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domingo, 24 de agosto de 2025

Olavo Dantas Itapicuru Coelho (Crisópolis/BA, 1901 – 1997, Rio de Janeiro/RJ)

1
Ao dormir de ti me esqueço
e parece singular:
- No momento em que adormeço,
só contigo vou sonhar.
2
Com o lenço que retirei
de tuas mãos, todo alvor,
minhas lágrimas sequei,
disse adeus ao teu amor.
3
Em cada adeus que te dou,
um suspiro vai voando.
Como é longo, certo estou
que ele vai te acompanhando.
4
Entrei na vida querendo
riquezas, fama e louvor.
A vida é, fiquei sabendo,
sonhos, trabalhos e amor.
5
Estavas alegre quando
eu te vi bela e faceira:
- Por isto passei sonhando
contigo a semana inteira.
6
Eu te julguei um brilhante
ao cantares de sereia.
Mas vi, um pouco adiante,
que eras só um grão de areia.
7
Junto de mim um instante
esteve a Felicidade.
Desde então segue os meus passos
o seu perfume: a saudade.
8
“Longe estás”, assim dizia
meu caderno de lembrança.
Enquanto houver luz do dia,
sempre haverá a esperança.
9
Não te quero, nem me queres,
é tudo exato talvez.
Mas se me encontrar preferes,
fico feliz se me vês.
10
Nem tudo na vida é ouro
e tudo passa ligeiro:
Só o sonho é duradouro,
só o sonho é verdadeiro.
11
Nos barcos, os pescadores
ao passar dizem adeus.
Como doces são amores
quando vejo os olhos teus!
12
O amor é cego e há quem fale
que tem mandinga ou magia;
pois é o cego que me vale,
pois é o cego que me guia.
13
Penso, até nas horas mortas,
que nosso seja o porvir.
Teu coração não tem portas
por onde eu possa sair.
14
Por que é que Deus escreveu
– só com isto não atino -
O meu nome junto ao teu
no alfarrábio do Destino!
15
Quando Deus fez a mulher,
de um osso bem duro fê-la.
Assim, saiba quem quiser:
Jamais podemos torcê-la.
16
Quando falas eu te escuto
como a um cântico divino.
Se teu convívio desfruto,
tem gorjeios meu destino.
17
Quanta dor por onde vamos,
quanta mágoa emudecida!
Sem amor, nós naufragamos
nas águas negras da vida.
18
Querida, teu amor canta
e cantará longamente.
Na voz de beleza tanta
Deus costuma estar presente.
19
Saudade de ti eu tenho…
Como é nostálgico o luar!
De longe, bem longe venho:
Fui e vim sem te encontrar.
20
Se te dei a despedida,
ela deixou-me amargor,
porque és ainda, querida,
a dona de meu amor.
21
Teus olhos que são mais sábios
dizem-me sempre que sim.
Mas não pergunto aos teus lábios
o que eles pensam de mim.
22
Um genro, um pobre coitado,
de vez em quando dizia:
“Com minha sogra ao meu lado,
quanta paz não perderia!”
23
Vem o mar suavemente
cantar na onda vadia.
O sonho triste da gente
vem cantar numa elegia.
24
Vendo da estrela o fulgor,
acha rumo o peregrino.
Foste a Estrela do Pastor
para encontrar meu destino.

Octávio Babo Filho (Rio de Janeiro/RJ, 1915 – 2003)

