Trovadores em Ordem Alfabética

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quinta-feira, 21 de maio de 2026

A. A. de Assis (A era do ócio)


Está em pauta nas conversas a redução da jornada de trabalho. Como ocorre em toda inovação, tem gente contra e gente a favor, porém na verdade se trata apenas de um começo de adaptação natural às realidades do mundo novo.

Mecanização > automatização > informática > robótica > inteligência artificial... Somos uma geração atropelada por sucessivas revoluções tecnológicas, todas elas impulsionadas pela lei do menor esforço (“vis minima”).      

São conquistas que, de fato, concorrem para tornar mais fácil a vida; todavia, em razão delas, a mão de obra humana vai sendo aos poucos dispensada. Numerosas profissões já foram extintas e outras tantas perderão logo a razão de existir, disso resultando que a oferta de vagas no mercado de trabalho vai também rapidamente diminuindo.

Num futuro próximo, a maior parte dos empregos será para profissionais maximamente especializados, capacitados para pilotar robôs e outros engenhos sofisticados. Esses superespecialistas produzirão barato e em abundância tudo o que for preciso e os demais cidadãos e cidadãs terão acesso garantido por lei a tudo o que for necessário para o seu sustento e bem-estar.

Estará assim iniciada a Era do Ócio, profetizada há mais de dois mil anos pelos sábios da Antiguidade – entendendo-se ócio não como preguiça, mas como tempo livre para atividades prazerosas e serviços assistenciais voluntários.

E as escolas... ensinarão o quê? Decerto o mesmo que hoje, porém apenas para ajudar as pessoas a tirarem melhor proveito das novas maravilhas. Ensinarão principalmente esportes e artes. Alunos e alunas serão treinados para a prática de exercícios físicos, a fim de manter o corpo sadio, e para o cultivo de atividades artísticas e culturais que façam bem à cabeça.

Programadores e operadores de robôs viverão felizes, porque o de que eles mais gostam é mesmo de mexer com as suas ferramentas inteligentes. Os demais bilhões de seres humanos viverão também felizes, porque desfrutarão de um alto padrão de vida. Quem viver verá. 
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(Crônica publicada no Jornal do Povo – Maringá – 21-5-2026)

Baú de Trovas 1

 



Aquele aspecto divino
que envolve certas pessoas
é o troféu com que o destino
condecora as almas boas.
A. A. DE ASSIS
 

Se há muita gente que gosta
de dizer o que bem quer,
é provável que, em resposta,
ouça aquilo que não quer!
ANA RODRIGUES
 

Às vezes a caridade,
que a paz e a esperança aspira,
põe no lugar da verdade
uma piedosa mentira…
ANGÉLICA VILLELA SANTOS
 

O Destino quis um dia
divertir-se de verdade.
Casou a dor e a alegria,
veio uma filha: a Saudade!
APARICIO FERNANDES
 

Quantos mortos trago vivos
no fundo do coração,
e dentro em mim quantos vivos
há muito mortos estão!
BELMIRO BRAGA
 

Rouba a luz do sol, maldosa,
o manto da madrugada,
que se afasta pressurosa,
na penumbra, encabulada...
CARMEN RUTH HOFFMANN
 

Quanto esta vida seria
difícil de suportar,
se não fosse esta mania
que a gente tem, de sonhar!
CAROLINA AZEVEDO DE CASTRO
 

Minha vida ganha impulso
e mais impulso ganho eu,
sempre que sinto o teu pulso
pulsando junto do meu!...
CAROLINA RAMOS
 

Quando a solidão avança, 
trazendo tristeza e medo, 
o amor é a luz da esperança, 
qual farol sobre o rochedo.
CATERINA BALZANO GAIOSKI
 

Luar, viola e sertão
nos mostram com harmonia
como a própria solidão
precisa de companhia…
CÉZAR AUGUSTO DEFILIPPO
 

Hoje, livre da senzala,
abolidos preconceitos,
a humanidade se embala
nessa ilusão de direitos...
DARIA RIBEIRO DO CARMO
 

Contra toda a malvadeza, 
que causa tantos horrores, 
em resposta, a natureza 
vem cobrir o chão de flores!
DARI PEREIRA
 

Uma pergunta insistente
de vez em quando me ocorre;
- Por que é que toda gente
só fica boa se morre?
DALVA CAMPELO CASTANHEIRA
 

Juntando juncos, retalhos
no bom arranjo da tralha,
foram surgindo espantalhos
dos louros sonhos da palha...
DÉBORA NOVAES DE CASTRO
 

Moradores de um barraco,
fofoqueiros de "mão cheia",
preparam outro "barraco"
falando da vida alheia...
DÉCIO RODRIGUES LOPES
 

Ao beijar a tua mão
que o destino não me deu,
tenho a estranha sensação
de estar roubando o que é meu!…
DURVAL MENDONÇA
 

Gosto de viver sozinho,
não suporto amigo falso.
— Não pode plantar espinho
quem vive sempre descalço.
EDIZIO MENDONÇA
 

Ganhe um mundo mais feliz: 
leia livros, não seja ilha, 
e a própria vida nos diz: 
feliz é quem compartilha!
ELIAS PESCADOR
 

Uma emoção fugidia
também tem o seu cantor:
— Um trovador fantasia
qualquer história de amor!. . .
ELZA CAPANEMA LEITÃO
 

A Fé sem base é cegueira,
é fanatismo, é paixão.. .
— A Fé só é verdadeira
quando não teme a razão.
FERNANDO BURLAMAQUI
 

Nos lixões abomináveis, 
vejo vidas sem ter vida, 
na saga dos vulneráveis, 
batalhando por comida.
FRANCISCO GABRIEL
 

Naquela criança linda
que brinca, cheia de pressa,
o meu mundo que se finda,
fita um mundo que começa!
GALDINO ANDRADE
 

A saudade é simplesmente
um claro espelho encantado.
Mira-se nele o presente
e ele reflete o passado.
GERALDA ARMAND
 

Somos todos nessa vida
pescadores de ilusão
dedicando a nossa lida
aos anzóis de uma paixão.
GERALDO TROMBIN
 

Em jovem era uma uva,
cheia de vida e de graça.
Com a idade, o sol e a chuva,
a coitada virou “passa”.
HELENA KOLODY
 

Não rias da desgraçada
que por maus caminhos vai;
— na seda mais bem lavada
cai uma nódoa e não sai...
IRENE MARGARIDA CAMPOS DA SILVA RUIVO
 

Ah! Vontade de seus braços
me envolvendo com carinho.
Hoje, são apenas traços,
que ficaram no caminho!
JOSÉ FELDMAN
 

Se com fome estende a mão,
a criança mais procura
junto ao pedaço de pão,
uma sopa de ternura.
JOSÉ HENRIQUE DA COSTA
 

Mantenho viva a esperança
de ainda ter um jardim,
para soltar a criança
que brinca dentro de mim!
JOSÉ LAMARTINE
 

Tudo brilha nas alturas,
por tênue que seja a chama...
Há, porém, luzes mais puras
quando o brilho sai da lama!
JOSÉ MARIA GUIOMAR NETO
 

Minha mãe verteu mais pranto
que a mãe de Nosso Senhor.
— A Virgem chorou um santo;
minha mãe — um pecador!
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO
 

Em quantos dos sonhos meus
tantas vezes nos deixamos
e, em cada beijo de adeus,
na hora recomeçamos,
LILIAN MAIAL
 

Bravura é da água da fonte
que, aos tropeços, vem, contente,
vencendo as pedras do monte,
matar a sede da gente!
LILINHA FERNANDES
 

