Trovadores em Ordem Alfabética

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domingo, 25 de outubro de 2026

Nei Garcez (Semeando Trovas)


1
A justiça nos ensina
o equilíbrio que nos deu:
o teu direito termina,
bem onde começa o meu!
2
A maior sabedoria
de quem sabe o seu saber,
é saber que a cada dia
sempre tem o que aprender.
3
Amizades que são boas
e, atitudes tão singelas,
é gostarmos das pessoas
bem assim como são elas.
4
A nossa fisionomia,
que se expressa no facial,
de tristeza, ou de alegria,
é um idioma universal.
5
Aprecie a natureza
aprendendo o que ela ensina;
é uma mestra de grandeza,
e a primeira disciplina.
6
As pessoas nunca morrem,
simplesmente elas encantam,
vivem sempre e nos socorrem
com as obras que aqui plantam!
7
A virtude que enalteço,
num discurso coloquial,
é fazer com que o começo
fique perto do final.
8
Com a trova se diz tudo
em fração de oito segundos
e, seus temas, sobretudo,
são precisos e fecundos.
9
Com dois cães dentro de mim,
um que é manso, cem por cento
e, um feroz, mas tão ruim...
Vence o que mais alimento!
10
Com sua Universidade,
centenária, mais antiga,
Paraná é a realidade
da docência que hoje abriga.
11
Conhecendo-se a ciência
que, ilumina uma verdade,
toda crença, sem coerência,
é um atraso à humanidade.
12
Construtor de propriedade,
João-de-Barro, arquiteto,
sem cursar a faculdade
cria e monta o seu projeto.
13
Da poesia, ou da cantiga,
a Trova, em repercussão,
é, na história, a mais antiga
e de lírica expressão!
14
Desde os nossos ancestrais,
daquela Roma de outrora,
que os nossos Jogos Florais
saúdam a Deusa Flora!
15
Deus criou toda a ciência
para que a investigação,
através da inteligência
nos conduza à evolução.
16
Deus fez tudo o que quisera,
fez o céu e fez as flores,
fez mais linda a primavera
e depois, os trovadores!
17
Enfim, que é o partir
da pessoa querida de cá,
senão, o chegar, o vir,
visto do lado de lá!
18
Entendei com bons ouvidos
o conselho e, contemplai-vos:
crescei, em todos sentidos,
e depois, multiplicai-vos!
19
Escrever é um simples conto
que não é grande epopeia:
maiúscula, mais o ponto
e, no meio, só a ideia!
20
Evitando o próprio enfarte,
o amor é o único bem
que, quanto mais se reparte
bem maior fica também.
21
Foi no embalo, tão silente,
de teu ventre, aquecido,
que ganhei maior presente
só por ter de ti nascido.
22
Há emoções que a gente sente
e, que encantam tanto, tanto,
que, se expressas, verbalmente,
perdem parte deste encanto.
23
José Feldman, todo dia, 
informando ao bom leitor, 
é o arauto da Poesia 
e, da Prosa, o difusor.
24
Nos poemas que energiza, 
Júlia da Costa nos dá 
a primeira Poetisa 
do Estado do Paraná...
25
Nunca ligue o celular
dirigindo ao seu volante,
mas se acaso ele tocar,
não atenda, siga adiante.
26
O alfabeto discutia 
onde a letra é mais formosa: 
que seria da Poesia 
se não fosse a própria Prosa?
27
O altruísmo da amizade,
quando em nossa vida ocorre,
tem a mesma intensidade
de um amor que nunca morre.
28
O astronauta, que flutua, 
muito tem a lamentar... 
Quanto mais perto da Lua, 
mais distante do luar!
29
O Brasil é a pátria amada
cantada em linda canção,
que tem a terra adorada,
e é mãe gentil da nação.
30
O Paraná cresceu tanto
com os povos que acolheu
e, hoje, agradece o encanto
que cada etnia lhe deu.
31
Por mais que estudemos tudo 
sobre Deus, inquestionável, 
esse estudo, sobretudo, 
será, sempre, inesgotável!
32
Por ser Lei do Criador, 
como quis o próprio Esteta, 
para ser um Trovador 
necessário é ser Poeta!
33
Quando a lua ao céu levita,
toda cheia, e faz luar,
forma a imagem mais bonita
que só Deus nos pode dar.
34
Quase preso como um réu,
muitas vezes sem ninguém,
todo cão vai para o céu...
e algumas pessoas também!
35
Quem pratica a temperança
e cultiva o dom do amor,
tem, na imagem, semelhança
com seu próprio Criador.
36
Quem recebe a caridade
repassando-a para frente,
faz um bem à humanidade
ao formar esta corrente.
37
Revendo os porta-retratos
que o tempo guarda, sem fim,
eu vejo, em tempos exatos,
cada pedaço de mim! 
38
Sempre ao ver que a bola rola
guie o carro em segurança
porque, sempre atrás da bola,
vem correndo uma criança.
39
Sem saber de quando em quando,
face aos fatos imprecisos,
vive, o homem, oscilando
entre lágrimas e risos.
40
Se podemos dizer tudo
em apenas quatro versos,
o porquê de um conteúdo
com dizeres tão dispersos?
41
Tão pequena na estrutura,
muito esbelta na linguagem,
a Trova, em nossa cultura,
tem grandeza na mensagem.
42
Toda trova que, bem feita,
respeitando-se a elisão,
haverá de ser eleita
em qualquer competição.
43
Toda trova tem, na rima,
e na métrica, a riqueza,
tendo ainda, assim por cima,
na elisão, a sutileza.
44
Toda trova tem, por meta,
eloquente descrição,
numa síntese completa,
dando, ao tema, a compreensão.

