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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Renato Benvindo Frata (Final de semana)


É sexta-feira, passa das cinco, minha vista se turva diante de um sol que tremelica enquanto pende a se esconder. Então, comparo-o com meu estado de resistência e vejo que sua aparência como a minha, é de cansaço.

Hora de arriar as velas, depor as tralhas e sossegar, afinal, nem o sol é de ferro. Ambos passamos o dia trabalhando.

Ele vagueando à potência máxima de iluminação e eu, por ter me atido às coisas da profissão e da família, em busca do necessário. A bem da verdade, admiro-o pela compostura séria, ereta, resistente, persistente, renhida com que tenta vencer todo o expediente sem demonstrar a indisposição do cansaço que sinto num fim de tarde, especialmente numa sexta.

Disfarça-se bem. Eu, já não consigo.

Porém, ao se enfiar no horizonte, noto que sua figura escurecida deixa a entender que o tremor da luz, ao se despedir, cobra-o de certa forma pelo esforço dispendido, o que torna, também, ao que parece, seu caminhar mais lento. Tal como o meu que a essa hora age como se eu tivesse acumulado gotinhas de chumbo nos pés, uma porção delas no arcar das costas e outras pela dificuldade de as venezianas dos olhos reterem o ardor emanado.

Olhos em brasa sem estar de fogo. Pode? A tela do computador fala que sim.

Olhando-o, porém, com esse enlevo pela visão displicentemente dirigida ao céu, noto que procura abrigo para se aninhar, e o faz sem pressa de indicar exatamente onde se encolherá, mas sabidamente num colo de montanha acinzentada, perdida pelo horizonte. E dali, como que em posição fetal, submergirá envolvido pelo vermelho enegrecido, a lhe servir de manto.

Magistralmente, nesse exato instante, a noite, a seu modo, assume o lugar espalhando raios lunares, e resplandece a paz que da lua brota.

 céu da sexta ganha um brilho especial porque ela, lua, na sua magnificência elementar, simplesmente clareia sem nos perguntar se estamos cansados ou não e, como tivesse mãos mágicas, põe em nossos pés vitalidade, nas costas o conforto, e congraçamento nos olhos a nos fazer de novo descansados para mais uma jornada, essa de lazer; afinal, sexta não é para se ficar em casa.

Não é sempre que aproveitamos a oportunidade de bisbilhotar o céu nesses tempos loucos em que o relógio obriga a que olhemos sem enxergar, sem distinguir contornos, saliências, reentrâncias e nuanças. Nesse caso, com ou sem lua, hibernamos, e não damos conta de que perdemos horas preciosas da vida que segue... sem que ocasiões retornem.

Perder a sexta é perder a semana.

A pressa que damos à vida, agindo como se disputássemos um lugar junto ao próprio sol procurando mais sombra, tira-nos a certeza de que teremos o sábado e o domingo para guardarmos nossa armadura, banhá-la, lustrá-la e deixá-la pronta até a próxima segunda quando poderemos, de novo, seguir o astro nas suas andanças livres, soltas e belas e fazer dos dias da semana a espera pela próxima sexta.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * 
Renato Benvindo Frata nasceu em Bauru/SP, radicou-se em Paranavaí/PR. Formado em Ciências Contábeis e Direito. Professor da rede pública, aposentado do magistério. Atua ainda, na área de Direito. Fundador da Academia de Letras e Artes de Paranavaí, em 2007, tendo sido seu primeiro presidente. Acadêmico da Confraria Brasileira de Letras. Seus trabalhos literários são editados pelo Diário do Noroeste, de Paranavaí e pelos blogs:  Taturana e Cafécomkibe, além de compartilhá-los pela rede social. Possui diversos livros publicados, a maioria direcionada ao público infantil.

Fonte:
Renato Benvindo Frata. Crepúsculos outonais: contos e crônicas.  Editora EGPACK Embalagens, 2024. Enviado pelo autor.

Guimarães Rosa (O espelho)


O espelho é o centro da obra Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa, onde o narrador, em primeira pessoa, conta de sua luta para provar a falta de lógica e de sentido do mundo. Diante de um espelho, foi descobrindo com o passar dos dias a mentira que é a aparência humana. Num processo de “desimaginar-se”, vai verificando que o homem, como todas as coisas, não passa de uma metáfora. No limite do absurdo, ele chega a ver sua “forma” invisível.

O tema da identidade é tratado através da metáfora do ato de se ver e se reconhecer no reflexo dos espelhos.

