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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Renato Benvindo Frata (Como caminhamos)


O difícil da nossa estrada é que, de repente e sem que esperemos, aparece uma bifurcação. E a incerteza nasce a indagar: esquerda ou direita? Qual direção tomar?

A hesitação ganha corpo e produz insegurança. Se não impede a escolha, ao menos a dificulta.

Nessa indecisão perdemos tempo, eis que "as horas mais tristes da vida são aquelas em que duvidamos de nós próprios"¹.

Mesmo porque a vida não nos mostra a estrada inteira. Ela quase sempre revela o próximo trecho só depois que vencemos o anterior. Etapa a etapa. Por isso, mais importante que a distância do primeiro passo é a firmeza com que o damos.

Dado esse, os demais serão consequência.

Por que digo isso? Porque a vida é eivada tanto de dádivas quanto de desafios. Dá-nos a graça de vivê-la e, junto dela, o peso de enfrentar aquilo que o viver exige.

O que seria do mar se ele produzisse apenas ondas difíceis e insuportáveis travessias? Ou o contrário? O que seria da roseira se no mesmo galho dos espinhos não nascesse a mimosa rosa perfumada?

É assim que o viver sentencia: uma coisa ao lado da outra. Por isso nos submetemos tanto à virtude quanto ao vício e seus asseclas: degradação e torpeza.

É o oscilar das escolhas entre um e outro que nos ensinará a procurar o equilíbrio e, esse, a que rejeitemos os excessos prejudiciais a nós próprios e, claro, a terceiros.

Esse oscilar será o conjunto de atos diários e constantes que desenhará quem somos.

Ninguém se perde de uma vez numa bifurcação, assim como ninguém se encontra a si próprio nessa condição. Na verdade, a vida não pede que acertemos sempre a direção, mas que fiquemos atentos na bifurcação. Porque o medo de errar tem o mesmo valor que a razão de acertar.

E não importa tanto a escolha do caminho, mas como faremos para percorrê-lo. Até o erro, quando reconhecido, pode nos fazer avançar. Sabe por quê? Ele é parte do caminho.
No fim, o que fica não é a direção à esquerda ou à direita. É a maneira como caminhamos.
_____
¹ Henry Ward Beecher
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Renato Frata (1946)
RENATO BENVINDO FRATA, nascido em Bauru/SP, em 1946, é um dos principais pilares contemporâneos da cultura de Paranavaí (onde se radicou) e de todo o Noroeste do Paraná. Paranaense por adoção, ele consolidou uma trajetória sólida que une o rigor do ambiente acadêmico e jurídico à sensibilidade das crônicas e contos do cotidiano. A atuação profissional de Renato Frata é marcada por múltiplas frentes técnicas e intelectuais: Atua firmemente como advogado na região; Também possui formação e exerceu atividades como contador; Dedicou grande parte de sua vida ao ensino superior como professor universitário, encontrando-se atualmente aposentado das salas de aula.
O interesse de Frata pela literatura surgiu "desde moleque" por influência direta do pai e do irmão, que eram grandes leitores. Começou arriscando versos ao se apaixonar na adolescência, migrando mais tarde para a prosa, gênero no qual se consagrou. Sua caminhada é pontuada por conquistas institucionais e premiações: Na década de 1990, seu conto A Pá de Polenta foi premiado no renomado FEMUP (Festival de Música e Poesia de Paranavaí), dando um impulso definitivo à sua carreira pública de escritor. Fundador e presidente de honra da ALAP (Academia de Letras e Artes de Paranavaí), instituição que já presidiu por diversas gestões e onde continua engajado na promoção cultural local. O autor escreve de forma disciplinada, utilizando crônicas e contos para registrar memórias da infância e observações do dia a dia. Suas crônicas circulam frequentemente em veículos de imprensa da região, como o Diário do Noroeste (https://diariodonoroeste.com.br/).
Principais obras publicadas: A Pá de Polenta (Conto expandido focado em memórias de infância); Reflexão dos Cinquenta (Contos); O Sapo Chorão e Rosso Saladete, o Intrépido Tomate (Obras voltadas ao público infantojuvenil); Fragmentos (Livro que reúne 102 crônicas e excertos lançado originalmente em 2022/2023); Crepúsculos Outonais (Coletânea de contos e crônicas lançada em 2025)
A relevância de Renato Benvindo Frata transcende as páginas de seus livros, gerando impactos profundos no ecossistema cultural do Paraná: Seu livro Reflexão dos Cinquenta carrega o marco histórico de ser a primeira obra literária solo publicada por um escritor radicado em Paranavaí, abrindo as portas do mercado editorial para outros talentos locais. Cronista do cotidiano do interior. Suas narrativas capturam a sensibilidade da vida no campo, as tradições familiares e a evolução urbana do Noroeste do estado. Ao fundar e capitanear a ALAP, ele ajudou a tirar Paranavaí do isolamento literário, integrando a cidade em encontros estaduais de academias e promovendo o intercâmbio de novos autores com o público universitário e escolar.

(Texto enviado pelo autor)

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