Trovadores em Ordem Alfabética

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sábado, 17 de outubro de 2026

Amilton Maciel Monteiro (Semeando Trovas)

1
A alegria das crianças
faz tão bem a todos nós,
renovando as esperanças
dos pais, dos tios e avós!
2
A beleza da floresta
é tamanha aos olhos meus
que ao fitá-la, só me resta,
dar muitas graças a Deus!
3
Abraço a Literatura
sempre com muito prazer,
pois sua desenvoltura
é que me ajuda a crescer!
4
A estrada da minha vida
é cheia de sobe e desce,
mas na subida ou descida
um sol radiante aparece!
5
Ainda bem que a Ecologia
está educando a gente
e, mais dia, menos dia,
só haverá gente decente!
6
Amigos também são Anjos
com que Deus cuida de nós;
eles sempre têm arranjos
que desatam nossos nós…
7
A natureza agredida
não se defende e nem xinga,
mas no decorrer da vida
cedo ou tarde, ela se vinga.
8
A noiva diz que "ele aceita"
e vai se casar feliz,
porque está bem satisfeita:
achou o noivo que quis!
9
Aprendi, vendo um faquir,
algo que ninguém me disse:
é importante saber rir
com a própria caduquice!
10
A vida já me ensinou,
tal qual um bom professor,
que, quase tudo que eu sou,
aos outros devo o favor!
11
Céu calmo, rede macia,
no peito um grande calor...
Você falava, eu ouvia
embriagado de amor!
12
De bom exemplo um só grama
vale muito, muito mais,
que uma arenga que se inflama
com mil conselhos banais.
13
De fato, não há ciência,
pois é caso constatado,
somos todos consequência
do que fomos no passado.
14
Eu oro a Deus todo dia
pedindo paz em meu lar
e muita sabedoria
em meu agir e falar!
15
Há um farol em teu olhar
que ilumina a minha vida;
sem ele (estou a cismar),
ficarei cego, querida!
16
Inteligência apurada
tem o meu cão lavrador;
só olho, sem dizer nada,
e ele para ao meu dispor!
17
Inteligência maior
que eu possuo é a do meu corpo;
sempre me aplica de cor
qualquer tipo de anticorpo!
18
Juntemos as nossas mãos
para elevar nossa Terra,
que também é dos irmãos
com maravilhas que encerra!
19
Meu barquinho de papel
não só conduz ilusão,
vagando de déu em déu,
te leva  o meu coração!
20
Minha maior alegria
foi saber que Deus me ama!
Isso é tudo o que eu queria,
para por fim ao meu drama!
21
Não importa a cor da pele
e nem a força dos braços;
mais vale o que nos impele
aos amorosos abraços!
22
Não suporto mais o gato,
um xodó do meu vizinho,
que ao invés de comer rato,
quer caçar meu canarinho!
23
Na tarefa que lhe cabe,
Deus trabalha com você;
mas, por você, já se sabe,
Deus não faz nem diz por quê.
24
Nossa vida é mesmo assim,
qual um rolo de papel...
quanto mais perto do fim,
mais dispara o carretel!
25
O clarão desse luar,
de tom azul-celestial,
me lembra teu meigo olhar
tão profundo e divinal!
26
O fogo do teu amor
é lindo e polivalente,
que amacia o trovador
e arrebenta até corrente!
27
O medo é perturbador
e afeta a nossa razão;
faz que coisas sem valor
pareçam mais do que são.
28
Onde o chão tem muita pedra
é difícil cultivar;
o que se planta não medra
e nem adiante adubar!
29
O porte de uma palmeira
me fascina e até me assombra,
pois apesar de altaneira
a ninguém ela faz sombra!
30
Pachorra não é fobia
de trabalhar obrigado;
penso que seja mania
de se achar sempre cansado.
31
Paraíso ou Liberdade?
Eis minha grande questão!
Placas de Rua em verdade
perturbam o meu coração!
32
Pode pintar na fumaça...
Pinte o sol onde quiser,
mas duvido que ele faça
brilho igual ao da mulher!
33
Por sentir-me inacabado,
tenho que me retocar,
pois quero estar alinhado
para levá-la ao altar!
34
Procure a felicidade
que sempre existe em doar-se
a quem tem necessidade.
Mas sem alarde. Disfarce...
35
Qualquer coisa feito bola
que os guris possam chutar,
fez do futebol escola
do esporte mais popular!
36
Qual vertente transbordante
sob os fortes temporais,
meu peito não é bastante
à enxurrada de seus ais!
37
Quanto mais vivo, mais creio,
pelo que vejo na vida,
que só o amor sabe o meio
de curar alma ferida!
38
Quem busca a Felicidade
acha mil bifurcações,
mas siga a fidelidade...
Não tem contra-indicações.
39
Quem quiser bem conhecer
alguém em profundidade