No conto reaparece a estrutura narrativa inovadora, trata-se da relação dialógica de um narrador que não se identifica nominalmente e que interpela o leitor por "senhor". O narrador relata uma experiência insólita: Se quer seguir narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. Tomou-me tempo, desânimos, esforços. /.../ O senhor, por exemplo, que sabe e estuda, suponho nem tenha ideia do que seja na verdade – um espelho?. Assim, o leitor é chamado a trilhar as veredas de uma devassa da alma humana.

De tema metafísico, transcendente, o conto não é uma narrativa com história, intriga, no sentido tradicional. É uma experiência, como o próprio narrador personagem declara.

Seguindo um método próprio, o narrador desenvolve a sua busca durante anos, experimentando as diferentes formas que podem brotar de sua própria imagem no espelho e eliminando todas, na tentativa de encontrar a sua verdadeira essência, livre de qualquer ilusão que os seus olhos pudessem criar.

Após anos dessa experiência, o personagem chega ao ponto de não conseguir ver nenhuma imagem, quando está diante de um espelho. Então, resolve parar por um bom tempo com as experiências e não dirige mais o olhar a nenhum espelho. Porém, num dia, ele retoma essa experiência e consegue ver apenas um esboço muito mal feito do seu rosto, um quase rosto. Nesse instante, o narrador se sente contente e tranquilo e convida o leitor a refletir sobre o que é de fato a vida.

O elemento anedótico consiste na situação absurda, relatada pelo narrador, de que é possível ver outras pessoas, objetos e até animais no lugar da própria imagem no espelho. O narrador passou a acreditar nessa louca ideia, quando ainda era jovem e estava num lavatório, onde de súbito, se deparou com um perfil humano feio, desagradável que lhe gerou nojo e repulsa. Porém, essa figura era ele mesmo dentro de um jogo de ângulos produzido por dois espelhos: um fixo na parede e outro numa porta lateral. A partir desse acontecimento, o narrador inicia uma busca pelo seu eu através dos espelhos: comecei a procurar-me - ao eu por detrás de mim - à tona dos espelhos.

O conto é como um jogo da verdade. O espelho é o instrumento da análise. O narrador vai descendo em suas experiências até não encontrar mais sua imagem: as máscaras (aparência) vão sendo destruídas. Por fim, começa a emergir no espelho uma outra imagem ...um rostinho de menino, de menos-que-menino.

Este conto apresenta um aspecto que o destaca em relação aos demais de Primeiras Estórias: sua linguagem é erudita, carregada de termos científicos e filosóficos, numa formalidade que se afasta do caráter oral dos outros 20 textos, significando o fascínio exercido pelo espelho sobre cientistas e filósofos de todos os tempos.

Seu narrador, que parece conversar com o leitor diz que realizou um enorme esforço, por meio de seu reflexo num espelho, de busca do seu verdadeiro eu, o “eu por trás de mim”.

Esse verdadeiro eu precisa ser encontrado por meio de seu reflexo. Estuda-se, pois, sua imagem e semelhança. Assim, a busca do verdadeiro eu está na busca de Deus. Para tanto, o narrador vê-se na necessidade de realizar exercícios que têm a proposta de eliminar as superfícies enganadoras de sua imagem. Com esforço, elimina sucessivamente a imagem do seu sósia animal, dos seus pais, de suas paixões, das ideias que os outros lhe atribuem, dos interesses efêmeros. O resultado de todos esses esforços causa-lhe muito sofrimento, principalmente uma terrível dor de cabeça. Resolve, pois, abandonar a tarefa.

Tempos depois, voltou a se olhar no espelho e não viu nada. Aos poucos, uma imagem vai-se formando, de forma luminosa. No final, surge a imagem de algo que é menos que um menino. Eis a ideia de que a criança enxerga melhor a verdade (eis um dos motivos para a predileção para esse tipo de personagem na obra). Tornando-se adulto, a visão é embaçada. No entanto, existe a promessa de que se voltará ao estágio da perfeição. Vai-se estar face a face com Deus, como se diante de um espelho.

No conto O Espelho, predominou o aspecto esotérico, quando a obra Primeiras estórias nos apresenta vivamente retratos de pobreza, exclusão e abandono a que são entregues os habitantes do sertão.

Fonte:
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/o/o_espelho_conto. Acesso em 14 de dezembro de 2008.