A dor que nunca se esvai,
a dor que mais mortifica,
não é a do pranto que cai,
mas da lágrima que fica.
LINDOURO GOMES
 

Meu desejo percorreu
teu corpo como compasso,
circulando o que é tão meu,
na geometria do abraço.
LISETE JOHNSON
 

São delícias passageiras
as carícias da paixão,
como brisas forasteiras,
nem bem chegam, já se vão...
LOURDES APARECIDA CIONE
 

Duas vidas todos temos...
muitas vezes sem saber:
— A vida que nós vivemos
e a que sonhamos viver.
LUIZ OTÁVIO
 

Do nascer à eternidade, 
tanta lição aprendida: 
ora riso, ora saudade, 
na viagem de uma vida!
MARIA CRISTINA DE OLIVEIRA
 

Essa paixão envolvente, 
que nos une em comunhão, 
põe tanto amor entre a gente, 
que não cabe a solidão !
MARIA LÚCIA DALOCE
 

Só mesmo Deus sabe o custo
do resgate de uma dor,
principalmente se o justo
paga pelo pecador…
MÁRIO LINHARES
 

Oferecendo a miragem 
de uma vida sem escolta 
o vício vende passagem 
para a viagem sem volta.
OLYMPIO COUTINHO
 

Minha avó, que já está morta, 
queria tudo perfeito... 
Até fazendo uma torta, 
fazia torta direito! 
ORLANDO WOCZIKOSKY
 

Ah, que estranho desafio
e esquisita proporção:
quanto mais fica vazio,
mais nos pesa o coração!
PADRE CELSO DE CARVALHO
 

Ouço da flor que se arruma, 
as queixas da mesma saga, 
ao descobrir que perfuma 
a mão perversa que a esmaga!
PROFESSOR GARCIA
 

No olhar da bela princesa 
lágrima teima em correr. 
Tal qual água de represa 
que logo insiste em verter…
RENATO DA SILVA CARDOSO
 

Aprendi, desde menino,
uma lição permanente:
não fazemos o destino,
— o destino faz a gente!
SEBASTIÃO PAIVA
 

Esta vida é um buraco
cujo fundo não se vê.
Morre o bom, fica o velhaco
e ninguém sabe porquê.
SYMACO DA COSTA
 

Sob o feitiço do mar,
o poeta assim diria: 
-É propício pra sonhar,
mas, sem você... que ironia!!! 
VÂNIA ENNES 


A vida é só uma jornada, 
antes da grande viagem 
que não tem data marcada, 
nem destino e nem bagagem.
ZUNIR PEREIRA ANDRADE FILHO
 

Nas horas graves e calmas,
que só Deus mesmo me traz,
penso na paz dessas almas
que nunca tiveram paz!
ZALKIND PIATIGORSKY

Marta Yumi Ando (A Imagem da Criança na Poesia Infantil Brasileira)

RESUMO
A poesia infantil brasileira sofreu lento processo de evolução: se, em seu período formativo, na virada do século XX, o gênero atuou, predominantemente, como veículo pedagógico, e, se entre as décadas de 20 e 50, houve tentativas de emancipá-lo desse passado mais utilitarista, a partir da década de 60, ele incorporou, significativamente, as conquistas da poética moderna. Resultado de uma pesquisa desenvolvida no PIBIC/CNPq-UEM, e apresentado originalmente no XI Encontro Anual de Iniciação Científica e na 55a. Reunião Anual da SBPC, este trabalho teve como objetivo focalizar a imagem que se construiu da criança ao longo de mais de um século de poesia infantil brasileira e os modos como os poetas construíram essa imagem, a fim de promover a mediação com o pequeno leitor.

INTRODUÇÃO

Os poemas infantis eram o lugar por excelência de propagação de uma imagem exemplar da criança, segundo interesses de ordem não-literária. Embora tenham ocorrido rupturas desde os anos 20, essa produção predominantemente didática persistiu até os anos 60, quando poetas genuínos a tornaram digna de pertencer ao âmbito artístico. Entretanto, não obstante as conquistas alcançadas, o gênero ainda é visto de forma pejorativa como se infantil significasse infantilidade. Esse é um equívoco que deve ser retificado através de estudos que mostrem a riqueza que caracteriza a verdadeira poesia infantil.

MATERIAL E MÉTODO

A pesquisa empreendida, de natureza bibliográfica, foi realizada no período de 1o./08/2001 a 31/07/2002, em cumprimento às etapas de abrangência do Projeto de Iniciação Científica “Panorama e paradigmas da poesia infantil no Brasil”, desenvolvido com bolsa do PIBIC-CNPq/UEM. Nessa pesquisa, foram realizadas leituras de textos teórico-críticos que serviram de subsídio para a sistematização histórica da poesia infantil brasileira, para o reconhecimento do lugar e da imagem da criança na sociedade brasileira, para a reflexão sobre os modos como os escritores construíram essa imagem bem como para o levantamento dos aspectos temáticos e estéticos responsáveis pela mediação entre crianças e poetas.

RESULTADOS

Na virada do século XX, via de regra, os poemas infantis brasileiros funcionavam como manuais educativos, valorizando-se a criança passiva e obediente. Uma das obras em que a vivacidade infantil é ignorada em prol da transmissão de normas comportamentais é Poesias infantis (1904)1 de Olavo Bilac. Moldada para o uso escolar, tal obra pauta-se na educação moral, conforme exemplifica o poema “Meio-dia” (p.317-318):

1. Meio-dia. Sol a pino.
2. Corre de manso o regato.
3. Na igreja repica o sino;
4. Cheiram as ervas do mato.
5. Na árvore canta a cigarra;
6. Há recreio nas escolas:
7. Tira-se, numa algazarra,
8. A merenda das sacolas.
9. O lavrador pousa a enxada
10. No chão, descansa um momento,
11. E enxuga a fronte suada,
12. Contemplando o firmamento.

13. Nas casas ferve a panela
14. Sobre o fogão, nas cozinhas;
15. A mulher chega à janela,
16. Atira milho às galinhas.
17. Meio-dia! O sol escalda,
18. E brilha, em toda a pureza,
19. Nos campos cor de esmeralda,
20. E no céu cor de turquesa...
21. E a voz do sino, ecoando
22. Longe, de atalho em atalho,
23. Vai pelos campos, cantando
24. A Vida, a Luz, o Trabalho.

Neste poema, composto por quadrinhas de redondilhas, destaca-se a religiosidade; apresenta-se uma visão ufanista da natureza; mostra-se uma imagem patriarcal da mulher; valoriza-se o trabalho rural e o doméstico.
A religiosidade se evidencia quando se descreve o cenário, apresentado como um lugar por excelência bucólico, que convida à devoção religiosa. Em obediência a esse locus amoenus, a religiosidade funde-se à natureza, de modo que o sol do meio-dia está em seu esplendor, o rio corre mansamente e sente-se o cheiro da natureza. A sinestesia é figura de destaque, havendo o cruzamento da visão (sol, regato e ervas), da audição (o marulhar do regato e o repicar do sino) e do olfato (o cheiro das ervas).

Na 2a.estrofe, dá-se continuidade à descrição do locus amoenus: Na árvore canta a cigarra (v.5), e introduz-se um elemento novo, qual seja, o didatismo: Há recreio nas escolas:/ Tira-se, numa algazarra,/ A merenda das sacolas. (v.6-8). Não obstante se trate de um momento de descontração, o recreio é apenas um intervalo entre os estudos, que aparecem com maior realce em outros poemas do autor, como “Justiça” (p.315) e “Ave-Maria” (p.318). (Neste artigo, estamos utilizando a edição Obra reunida, organizada por Alexei Bueno (Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996).