1
A diferença que vejo
entre a virtude e o pecado:
– virtuoso - peca a varejo,
pecador - por atacado.
2
A facilidade imensa
com que os homens são julgados
simboliza bem a crença
de sermos todos culpados.
3
A força do inevitável,
já pela força que tem,
faz o destino imutável,
sem indagar quem é quem.
4
Ante a vinda inesperada
da indesejável cegonha,
de susto morre a empregada,
morre o patrão... de vergonha!
5
Ao partires, mãe querida,
deixaste a imagem comigo:
nem durante toda a vida
eu te segui como sigo!
6
A paz verdadeira e pura,
que a consciência enobrece,
é a que sente a criatura
que, para subir, não desce.
7
As desventuras da vida,
eu não as conto a ninguém,
pois mágoa, que é transmitida,
se multiplica por cem.
8
Bem que procuro ser santo,
mas não consigo, porque
eu encontro em cada canto
alguém que lembra você...
9
Buscando falsa razão
para razão que não tem,
ninguém ilude o irmão
sem iludir-se também.
10
Construíste mil castelos...
E a tua imaginação,
depois de sonhos tão belos,
quis morar num barracão...
11
Convém às vezes fugir,
porque a presença frequente   
não deixa a gente sentir
se sentem falta da gente.
12
Creio que ninguém duvida
desta inconteste verdade:
há mundo, mas não há vida,
quando falta a liberdade!
13
Dentro da imensa tristeza
que a minha alma sempre invade,
o que me mata é a certeza
de não sentires saudade.
14
Dois destinos são iguais,
na proporção em que dois,
sofrendo menos ou mais,
sofrerão juntos, depois.
15
Enquanto os povos discutem
a teoria da paz,
os mais fracos se desnutrem
e os mais fortes comem mais…
16
Esta Fé que hoje me invade,
traz tanto alento à minha alma
que, dentro da tempestade
sinto a natureza calma!
17
Eu perdi muita amizade,
defendendo injustiçados.
- É que o vento da maldade
sopra de todos os lados.
18
Eu rezo em casa, na igreja,
na rua, em qualquer lugar...
Duvido Deus não esteja
onde costumo rezar!
19
Façamos logo um acordo,
sem queixa, mágoa ou rancor:
– dividamos o ciúme,
multipliquemos o amor.
20
Gosto de moça formosa,
sabendo embora o perigo
- Eu não desprezo uma rosa,
temendo o espinho inimigo…
21
Mãe - é palavra sem rima,
buscá-la é inútil, não tente,
pois mãe está muito acima
de tudo, coisas e gente.
22
Minha mulher não perdoa
a quem me faça maldade.
Não porque ela seja boa:
– pretende é exclusividade!  
23
Na mentira a se perder,
não sabe aquele infeliz
que ele nunca se faz crer
nem nas verdades que diz.
24
Não dou ouvido ao lamento
e não escondo o porquê:
tudo, na vida, é um momento
- e o meu momento é você...
25
Não há calvários iguais,
toda cruz é diferente,
e as cruzes que pesam mais
são sempre as cruzes da gente.
26
Não lhe adivinhando o nome,
batizei-a de Maria.
E o remorso me consome:
– nunca vi tanta heresia!
27
Não nos feneçam os sonhos,
deles precisamos tanto!
Mudam pensares tristonhos
e secam fontes de pranto.
28
Nascemos sentenciados:
“Os que vierem se vão”.
E nem somos informados
do dia da execução...
29
Os santos de antigamente
só foram santos, porque,
conhecendo tanta gente,
não conheceram você...
30
Penetrei fundo demais
no poço das ambições.
Vejo, agora, o mal que faz
um sonho sem proporções.
31
Poeta mau não conheço,
mau poeta ah, isto sim!
Conheço e digo onde mora:
bem aqui… dentro de mim.
32
Por que será que você,
tendo os defeitos que tem,
os seus defeitos não vê,
vendo os dos outros tão bem?
33
Quando penso em falsidade,
teu nome logo me vem:
Teu nome: Felicidade!
- Felicidade? De quem?...
34
Quanta alegria semeia
quem vive sempre contente:
- A felicidade alheia
também faz feliz a gente.
35
Quem da riqueza faz praça,
muito cedo se esqueceu
de que Deus tira de graça
o que, de graça, nos deu.
36
Quem constrói seu barracão
no do vizinho apoiado,
pelo sim e pelo não,
confia... desconfiado!
37
Saber não ocupa espaço,
mas é preciso que a gente,
ao caminhar, passo a passo,
modere o passo da frente...
38
Saudade, o mundo embalando,
dói, de modo tão diverso,
que o poeta, mesmo chorando,
pode cantá-la em seu verso.
39
Se a morte nos avisasse
a respeito do seu dia,
não creio que nos matasse:
a gente é que morreria...
40
Se é por simples gentileza
que a mim você se anuncia,
não me leve a mal, Tristeza!
Prefiro a casa vazia!
41
Se o trabalho me enfastia,
eu dele logo me vingo,
fazendo, de cada dia,
a sucursal de domingo…
42
Se querer fazer mistério
de coisas tão triviais:
- É na paz do cemitério
que vivem todos em paz…
43
Se toda gente soubesse
como custa querer bem,
quanta gente gostaria
de não gostar de ninguém!
44
Tenham medo é dos medrosos
- fugidios, reticentes -,
mil vezes mais perigosos
que os atrevidos valentes...
45
Teus encantos, criatura,
mexeram tanto comigo
que eu vivo da desventura
de sonhar sempre contigo…
46
Toda mulher tem seu quê,
tem um encanto qualquer.
Não tendo, é o que a gente vê
naquela que a gente quer.
47
Trabalho, sem me cansar.
E é tão bom que seja assim!
- Chego, às vezes, a pensar
que Deus trabalha por mim.
48
Ventura... Felicidade...
Duas palavras vazias
que, depois de certa idade,
não enchem mais nossos dias.