basta só lhe conceder
um pouco de autoridade...
40
Quem vê o verde da mata
e esse céu da cor de anil,
cheio de araras, constata,
só pode ser o Brasil!
41
Quer saber por que razão
 eu uso tanto “por quê”?
 Só tem uma explicação:
 porque rima com você!
42
Se amamos todos a vida
(ninguém deseja ser morto...);
que estupidez essa lida,
dos que defendem o aborto!
43
Sinal de maturidade
de alguém em qualquer momento
é manter serenidade,
se lhe assalta o sofrimento.
44
Todo dia nós chegamos
mais perto da eternidade
e deixamos nossos ramos
formando a posteridade!
45
Tomara Deus eu consiga,
para melhorar meu ser,
agir tal qual a formiga
que do querer faz poder!
46
Um casamento feliz,
sem danos ou dissabores,
é feito, como se diz,
de dois bons perdoadores.
47
Vate sem inspiração
é igual à faca sem corte,
pior que braço sem mão
e riqueza após a morte!
48
Velho trem me faz lembrar
os meus tempos de menino,
em que eu me punha a cismar
qual seria o meu destino...
49
Vendo este mar doce e calmo,
como o seu quadro retrata,
penso em Deus e rezo um Salmo
por minha vida pacata!
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Amilton Maciel Monteiro (1931)
AMILTON MACIEL MONTEIRO é um proeminente advogado, professor, historiador, poeta e trovador brasileiro. Conhecido no meio literário como uma das vozes mais ativas do Vale do Paraíba, ele dedicou grande parte de sua produção intelectual a resgatar e preservar a história e os grandes nomes da região de São José dos Campos. Nasceu em 1931, na cidade de Guaratinguetá/SP,  Mudou-se para São José dos Campos/SP em 1959. Fixou residência definitiva na cidade, onde viveu por mais de meio século e construiu toda a sua vida familiar e profissional. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1969 pela então Faculdade de Direito do Vale do Paraíba. Atuou como advogado e obteve aprovação em concurso público para Juiz do Trabalho. Trabalhou durante muitos anos como funcionário do Banco do Brasil, de onde se aposentou. Desenvolveu carreira como professor universitário. Lecionou disciplinas como Direito Constitucional e Teoria do Estado por mais de dez anos na instituição onde se formou (atual Univap - Universidade do Vale do Paraíba), além de ministrar aulas no ensino básico estadual. Colaborou também com o CTA (Centro Técnico Aeroespacial). 
Começou a escrever suas primeiras poesias e sonetos na juventude, influenciado por professores e por sua irmã mais velha, Maria Antonia. Seu primeiro trabalho marcante foi o soneto "Súplica". Destacou-se tanto na prosa de caráter histórico quanto na poesia clássica (sonetos) e na trova. Atuou ativamente em congressos, saraus e grêmios literários do Vale do Paraíba. No universo da trova, é fortemente ligado aos movimentos trovadorescos, representando a vertente poética joseense. Conquistou diversas premiações, classificações e menções honrosas em concursos de trovas de âmbito nacional e regional. Entre elas, destacam-se a Menção Especial em Natal (2008) e classificações de destaque no tradicional Concurso de Trovas de Taubaté (2008), além de participações frequentes em coletâneas nacionais de trovas temáticas. Livros Publicados: Mitos, Fatos e Memória – Sobre a origem e os primeiros avanços de São José dos Campos; Elementos Históricos da UNIVAP e de seu Berço: São José dos Campos (2002); Cassiano - Fragmentos para uma Biografia (2003) – Um denso estudo de mais de 400 páginas que serviu de base para documentários sobre o célebre poeta modernista Cassiano Ricardo.
A importância de Amilton Maciel Monteiro firma-se como pesquisador, sua contribuição foi vital para preservar os passos de grandes nomes das letras nacionais nascidos na região, em especial sua monumental pesquisa biográfica sobre o poeta modernista Cassiano Ricardo. No campo da poesia pura, ele ajudou a manter viva a tradição poética da trova e do soneto nas cidades paulistas do Vale do Paraíba. Através do humor fino, da sensibilidade e do rigor métrico de seus versos, ele garantiu que a trova seguisse como um patrimônio cultural acessível e vivo no cotidiano joseense. 