Na estrofe subsequente, surge a figura do lavrador que, suado e cansado, pousa a enxada/ No chão (v.9-10). No contexto histórico em que se deu a formação da literatura infantil brasileira, vários elementos corroboraram para a construção da imagem de um Brasil em processo de modernização. No entanto, o gênero apresentava traços nitidamente conservadores, e, se a nossa literatura infantil surge como um produto que se quer moderno, mas que apresenta características tradicionais, não é de estranhar a acentuada presença de um ruralismo arcaico, como se constata em muitos poemas bilaquianos.

Na 4a. estrofe, o conservadorismo presentifica-se na imagem patriarcal da mulher. Ao focalizar a dona de casa, reforça-se a dependência da mulher em relação ao homem, uma vez que a “dona de casa” permanece confinada em seus afazeres domésticos, enquanto espera pelo retorno do verdadeiro dono, que possui, ao contrário daquela, um papel socialmente ativo na sociedade. Além disso, é curioso o estereótipo da “rainha do lar” aí presente, pois, como afirma CADERMATORI (1984, p.34), os termos “doméstica” e “rainha”, implícitos na expressão “rainha do lar”, se contradizem, mas, ao mesmo tempo, criam um lugar-comum conveniente à cultura dominante; nesta medida, a referida expressão “eufemiza a omissão social da mulher, coroando-a no recinto fechado em que ela circula. Sendo o lar o seu reino, ela nada tem a fazer fora dele”.

Na penúltima estrofe, resgata-se a visão ufanista da natureza, sublinhando-se o tom eufórico mediante a exclamação e adjetivações que evocam reverberações de joias: o sol brilha intensamente, os campos não são apenas verdes, mas cor de esmeralda, e o céu não é apenas azul, mas cor de turquesa.

Na estrofe final, acentua-se a religiosidade através da reiteração do badalar dos sinos. Se, no terceiro verso, o sino simplesmente repica, aqui ele possui voz, como se estivesse chamando as pessoas para a devoção religiosa. Metonímia de igreja, o sino, ao ecoar longe, propaga a religiosidade por toda a extensão campestre capaz de alcançar. No último verso, a inicial maiúscula destaca os valores que se pretendem inculcar: uma vida rural e religiosa; luz como metáfora para o estudo; e o tipo de trabalho valorizado, a saber: o rural e o doméstico.

Acompanhando as rupturas que vinham ocorrendo na literatura brasileira em geral a partir da década de 20, houve também, na poesia infantil, tentativas de romper com a visão tradicional que vinha impedindo a autonomia do gênero. Em O menino poeta (1943), (Como não foi possível encontrar a edição original de O menino poeta, em que se insere “Tempestade”, estamos utilizando a transcrição do referido poema obtida em Leitura e desenvolvimento da linguagem (Porto Alegre: Mercado Aberto, 1989, de A. L. B. SMOLKA et al.), de Henriqueta Lisboa, considerada a obra mais relevante do período, poemas inovados mesclam-se àqueles em que predomina a visão adulta. Um dos poemas em cujos versos predomina a inovação é “Tempestade” (p.64):

1. – Menino, vem para dentro
2. olha a chuva lá na serra,
3. olha como vem o vento!
4. – Ah! como a chuva é bonita
5. e como o vento é valente!
6. – Não sejas doido, menino,
7. esse vento te carrega,
8. essa chuva te derrete!
9. – Eu não sou feito de açúcar

10. para derreter na chuva.
11. Eu tenho força nas pernas
12. Para lutar contra o vento!
13. E enquanto o vento soprava
14. e enquanto a chuva caía,
15. que nem um pinto molhado,
16. teimoso como ele só:
17. – Gosto de chuva com vento,
18. gosto de vento com chuva!

Constituído de versos brancos, este poema apresenta irregularidade na configuração estrófica que acompanha, ao nível semântico, uma visão de mundo também anticonvencional. Constata-se uma brincadeira com a sonoridade, de modo a instaurar estreita correlação entre sons e significados: – Menino, vem para dentro/ olha a chuva lá na serra,/ olha como vem o vento!// – Ah! como a chuva é bonita/ e como o vento é valente! (v.1-5).

A aliteração do fonema sonoro constritivo labial /v/ sugere o próprio som do vento a anunciar a tempestade próxima. Em meio ao temporal que se forma, duas vozes conflitantes medem forças: a prudência adulta e a vitalidade infantil. O adulto tenta impor sua autoridade através do tom exclamativo, mas o menino também sublinha sua vontade exclamativamente, além de qualificar a chuva (como bonita) e o vento (como valente).

Ao contrário dos poemas do 1o período, em que a criança não tinha voz, neste ela não apenas tem voz como esta supera a do adulto, cujos exageros e dramaticidade são ignorados pelo garoto travesso e autoconfiante: – Eu não sou feito de açúcar/ para derreter na chuva./ Eu tenho força nas pernas/ Para lutar contra o vento! (v.9-12).

Nas estrofes finais, aparece a voz do eu-poético a descrever o menino em sua obstinada teimosia, em meio à tempestade que já desaba: E enquanto o vento soprava/ e enquanto a chuva caía,/ que nem um pinto molhado, / teimoso como ele só:// – Gosto de chuva com vento,/ gosto de vento com chuva! (v.13-18).

O contato com as forças da natureza, promovendo a fusão entre menino e chuva, o faz exclamar exultante, e a palavra final cabe a ele e não ao adulto autoritário. Como as palavras chuva e vento se repetem ostensivamente e como elas são sugestivas de per si, quase onomatopaicas, essa reiteração intensifica o som da tempestade, de forma que o nível sonoro reflita o semântico. Além disso, o gradativo aproximar da tempestade caminha em paralelo à progressão da vontade infantil que também se impõe, decisivamente, no final do poema.

A partir dos anos 60, baniu-se a antiga tradição que fazia do gênero um meio de adestramento social, e a forma, que ganhou roupagem moderna, fez com que a produção poética para a infância no Brasil alcançasse a necessária autonomia. Uma obra inovadora é Ou isto ou aquilo (1964) (Neste artigo, estamos utilizando a edição de 1990, publicada pela editora Nova Fronteira), de Cecília Meireles, em que se desvenda a interioridade infantil através da exploração sonora, como se verifica em “Moda da menina trombuda” (p.11):

1. É a moda
2. da menina muda
3. da menina trombuda
4. que muda de modos
5. e dá medo.
6. (A menina mimada!)

7. É a moda
8. da menina muda
9. que muda
10. de modos
11. e já não é trombuda.
12. (A menina amada!)

Neste poema, constituído de versos polimétricos, o tema, em vez de receber um tratamento de dura repreensão do adulto, é tratado com singeleza. Abordando a metamorfose d’(A menina mimada!), que, deixando de ser trombuda, torna-se (A menina amada!), a poeta trabalha com as mudanças de humor passageiras.

As associações sonoro-semânticas, no título e na estrofe inicial, ocorrem pelo emprego das nasais /m/, /n/ e /õ/ e das vogais fechadas /e/, /i/ e /u/ que, através da reiteração, revelam o humor infantil.

Na 2a. estrofe, constituída de um só verso, (A menina mimada!), ocorre uma abertura vocálica que se repete no verso final. Dá-se especial relevo a esse verso, já que, além de sozinho constituir uma estrofe, vem destacado pelos parênteses e pelo ponto de exclamação, recursos que reforçam sua importância.