Caldeirão Poético 3 (São Paulo)


SERGINHO POETA 
(Sergio Luis Oliveira Mesiano)

Largo e Profundo

No instante
Em que o sino da igreja anuncia
A hora da Ave Maria
O Menino outra vez desafia
A Guarda Municipal
Precipita-se por entre o comércio informal
E o mar de gente confusa
Desce a alameda em queda livre
E vai se abrigar nos braços da Meretriz
O Ambulante canta a oferta
Abafando o alerta de pega ladrão
No instante seguinte
O Padre bendiz o Menino
No ato do seu sermão
E a Carola, samaritana boa
Que momentos antes
Perdera a bolsa e a fé nos meninos
Reza e perdoa
E tudo volta ao normal

Percebo um olhar de soslaio
No Largo Treze de Maio
Coberta de joia falsa
A maquiagem realça
O rosto da Moça da Vida
E a pouca idade que tem
A Guarda esquece o menino
O Ambulante grita de novo
E o povo se agita na praça

É tudo pressa de novo
E o Ônibus passa
E passo Eu e o Menino
A Carola e a Puta
Só o Largo Treze não passa.
===================

PAULO ALMEIDA 

Santo Amaro de Vários Artistas

Nem todos os demônios se dissiparam
Na barra da manhã...
Quando amanheceu era sábado,
O sétimo dia,
E pouca coisa era sagrada :
Quem sabe a necessidade do camelô
Dizendo nunca se sabe ,
Atento à guarda municipal,
Quem sabe a pouca idade da menina
Calcando ruas já tão prostituídas,
Quem sabe a febre de Paulo,
Eiró, perseguindo noivas, poemas,
e represas entre ruas, catedrais
E hospícios .
Na casa amarela treze poetas
E treze visões se entrelaçam.
Colecionadores de pedras
Extravasam poemas e vidraças
Com um novo olhar .
Um planeja ornar com flores
A carabina de Borba Gato.
Outra ,poeta e menina,
Dança no coreto enquanto recita
Nua poesia sobretudo Santo Amaro.
Vamos ao largo de dvds , piratas ,
E da catedral sufocada,
Colocar versos na boca da estátua,
Ouvir o uivo dos albergados,
Confissões púbicas e sem preço
Da fantasia em hotéis baratos.
Vamos comungar o pão e a poesia,
Perecíveis artistas no monumental teatro das ruas.
======================

LAURA GUIMARÃES 

Ecos do Largo Treze

Que tipo de fé, seu moço,
consola as noites
desse pedaço de chão?

Sabe, seu moço,
um tipo de Deus diferente
passeia pelo Largo.

Pequenos milagres
escorrem pelas sarjetas
e abotoam as camisas
daqueles que não as têm.

O sopro de sarcasmo que falta
transborda dos copos cheios de mágoa
que toma conta do corpo
daqueles que não têm mais corpo, não.

Sabe, seu moço,
há um rio mudo
correndo, ao largo,
por entre as veias desse povo.

Correnteza forte, sim senhor!

Sabe, seu moço,
há um largo sorriso de medo
preso em suas gargantas.

Protestariam, se soubessem.
Contestariam, se pudessem.

Mas de que adianta força sem direção?

O pai de família corre atrás do pão.
A dona de casa faz milagre na ponta da faca.
A criança faz brinquedo do lixo que sobra.

Do pouco que sei,
sei que esse pedaço de chão
é como se fosse o mundo inteiro.
Santo Amaro.
                    Meu mundo, meu chão.
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JOÃO ROSALVO 
(João Rosalvo da Silva Júnior)

Ao Santo armado

ajoelhado
devotado em oração
surge no banquinho inexistente da praça
um homem
na noite
que diante de sua devoção paulista
(a estátua do Borba Gato)
começa:

"Oh, meu Santo Armado,
de guerra construído e preparado,
que guardas a cidade amarga de barro,
bairro da grande metrópole, São Paulo,
meu tempo anti-lunar vem te pedir,
salve nossas noites de esperança
salve nossas boates, nossas danças,
nas ruas terminais de Santo Amaro
nas praças floreais de poucos atos,
nas casas da antiga: antigos fatos.

Fazei de nossa flor Matriz,
da alameda eira e da Eiró Meretriz,
a chave para acharmos o paraíso,
asfalto e carro e condutor divinos.

Com goles de cerveja, salvai as nossas almas padecidas
e as pobres caras, um tanto parecidas
dos jovens moços que roem o osso sujo e 
bebem do esgoto pútrido da cidade esquecida.

Aos maltrapilhos que cantam vícios
em coro triste no coreto limpo da Floriano,
dá menos planos e mais oportunidade
de fumarem um cigarro novo por noite
ou de cobrirem seus corpos poucos com lençóis de verdade.

Salve nossas Ladys e nossos End Nights.
E salve esta alma de homem pobre
que toda noite se cobre com manto de jornal
e diante da lua: silêncio sepulcral;
clama pelo povo sofrido
da noite querida
da Santo Amaro perdida
entre os becos e os beijos de suas meninas."
========================

INDIARA NICOLETTI 
(Indiara Nicoletti Ramos)

"Ciclo de Vida"
.
Gira rodopia
a criança no coreto
Menina que dorme
de olhos semiaberto

No relento da calçada
O plástico preto
que sonora ao vento

Pode ser o cobertor
Pode ser a cama
Para o mijar
Embriagado

Os olhos fecham-se
Na esperança de um sono
Continuo ...