A TROVA EM SALA DE AULA

Trago a trova estruturada,
que apresento hoje a vocês,
para ser utilizada
nas lições de português.

Quem consegue imaginar
nosso mundo sem a escrita,
sem podermos registrar
o que a nossa mente dita?

Nesta conta aqui, confira,
qual resultado que indica:
quem de vinte cinco tira,
me respondam, quanto fica?

Trova é pequena oração
com valor gramatical
igual, por comparação,
à prosa convencional.

Trova é rima de versos
que, com métrica, bem feita,
entre os temas mais diversos,
forma a estrofe assim perfeita.

O segredo de uma trova
está sempre na elisão,
pois é esta que comprova
sua grande precisão.

Toda trova se pratica
como andar de bicicleta:
se no início o tombo fica,
logo mais se torna atleta.

Pra fazer trova bem feita,
com melhor vocabulário,
eu vou dar minha receita:
usem sempre o dicionário.

Uma coisa desastrada,
e que muito compromete,
é escrever de forma errada
como ocorre na internet.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Nei Garcez (1944)
NEI GARCEZ é um renomado poeta e trovador brasileiro, amplamente reconhecido como uma das principais referências da trova no Paraná. Com uma trajetória dedicada à preservação, ao ensino e à difusão da poesia metrificada, ele desempenha um papel fundamental na manutenção da identidade lírica do estado. Nasceu na cidade de Curitiba/PR, em 1944. Possui formação superior, sendo graduado em Direito. Ao longo de sua carreira jurídica, atuou profissionalmente no estado do Paraná. Paralelamente ao exercício de sua profissão técnica, sempre manteve as portas abertas para a atuação cultural, sendo visto também como um mentor literário. 
Sua vida literária confunde-se com a própria história da trova contemporânea na capital paranaense. Conhecido generosamente por seus pares como o "Trovador das Araucárias", Garcez destaca-se pela produção de trovas. Devido ao seu prestígio e vasta produção, integra instituições culturais como Academia Paranaense da Poesia; Centro de Letras do Paraná. É detentor de inúmeras premiações e classificações de destaque em diversos Jogos Florais realizados de norte a sul do Brasil. Possui coletâneas e antologias de suas composições líricas, com destaque para trovas. 
A relevância de Nei Garcez para a literatura reside em preservação da memória regional, Suas trovas com frequência homenageiam os símbolos, a fauna e a flora do sul do país — como nos célebres versos que escreveu sobre a gralha azul e o pinheiro paranaense Garcez é um grande entusiasta e pioneiro no desenvolvimento de projetos voltados para introduzir a trova no ambiente escolar. Ele defende que a facilidade de memorização e o ritmo da trova funcionam como ferramentas pedagógicas perfeitas para despertar o gosto pela leitura e pela escrita em crianças e jovens.