Na estrofe seguinte, apesar de a menina continuar mudando de modos, estes já não são os mesmos, pois ela já não é trombuda (v.11). No verso que finaliza o poema, destaca-se, como no verso 6, o conteúdo através dos mesmos recursos, havendo nova abertura decorrente do sentido positivo inerente ao verbo amar.

Há dois momentos fundamentais no poema, refletidos na divisão do texto em partes, graficamente simétricas: o primeiro (v.1-6) é o da menina trombuda; o segundo (v.7-12), do instante em que ela se sente amada. Portanto, o nível gráfico, a par da sugestiva sonoridade, espelha as significações presentes, concretizando os estados anímicos da criança.

A pronunciada musicalidade de que se reveste o poema, através das nasais e das vogais fechadas em oposição à vogal aberta /a/, vai ao encontro da palavra moda, pois este termo refere-se a um certo tipo de cantiga popular. Além disso, moda pode também designar capricho. Neste sentido, parece haver correlação de moda-cantiga e de moda-capricho com a moda cantada no poema, já que tanto a musicalidade quanto o comportamento caprichoso da menina se presentificam em “Moda da menina trombuda”.

DISCUSSÃO

Se, por um lado, a doutrinação foi uma constante na gênese da poesia infantil brasileira, por outro, os autores desse período apresentam grande importância histórica, em virtude do pioneirismo em criar uma literatura infantil genuinamente brasileira. Além disso, se é verdade que eles se revestiram de uma postura doutrinária, isto, na realidade, ocorreu pelo fato de estarem em consonância com a conservadora ideologia da época. A partir da década de 20, houve tentativas de romper com esse conservadorismo, obtendo-se um razoável acervo de poemas originais, dando início à emancipação do gênero, que se consolida, de forma indelével, a partir dos anos 60, embora ainda existam, ao lado de poetas genuínos, indivíduos que escrevam versos pautados no didatismo.

CONCLUSÃO

Se a poesia infantil brasileira, em seu período inicial, caracterizou-se pelo utilitarismo, e se, nas décadas de 20 a 50, surgiram modernistas que nutriram o desejo de emancipação poética, a partir dos anos 60, tal desejo foi significativamente concretizado. Na ausência de intuitos doutrinários, o poeta dialoga com a criança, a assimetria se desfaz e o universo infantil é respeitado, promovendo o encontro entre criança e poesia.
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Marta Yumi Ando Possui graduação em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (2003) e mestrado em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (2006). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura, atuando principalmente com prosa experimental, literatura infanto-juvenil e leitura. Atualmente, cursa doutorado em Letras na Universidade Estadual Paulista (UNESP - São José do Rio Preto), integra a Banca de Avaliação da Prova Discursiva de Literatura do Vestibular da Universidade Estadual de Maringá e atua como professora na rede particular de ensino .

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BILAC, O. Meio-dia. In: BILAC, O. Obra reunida (org e introd. de Alexei Bueno). Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996, p.317-318.

CADERMATORI, L. Jogo e iniciação literária. In: ZILBERMAN, R.; CADERMATORI, L.. Literatura infantil: autoritarismo e emancipação. 2. ed. São Paulo: Ática, 1984, p.28-37.

LISBOA, H. Tempestade. In: SMOLKA, A. L. B. et al. Leitura e desenvolvimento da linguagem. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1989, p.64.

MEIRELES, C. Moda da menina trombuda. In: MEIRELES, C. Ou isto ou aquilo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990, p.11.

Fontes:
PRADO, Isaura Maria Mesquita; MOLINARI, Sonia Lucy (editores). VII SAU (Semana de Artes da UEM). II Mostra Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão. 21 a 30 maio 2004. Maringá: UEM - Universidade Estadual de Maringá. Arq. Apadec, 8(supl.): Mai, 2004 ISSN 1414-7149 (CD-ROM).
Currículo Lattes

Estante de Livros (Obras de Monteiro Lobato)


Reinações de Narizinho
O livro-mater, a locomotiva do comboio, o puxa-fila. A história começa. Aparecem Narizinho, Pedrinho, Emília, o visconde, Rabicó, Quindim, Nastácia, o Burro Falante... e o milagre do estilo de Monteiro Lobato vai tramando uma série infinita de cenas e aventuras em que a realidade e a fantasia, tratadas pela sua poderosa imaginação, se misturam de maneira inextricável - tal qual se dá normalmente na cabeça das crianças. O encanto que as crianças encontram nestas histórias vem sobretudo disso: são como se elas próprias as estivessem compondo em sua imaginativa, e na língua que todos falamos nesta terra - não em nenhuma língua artificial e artificiosa, mais produto da "literatura" do que da espontaneidade natural. - Volume com 312 páginas

Viagem ao Céu e o Saci
Pedrinho consegue obter uma boa dose do pó de pirlimpimpim, o pó mágico que transporta as criaturas a qualquer ponto do Espaço e a qualquer momento do Tempo - e distribuindo pitadas a Narizinho, Emília, o visconde, Nastácia e o Burro Falante, empreende a viagem ao céu astronômico. Vão parar na lua, onde tia Nastácia fica como cozinheira de S. Jorge, enquanto os outros visitam Marte e Saturno e a Via Láctea, na qual encontram o Anjinho de Asa Quebrada. Enquanto brincam no éter, vão aprendendo sólidas noções de astronomia - só voltam de lá quando dona Benta os chama com um bom berro: "já pra baixo, cambada!".

Na Segunda parte, O Saci, desenvolve-se a estranha aventura que teve Pedrinho com um saci que conseguiu pegar com a peneira e conservar preso numa garrafa. O diabinho de uma perna só proporciona ao garoto ensejo de conhecer a vida noturna e fantástica das matas - com visões da Mula Sem Cabeça, da Caapora, do Lobisomem, do Boitatá, e das principais criações mitológicas do nosso folclore. - Volume com 275 páginas.

Caçadas de Pedrinho e Hans Staden
Neste volume Pedrinho organiza uma caçada de onça e sai vitorioso como também sai vitorioso do ataque das onças e outros animais de presa ao sítio de dona Benta. Depois encontra um rinoceronte, fugido de um circo do Rio, que se refugiara naquelas matas - um animal pacatíssimo e de bastante ilustração, do qual Emília tomou conta, depois de batizá-lo de Quindim.

Completa o volume a narrativa feita por dona Benta das celebres Aventuras de Hans Staden. Este aventureiro alemão veio ao Brasil em 1559 e esteve nove meses prisioneiro dos tupinambás, a assistir cenas de antropofagia e à espera de ser devorado de um momento para outro. Mas salva-se. Volta para a Alemanha e lá publica o seu livro: o primeiro que aparece com cenário brasileiro e um dos mais pungentes e vivos de todas as literaturas. - Volume com 144 páginas.

História do mundo para crianças
Este livro de Monteiro Lobato teve uma aceitação excepcional, estando já a caminho de 200.000 exemplares. Nele o autor dá um apanhado da evolução humana, e da história da humanidade no planeta, na seriação clássica de todas as "histórias universais" - mas escrita de modo extremamente atrativo, como um verdadeiro romance policial posto em nível infantil. As crianças leem avidamente este livro, como leem as histórias da carochinha, e desse modo criam uma história da civilização. E os pais também lucram imensamente com a leitura deste livro; dum certo modo podemos dizer que o que o grosso da nossa população sabe de história é o que Monteiro Lobato conta em sua exposição para as crianças ... - Volume com 313 páginas.

