue lento o pessimista,
finge que exista progresso,
pensando ser otimista.

Nada igual, nem mais fecundo,
que plantarmos bons valores
deixando assim para o mundo
um legado aos sucessores.

Nada igual, nem parecido,
com a flor desabrochando,
o campo fica florido
na primavera chegando.

Não chores se a dor te aflige
e impede de à vida alçares,
qualquer luta esforço exige
para o objetivo alcançares.

Não tem criança que esconda
a predileção em ter,
um simples carro de lomba
pra brincar e se entreter.

Nas esquinas do passado
deixo um pedaço de mim,
por alguém vai ser juntado
depois de chegar meu fim.

Nas mãos dos transportadores
quantos frutos transportados!
Transportam grandes primores,
depois dos bens transformados.

Ninguém cai do seu cavalo
quando passa a conhecê-lo,
a não ser que sem domá-lo
pensa estar sobre um camelo.

Ninguém morra brutalmente
por qualquer bala perdida,
de uma escolha inteligente
surja a proteção da vida.

No campo, traça caminhos,
quem planta e supera o pranto
ceifa a dor do próprio espinho
que tenta ofuscar o encanto.

Num contexto mais moderno
o saber rompe a fronteira.
Não tem SIM que seja eterno,
nem um NÃO pra vida inteira.

O autor de um crime confesso,
quando aos tribunais, entrar,
tem nos autos do processo
tão pouco a lhe acrescentar.

O Brasil vê com reserva
as matas diminuírem,
enquanto o mundo as observa
de longe, também sumirem.

O leitor quando mergulha
no universo da leitura,
dela faz nova fagulha
a brilhar na noite escura.

Ontem, no homem, seu bigode,
era igual a um documento,
hoje, o que assina, mal pode,
dar aos atos provimento.

Os primeiros imigrantes
venceram hostilidades,
não foram beligerantes
mas guerreiros nas vontades.

O tempo transcorre ameno,
para quem a paz imprime,
nos traços de algo sereno
vê-se o bem que o mal suprime.

Para Deus jamais afirmes
que os grandes males são teus.
Aos males nunca confirmes
que eles são frutos de Deus.

Parta e desate as amarras,
busque do sol o esplendor,
pra colher noutras searas
os frutos de um sonhador.

Passam meses, surgem anos,
mudam séculos, milênios,
o homem elabora planos
não maiores que decênios.

Pedra solta, rola imersa,
na água turbulenta e fria,
rija, impune e controversa,
companheira à travessia.

Por trás dos ventos hostis
a varrerem a esperança,
ouve-se uma voz que diz:
não temeis, virá a bonança!

Quando ao consultório fores
buscando, à dor tratamentos,
não sejam somente às dores,
mas, também aos sentimentos.

Quando na vida avistares
fartas nuvens de ciúmes,
lembra, não passam de entraves,
sob a forma de tapumes!

Quem oferece uma flor
pode ser autor confesso,
dum ato que exprima amor
ou de carinho em excesso.

Quem tomar uma atitude
em não mais se alimentar,
vê enfraquecer a saúde
e o corpo debilitar.

Ramo algum é superior
que a planta, mas pode um dia,
se romper, se o vento for,
maior que a sua energia.

Se a luta parece insana
e a batalha perniciosa,
mude tal conduta humana
numa senda prazerosa.

Se beberes, não dirijas,
nem deixes que alguém o faça.
Para que, por nada erijas,
teu sepulcro numa taça.

Se calado alguém consente
não sente a mesma emoção,
de falar tudo o que sente
guardado em seu coração.

Se ensinares à criança
ser instrumento de paz,
no céu terás uma herança
que a ninguém a perderás.

Seja a luz da vida, o fulcro
e a morte um fruto tardio,
tudo o que ocupa o sepulcro
sejam restos de um vazio.

Seja como a vela acesa
num candelabro a brilhar,
siga à vida com firmeza,
sem medo de iluminar.

Se não mudas teu passado
muda o teu jeito de ser,
nisso podes ter mudado
o mundo sem perceber.

Só quem luta sabe o quanto
o dor pesa na derrota,
seu rosto banhado em pranto
reflete o que ela denota.

Surge o sol nos horizontes,
as estrelas vão dormir
e o lençol cobrindo os montes
retira-o pra se vestir.

Todo passo na alegria
se veste de brevidade,
mas, à dor, numa agonia,
parece uma eternidade.

Vejo à noite um lampadário
sempre à mesma hora a acender,
nunca muda de cenário
para o brilho acontecer.

Velho tronco decepado
com vestígios de abandono,
na impunidade, ceifado,
pelas mãos do próprio dono.

Vida plena, alguém alcança,
se calcada na virtude,
numa constante mudança
ascendendo à plenitude.

Vida, vivida com a alma,
é arte nas mãos do escultor,
chama que arde lenta e calma,
na imagem do Criador.

Vi nas areias, pegadas,
de alguém que me precedeu
e as minhas, quase apagadas,
ninguém as reconheceu.
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Luiz Damo (1954)
Luiz Damo é um destacado poeta, intelectual e trovador gaúcho, amplamente reconhecido no Rio Grande do Sul e no cenário nacional por sua intensa atuação na preservação e difusão da trova literária. Nasceu na cidade de Casca/RS, em 1954. Reside e concentra suas principais atividades literárias em Caxias do Sul/RS, desde fevereiro de 1976. Construiu uma sólida trajetória multidisciplinar de formação acadêmica realizada na Universidade de Caxias do Sul e outras instituições da região. Atuou como Técnico em Contabilidade. Possui Licenciatura Plena em Filosofia, com pós-graduação em Moral e Ética em Kant, além de formação em Teologia. Cursou também as faculdades incompletas de Ciências Contábeis e Ciências Jurídicas (Direito). 
O autor é um ferrenho defensor da trova literária. Ele atua distinguindo-a com clareza da trova repentista de gaudérios. Sua poética abrange temas tradicionais da trova, reflexões filosóficas, o cotidiano e a identidade cultural do imigrante. É uma figura central na Seção Caxias do Sul, exercendo papel de liderança e presidência na organização de concursos. Membro efetivo da Academia Caxiense de Letras (ACL), onde ingressou no ano de 1991. Integra também diversas outras confrarias e academias brasileiras de caráter literário. Possui dezenas de condecorações e classificações de destaque em importantes certames nacionais, como os conceituados Jogos Florais pelo Brasil. Conquistou prêmios, menções honrosas e classificações em concursos tradicionais como o Concurso de Trovas de Cachoeira do Sul e os Jogos Florais de Curitiba.
O poeta possui 11 obras editadas de forma individual e participação em mais de 50 antologias no Brasil e no exterior. Entre seus principais títulos de destaque estão: As Faces da Trova (Obra de referência conceitual sobre a trova literária); Celebrando com Trovas (Coletânea poética de sua autoria); Academia Caxiense de Letras: 40 Anos de História (Livro historiográfico sobre a instituição literária caxiense).
A relevância de Luiz Damo para a literatura reside em ser um guardião ativo da memória e da técnica formal da trova. Em uma época de modernizações estéticas, ele dedica sua trajetória a ensinar e popularizar as regras rígidas da trova lírica e da cartrova por meio de oficinas, projetos subsidiados (como "As faces da Trova") e concursos integrados à grande Feira do Livro de Caxias do Sul. Sua atuação ajuda a descentralizar e manter viva a produção literária no interior do Rio Grande do Sul, fomentando novos talentos na poesia.

XXV Concurso de Trovas de Caicó-RN 2026 (Premiados)

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