Mas o som da praça
Adormecida
De gritos de liquidações
Mudas

Na voz muda de garças
Que migram em direção
As águas represadas

A menina passeia
As margens da Guarapiranga

Muitas crianças
Pulam se jogam
Nas águas em
Um dia de sol

A mãe pede ao filho
Que não arrisque
A pele na sombridez
Da água turva

Mas o menino vê o verde
Do parque da mata
Do corredor de arvores
Ao lado da hípica

O céu azul
Refletido nas
Águas

Ora mansa recheada de peixes
Ora redemoinho que engole gente
Nas turbinas da Sabesp

A menina sonha
Os cabelos acariciados
Pelo vento

Pelas mãos de vento
Da Donzela Guaianazes
Moça que também
Habita a praça

Viajante de outros tempos
Raiz plantada nestas terras
Aos pés da árvore tombada
Para a construção do camelódromo

Plásticos brandam
Mortos, matéria
descartada

Olhares esquecidos
Na calçada composta
De passos ligeiros

Marcas nas mãos
Ciclo de vida

Reciclar as relações
Corriqueiras, fugazes
Como as promessas
Da cidade das luzes modernistas

Um dia no coreto
Habitou uma princesa
Bonecas de porcelana
Na jazida casa alemã

Bomba de chocolate
No rosto anuviado
Da menina
Na jazida Doceria Yramaia

Ecos de vozes do papagaio
No corredor da madrugada
Na também jazida pensão
Talvez uma Espanhola

Sonha a menina
Travesseiro de colo materno
Da donzela Guaianazes

Ela seria mãe
Se não fosse
Interrompida por
Fogo azul

Jaz Borba ao vento
Duro concretizado
No mosaico de Júlio Guerra

Borba andarilho de ladrilhos
Dá as costas para o fruto
Da semente mal plantada

Cayubi olha sua filha
Hoje mãe acariciando
Os cabelos da menina

Gira a menina no coreto
Ciclo de vida
Ciclo das águas
Que levam as lágrimas de mazelas

Júlio Guerra limpa as pedras
De mármore e basalto
Júlio Guerra lava o painel
Poluído por tinta preta

Em casas de outrora
Espanhóis, Portugueses
Alemães... habita uma tela
De Júlio que observa
A porta Veneziana do teatro

Lava as pedras no painel
Com lágrimas derramadas

Descansa Júlio Guerra

As lágrimas que brotam da terra
Na construção do metro
Fura o lençol freático

Com sede, do alto
A menina observa
Acompanhada
Pela donzela Guaianazes

Na igreja
Vultos de um jazido cemitério
Assustada ela volta para o coreto

Cayubi limpa o sono
De quem dorme ao relento
Guaranis com suas maracás
Hoje em Parelheiros

Cayubi abençoa a praça
Terebê planta ao pé
Da grande arvore
A semente de um povo

Útero da Terra
Aquífero Guarani
Jorrando água
Na calçada

Cayubi guardião de toda a Terra
Olha a praça de frente
Com sua gente
Sua casa amarela

Onde em uma madrugada
Uma cidade virou bairro
Promessa fugaz...

Cayubi olha Borba
Olhar concretizado
Pelo chumbo
Olhar amolecido
Pelas lágrimas

Água Guarani
Sangue da Terra
Água cíclica
As margens da represa

Ciclo de vida na matéria ignorada
Trabalho de mãos calejadas
Jorrando o desperdício na calçada

Hoje são poucas as arvores
São diferentes os frutos
Plástico brotando no concreto

A donzela Guaianazes
Puxa um galho de Jasmim
E abençoa sua filha tão pequena
Tão sofrida

Com um beijo deixa a praça
Ciclo de vida na calçada

Criança gira no coreto
No tempo sonha
E com o vento
Se despede
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CARLOS GALDINO 

A Curva da Praça

A curva da praça
é curva de rio
Tem gente com fome
Tem gente com frio

Na curva da praça
Tem gente que fica
Tem gente que passa
Tem gente esquisita

Na curva da praça
Tem gente que joga
E gente jogada
Tem gente com tudo
Gente sem nada

A curva da praça
Tem crime e segredo
Tem gente esperta
E gente com medo

A curva é de um só
A curva é de massa
A curva tem preço
A curva é de graça

A curva da praça...
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Poetas integrantes de Treze Poetas, de Treze Visões do Largo Treze de Maio.

