No dia seguinte, Leco e Tatá resolveram fazer uma caminhada até o outro lado da floresta para visitar o Riacho Azul. Leco, ainda tentando controlar sua ansiedade, tentava caminhar no ritmo lento da amiga, mas suas patinhas traseiras insistiam em dar pequenos pulos.
— Tatá, se continuarmos nesse passo de formiga, vamos chegar lá só quando a lua nascer! — exclamou Leco, olhando para o céu.
— Calma, Leco. O caminho é longo, e se gastarmos toda a energia agora, não conseguiremos voltar — explicou Tatá, mantendo seu passo firme e constante.
Quando finalmente avistaram o riacho, encontraram um grande problema: a antiga ponte de madeira que cruzava a água havia caído. O riacho era largo e a correnteza estava forte.
— Ah, não! E agora? — lamentou Leco, correndo de um lado para o outro na margem. — Já sei! Eu consigo pular! É só pegar impulso!
— Espere, Leco! — gritou Tatá. — A distância é muito grande, e a margem do outro lado está cheia de lama lisa. Você vai escorregar e cair na água!
— Que nada, eu sou o Leco, o coelho mais saltador desta floresta! Olhe e aprenda! — gabou-se ele.
Leco correu com toda a sua velocidade e deu um salto enorme. No ar, ele percebeu que a outra margem estava mais longe do que parecia. Ele bateu com as patas na lama e, exatamente como Tatá previu, escorregou e caiu no riacho com um grande tchibum!
— Socorro, Tatá! A água está me levando! — gritou Leco, batendo as patas desesperadamente, pois coelhos não sabem nadar muito bem.
Tatá, sem perder o controle, avaliou a situação rapidamente. Ela olhou ao redor e viu um longo galho seco caído perto de uma árvore.
— Leco! Pare de debater as patas e tente boiar! Eu vou te ajudar! — orientou Tatá.
Com paciência e usando toda a sua força, ela arrastou o galho até a beira da água e estendeu a ponta na direção do amigo.
— Segure firme no galho, Leco! Não solte! — comandou ela.
Leco esticou a pata e agarrou a madeira. Com passos muito firmes e pesados, fincando as unhas na terra para não ser puxada, Tatá foi andando para trás milímetro por milímetro, puxando o coelho para fora do perigo.
Depois de muito esforço, Leco rolou para a grama da margem segura, tossindo um pouco de água e tremendo de frio, mas salvo. Tatá aproximou-se, respirando um pouco cansada.
— Você está bem, meu amigo? — perguntou ela, com um olhar preocupado.
— Estou... obrigado, Tatá. Se não fosse pela sua calma para pensar e sua força, eu teria sido levado pela correnteza — disse Leco, envergonhado, enquanto se chacoalhava para secar os pelos. — Eu agi sem pensar de novo, não é?
— O importante é que você está seguro — confortou Tatá, sorrindo. — Às vezes, a força bruta e a velocidade não resolvem um problema. Precisamos parar, analisar o perigo e agir com firmeza.
Leco olhou para o riacho e depois para Tatá.
— Você tem razão. Da próxima vez, antes de saltar, eu vou parar e pensar com você.
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A coragem sem prudência é apenas pressa perigosa. Pensar antes de agir nos protege dos maiores perigos.
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JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. Nasceu em São Paulo (SP), sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Ocupa cadeira na Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura, Academia do Movimento Internacional, Confraria Brasileira de Letras e Academia de Letras Internacional Brasil-Suíça. Agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo "Euclides da Cunha", em Berna/Suiça; título Magnus Magister da Confraria Luso Brasileira de Trovadores, em Portugal; Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo. É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica. No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente.
Fonte:
José Feldman. Contos para crianças e não tão crianças. Floresta/PR: Biblioteca Sunshime, 2026.


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