Gislaine Canales (Tertúlia da Saudade)


 1
A minha vida é uma Trova,
trova de ilusão perdida,
pois a vida é grande prova,
que prova a Trova da vida!
2
A minha vida é um romance,
pois sonhando sou feliz...
Eu deixo que o vento trance
os sonhos que eu sempre quis!
3
A mistura de mil cores
e toda a luz do universo,
mais o perfume das flores,
desejo pôr no meu verso!
4
Amor à primeira vista,
foi isso, mar, que eu senti!
Ninguém há que te resista,
quando está diante de ti!
5
A noite recebe a tarde
num momento de magia...
No pôr-do-sol, o céu arde
e tudo vira poesia!
6
A paz mundial é utopia
dizem uns...Não é verdade,
se buscarmos na Poesia
as armas da Humanidade!
7
Aquela ponte que unia
nossas vilas ribeirinhas
une ainda, por magia,
suas saudades e as minhas.
8
A saudade da saudade,
varreu, de mim, a alegria,
levando a felicidade
que eu pensava que existia!
9
As eternas madrugadas
me encontram sempre a chorar.
A vida, cheia de nadas,
não me deixa mais sonhar!
10
A vida é renovação,
(é amor, é sonho e alegria),
é feita só de emoção,
recomeça a cada dia!
11
Cada livro é uma vitória
na memória de um País,
pois nos diz de sua glória
e é, da história, a geratriz!
12
Caminhei pelo infinito,
vaguei por milhões de espaços...
Até lá estava escrito
o meu regresso aos teus braços!
13
Canto as estrelas nos versos,
com minha alma apaixonada...
Vou acendendo Universos...
"Criando luzes...do nada!" 
14
É contrastante a ironia,
nesta verdade contida:
lindo o entardecer do dia,
triste o entardecer da vida!
15
É de ternura o momento
em que o Sol sorri do espaço,
se faz vida e sentimento
e lança ao mar seu abraço!
16
É mais que um deslumbramento
ver o sol nascer no mar,
é mágico esse momento
que vem as águas dourar!
17
Em meu coração alterno
as estações...todo o dia,
tornando, assim, meu inverno,
lindo verão de poesia!
18
"Enganam-se os ditadores"
que pensam poder tirar
do mundo, nós, trovadores
e o nosso jeito de amar!
19
Era da tecnologia
não deve afastar pessoas,
mas uni-las na alegria,
na curtição de horas boas!
20
Era noite e a escuridão
pensou que raiava o dia,
ao sentir com emoção
a luz da tua poesia!
21
Essas algemas partidas
representam liberdade,
salvação de muitas vidas,
e um mar de felicidade!
22
Eu gosto de navegar
nesse mar de azul infindo
formado por teu olhar.
Não existe mar mais lindo!
23
Eu prossigo o meu caminho,
procurando um grande amor,
que me envolva com carinho
e me aqueça com calor!
24
Eu quero poder cantar
meus versos aos quatro cantos,
talvez possa transformar
em risos, todos os prantos.
25
Eu tenho um sonho bonito:
Caminhar por sobre as águas
e ao chegar ao infinito,
esquecer todas as mágoas!
26
Fotos mostrando uma vida,
namoro, noivado e então,
a essência nela cumprida:
os filhos do coração!
27
Letras que formam poesia,
nos abraçam com carinho,
deixam rastros de alegria
em todo o nosso caminho!
28
Lutemos pela conquista
da paz mundial no universo,
numa guerra pacifista,
usando as armas do verso!
29
Menino e o sonho da bola,
pés descalços,  no campinho,
e esse chute desenrola
a visão do seu caminho!
30
Me envolve com mil abraços,
com mil beijos de afeição,
esse mar, de doces braços
com seus lábios de paixão!
31
Meu interior é risonho,
e posso a todos dizer
"que trago um mundo de sonho"
no meu modo de viver!
32