Fonte:
http://www.trezevisoes.blogspot.com/

Célio Simões (O nosso português de cada dia) “Corredor polonês”


Todos aprendemos na escola ― às vezes, da pior maneira ― que “CORREDOR POLONÊS” é o nome dado a um castigo em que um indivíduo é forçado a passar por duas fileiras de pessoas que o agridem fisicamente. Todavia, embora essa prática violenta seja conhecida em todo o mundo, a menção aos poloneses só existe em nosso idioma.

Em inglês o castigo é chamado “running the gauntlet” (“correndo a manopla”). Em espanhol (“pena de baquetas”), em francês (“châtiment des baguettes”) faz referência às baquetas usadas pelos percussionistas das bandas marciais, usadas para aplicar bastonadas aos infelizes submetidos à punição. Na mesma pegada, e ainda mais diretos, os alemães dizem “Spieβrutenlaufen” (“corrida sob varas pontiagudas”) e os chineses usam a expressão (jiādào biānda) que significa, literalmente, “corredor de chicotadas”. Em italiano se diz “passare sotto le Forche Caudine”, em lembrança à humilhante rendição dos exércitos romanos na Batalha de Forcas Caudinas, um estreito passo de montanha na região da Campânia, em 321 a.C. Curiosamente, não houve mortos ou feridos nesse evento. Por sua vez, os poloneses conhecem esse suplício como “Praszczęta” e atribuem sua origem a uma punição militar aplicada, até o século XIX, pelo exército russo! Por que então a língua portuguesa faz referência à Polônia? 

Ao contrário do que alguns pensam, o corredor polonês não é o indivíduo que corre desesperado tentando se esquivar dos golpes infligidos. Tampouco são poloneses os algozes enfileirados. Essa expressão tem origem em uma estreita faixa de terra disputada por alemães e poloneses entre a Primeira e a Segunda Grande Guerra. Ao final da Primeira Grande Guerra, as nações vencedoras se reuniram em Versailles para decidir as penalidades que deveriam ser cobradas à derrotada Alemanha. Entre elas, incluíram a cessão de parte do território alemão à Polônia, para que essa nação tivesse uma saída para o mar.

Essa região, uma área longa e estreita que cortava em duas partes o território alemão, passou a ser chamado “CORREDOR POLONÊS”. Vigorou de 1919 a 1939, quando o exército nazista o atacou por ambos os flancos, na invasão à Polônia que marcou o início da Segunda Grande Guerra. Ao fim da guerra, em 1945, não apenas o Corredor Polonês, mas também as áreas subjacentes, foram entregues à Polônia, permanecendo assim até hoje. Porém, a memória do rápido e violento ataque alemão que encurralou as forças polonesas presas no “corredor” é lembrado até hoje nos países de língua portuguesa quando alguém é instado a passar, por punição ou trote, por entre duas filas de companheiros impiedoso. (Fonte: espaço2d.com.br).
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Estas expressões idiomáticas são publicadas na Terça da Cultura Popular em sites do Pará.

Nas palavras de Célio Simões “A TERÇA DA CULTURA POPULAR começou por acaso. Publiquei num dos sites em que escrevo, um texto explicando a origem de certas expressões idiomáticas, que usamos quase sem perceber nos diálogos do cotidiano. Cito, como exemplo, algumas já divulgadas: Chato de galocha, Mão de vaca, Casa da mãe Joana, Santinha de pau oco, Chegar de mãos abanando, Sem eira nem beira, Dor de cotovelo, etc. Outras virão, na medida do possível. Atualmente tais textos são divulgados por vários sites e blogs de Belém (1), Santarém (1), Óbidos (2), Manaus (1)”
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(*) O autor é advogado, escritor, palestrante, poeta e memorialista. É membro da Academia Paraense de Letras, da Academia Paraense de Letras Jurídicas, da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Artística e Literária de Óbidos, da Confraria Brasileira de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós.

Fontes: 
Uruá Tapera. 12 novembro 2024 

Plínio Marcos (Alvinho, bom palpite)


O Alvinho encarava um batente que não era mole. Se virava mais que charuto em boca de bêbado por uma grana muito mixuruca, que mal dava pra ele escorar os repuxos. Coisa que não é mole, hoje em dia, com a vida custando os olhos da cara como anda. Muito nego se abilola. Principalmente se o pinta é casado e tem montes de filhos pra sustentar. Às vezes, entra em bobeira e sai falando sozinho. E esse era o lance do Alvinho. Cheio de bronca com a sinuca de bico em que estava, ficava pelos botecos cavernosos e biroscas escamosas fazendo o maior quás-quás-quás da paróquia:

— Estou na piorada. Sei que estou. Mas um dia vira o jogo. Tem que virar. Do jeito que está não pode ser. Vê eu? Mino linha de frente, me atucanando nessa zorra encardida. Tá direito? Tá, não. Eu, Alvinho boa cuca, cheio de embaixada, perdido aqui nessa joça. Entregue às traças. A perigo perpétuo. Um dia tem que mudar.