Biografia = Genealogia Mineira, Portal CEN, O Secular Soneto, Centro de Documentação Musical de SJC,

Hermoclydes S. Franco (tertúlia da Saudade)



1
A bengala cor da paz,
que o homem cego conduz,
tem um mistério que faz
o som transformar-se em luz!
2
Abraça o tempo que corre,
na rapidez em que avança,
que um bom momento não morre,
acaba sempre em lembrança!
3
A emoção é bailarina,
num palco azul de ilusões...
Se Deus a fez feminina,
tinha lá Suas razões.
4
A fraqueza é um artifício
que leva alguém, sem escalas,
a abrir as portas do vício
e não saber mais fechá-las!...
5
A inspiração é uma fada,
com varinha de condão...
Quando toca a musa, amada,
há poesia em profusão!...
6
Ante a maçã do pecado
na dúvida, vou sofrendo:
- Se como... sou castigado;
se não como... me arrependo!
7
A sereia que amanhece
lá na praia, solitária,
faz lembrar, ao que parece,
nossa musa imaginária!...
8
Às vezes, troféus de glória
e incensos de aduladores
podem fazer da vitória
o ocaso dos vencedores!...
9
A verdade que redime
não viveria de luto
se a mentira fosse crime,
e, enfim, pagasse tributo!…
10
A vida é a fada-madrinha
que, ao ver nosso intenso flerte,
deu-me, em toque de varinha,
o prazer de conhecer-te!
11
A vida é dura batalha
que não aceita um "talvez"
e nem outorga medalha
aos filhos da timidez!
12
"Cantar na Chuva" eu quisera
aquela canção bonita
que em performance sincera
Gene Kelly nos incita!..."
13
Carregado de esperanças
e atropelando a saudade,
lá vai meu “trem de lembranças”
buscando a felicidade!...
14
Cigano de olheiras fundas,
pele morena, crestada,
quantas tristezas profundas
já deixaste pela estrada?
15
Com efeitos especiais,
meus sonhos mostram, em tela,
os teus encantos reais
na mais bonita aquarela!...
16
Com talhadeira e martelo,
finas madeiras entalho...
E esse trabalho é tão belo
que já nem sei se é trabalho!...
17
Das emoções a mais grata,
que vale por um tesouro,
é ver coroada em prata
trajetória escrita em ouro!...
18
Deixaste, pai, um vazio
que nem preciso explicar
pois que foste sempre um rio
correndo para o meu mar!…
19
De Noel Rosa a lembrança
sempre traz grande emoção:
– Saudade que vive mansa,
com “Feitio de Oração”!... 
20
De subidas e descidas
a vida, esse desencontro,
nos faz viver várias vidas
na emoção de cada encontro.
21
Dizem que todo baixinho
tem mania de grandeza...
Por isso é que o meu vizinho
só chama a mulher... de “alteza”!…
22
Em busca do bom Santiago
caminho, enfrento a neblina,
e me sinto, assim, bem pago
em minha fé peregrina!...
23
Em privação de sentidos,
em teus braços perfumados,
sonhei sonhos não vividos...
Vivi sonhos não sonhados...
34
Era uma vez... A saudade
da meiga MÃE que ensinava,
na minha infância, a verdade
nas histórias que contava!…
35
Eterno dominador,
eu me curvo ao teu fascínio.
E, em vez de ser teu senhor,
entrego-me ao teu domínio!...
36
Eu, no rumo das gaivotas
no mar rendado de espumas,
dentre centenas de rotas,
busco o roteiro em que rumas…
37
Foi a escolha mais amarga
que entristeceu os meus feitos,
pondo a saudade tão larga
nos meus ombros tão estreitos...
38
Galera envolta em espumas,
navega a lua, no céu,
num mar de nuvens e brumas,
pescando estrelas ao léu!...
39
Lembrando o triste momento
em que, a chorar, foste embora,
Julgo ouvir na voz do vento
minha própria voz que chora...
40
Livro aberto expande a luz...
Quem ama o bom livro, jura
que a leitura é que conduz
aos caminhos da cultura! 
41
Maravilha em resplendor,
onde Deus sempre é louvado,
o RIO guarda o Senhor
no Cristo do Corcovado!
42
Minha MÃE, frases serenas,
seus conselhos e bondades
tornaram bem mais amenas
minhas sofridas saudades!…
43
Minhas mãos, barcos sem velas,
em carinhosos desvelos,
navegam, quais caravelas