Meus lábios apaixonados
bebem o orvalho dos teus,
desses teus lábios molhados,
que sonham com os lábios meus!
33
Meu verso é meu companheiro
no cenário da ilusão
e o universo, imenso, inteiro,
se torna pequeno, então!
34
Não lembro de ti, passado,
pois, consegui te esquecer;
agora, só tenho ao lado
os sonhos que vou viver!
35
Não posso viver em vão,
eu preciso um filho ter,
plantar em fecundo chão
e um livro bom, escrever!
36
Na Primavera, chegando,
cheia de cor e beleza,
os jovens seguem cantando,
num aplauso à Natureza!
37
Navegando em meu veleiro,
num  mar , assim, tão bonito,
procuro meu companheiro,
nesse meu sonho infinito!
38
Nesta vida tão inquieta,
o meu consolo é pescar.
Sou pescadora-poeta,
que pesca versos no mar!
39
Numa troca de carinhos,
dois sorrisos se irmanaram,
e os dois, antes, tão sozinhos,
juntos, pra sempre, ficaram !
40
Nunca mais fiquei sozinha,
pois na Internet eu namoro
e essa solidão, que eu tinha,
não mora mais onde eu moro!
41
O amor é pura magia
e a ternura da emoção
traduz-se nessa alegria
plantada no coração!
42
O espelho mau me mostrou
algo que eu nem suspeitava…
Agora, eu sou como estou,
e nunca como eu sonhava!
43
Olhando o mar, eu diviso,
a areia branca a esperar
um beijo feito sorriso,
que as mansas ondas vêm dar!
44
Olhava o mar com temor,
numa espera preocupada:
nem peixes…nem pescador!
Tão só o vazio do nada!
45
O magro e a magra dançando…
Osso com osso batia…
E quem estava escutando
pensava ser bateria…
46
O magro era tão magrinho,
magrinho de fazer dó…
seu pijama listradinho
era de uma listra só!
47
O mais bonito sorriso,
que eu ganhei, cheio de afeto,
revelar nem é preciso !
Foi do meu primeiro neto!
48
O mar é o mais doce amante
pois não cansa de beijar,
num lirismo alucinante,
toda praia que encontrar!
49
O meu viver enfadonho,
só de amarguras composto,
põe as rugas do meu sonho
sobre as rugas do meu rosto!
50
O prazo que nós tivemos
para o nosso amor viver,
foi pouco. Nos esquecemos
antes do prazo vencer!
51
O sol dourado se espraia
tão lindo.com seu calor,
por toda a areia da praia
em doces beijos de amor!
52
O trem passando entre flores,
vai a infância recordando,
pai e mãe:  os meus amores...
e nós todos, viajando...
53
O Trovador, com seu sonho,
e sua grande emoção,
desenhou um Sol risonho
na preta poluição!!!
54
O trovador que em verdade,
faz da trova uma oração,
coloca com amizade
“A trova no Coração”!
55
Para mim, não há segredos,
meu mar, de infinito azul,
nós convivemos sem medos,
nas belas praias do Sul!
56
Quando unimos nossos braços,
aos braços de outros irmãos,
sentimos que os nossos laços
enfrentam todos os nãos!
57
Que a paz mundial, que sonhamos,
não seja mera utopia...
Para alcançá-la, vivamos
com muito amor cada dia!
58
Quero cantar pelo espaço
e, nas estrelas, rever
todas as trovas que eu faço.
Trova é prece em meu viver!
59
Sendo a vida embriagante
devemos vivê-la bem.
"Há sempre um mágico instante,"
há sempre um mágico alguém!
60
Sinto a imensa inspiração
desse escultor, se esculpindo,
mostrando, a nós, na emoção
sua  escultura surgindo!
61
Sinto as mãos da solidão
num carinho de verdade,
trazendo ao meu coração,
das tuas mãos, a saudade!
62
"Somos os dois um só mundo",
somos um só, na verdade,
e esse nosso amor profundo,
é mais que amor, é amizade!