E como esse papo que ele engrenava não dizia nada a ninguém, o jeito era ele mesmo continuar charlando:

— Nasci pra ser tratado a pão-de-ló. E, no entanto, estou só comendo capim pela raiz. Não dá pedal. Um dia me arrumo. Nem que precise fazer uma desgraça.

Claro que era conversa de bêbado. Nem o mais loque dos ouvintes botava fé. Estava tão escancarado que o bafo de boca do Alvinho era só desabafo que a curriola nem se tocava. E assim foi por anos e anos a fio. O Alvinho, na volta do trampo, parava na tendinha, enchia a fuça de cachaça e chorava as pitangas. Mas até araruta tem seu dia de mingau. Certa tarde, o Alvinho piou na parada e só deu um alô:

— Manda a penúltima.

O português do boteco fez a vontade do freguês. Botou a pinga, o Alvinho virou num gole e deu uma dica que fundiu a cuca de muito xereta:

— Inté. Vou cuidar de mim, que tou na bica pra ficar rico. E, sem maiores explicações, se picou. Largou a patota se badalando no seu destino:

— Não gostei dessa história do Alvinho.

— Nem eu. Ele não é de sair daqui antes das nove.

— Não vai ele, com essa mania de se acertar, entrar em canoa furada.

— Que ele pode fazer?

— Sei lá. Com essa mania de ficar rico, ele pode aprontar.

— Quê? Meter a mão grande em cima dos outros?

— E não pode querer sair por aí?

— Não ele. O Alvinho é de coisa nenhuma.

— Já vi muito papagaio enfeitado endoidar e fazer façanha.

— Isso eu também vi. Mas deixa andar. A cabeça dele é o seu guia. Se arrumar sarna, que se coce.

Mas não tinha xaveco nenhum na esperança do Alvinho. Acontece que, naquela semana, inaugurava a Loteria Esportiva. E como todo o povão das quebradas do mundaréu, desde onde o vento encosta o lixo até onde o vagal pisa devagarinho, o Alvinho via naquele babado a chance de tirar o pé do lodo. E, na cisma firme, se vidrou na loteria. Dali pra frente, até deixou de beber. Nem estrilava mais. Seu negócio era saber quem era o A.B.C. do escambau, o Lagarto da Barra do Catimbó, Nacional do fim da linha e tal e coisa. Então, era tentar a sorte. Sacrificava a família, deixava os mumus sem gororoba, mas arriscava seu palpite. Se alguém botava areia, ele descurtia:

— Que nada! Um dia eu faço treze pontos. Um dia dá eu na cabeceira. E tem um negócio: se eu beliscar uma nota, que nem precisa ser grande, pode ser dividida com um gango, eu nunca mais fico duro. Podem crer. Eu sei de mim. Se meu orixá me valer, eu faço e aconteço. Juro por essa luz que me ilumina.

E por nada desse mundo saía da cola. Estava rente. Fazia doze, onze, nunca menos de dez pontos. E, com essas e outras, o bruto sofria. Torcia. Passava o fim de semana inteiro com um brinco de malandro pendurado na orelha. Só de radinho de pilha, conferindo o resultado. E, remando a catraia em águas barrentas, o Alvinho ficava plantado na boca de espera.

E ficou nesse chove-não-molha até que veio o teste 44. Fanático como era, o Alvinho manjou o cartão e urrou. Se pudesse fazer três triplos, era barbada. Não teria erro. Contou sua grana e se apavorou: só tinha dois pixulés muito sem-vergonhas. No desespero, saiu caitituando pra cima do seu irmão e do seu cunhado. Azucrinou tanto os parentes que conseguiu dobrá-los. Conseguiu a bufunfa, apostou. Ficou na moita e se deu bem. Treze pontos. Uma glória! Treze pontos. Porém (e sempre tem um porém), mais novecentos e sessenta e oito negos, além dele, fizeram os treze pontos. A parte que lhe tocou foi de treze mil e novecentas jiripocas. Como teve que rachar por três, ficou com quatro milhos e caqueiradas. Quase nada. Mas, pra ele, que era salário-mínimo, era uma fortuna. E, sem se afobar, anunciou pros cupinchas:

—Como falei, nunca mais vou ficar duro.