na noite dos teus cabelos!
44
Na distância, ao teu aceno,
Quanta tristeza me invade:
- O trem ficando pequeno
E, em mim, crescendo a saudade!...
45
– Na infância risonha e bela,
fui navegante revel,
na fantasia singela 
de um barquinho de papel...
46
Na linda macarronada
que juntos compartilhamos,
houve um "fio-de-meada"
em que, a sorrir, nos beijamos!...
47
Na luta pela conquista
do melhor que a via encerra,
sou um simples pacifista:
“Faço o amor, não faço a guerra”.
48
Não há na História senão
um poder discricionário
que prende quem rouba um pão
e leva um santo ao Calvário!...
49
Não há rosa sem espinhos…
…e na procura da glória,
são as pedras do caminho
que dão valor à vitória.
50
Não há sonho mais bonito
nem mentira mais falaz
do que o amor infinito
que a vida jamais nos traz!
51
Não julgues a alheia sorte
pelo brilho do brasão:
– A luz que brilha mais forte
tem mais curta duração...
52
Não pode haver igualdade,
nem sonhos sobrevividos,
quando morre a liberdade
no grito dos oprimidos...
53
Não pode haver raciocínio
quando a miséria, sem nome, 
invade qualquer domínio
e o domina pela FOME!...
54
Nas mensagens de prazer,
carteiro, nas tarde mansas,
tens o condão de trazer
o renascer de esperanças...
55
Navegantes de Cabral
deram, num sonho febril,
ao pequeno Portugal
a dimensão do Brasil!...
56
Na vida, eterna procura,
buscando a felicidade.
Faltou-me, sempre, em ventura
o que sobrou em saudade! ...
57
Noel, em tarde tranquila,
compondo um samba sutil,
fez o “Feitiço da Vila”
enfeitiçar o Brasil!...
58
No “grande prêmio” da vida,
é vencedor, sem igual,
quem usa o Bem, sem medida,
desde a largada ao final!...
59
No meu sonho, em bela imagem,
neste meu destino incerto,
seu recado foi miragem
e apagou-se em meu deserto!…
60
No pranto em forma de riso,
disfarcei a minha dor...
Mesmo à sombra de um sorriso,
cabe o ocaso de um amor!..
61
Nos meus dias de criança,
nem sempre pude sorrir...
Mas vive, em mim, a esperança
na luz azul do porvir!…
62
Nossas sombras, abraçadas,
sob a luz do luar risonho,
atravessam madrugadas
em busca do mesmo sonho!
63
Nosso romance é um tesouro
de amor, de luz e carinho,
escrito com letras de ouro
em folhas de pergaminho!...  
64
O grau de felicidade
que tenho e me faz risonho,
resulta da minha idade
ter a idade do meu sonho!
65
O meu sonho é folha morta
que a ventania desfaz,
no inverno, que desconforta,
das minhas noites sem paz!...
66
O que dói em meu desgosto,
que me rouba a paz e a calma,
não são as marcas no rosto,
são as cicatrizes na alma!...
67
O tempo é um Deus invisível,
com poderes infinitos,
que ao passar, irreversível,
destrói quimeras e mitos!...
68
Quando as folhagens de outono
atapetam meus caminhos,
o bucolismo dá sono
e eu sonho com teus carinhos!...
69
Quando o horizonte e o infinito
escondem o teu vulto amante,
eu me pergunto num grito:
- Qual dos dois é mais distante?...
70
Quanta gente de talento
passou a vida e não fez
do amor seu grande momento
por causa da timidez...
71
O triste da caminhada,
na longa estrada da vida,
é ver a fome estampada
em tanta gente excluída!
72
Para espantar minha dor,
eu passo a vida a cantar,
sabendo que mal de amor
ninguém consegue espantar...
73
Rendeira, à luz das candeias,
vai vencendo nostalgias,
sentindo que ficam cheias
as suas noites vazias...
74
Respeitados os anéis
quando beijar for proibido
por avisos ou painéis,
o amor estará perdido!...
75
São Paulo, com amizade,
oferece o que preciso,
pois, se estou na Liberdade,
logo ali é o Paraiso!…
76
Sempre acaba a tirania
- entre firmes desagravos –
na força da rebeldia
e na ousadia dos bravos!
77
Sem preconceito ou pudor,
mas de emoções verdadeiras,
grandes momentos de amor
não delimitam fronteiras!...
78