Oefe Souza (Ribeirão Preto/SP)

1
Agradeço ao Criador
pelos dons que me dotou
um deles, ser o escritor
que um dia, em mim despontou!
2
Amor se paga co' amor
e meu saldo está grandinho…
Vê se acorda esse torpor
me paga um pouco em carinho…
3
As notas da minha lira,
acompanhando teus passos,
se acendem, qual uma pira,
no calor dos teus abraços…
4
A vida só é vivida
com muito amor e paixão
se houver poesia imprimida
nas dobras do coração.
5
Canta sempre, poeta! Canta!
As dores de todo mundo…
Verso que a todos encanta,
com teu estilo profundo!
6
De sua corte, meu bem,
serei bobo com prazer!
Se sou palhaço também,
que mais me resta fazer?
7
De tanto andar procurando
desmanchar, um nó em mim,
em verdade, está virando
emaranhado sem fim!…
8
Do meu tempo de menino
dos folguedos infantis,
lembro do balão junino
e de como era feliz!
9
Este recado à saudade
senhora dos dias meus,
é pra dizer, que é verdade;
Reitero-lhe o meu adeus!
10
Eu me fiz um trovador,
pois dentro de mim, sentia
que a grandeza de um amor
cantar em verso, eu podia…
11
Eu tenho muita saudade
do tempo em que eras só minha.
Mas, é que sofro em verdade,
por te ver, também sozinha…
12
Faça uma trova bonita;
eu sei, você é capaz.
Rogue ao mundo que reflita
sobre a importância da Paz!
13
Foi o meu melhor momento,
de todos os dias meus!
Com você, meu casamento,
foi um presente de Deus!
14
Me enrolei tanto em você
que afinal, viramos nó.
E agora, não sei porquê,
desfazer, nos causa dó…
15
Nem tudo se pode ver
e nem tudo se expressar.
Mas, nem precisa dizer:
Vejo tudo em seu olhar!
16
Nossa Vida é um livro aberto
em cujas linhas contém,
tudo o que se faz de certo;
e todos os erros, também…
17
No tanger da minha lira,
sinto, em minha alma infinita,
o Deus maior que me atira
seus raios de luz bendita!
18
O cura em minha presença:
– Por que tu não vens à missa?
E como chama a doença?
Respondo: – É simples... preguiça!
19
- Peço à nova geração,
olhando um velho retrato:
não deixem meu ribeirão
minguar por falta de trato!
20
Procurei por todo canto
para te ver… te falar…
Na lágrima do meu pranto
eu fui, enfim te encontrar…
21
Quando a saudade chegar
no meu peito, de mansinho;
faço a danada afastar,
pensando no teu carinho!
22
Quando vejo o meu retrato
com seu charme jovial,
eu debito ao tempo ingrato
o estrago no original...
23
Quase perdi os sentidos
quando em seu quarto adentrei
ao ver, nos cantos, perdidos,
cacos, do amor que lhe dei…
24
Que as nações, em toda a Terra,
a busquem de forma audaz,
pois a mão que faz a guerra
é a mesma que faz a Paz!
25
Quem dera que esta Nação,
despertasse do recesso
e elegesse a Educação,
como base do Progresso!
26
São as tuas mãos mimosas
perfumadas, com calor…
são mil pétalas de rosas
trescalando muito amor!
27
São tantos os dissabores
que o dia a dia atanaza.
Mas, quem conserta os humores,
é um anjo que eu tenho em casa…
28
Saudade tem voz de encanto,
nos lembra uma ligação.
Mas do outro lado, entretanto,
ninguém diz sim, nem diz não...
29
Sonhei co' o circo florido
bandeirola em todo espaço
e em seu palco colorido
alegre, eu era o palhaço!
30
Vão, a infância… a juventude,
os anos sem esperança!…
Eu preferia a inquietude
dos meus tempos de criança…
31
Vivo ansiando e sonhando
num tempo que não tem fim,
ver você, enfim chegando
inteirinha para mim!
32
Você é minha esperança!
O meu sol de cada dia!
Meu carinho de criança…
minha doce melodia!