E, mesmo a moçada do pedaço estranhando, o Alvinho meteu os peitos. Jogou o emprego pro alto. Comprou uma bicheira Buick 58, se encheu de roupas e virou outro Alvinho. Se embandeirou. Estava sempre à vontade. Sem ter que levantar cedo pra trabalhar, o pinta ficou um alegrão. E, de tanta folga que ele tinha, despertou inveja. Os bochichos começaram:

— Pombas! Quatro milhos dá pra tanto luxo?

— Sei lá. Eu nunca tive.

— Já faz tempo que ele ganhou na loteria.

— Pra tu ver. Já dava pra ter torrado a bufunfa.

— Principalmente gastando como gasta.

— E sem trampo.

— Deixa ele. Está com a vida que pediu a Deus.

E tanto o povaréu cortou o assunto que a pala bateu nas antenas de um cachorrinho. O cagueta alertou o tira que era seu chapa. O tira precisava mostrar serviço e se botou na campana do Alvinho. O pesqueiro dele era maconha. Sem rodeio, o tira deu a dura. Flagrou o vencedor da loteria com a boca na botija. E foi cana dura.

No aperto, o Alvinho se abriu:

— Sabe como é. Arrumei a grana, me botei no comércio. Agora, ele vai puxar um tempão na galera gelada. Talvez dê pra ele se mancar que grana em bolso de otário atrapalha paca.

Fonte:
MARCOS, Plínio. Histórias das quebradas do mundaréu. Mirian Paglia SP: Ed. de Cultura, 2004.

Baú de Trovas 2

 


Solitário coração,
onde o sonho adormeceu...
– Lembra uma velha estação
que, sem trem, virou museu.
A. A. DE ASSIS 

Que destino, que porvir
pode a sorte reservar
a quem não sabe sorrir
e se esqueceu de chorar?!
ADALBERTO DUTRA DE REZENDE

Morre o pobre de arrepio,
gelado, se o frio aperta;
e dizem que "Deus dá o frio
conforme a nossa coberta".
ALFREDO DE CASTRO

Cai por terra qualquer festa
e minha alma triste chora,
quando vejo uma floresta
pela queimada indo embora...
ANALICE FEITOZA DE LIMA

Quem não sofreu a amargura
da eterna separação,
não entende a desventura
da palavra Solidão!
APARÍCIO FERNANDES

Eu hoje chamo saudade
o que ontem chamava amor.
A minha felicidade
mudou de nome e de cor.
ARGENTINA DE M. SILVA

Enquanto a vida não passa
enquanto a morte não vem,
quem deixa marcas de graça
têm outros mundos no além.
ARI SANTOS CAMPOS

Quando perto, o trem apita,
batem forte os corações…
Tudo na estação se agita,
provocando as emoções.
ARTHUR THOMAZ

Feito o sol que vai e volta,
é preciso renascer
com o mesmo brilho que escolta
a coragem de vencer.
BASILINA PEREIRA

Meu lenço, na despedida,
tu não viste em movimento:
- Lenço molhado, querida,
não pode agitar-se ao vento...
CARLOS GUIMARÃES

Hoje nada mais me importa,
pois se volto ao meu passado,
eu vejo a esperança morta
num castelo abandonado.
CARMEN OTTAIANO

Ele chega de mansinho,
velho cão ressabiado...
mas, se conquista um carinho,
nos dá carinho dobrado!
CAROLINA RAMOS

Ah! Somente o homem não crê
que a natureza, num grito,
chora muito quando vê;
Pinheiro virar "palito"!
CAROLINE PORTUGAL

Ninguém ouve mais o canto
matinal da passarada...
Vê-se agora, a fauna em pranto,
carpindo a dor da queimada!
CLARINDO BATISTA ARAÚJO

Pranteando a ponte antiga,
o rio, ao vê-la aos pedaços,
abrindo os braços à amiga,
carrega a ponte nos braços...
DARLY O. BARROS

Fiz do amor o meu caminho
só de verdades traçadas,
e dentro delas um ninho
com nossas mãos enlaçadas.
DAURA ROCHA BARBOSA RESENDE

Mãe! Criatura querida,
santa heroína sois vós;
quando nos destes a vida,
destes o sangue por nós!
DÉCIO VALENTE

Vão-se os séculos rolando
nas ampulhetas da vida;
corrente que vai passando
numa rota indefinida...
DJALDA WINTER SANTOS

Naqueles tempos de antanho,
de escribas e fariseus,
um Homem do meu tamanho
tinha o tamanho de Deus!
DURVAL MENDONÇA

O tempo passa, voando,
mas, deixa traços, enfim:
Um cansaço, me acercando,
premeditando o meu fim…
FABIANO DE CRISTO WANDERLEY

Velho - carrego esperanças
adubando a vida em flor;
- quem não cultiva as lembranças,
mata as raízes do amor.
GABRIEL BICALHO