63
Sou feliz ao relembrar
que realizei meu desejo...
Como foi bom te beijar!
Como foi bom o teu beijo!
64
Sou pescador de ilusões
e nesse pescar me ponho,
conquistando corações
com os anzóis do meu sonho!
65
Sou tão triste e tão sozinha,
que o eco do meu lamento,
desta saudade tão minha,
escuto na voz do vento!
66
Sozinhas nas madrugadas,
donas do mundo e da lua,
nossas mãos entrelaçadas
seguem juntas pela rua!
67
"Teu beijo pela Internet"
traz amor, traz alegria,
é sempre a melhor manchete
acarinhando o meu dia!
68
"Tua idade não importa,"
se feliz quiseres ser,
pois ao amor, não comporta
ter idade pra nascer!
69
Tudo é tão encantador,
nosso amor é tão bonito,
"que, em cada noite de amor"
ultrapasso o infinito!
70
Um bombeiro consciente,
alto, loiro, bonitão,
apaga o fogo da gente
mesmo sem água na mão!
71
Um gemido de dar medo,
eu ouvi… que coisa estranha!
Cravou o espeto no dedo,
em vez de ser na picanha!
72
Um mundo melhor...queria,
para deixar aos meus netos,
onde imperasse a alegria
numa transfusão de afetos!
73
Um segredo que me assusta:
-Não saber, se após a morte,
há uma vida boa e justa,
que não dependa da sorte!
74
Vamos a vida encantar
com nossa Trova querida,
e na Trova, então cantar,
um hino de amor à vida!
75
Vejo a tua silhueta
na sombra, bem definida,
e abro, em meu peito, a gaveta
de uma saudade escondida!
76
Vivemos juntos, mas sós,
nossa solidão somada
fez de ti, de mim, de nós,
a soma triste do nada!
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Gislaine Canales (1938 – 2018)
GISLAINE CANALES foi uma das maiores figuras da vertente literária da trova no Brasil, reconhecida internacionalmente pelo seu empenho em conectar poetas de língua portuguesa e espanhola. Nascida em Herval/RS, em 1938, filha de Sophia Irene e Avelino Canales. Faleceu em Porto Alegre/RS, em 2018, aos 80 anos, vítima de um infarto. Residiu por longos anos e desenvolveu grande parte de seu trabalho cultural em Balneário Camboriú/SC, Formou-se como Bacharel em Pedagogia e Licenciada em Didática. Essa formação como educadora foi fundamental para estruturar sua didática ao coordenar oficinas, concursos literários e organizar movimentos coletivos de poesia. Autodefinia-se como "Poetisa, Trovadora, Glosadora e Pescadora" (com direito a registro oficial de pescadora). Ela dominava a arte das trovas e das glosas. 
Atuou de forma proeminente em diversas frentes acadêmicas e associativas: Foi delegada e presidente da seção de Balneário Camboriú/SC, onde organizou célebres edições dos Jogos Florais; Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura (membro titular); Poetas del Mundo: Atuou ativamente como Cônsul. Recebeu inúmeras láureas nacionais e internacionais devido à sua dedicação à difusão da poesia.
A sua grande importância para a literatura reside no papel de internacionalização da trova brasileira. Gislaine usou a internet de forma pioneira para ligar o Brasil a poetas de países vizinhos. Graças ao seu esforço obstinado, os concursos de trovas cruzaram as fronteiras do Brasil, integrando intensamente países de língua espanhola, como a Argentina, Venezuela e Uruguai, criando uma verdadeira rede sul-americana de trovadores. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Filemon F. Martins (Semeando Trovas)