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Octávio Venturelli (Rio de Janeiro/RJ, 1937 – 2019 , Nova Friburgo/RJ)

1
Ante os Tratados da guerra,
tantos protestos se faz;
e as pás, tratando da terra,
tem, mais, tratado da paz!
2
Às vezes, na velha idade,
minha infância sobressai,
e eu peço colo à saudade,
fingindo que é o teu, meu pai!
3
Contraste dos mais tristonhos
a noite sempre me traz:
vou procurar-te em meus sonhos,
e é na saudade que estás...
4
Coreto da mocidade
que ainda tem a mesma graça,
pões o amargo da saudade
no algodão-doce da Praça.
5
Criança carente, andante,
mensagem viva que diz
que seu brinquedo constante
é brincar de que é feliz!...
6
Da saudade às vezes farto,
e se a tristeza me invade,
acendo as luzes do quarto
para não ver a saudade.
7
Deixaste a forma torcida
de um beijo no travesseiro:
mensagem de despedida
com teu sabor e teu cheiro...
8
Dentre as flores cultivadas
nos quintais do coração,
só me restaram plantadas
as flores da solidão...
9
De que vale o meu protesto
se manténs em tuas mãos
o poder de, a um simples gesto,
cortar o "til" dos meus nãos...
10
Em nosso adeus, quando eu disse:
"não há dor que não se abrande",
nem pensava que existisse
uma saudade tão grande...
11
Estou velho... mas não minto
quando digo com empenho:
- se tenho a idade que eu sinto,
nem sinto a idade que eu tenho!
12
É um fantasma!... Alguém gritou.
E houve gritos e alarido
quando, de preto, chegou
o gêmeo do falecido...
13
Eu sinto a doce e querida
perpendicularidade
das retas da minha vida
sobre o plano da saudade!
14
Farol velho, não entendes
o contraste que eu te trago:
tu de esperanças te acendes,
eu, de saudades me apago…
15
Fazendo em barro a montagem
da estátua do meu desgosto,
eu vi que o rosto da imagem
era a imagem do teu rosto...
16
Jangadeiro de Iracema,  
meu pescador de alvoradas,
o teu Nordeste é um poema
escrito pelas jangadas!
17
Maria, cheia de Graça,
dai graça para os meus dias,
porque as noites já têm graça
com a graça das marias...
18
Minha alma vagueia pelas
calçadas da meninice
buscando antigas estrelas
para o meu céu da velhice.
19
Na cama desarrumada,
que impulsos do amor viveu,
há uma saudade deitada
no lugar que era só teu....
20
Não diga adeus nem brincando,
o adeus é irmão da saudade
e alguma ausência, escutando,
pode pensar que é verdade...
21
Não me gabo das conquistas,
nem dos troféus que são meus,
porque nas mãos dos artistas
há sempre o dedo de Deus…
22
"Não me esqueça..." e a Eternidade,
travestida de agonia,
me fez cumprir, na saudade,
o que a mensagem pedia...
23
Na velha Estação de Trem,
que a solidão dominava,
eu acenei a ninguém
fingindo que alguém chegava...
24
No conflito de um desgosto,
por saber que não me queres,
vivo em busca do teu rosto
no rosto de outras mulheres…
25
Nossa casa, nossa vida,
nossa esteira em nosso chão,
e, na esteira da partida
a saudade e a solidão.