Memórias da Emília e Peter Pan
Emília, a terrível Emília, resolve escrever Memórias e as escreve com as unhas do visconde. Nelas vem o episódio, tão vivo e interessante da visita das crianças inglesas ao sítio de dona Benta, trazidas pelo velho almirante Brown. Vieram para conhecer o Anjinho de Asa Quebrada, que Emília descobre na Via Láctea, durante a Viagem ao Céu. Emília conta tudo - o que houve e o que não houve; e vai dando as suas ideiazinhas sobre tudo - ou a sua filosofia, que muitas vezes faz dona Benta olhar para tia Nastácia, e murmurar: "Já viu, que diabinha?".

Na Segunda parte, Peter Pan, dona Benta recebe o famoso livro de Sir John Barrie, Peter Pan and Wendy e o lê da sua moda para as crianças. Durante a leitura, a espaços interrompidos de cenas provocadas pelos meninos e, sobretudo, pela Emília, ocorre o caso do desaparecimento da sombra da tia Nastácia. Quem furtou a sombra da pobre negra? O visconde é posto a investigar, e como é um excelente Sherlock, descobre tudo: artes da Emília... - Volume com 247 páginas.

Emília no País da Gramática e Aritmética da Emília
Temos aqui uma das obras primas de Monteiro Lobato, e o mais original de quantos livros se escreveram até hoje. Lobato figura a língua como uma cidade, a cidade da Gramática, e leva para lá o pessoal do sítio, montado no rinoceronte. E é este paciente paquiderme o gramático que tudo mostra e explica. Há a entrevista de Emília com o venerando Verbo Ser, que é uma pura criação. E a reforma ortográfica, que Emília opera à força, com o rinoceronte ali ao seu lado para sustentar suas decisões, constitui um episódio que não só encanta as crianças pela fabulação como ensina de modo indelével as principais regras da ortografia.

Na Aritmética da Emília, Monteiro Lobato usa do mesmo sistema e consegue, numa matéria tão árida como a aritmética, transformar o velho Trajano numa linda brincadeira no pomar. O quadro negro em que faziam contas a giz era o couro do Quindim... Volume com 302 páginas.

Geografia da dona Benta
Em vez de estudar geografia nos livros, como fazem todas as crianças, o pessoal do sítio embarca no "O terror dos Mares" e sai pelo mundo afora, a "viver" geografia. E a geografia, aquele estudo penoso e tão sem graça, se torna uma aventura linda, com paradas em inúmeros portos e descidas em terra para ver as coisas mais notáveis de todos os países. É brincadeira das mais divertidas e é um preciosíssimo curso de geografia, porque as noções desse modo adquiridas ficam para sempre - não são esquecidas nunca. - Volume com 261 páginas.

Serões da dona Benta
Um certo dia dona Benta resolve ensinar física aos meninos e em vários serões faz um verdadeiro curso de física, melhor que quanto é feito, penosamente, nos ginásios. A física perde a sua secura. Os diálogos, os incidentes, as constantes perguntas dos meninos - e as constantes perguntas dos meninos - e as ocasionais maluquices da Emília, amenizam a matéria. Trata-se de um livro para meninos aí de seus 12 anos, já em idade ginasial, e que se tem revelado preciosíssimo auxiliar dos compêndios oficiais. - Volume com 352 páginas.

D. Quixote das crianças
As arqui-famosas aventuras de D. Quixote de la Mancha e de seu gordo escudeiro Sancho aparecem aqui contadas por dona Benta, naquele seu modo de contar que é só dela. Emília entusiasma-se com o herói e em certo momento resolve imitá-lo - e armada dum cabo de vassoura, feito lança, investe contra as galinhas do quintal. E faz que tia Nastácia teve que agarrá-la e prendê-la numa gaiola, como aconteceu com o herói da Mancha na sua loucura... - Volume com 239 páginas.

O Poço do Visconde
Um precioso livro em que a geologia, sobretudo a geologia especial do petróleo, é exposta ao vivo e com profundo conhecimento da matéria. O visconde vira geólogo, preleciona, ensina a teoria e depois passa à prática; abertura de poços de petróleo nas terras do sítio de dona Benta. E tão bem são conduzidos os estudos geológicos e geofísicos, que a Companhia Donabentense de Petróleo, por eles fundada, consegue abrir o primeiro poço de petróleo do Brasil: o Caraminguá nº 1. - Volume com 253 páginas.

Histórias de Tia Nastácia
São as histórias mais populares do nosso folclore, contadas por tia Nastácia e comentadas pelos meninos. Nesses comentários, no fim de cada história, Pedrinho, Narizinho e Emília se revelam bem dotados de senso crítico, e "julgam" as histórias da negra com muito critério e segurança. É um livro que "ensina" a arte da crítica - coisa que pela primeira vez um escritor procura inocular nas crianças. - Volume com 226 páginas.

O Picapau Amarelo e A Reforma da Natureza
Dona Benta adquire todas as terras em redor do sítio para atender a uma coisa prodigiosa: a resolução que os personagens da fábula tomaram de irem morar lá. Branca de Neve com os sete anões, D. Quixote e Sancho, Peter Pan e os meninos perdidos do País do Nunca, a Gata Borralheira, todas as princesas e príncipes encantados das histórias da carochinha, os heróis da mitologia grega, tudo, tudo que é criação da Fábula muda-se com armas e bagagens para o Picapau Amarelo, levando os castelos, os palácios, as casinhas mimosas como a de Capinha Vermelha e até os mares. Peter Pan transporta pra lá até o Mar dos Piratas. Acontecem maravilhas; mas no casamento de Branca de Neve com o príncipe Codadad, o maravilhoso sítio é assaltado pelos monstros da fábula - e no tumulto que houve tia Nastácia desaparece... - Volume com 295 páginas.

O Minotauro
Neste livro desenrolam-se as aventuras de Pedrinho, do visconde e da Emília na Grécia Heroica, para onde foram em procura de tia Nastácia. Acontecem mil coisas, e afinal descobrem o paradeiro da negra, graças à ajuda do Oráculo de Delfos. Estava presa no Labirinto de Creta, nas unhas do Minotauro! Mas tia Nastácia já havia domesticado esse monstro, à força de bolinhos e quitutes; deixara-o tão gordo que os meninos puderam entrar no Labirinto e salvá-la sem que ele, espaçado no trono, pensasse em reagir... - Volume com 255 páginas.

A Chave do Tamanho
O mais original dos livros de Monteiro Lobato. Emília, furiosa com a duração da guerra, resolve acabar com a guerra. Como? Indo Ter à Casa das Chaves, lá nos confins do mundo, e "virando" a Chave da Guerra. Mas comete um erro e em vez da Chave da Guerra vira a Chave do Tamanho, isto é, a chave que regula o tamanho das criaturas humanas. Em consequência, subitamente todas as criaturas humanas do mundo inteiro "perdem o tamanho", ficam de dois, três centímetros de estatura - e Lobato conta o que se seguiu. Trata-se de um livro rigorosamente lógico, e que inocula nas crianças o senso da relatividade de todas as coisas. - Volume com 200 páginas.

Fábulas
Neste livro Monteiro Lobato reescreve as velhas fábulas de Esopo e La Fontaine, mas comentadamente. A novidade do livro está nestes comentários, em que as fábulas são criticadas com a maior independência - e Emília chega a ponto de "querer linchar" uma delas, cuja lição de moral lhe pareceu muito cruel. Um livro encantador, em que o gênio dos velhos fabulistas é singularmente realçado pelos diálogos entre os meninos, que a inventiva de Monteiro Lobato vai criando com a maior agudeza e frescura. - Volume com 300 páginas.