 

1
A brisa passa e sussurra
uma canção de bonança,
e a praia, envolta em ternura,
lembra um lençol de esperança.
2
A distância é que nos mata
pois logo vem a saudade;
saudade – presença ingrata
da antiga felicidade.
3
A felicidade é um sonho,
- por que deixar pra depois?
O amor é sempre risonho
na vida vivida a dois.
 4 
Aquele beijo de Judas
no cenário da traição,
revela que as trevas mudas
podem trair nosso irmão.
5
Cai a chuva na vidraça
e eu fico triste, porque
não há beleza nem graça
nesta casa sem você.
6
Céu azul, todo estrelado,
sorrindo, ao clarão da lua,
e o meu peito, apaixonado,
a chorar a ausência tua.
7
Ciúme é cuidado e zelo
que temos do nosso bem,
pois não queremos perdê-lo
para os olhos de outro alguém.
8
Como é bom viver à toa
e sempre fazer o bem,
que a Natureza abençoa
quem vive em Itanhaém.
9
Criança és flor, és bonança
espargindo luz e amor,
porque trazes a esperança
de um futuro promissor.
10
Criança, teu riso é tudo,
traz um brilhante porvir,
se amparada com estudo,
o mundo volta a sorrir.
11
“Das coisas belas da vida”
que colhi, em profusão,
eis a mais nobre e querida:
em cada TROVA um irmão!
12
Da vida não quero a glória
que tanto engana e seduz.
Prefiro não ter história
a renunciar minha cruz.
13
De manhã, sinto o perfume
das flores no meu jardim,
e um beija-flor – que ciúme,
chegou bem antes de mim.
14
Do fruto vem a esperança,
depois da bonita flor.
Assim também a criança,
depois de um florido amor.
15
É Natal! Nossa Esperança
de ser bom, fazer o bem,
nasce com aquela criança
na manjedoura em Belém.
16
Entre flores, no meu sonho
estavas nos braços meus.
Mas de repente, tristonho,
acordei ouvindo “adeus”.
17
Este cigarro, este fumo
que você traga com gosto,
será depois, em resumo,
o seu mais forte desgosto.
18
Eu sinto nos braços teus,
um carinho, um aconchego,
e me torno um semideus
vivendo em paz, no sossego.
19
Falando de amor, Maria,
que saudades sinto agora
daquela doce alegria
que em teus olhos vi outrora.
20
Gaivotas passam voando
o céu azul é um lençol;
casais na praia se amando
sob os olhares do sol.
21
Gosto da vida pacata,
homens simples dos sertões,
pois vejo usando gravata
por aqui muitos ladrões.
22
Levanto cedo, não nego,
ando pescando a poesia,
na minha rede carrego
todo o mar de fantasia.
23
Meu peito canta, sorrindo,
ao ver o clarão do dia,
enquanto a noite fugindo
deixa rastros de alegria.
24
Minha mãe – como eu quisera
do meu amor dar-te prova,
e o meu carinho – pudera
enviar-te numa TROVA.
25
Na minha vida pacata
que levo desde menino,
tenho sido um acrobata
no circo do meu destino.
26
“Não há vaga”. Está escrito
naquele enorme portão,
e o trabalhador, aflito,
em casa não tem feijão.
27
Não julgue pela aparência,
não condene sem saber;
às vezes com paciência
algo bom temos de ver.
28
Não me fascina o sucesso,
nada tenho para dar.
Quero apenas – eu confesso
o amor no mundo espalhar.
29
Não me queixo desta vida,
apesar da minha idade.
Queixo, sim, da despedida
que me trouxe esta saudade.
30
Nenhum poema é mais belo
e inspira tanta esperança
do que um sorriso singelo
no rosto de uma criança.
31
Nesta manhã reluzente
de sol aquecendo a terra,
vejo a beleza presente
no teu olhar cor de serra.
32
No livro da natureza
as lições são sem iguais.
Tenho, por isto, certeza
que é onde se aprende mais.
33
No meu balaio carrego
sonhos de amor e venturas,
mas muitos sonhos, não nego,
se tornaram desventuras.
34
No Sertão ninguém contesta,
o povo celebra e canta.
A chuva promove a festa,
fartura para quem planta.
35
No teu sorriso, criança,
vejo o mais belo perfil,
porque tu és a esperança
do futuro do Brasil.
36
O céu, hoje, de repente
escureceu e chorou.
O sertanejo, contente,
sorriu, pulou e cantou.