26
Numa angústia que não finda,
por mais que tu te reveles,
no teu corpo eu sinto ainda
que há vestígio de outras peles!
27
Num esplêndido tesouro
que no espaço se projeta,
o sol é a moeda de ouro
com que Deus paga o Poeta!
28
O beijo, roubado a medo
no portão do teu sobrado,
teve um tanto de segredo,
teve um tanto de sagrado...
29
O lençol todo florido
e de salto alto... e eu notei,
ao me chamar de "querido",
que era um fantasma de um "gay"!
30
O mistério envolve até
a nós Poetas-Trovadores
porque na vida nós é
que somos os sonhadores!!!
31
Para ficar ao meu lado,
durante a noite ela vem.
A saudade do passado
sofre de insônia também...
32
Paredes em desabrigo,
janelas que se quebraram...
mensagem de um tempo antigo
que o tempo e a vida rasgaram!
33
Por entre os vãos dos meus dedos
fugiram meus sonhos vãos,
que foram simples brinquedos
nos dedos das tuas mãos…
34
Por qualquer doença se abala
com o fantasma dos infartos;
passa os seus dias na sala
gemendo de dor nos quartos...
35
Prefira sempre a certeza
de ver que a alegria existe;
quem faz pergunta à tristeza
merece resposta triste.
36
Presente numa saudade
que ficou em seu lugar,
o passado é uma verdade
que nem Deus pode mudar...
37
Quando à noite eu penso nela,
e o sono teima em fugir,
ninando a saudade dela
eu quase chego a dormir...
38
São flores - Rosa e Saudade
com mensagens desiguais;
uma diz: "felicidade!"
e a outra diz: "nunca mais".
39
Saudade, imagem sem vida
da presença que eu reclamo;
essa vontade incontida
de voltar dizendo: "Eu te amo!"
40
Saudade, saudade minha,
quanta saudade restou...
- Saudade é tudo que eu tinha,
saudade é tudo que eu sou.
41
Se a renúncia, em seus degredos,
meus sonhos cobre de pó,
dou-me as mãos... enlaço os dedos,
e finjo não estar só...
42
Se foi presságio, não sei;
mas eu senti, na partida,
que aquele adeus que eu te dei
dava adeus à nossa vida…
43
Sempre existe algum pecado
escondido em nosso enredo,
que a mente finge acabado
mas que a alma guarda em segredo.
44
Se o coração ainda sente
o amor perdido de outrora,
o sonho, na alma da gente,
se abraça a esse amor… e chora!
45
Soltando as cordas da amarra
da barca do meu destino,
cruzei o farol da barra
dos meus sonhos de menino…
46
Sonho um mundo diferente
que as cores todas resuma,
e a cor da pele da gente
não tenha importância alguma.
47
Tuas lembranças, afago-as
como se afaga uma flor;
as saudades não são mágoas,
são flores feitas de amor!
48
Vemos hoje, os dois sozinhos,
na saudade que nos toma,
que, ao somar nossos carinhos
nós dois erramos na soma.
49
Voltei. Meu Deus, que distância
entre a saudade e o passado:
o meu coreto da infância
ainda "me toca dobrado"!

Revista Crestomatia de Trovas nº 3 – junho de 2026 (download gratuito)

Confira os destaques que preparei para o seu deleite em suas 37 páginas: * Panteão da Trova: Inicia nossa jornada com uma seleção primorosa ...