Os doze trabalhos de Hércules
Pela primeira vez em todas as literaturas os famosíssimos Trabalhos de Hércules - o mais belo romance fantástico da Antiguidade Clássica - aparece desenvolvido à moderna - e vivificado pela colaboração de Pedrinho, Emília e o visconde de Sabugosa. Esses três heroizinhos modernos penetram na Grécia Heroica a fim de acompanhar as façanhas de Hércules - e acompanham-nas, nelas tomando parte e muitas vezes salvando o grande herói. Do decorrer das aventuras ressalta a lição moral da superioridade da inteligência espontânea, viva como azougue e sempre vitoriosa. Livro que é um encanto para as crianças e para todos os adultos de bom gosto. 2 tomos com 584 páginas.

Urupês
Esse livro de contos, considerado por muito como a obra-prima de Monteiro Lobato, tornou-se um clássico da literatura brasileira. É um fenômeno sem precedente que provoca um terremoto literário, outro sociológico e outro político. A primeira edição, lançada em 1918 foi toda ilustrada pelo próprio Lobato.

Junto com Saci, constitui a primeira experiência e também o primeiro êxito editorial de Lobato, financiada com recursos próprios.

A terceira edição, em 1919, esgotou-se rapidamente devido a uma longa referência ao personagem central do livro feita por Rui Barbosa, o que ensejou uma quarta edição. Lobato brinca com o idioma, adota o vocabulário doméstico do interior de São Paulo, cria palavras novas - como por exemplo, "matracolejando gargalhadas" - muitas das quais estão hoje nos dicionários. São vários contos retratando aspectos da realidade brasileira nos quais denuncia, numa linguagem vigorosa, o drama da exclusão social que ainda persiste no Brasil pós Lobato. Velha Praga é uma reportagem sobre os grandes incêndios produzindo estragos na lavoura e na economia do País comparáveis a uma grande guerra. Buscando culpa refere-se ao nosso caboclo como "funesto parasita da terra... inadaptável à civilização". Em Urupês ele contrapõe aos heróis da literatura indigenista o caboclo, o pobre Jeca Tatu, indiferente ao desenvolvimento do País. O livro provocou muita polêmica por seu conteúdo racista. Lobato mais tarde reconheceu que o retrato do caboclo era injusto, que a culpa não era do Jeca, mas sim daqueles responsáveis pela sua miséria e abandono.

Contos: Os faroleiros - O engraçado arrependido - A colcha de retalhos - A vingança da peroba - Um suplício moderno - Meu conto de Maupassant - Pollice verso - Bucólica - O mata-pau - Boca torta - O comprador de fazendas - O estigma - Velha Praga - Urupês

Cidades mortas
Foi publicado originalmente em 1919 numa edição da Revista do Brasil. Reúne os primeiros escritos de Lobato, ainda estudante em Taubaté, e contos que escreveu antes de seguir para os Estados Unidos para ocupar um posto no Consulado brasileiro em Nova Iorque. Mostra o Brasil de duas épocas, porém com os mesmos problemas, onde os políticos não têm a menor preocupação social.
Nos contos transparece a transição na agricultura brasileira provocada pela grande crise do café ocorrida em 1929. É um retrato bem nítido do que era São Paulo nos anos 20.

Contos: Cidades mortas - A vida em Oblivion - Os perturbadores do silêncio - Vidinha ociosa - Cavalinhos - Noite de São João - O pito do reverendo - Pedro Pichorra - Cabelos compridos - O resto de onça - Porque Lopes se casou - Júri na roça - Gens ennuyeux - O fígado indiscreto - O plágio - O romance do Chopin - O luzeiro agrícola - A cruz de ouro - De como quebrei a cabeça à mulher do Melo - O espião alemão - Café! Café! - Toque outra - Um homem de consciência - Anta que berra - O avô do Crispim - Era no Paraíso - Um homem honesto - O rapto - A nuvem de gafanhotos - Tragédia dum capão de pintos.

Negrinha
Muitos consideram que neste livro estão os melhores contos escritos por Lobato. Sem dúvida são os mais emotivos e que mais agradaram ao público. Alguns contos foram escritos antes de sua viagem aos Estados Unidos, outros depois do retorno. O livro contém verdadeiras preciosidades no tratamento do idioma e os personagens são mais urbanos e mais mundanos que os dos livros anteriores.

Há, de fato, contos primorosos que honram a literatura brasileira, como por exemplo a "Facada Imortal".

Contos: A primeira edição de Negrinha continha os seguintes contos: Negrinha - Fitas da vida - O drama da geada - O bugio moqueado - O jardineiro Timóteo - O colocador de pronomes. Edições posteriores incluem: O fisco - Os negros - Barba Azul - Uma história de mil anos - Os pequeninos - A facada imortal - A policitemia de Dona Lindoca - Duas cavalgaduras - O bom marido - Marabá - Fatia de vida - A morte do Camicego - Quero ajudar o Brasil - Sete grande - Dona Expedita - Herdeiro de si mesmo.

Ideias de Jeca Tatu
No prefácio à primeira edição da Revista do Brasil em 1919, provavelmente redigido pelo próprio Lobato, diz que "uma ideia central unifica a maioria destes artigos" .... Essa ideia é um grito de guerra em prol da nossa personalidade.

Contem Paranoia ou mistificação, uma crítica aos modernistas, diretamente a Anita Malfatti, que provocou polêmica e a ira dos amigos da pintora. Ele não admitia que aqui se copiasse o que se produzia na Europa. Queria que o "vigoroso talento" de Anita produzisse coisas mais nossas.

Anota o editor que nas numerosas paginas deste volume a terra aparece em suas ominadas expressões - o interior, a roça, a gente da roça, os costumes e comidas da roça. ... Em Ideias de Jeca Tatu, "Monteiro Lobato aparece em mangas de camisa, integralmente ele próprio no pensamento e no modo de expressá-lo - vivo, alegre, brincalhão e com a ironia às vezes levada até à crueldade".

Escritos: A caricatura no Brasil - A criação do estilo - A questão do estilo - Ainda o estilo - Estética oficial - A paisagem brasileira - Paranoia ou mistificação? - Pedro Américo - Almeida Júnior - A poesia de Ricardo Gonçalves - A hosteofagia - Como se formam as lendas - A estátua do Patriarca - Sara, a eterna - Curioso caso de materialização - Rondônia - Amor Imortal - O saci - Arte francesa de exportação - A mata virgem, Mr. Deibler e Zago - Em nome do silêncio - Royal-street-flush arquitetônico - As quatro asneiras de Brecheret - Arte brasileira - Antonio Parreiras - Um romancista argentino - Um grande artista - Os sertões de Mato Grosso - O Vale do Paraíba - diamante a lapidar - O rei do Congo - O rádio-motor - Hermismo - Um novo 'frisson" - Cartas de Paris - A conquista do azoto.

A onda verde e o presidente negro
A primeira edição de Onda Verde saiu em 1921 pela Monteiro Lobato & Cia. São reportagens sobre a "onda verde" dos cafezais a cobrirem as terras agricultáveis de São Paulo. O Choque das raças, foi publicado em 1926, em vinte partes, no jornal A Manhã, onde era colaborador, e no final desse mesmo ano lançado em livro pela Editora Nacional.