37
O tempo – é santo remédio,
cura os males da paixão:
- cicatriza a mágoa e o tédio
e dá paz ao coração.
38
Ouço o barulho das águas
que se batem nos rochedos,
vão levando minhas mágoas,
vão sepultando segredos!
39
Quando a amargura me assalta
e a tristeza o peito invade,
eu sinto que a tua falta
vai me matar de saudade.
40
Quantas noites, meu amor,
olhando, no céu, a lua,
eu me sinto um trovador
pensando na imagem tua.
41
Que fomos feitos de barro,
não há, aqui, discussão.
Mas quando em você esbarro,
esse barro é de emoção.
42
Quem conversa sem saber,
querendo ser sabichão,
cuide, que vai receber
severa repreensão.
43
Que o teu futuro, criança,
seja de luz e esplendor,
vislumbre de confiança
no mundo do desamor.
44
Segue uma estrada florida
quem, na verdade, tiver
a glória de ter, na vida,
um coração de MULHER!
45
Sinto um perfume na rua
fazendo a gente feliz,
enquanto a noite flutua
nas flores de bogaris.
46
“Sorriria de feliz”
e o mundo teria paz,
se o coração que maldiz
soubesse perdoar mais.
47
Sou aprendiz nesta Escola
de amores, lições e sonhos,
- meu verso voa e decola
buscando dias risonhos.
48
Tenho certeza que a trova
– poema feito de amor -
é um sonho que se renova
na vida de um trovador.
49
Vivendo ao sabor do vento
neste vaivém de emoção.
Sou, no mundo, um cata-vento
buscando o teu coração.
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Filemon F. Martins (1950)
FILEMON FRANCISCO MARTINS é um renomado escritor, poeta e trovador brasileiro, reconhecido como um dos nomes expressivos da poesia lírica e do trovadorismo nacional. Nasceu EM 1950, na cidade de Ipupiara/BA (região da Chapada Diamantina). Passou a infância e juventude na Bahia (em Ipupiara e Morpará). Posteriormente, mudou-se para São Paulo (SP), onde fixou residência por longos anos para estudar e trabalhar. Cursou Administração de Empresas na Faculdade de Administração e Ciências Econômicas "Santana", em São Paulo. Prestou serviços para grandes corporações e órgãos públicos, incluindo a Empresa Folha da Manhã S.A. e a Prefeitura Municipal de São Paulo. Desenvolveu sólida carreira no Judiciário Federal, atuando e aposentando-se na Subsecretaria de Feitos da Presidência (UFEP). Foi também filiado ao Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD).
Filemon possui uma produção diversificada em artigos, crônicas, sonetos e trovas, sendo membro de várias entidades literárias e culturais de destaque. Sua trajetória é marcada por reconhecimentos em trovas e antologias poéticas pelo país. Membro da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Anápolis/GO; The International Academy of Letters of England, (London, England); Academia de Letras de Ipaussu/SP; Clube Baiano de Trova, Salvador/BA; Instituto Cultural do Vale Caririense, em Juazeiro do Norte/CE; Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD), Confraria Brasileira de Letras (PR).
Sua bibliografia abrange obras poéticas e pesquisas genealógicas: “Flores do meu jardim” (Poemas, 1997), “Anseios do coração” (Poemas, sonetos e trovas, 2011); “Dicionário genealógico da família Ribeiro Martins” em coautoria com Mário Ribeiro Martins (2007); “Fagulhas” (Miscelânea, 2013); “Sonetos & Trovas” (2014); “Histórias que só agora eu conto” (2018) e – “Caminhos do Jordão da Bahia” (2022).
A relevância do autor reside na preservação das formas clássicas da poesia e na contribuição para o resgate histórico e cultural brasileiro.

Biografia = Scortecci, Unicamp, Página 3, Anseios do Coração, Confraria Brasileira de Letras, etc.

Nei Garcez (Semeando Trovas)

1 A justiça nos ensina o equilíbrio que nos deu: o teu direito termina, bem onde começa o meu! 2 A maior sabedoria de quem sabe o seu saber,...