Sigo a vida, noite e dia,
sem rumo... desencontrado...
Eis que a minha biografia
parece letra de fado!...
79
Sofro tanto a tua ausência
e é tão grande o meu cansaço
que o sonho em minha existência
tem vida e não tem espaço...
80
Sou como um velho veleiro,
velas rotas, mastro torto,
que um destino aventureiro
não deixa parar no porto!...
81
Tenho o meu coração preso,
em gaiola singular:
Teus braços onde, surpreso,
aprendi o verbo amar!
82
Tenho um cão chamado THÉO,
grande amigo, inseparável...
Ao meu lado, está no céu
e eu me sinto invulnerável!
83
Terminado o encantamento,
só restou a indiferença
de um calado sofrimento
marcando sempre presença!
84
Teu amor é o suave açoite
que eu desejo, em calmaria:
– Como o dia busca a noite...
Como a noite busca o dia!
85
Trago tantas emoções
nas minhas canções serenas
que, quando canto as canções,
vivo de emoções, apenas!...
86
Tu foste, na minha vida,
tempestade que passou...
Neblina descolorida
que alguma nuvem deixou!...
87
Vacila o meu coração,
na dúvida mais intensa,
entre seguir a razão
ou fazer o que ele pensa...
88
“Vai ver se estou lá na esquina!”
E o gajo diz “é pra já”...
Vai e volta e, então opina:
- Não estás lá... estás cá!...        
89
Versejando à luz difusa,
se o sentimento me inspira,
eu te elejo a doce musa
que há de tanger minha lira!...
90
ALCATRA: Carne de boi;
boa de panela ou tacho.
ALCATRÃO: Se não é, foi
o conhaque do borracho.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Hermoclydes S. Franco (1929 – 2012)
HERMOCLYDES SIQUEIRA FRANCO nasceu na cidade de Niterói/RJ, em 1929 e faleceu em 2012, em Nova Friburgo/RJ. Radicou-se na cidade do Rio de Janeiro. No ano 2000, após ficar viúvo de sua primeira esposa, passou a morar em Lumiar, distrito de Nova Friburgo/RJ. Formou-se em Direito e em Administração de Empresas. Sua carreira profissional foi marcada pela atuação em grandes instituições: trabalhou de 1951 a 1973 na ACESITA (Companhia Aços Especiais Itabira) e, posteriormente, de 1973 a 1991, atuou no IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), órgão pelo qual veio a se aposentar.
Ele começou a se dedicar ativamente à literatura por volta de 1980. Em meados de 1985, ingressou no universo da trova oficial tornando-se uma das figuras mais expressivas na terra fluminense. Teve produções premiadas e reconhecidas em diversos certames de trovas. Pelo seu destaque no movimento lírico, a própria instituição em que militava criou, em sua homenagem, o "Prêmio Trovador Hermoclydes Siqueira Franco" em concursos regionais. Suas principais obras e registros literários publicados compreendem: Os quatro volumes da coleção "Trovas, Simplesmente Trovas!..."; O projeto poético-didático "Proposições a um Vocabulário em Trovas" (no qual definia termos e palavras do alfabeto de forma lúdica por meio de rimas em trovas)
Hermoclydes Siqueira Franco é considerado uma das grandes expressões da trova contemporânea do Rio de Janeiro. A sua importância reside na maestria com que utilizava a trova para traduzir sentimentos universais como o amor, a saudade, a filosofia de vida, o cotidiano e a religiosidade com rara sensibilidade. Seu papel pedagógico ao aproximar a estrutura rígida da poesia popular e o vocabulário da língua portuguesa facilitou o acesso à poesia, mantendo viva e fortalecida a tradição trovadoresca no Brasil durante as últimas décadas do século XX e o início do século XXI. 

(Biografia produzida pelo Blog:  Garimpos em diversos sites pela internet)

Amilton Maciel Monteiro (Semeando Trovas)

1 A alegria das crianças faz tão bem a todos nós, renovando as esperanças dos pais, dos tios e avós! 2 A beleza da floresta é tamanha aos ol...