Duas décadas mais tarde seria reeditado com o título de Presidente Negro ou O choque das raças (romance americano do ano 2.228). Em 35 foi publicado na Argentina pela Editorial Claridad. Em 1948, quando a Brasiliense editou as obras completas, juntou os dois num só volume.

Lobato escreveu O Choque pensando em lançá-lo nos Estados Unidos, porém lá acharam que era conflitivo. É seu primeiro e único romance. O que mais chama a atenção no livro é a capacidade de Lobato em desvendar o futuro. Ele mesmo diria mais tarde que os Estados Unidos que ele descreveu no livro são os Estados Unidos que ele depois ficou conhecendo.

Em A Onda Verde, descreve o papel do "grilo" na ocupação territorial de São Paulo e sua indignação com o Homo sapiens por seus crimes sociais e ecológicos, lançando um apelo a todos os animais: "Animais todos da terra, uni-vos..."

Crônicas e artigos de A Onda Verde: A onda verde - O grilo - A lua córnea - O incompreendido - Veteranos do Paraguai - Os eucaliptos - Os tangarás - O pai da guerra - Homo Sapiens - Luvas - Dramas de crueldade - Dialeto caipira - Os livros fundamentais - Condes - Uruguaiana - O dicionário brasileiro - O 22 da Marajó - A arte americana.

Na antevéspera
Com o subtítulo Reações mentais dum ingênuo, a primeira edição data de 1933, pela Editora Nacional. É o estado d'alma do autor nos tempos da presidência de Bernardes e começos da de Washington Luís. Nas obras completas o livro é acrescido de escritos de épocas anteriores e/ou posteriores a esse tempo, o que os editores justificam pela necessidade de equilibrar a matéria dos vários volumes.

Neste livro, diz o prefaciador da primeira edição (talvez o próprio Lobato) "está enfeixada uma serie de reações ocorridas num período bem atormentado da vida brasileira. Todos sentíamos um terrível e indefinível mal ambiente. Um cheiro de fim. Era a República Velha que ia agonizando na presidência de Bernardes"....

Conteúdo: Manuelita Rosas - O primeiro livro sobre o Brasil - País de tavolagem - O hipogrifo - Fala Jove - Uma opinião de M Jerôme Coignard - Bacilos vírgula - Idéias russas - Doloi Stiid - O drama do brio - Literatura de cárcere - Novo Gulliver - O Pátio dos Milagres - Vatel - O nosso dualismo - Herói nacional - A feminina - O bocejo de leoa - Catulo - voz da terra - Justiça oxigenada - As cinco pucelas - A moda futura - Plágio post-mortem - Amigos do Brasil - O inimigo - A rosa artificial - O perigo de voar - Forças novas - Em pleno sonho - A influência americana - Krishnamurti - O direito de secessão - O grande problema - A grande ideia - O armistício d Catanduva - O bombardeio de São Paulo - O cabeça chata - O despique - Euclides, um gênio americano - A mata virgem - Ariel e a Rainha Mab - Uma visita a Guiomar Novais - O saco de carvão - D. Bosco e o petróleo - Estradas - A pucela de Indiana - Azoteida.

O escândalo do petróleo e ferro
O Escândalo do Petróleo foi escrito e publicado em 5 de agosto de 1936 pela Editora Nacional. Os cinco mil exemplares sumiram como pão quente. Em 14 de agosto soltaram uma Segunda edição com mais cinco mil que também desapareceram, levando os editores a lançar a terceira edição com dez mil exemplares.

O livro tinha uma dedicatória às Forças Armadas brasileiras dizendo: "Exércitos, marinhas, dinheiro e mesmo populações inteiras nada valem diante da falta de petróleo". O livro é um protesto indignado contra a burocracia federal que "não perfura, nem deixa que se perfure" para encontrar petróleo, e uma denúncia à ação das grandes empresas estrangeiras assim como a submissão de nossas elites aos interesses delas. Quando reunido nas obras completas da Brasiliense esse livro já estava na sua décima edição.

O Ferro completa esse volume com o relato da luta de Lobato para o uso de solução brasileira para a exploração do minério do ferro. Para ele, Volta Redonda não era a solução mais apropriada e defendia que o grande futuro da nossa siderurgia estava na redução dos óxidos de ferro em baixa temperatura. A primeira edição desse livro é de 1931 e foi outro grande sucesso de vendas.

No prefácio do volume que reúne esses dois livros, o editor, Caio Prado Jr., destaca que "o seu pensamento (de Lobato) não ficou pairando no mundo dos sonhos e dos projetos e prédicas. Transformou-se em ação; e seu ideal de melhorar a sorte do povo brasileiro, de regenerar o seu Jeca Tatu, materializou-se num negócio de grandes perspectivas e amplas possibilidades".

Mr. Slang e o Brasil e Problema Vital
A primeira edição de Mister Slang e o Brasil - colóquios com o inglês da Tijuca -, foi publicada pela Editora Nacional em 1927. Slang é o velho inglês que em longos bate-papos com um carioca vai tecendo críticas ao modo de governar brasileiro e denúncias aos males da ditadura de Bernardes...

Problema Vital reúne série de artigos publicados no Estado de SP em 1918 e tem como epígrafe: "O Jeca não é assim: está assim". Aqui Lobato resgata a figura do caboclo e reafirma sua fé no brasileiro impedido de construir uma grande nação por uma elite predadora. Suas denúncias sobre o estado da saúde do povo provocaram grande repercussão na opinião pública obrigando o governo a adotar providências.

Sumário: 1º parte, Mr Slang - advertência - Da balbúrdia de ideias - Da maçaroca - De outras opiniões do Manoel - Do cruzeiro e outras miudezas - Do carpinteiro de Southdown - Do período ciclônico - Da indústria da repressão - Da camisola de força - Da proteção à incompetência - Do capítulo que faltou - Da Estrada Alegre - Dos direitos imorais - Do parasitismo camuflado - Da cabeça e da mão - Da importação de cérebro - De frutas e livros - Dos ladrões - Do suplício da senatoria - Das elites - Dos trinta homens - Nota final.

2º parte, Opiniões - Psicologia do jornal - Audiências públicas - O padrão - A moeda de borracha - Gânglios pensantes - A cegueira naval - Loucura - Guerra do livro - Artur Neiva - Resignação - A morte do livro - A desencostada - Assessores - Vacas magras e gordas - A maravilha do Calabouço - O quarto poder - Honni soit.

3º parte, Problema Vital - A ação de Osvaldo Cruz - Dezessete milhões de opilados - Três milhões de idiotas - Dez milhões de impaludados - Diagnóstico - Reflexos morais - Primeiro passo - Déficit econômico, função do déficit da saúde - Um fato - A fraude bromatológica - Início de ação - Iguape - A casa rural - As grandes possibilidades dos países quentes - Jeca Tatu.

América
Neste livro Lobato revive o personagem inglês Mr Slang e com ele percorre os Estados Unidos, mostrando a pujança daquele país, tecendo comparações, buscando soluções que possam servir para tirar o Brasil do atraso. Depois de passar 4 anos nos Estados Unidos, Lobato volta ao Brasil para dedicar-se inteiramente a lutar pelo petróleo e pelo ferro. A primeira edição foi lançada pela Editora Nacional em 1932.

Mundo da Lua e Miscelânea
A primeira edição de Mundo da Lua saiu em 1923 e reúne uns escritos de Lobato em um diário de sua juventude. Na edição das obras completas, foram acrescentados outros escritos posteriores e que ajudam a compreender a mocidade do autor. Miscelânea, também acrescentado a esse volume contém série de artigos sobre pessoas e impressões sobre viagens pelo interior do Brasil.

