Hoje, rebuscando papéis, jornais e afins, um pouco da minha história e de meus lixos, encontrei lembranças que nada me diziam e outras que até muito.
Remexendo nos meus emails e apagando algumas atenções revi amigos de hoje e de ontem, mas nada traduz sentidos como meus papéis.
Interessante essa teoria da memória tátil. Como podem ficar sabores de há tantos anos, odores de “não me engano”, cores que não desbotam?
Neste meu mundinho que afago, com a ponta de meus dedos, vejo as fotografias e as lembranças de dias que não têm fim.
Reflito: independente da razão comprometida, no que será das gentes que veem o mundo sem sabores, nem as cores, nem odores, nem os papéis que tanto pesam.
Acho que alguns que têm substituído as páginas por imagens plasmadas em telas e eletrônica, por completo, sem chance para certas sensibilidades, podem sofrer e fazer sofrer em seus mundos, tanto interno quanto externo, de um tipo de resfriamento estranho e esquizofrênico.
Tenho, com atenção, analisado o mundo que me circunda. Meu estranhamento se dá não com o que vejo e sim de certas ausências. Nós humanos (ou quase), não nos espantamos mais, isto é, fomos convencidos a esterilizar os sentimentos superiores.
Verdadeiras obras de arte no mundo, em desvão, amontoadas em um canto, fechado, úmido e sombrio. Onde estão os nossos vinis (lps), os nossos Bergman’s, em preto-e-branco, e lindas outras coisas que se desusa… uma a uma. Saudosismo? Não, mas a busca de um lugar no lugar comum.
Volto aos meus papéis que teimam em não desvanecer.
Fecho minha gaveta.
Até breve.
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O escritor e poeta brasileiro PAULO VIEIRA PINHEIRO, conhecido no meio literário sob o pseudônimo de Paulo Vinheiro, é um autor de perfil contemporâneo e independente, com atuação voltada para plataformas digitais e publicações colaborativas. Diferente dos grandes nomes tradicionais da literatura nacional, os registros biográficos detalhados sobre sua trajetória (como ano exato de nascimento, local de residência fixa ou associações acadêmicas) não constam nos acervos literários ou enciclopédias de grande circulação. Corretor de imóveis, na cidade de Monteiro Lobato (interior do estado de São Paulo), destaca-se principalmente como colunista e poeta colaborador em mídias independentes de cultura, tendo forte ligação com a Revista Digital de Cultura Entrementes. Nessa plataforma, ele publica ensaios, crônicas e reflexões literárias. É autor de textos líricos e de forte teor existencial, como os poemas "Não existe molhado igual ao pranto", "Um caso de amor e vida" e "Desacordado". Suas obras transitam pelo lirismo confessional, pela desilusão, pela busca de liberdade e pelo impacto da memória no cotidiano. Por ser um escritor com foco em canais de divulgação digital alternativa e produção independente, ele não pertence a academias tradicionais de letras e não possui registros de prêmios literários oficiais ou livros de grande tiragem comercial catalogados.
A importância de autores como Paulo Vinheiro reside na democratização e descentralização da literatura na era digital. Atuando fora do circuito das grandes editoras comerciais, poetas independentes mantêm viva a tradição da escrita reflexiva e da crônica cultural em blogs e revistas de nicho, permitindo que a poesia alcance o público de forma imediata e sem intermediários. Textos como os seus cumprem o papel fundamental de registrar as angústias do sujeito contemporâneo e de debater temas que vão desde a ecologia até a memória afetiva de patrimônios culturais brasileiros (como em suas crônicas de viagem ao Sítio do Pica-Pau Amarelo), garantindo a oxigenação da produção literária na internet.
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