Eu tenho te amado tanto,
com tão intensa paixão,
que muitas vezes me espanto
de ter um só coração!
GALDINO ANDRADE

Com que ironia o destino
pode este quadro pintar:
de um lado, um lar sem menino;
de outro, um menino sem lar.
HEGEL PONTES

A positiva corrente,
da força do pensamento,
faz a tristeza da gente
ser levada pelo vento!...
HERMOCLYDES SIQUEIRA FRANCO

A neblina, em dias frescos,
descendo em vales sombrios,
aos poucos tece arabescos,
nas brancas margens dos rios...
HÉRON PATRÍCIO

- Olá! Onde tens andado?
Como estás, e que tens feito?
- Casei-me no mês passado.
- Eu não te avisei? Bem feito!
IVO DOS SANTOS CASTRO

Lá vai a vida, girando.
Então, giremos também,
que a vida gira, levando
os sonhos que a gente tem.
JESY BARBOSA

Neste mar de desenganos, 
levado pela maré, 
em tantos sonhos insanos, 
minha força é sempre a fé.
JOSÉ FELDMAN

Quando a jangada flutua,
sobre as águas, ao luar,
é uma lágrima da lua,
nos olhos verdes do mar.
JOSÉ LUCAS DE BARROS

Faz de ternura e carinho
corrente de amor fecundo...
E nunca andarás sozinho
nas correntezas do mundo.
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO

Vejo no céu as estrelas
e fico triste a sonhar...
Porque não sei em qual delas
você, meu bem, foi morar!...
LICÍNIO COSTA

Você...sublime miragem
de um ideal sempre comigo,
iluminando a passagem
da caminhada que sigo...
LOURDES APARECIDA CIONE

Essa mão que lavra a terra
planta no chão a semente.
A benção de Deus encerra,
pois mata a fome da gente
LOURDES BASTOS DA PORCIÚNCULA

O mar nos deu a receita
de um viver sábio, fecundo:
sendo salgado, ele aceita
as águas doces do mundo!
LUIZ OTÁVIO

Na bicicleta, outro dia,
pedalava sorridente…
foi ao chão… quanta ironia…
perdeu, num deslize, um dente!
MAGNUS KELLY

Junto ao meu riso, o cansaço 
sorri, mas deixa sinais…
Se o tempo encurta o meu passo,
insisto, sonhando mais!
MARA MELINNI GARCIA

É pena que o mundo torça
a razão do bom ditado,
pois, se "a união faz a força",
por que um de cada lado?
MILTON NUNES LOUREIRO

Os teus cabelos, Maria,
embora soltos, me dão
a certeza de que, um dia,
hão de ser minha prisão!
OCTÁVIO BABO FILHO

Qualquer corrente não prende
um coração de mulher.
Mas, quando a mulher entende,
prende-se a um fio qualquer. . .
ORLANDO WOCZIKOSKY

Quem aos queixumes se lança
e se desfaz em lamentos,
— em vez de paz só alcança
aumentar seus sofrimentos.
PAULA FARIA

Se queres um bom conselho,
muito útil e bem pensado,
— nunca metas o bedelho
onde não fores chamado...
PETRARCA MARANHÃO

Sofrido!... E o pobre andarilho,
já velho e encurtando os passos,
só depois que encontra o filho
joga fora os seus cansaços!
PROFESSOR GARCIA

Uma verdade conforta
e torna a vida mais bela:
se o mundo nos fecha a porta,
Deus nos abre uma janela!
RODOLPHO ABBUD

Ante meus olhos tristonhos,
chorando minhas idades,
abro a cortina dos sonhos
num festival de saudades!
SANTIAGO VASQUES FILHO

Numa estranha semelhança
com a caixa de Pandora,
vivo apenas de Esperança,
porque o Sonho foi embora.
SARA MARIANY KANTER

Daquele amor proibido
eu guardo, da mocidade,
um lenço amarelecido
e um dilúvio... de saudade!
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA

Manhã fria... Ela, sem graça,
ao dar-me adeus, da janela,
o orvalho, em sua vidraça,
clonou-me as lágrimas dela.
UBIRATAN QUEIROZ DE OLIVEIRA

Pelo mar da vida inteira,
conforme a força do vento,
és o ramo de oliveira,
nos dilúvios que eu enfrento!
VANDA FAGUNDES QUEIROZ

Conquista é jogo de azar
e, no amor, jogo pesado;
querendo te conquistar,
eu é que fui conquistado!
ZAÉ JÚNIOR

Renato Benvindo Frata (Final de semana)

É sexta-feira, passa das cinco, minha vista se turva diante de um sol que tremelica enquanto pende a se esconder. Então, comparo-o com meu e...