Primeira parte, Mundo da lua - trechos de um diário. Segunda parte, Fragmentos - trechos de um diário. Terceira parte, Miscelânea - Traduções - Processos americanos - Primeiro amor - A dourorice - Alice in the Wonderland - O segredo de bem escrever - Fim do esoterismo científico - Pearl Harbour - Pelo Triângulo Mineiro - Paulo Setúbal - Moeda aregressiva - La moneda rescindible - Planalto - Um romance que prenuncia outro - De São Paulo a Cuiabá - A cidade dos pobres - Júlio César da Silva - Apelo aos nossos operários - A geada - Mais estradas - Jesting Pilate - Quem é esse Kipling? Machado de Assis.

A barca de Gleyre
Com a epígrafe "Quarenta anos de correspondência literária entre Monteiro Lobato e Godofredo Rangel. Vai de 1903 a 1948. O próprio Lobato se espanta: "quarenta anos do mesmo amigo e mesmo assunto, que fidelidade... E a consequência foi se tornarem uma raríssima curiosidade". Lançada em 1943 é a última obre de Lobato na Editora Nacional.

O autor explica que carta não é literatura, é algo à margem da literatura... Porque literatura é uma atitude - é a nossa atitude diante desse monstro chamado público, para o qual o respeito humano nos manda mentir com elegância, arte, pronomes no lugar e sem um só verbo que discorde do sujeito. O próprio gênero memórias é uma atitude: o memorando pinta-se ali como quer ser visto pelos pósteros - até Rouseaau fez assim - até Casanova.... Mas cartas não... Carta é conversa com um amigo, é um duo - e é nos duos que está o mínimo de mentira humana.

Prefácios e entrevistas
O enorme sucesso de Lobato como escritor o fazia ser constantemente procurado por intelectuais e escritores que queriam associar seus nomes ao de Lobato para conquistar o público, e por jornalistas de todas as partes, principalmente durante a ditadura. Lobato dizia que se responsabilizava unicamente pelas entrevistas escritas de seu próprio punho. Como nunca estava satisfeito com as versões publicadas, parou de receber jornalistas.

Esse volume, com prefácio de Marina de Andrade Procópio de Carvalho, reúne 20 prefácios e 17 entrevistas.

Sumário: prefácio de Marina de Andrade Procópio - Prefácios (para os seguintes livros): Ipês, de Ricardo Gonçalves - Antologia de contos humorísticos - Seleta de contos brasileiros, organizada por Lee Hamilton - Contas de capiá, de Nhô Bento - Éramos seis, da Sra. Leandro Dupré - Luta pelo petróleo, de Essad Bey - Aspectos de nossa economia rural, de Paulo Pinto de Carvalho - Diretrizes para uma política rural e econômica, de Paulo Pinto de Carvalho - Nos bastidores da literatura, de Nelson Palma Travassos - Serpentes em crise, de Afrânio do Amaral - Nós e o universo, de Urbano Pereira - Bio-perspectivas, de Renato Kehl - Gilberto Freyre, de Diogo de Melo Menezes - Cartas para outros mundos, de Álvaro Eston - O pecado original, de Rocha Ferreira - Falam os escritores, de Silveira Peixoto - A sabedoria e o destino, de Maurice Maeterlinck - Uma revolução econômico-social, de Otaviano Alves de Lima - Prefácio de paraninfo na formatura de contadores de uma escola de comércio - carta-prefácio aos Poemas atômicos, de Cesídio Ambrogi.

Entrevistas: O Brasil às portas da maior crise de sua história - Inglaterra e Brasil - Um governo deve sair do povo como o fumo sai da fogueira - Entrevista com Silveira Peixoto - Resposta a uma "enquete" da Mocidade Paulista - Faz vinte e cinco anos... - Monteiro Lobato fala sobre o problema judaico e outros assuntos - Insultos ao Brasil - Eu sou um homem sem função - Entrevista ao Correio Paulistano sobre a beca na Academia Paulista de Letras - As orelhas de Vasco da Gama - Lobato, editor revolucionário - Monteiro Lobato na torre de marfim - Um mundo sem roupa suja ... Que fazer da Alemanha depois da guerra? - Quando era proibido entrevistar Monteiro Lobato.

Conferências, artigos e crônicas
Reúne, segundo os editores, uma pequena parte da colaboração de Monteiro Lobato espalhada por jornais e revistas do País, ou apenas divulgada em pequenos folhetos, além de alguns textos inéditos. Da leitura desse volume, os leitores podem ter uma visão mais rica da ação de Lobato nos variados setores para onde convergiu seu talento.

Sumário: Prefácio - Conferência em Ubatuba - Conferência em Belo Horizonte - Prefácio a "No Silêncio" - Prefácio a "Minha vida e minha obra"- Sobre poesia e poetas I, II, III - Vida Ociosa - Discurso de agradecimento - Saudação a Horácio Quiroga - Torpilhar - O teatro brasileiro - Fantasia - O mais velho dos escultores: O acaso - Pedro Alexandrinho - O doutor Quirino - O cigarro do Padre Chico - A evolução das ideias argentinas - A hora perigosa - A glória - Estradas de rodagem - São Paulo e o Brasil - Reconstruir a casa - Como países se suicidam - A nossa doença - Confissões ingênuas - Fradique Mendes - Eu tomo o sol - A criança é a humanidade de amanhã - Mensagem à mocidade do Brasil - De quem é o petróleo da Bahia? - Georgismo e Comunismo - O planejamento do futuro - O visconde científico - História do rei vesgo - Entrevista coletiva - Zé Brasil - A última entrevista.

Literatura do minarete
O "Minarete" era o nome que Lobato e seu grupo de amigos mais chegados davam ao chalé onde realizavam suas tertúlias. Depois serviu para batizar um jornal que seu amigo Benjamim Pinheiro lançou em Pindamonhangaba, onde todos colaboravam. O editor reuniu nesse volume das obras completas os textos que Lobato publicara em diversos jornaizinhos na juventude enquanto estudante de direito.

Sumário: Outrora e Hoje - Juro! - A cor - O charuto - Rubis - Tio Pedrosa - Falta de assunto - Os lambe-feras - Da janela - Fragmento - Como se escreve um conto - A todo transe - A fuga dos ideais - Crônicas teatrais - Tão ingênua! - Diário dum esquisitão - Memórias de um velho - Assombro - Psicologia do sono - Futebol - Na roleta - En Tigelópolis - Sara Bernhardt - Um Giles moderno - A poesia japonesa - O queijo de Minas ou História de um nó cego - Filosofias - Em casa de Fídias - Duas dançarinas.

Cartas escolhidas
Em dois volumes, com prefácio de Edgard Cavalheiro, reúne farta correspondência de Lobato, desde 1895 até 1948. Ao incorporar essas cartas às obras completas os editores quiseram ampliar os subsídios para a compreensão do homem e do escritor. Nas palavras de Edgard Carvalheiro - "Que as novas gerações extraiam destas páginas as lições que elas encerram. Nada do grande homem é sonegado nestas cartas. Elas refletem uma personalidade realmente invulgar. E despida de todo o aparato das biografias. O homem-Lobato está vivo, palpitante, nestes volumes".

Fontes:
http://www.projetomemoria.art.br/ MonteiroLobato/bibliografialobatiana/bibliot.html 

A. A. de Assis (A era do ócio)

Está em pauta nas conversas a redução da jornada de trabalho. Como ocorre em toda inovação, tem gente contra e gente a favor, porém na verda...