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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Henriette Effenberger (Trovas Temáticas)


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SAUDADE
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Para falar de saudade
sempre se vai precisar
ter um pouquinho de idade
e coisas para lembrar...

Saudade de nossa infância,
saudade de tempos idos...
Saudade pela distância
dos nossos entes queridos.

Saudade de gargalhadas,
saudades da adolescência,
das noites enluaradas,
plenas de efervescência...

Saudade não é lembrança,
saudade não é sofrer.
Lembrança sem esperança,
isso ela pode até ser.…

A campa tão nua e fria
do morto desconhecido
recebeu a cortesia
de um ipê todo florido.

A saudade, envelhecida,
virou apenas lembrança
não dói mais como ferida,
pois já perdeu a esperança…

Na quietude da noite
onde até o silêncio dorme,
a saudade, qual açoite,
retalha o sonho disforme.

Nos meus momentos de insônia,
minha saudade acalanto
e ela, sem cerimônia,
repousa sobre meu pranto.

Pra espantar felicidade,
a maldade tanto fez
que se vestiu de saudade
pra machucar outra vez.

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DESTINO
= = = = = = =

A vida que tenho agora
é apenas resultado
de escolhas de outrora,
de opções do passado...

Dizem que eu tive sorte,
que o destino me sorriu,
ao escolher o meu norte
todo caminho se abriu.

O que chamam de destino,
boa, má sorte ou maré
eu apenas denomino
fruto de trabalho e fé.

Sei que fiz o meu destino,
palmo a palmo, linha a linha,
nada veio repentino
nem tive fada madrinha...

= = = =
PAZ
= = = =

A paz nem sempre é perfeita,
esconde-se em descaminhos,
entre dores, fica à espreita,
como rosa entre os espinhos.

Paz: muitas vezes usada
para gerar tanta guerra,
palavra tão desgastada,
não a vemos cá na Terra.

Pedir paz é tão vulgar,
lugar comum, um clichê;
melhor mesmo é desejar
que a paz habite em você...

Viver na Paz do Senhor,
nos dizia a tia Sila,
só mesmo com muito amor
e com fé que não vacila.

= = = = = = = = = = =
ESTAÇÕES DO ANO
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Bom seria cada dia
viver como a primavera,
trazendo luz e alegria,
pois o verão nos espera..

Na primavera me aninho,
sou colibri, beija-flor,
sou menina-passarinho
buscando por teu amor...

Gosto de verão “caliente”,
sol daqueles de rachar,
que aquece a alma da gente
e nos convida a amar.

Verão agora é assim
chove, chove, sem parar.
Essa água não tem fim,
parece o céu a chorar...

Às vezes penso que o outono
por vir depois do verão
é uma estação de sono,
de invernos que chegarão...

O  verão com sol brilhando
e um azul no céu sem fim;
no fundo está preparando
o outono que existe em mim...

Não gosto de tempo frio
nem daquele céu cinzento.
O inverno, eu avalio,
é um velho rabugento...
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HENRIETTE EFFENBERGER é uma romancista, contista, poeta, memorialista e autora de literatura infantil da cena contemporânea brasileira. Destaca-se não apenas pela sensibilidade de sua produção, mas também por seu papel combativo na valorização das vozes femininas e como uma forte ativista cultural. Nasceu em 1952, na cidade de Bragança Paulista (SP). Desenvolveu toda a sua trajetória pessoal e profissional em sua terra natal, onde reside e mantém firme sua atuação na comunidade artística local. Formou-se professora primária (Magistério) em 1970. Em 1972, concluiu o curso Técnico em Contabilidade e, em 1975, graduou-se em Administração de Empresas pela Universidade São Francisco (USF). Conciliou suas formações técnicas com o engajamento social e cultural. Trabalhou inicialmente na APAE de sua cidade e, ao longo dos anos, uniu sua veia profissional ao resgate da memória e da história de diferentes instituições regionais por meio de livros encomendados e pesquisas históricas.
Henriette construiu uma carreira sólida na literatura independente nacional. É amplamente reconhecida como uma das criadoras e entusiastas do Mulherio das Letras, um coletivo literário feminista de grande relevância nacional que joga luz sobre a produção de escritoras mulheres. Pertence à ASES (Associação de Escritores de Bragança Paulista): sócia-pioneira, ex-presidente e diretora da instituição. Com uma produção vasta e diversificada, Henriette passeia por diferentes gêneros:
Romances e Ficção: A Ilha dos Anjos (2002, em coautoria com Maria Dulce N. K. Louro) e Quase nada de azul sobre os olhos (2022, seu elogiado primeiro romance solo).  
Contos: Linhas Tortas (2008): composto por contos premiados em concursos literários nacionais e internacionais, com apresentação de Ignácio Loyola Brandão e Fissuras (2018, publicado pela Editora Penalux). Em 2017, organizou a coletânea de contos: Horas partidas e a coletânea de contos e crônicas do Movimento Mulherio das Letras.
Literatura Infantil: As Aventuras do Superagora (2008) e Vida de Sabiá – O que sabiam os sabiás além de assobiar. vencedor do Prêmio João de Barro de Literatura Infantil, editado em 2009, pela Fundação Cultural de Belo Horizonte.
A autora acumula dezenas de prêmios em concursos literários nacionais e internacionais de poesia e prosa. Entre as principais honrarias, destacam-se: Prêmio João de Barro de Literatura Infantil (um dos mais tradicionais e importantes do segmento no Brasil); Prêmio Manaus de Literatura. Sua obra transcendeu as livrarias e tornou-se objeto de pesquisas universitárias. Seu livro Fissuras foi indicado como leitura na pós-graduação em Crítica Feminista da Universidade Federal Fluminense (UFF), e sua produção foi catalogada e estudada na obra acadêmica Vozes Femininas na Literatura Brasileira.
importância de Henriette Effenberger está profundamente atrelada à resistência da literatura descentralizada e ao fortalecimento da autoria feminina no Brasil. Ao criar narrativas que mergulham em fraturas cotidianas (como em Fissuras) e debater as complexidades do universo da mulher, ela subverte estruturas tradicionais e abre espaço para que temas intimistas e sociais caminhem juntos. Além disso, sua dedicação na liderança da ASES e no movimento Mulherio das Letras funciona como uma ponte fundamental para acolher, divulgar e pavimentar o caminho para as novas gerações de escritoras fora dos grandes eixos metropolitanos.

Biografia = Típico Local, Ser Mulher Arte, Papo D’Oro. Editora Penalux. Seção Bragança Paulista, etc.

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