Era o dia da Grande Corrida de Primavera da floresta. O prêmio era uma enorme cesta cheia das cenouras mais doces do Vale Verde. Todos os animais sabiam que o coelho Leco era o favorito. Ele treinou a semana toda, dando saltos velozes e correndo em zigue-zague entre as árvores.
Minutos antes da largada, Leco encontrou a ouriça Tatá sentada perto da linha de partida, amarrando um pequeno lenço na cabeça.
— Você vai correr, Tatá? — perguntou Leco, surpreso, enquanto alongava as orelhas.
— Vou sim, Leco! — respondeu Tatá, com um sorriso calmo. — Sei que minhas patinhas são curtas e que não sou veloz como você, mas adoro o caminho da colina. Quero ver o tapete de flores que se formou lá em cima.
BUM! O gongo da floresta ecoou, anunciando o início da prova.
Em um piscar de olhos, Leco disparou na frente. Vapt! Vupt! Ele parecia um raio cinzento, deixando uma nuvem de poeira para trás. Logo, ele ultrapassou os esquilos, passou voando pelos gambás e liderava a corrida com folga. O vento batia em seu rosto e o coração batia acelerado de pura adrenalina.
No meio da subida da colina, Leco olhou para trás. Não havia ninguém por perto. Ele estava prestes a dobrar a curva final para pegar o troféu quando, de repente, olhou para o lado e viu o famoso tapete de flores mencionado por Tatá. Eram milhares de pequenas orquídeas douradas que só floresciam naquele dia do ano.
Leco parou. O silêncio ali em cima era lindo. Ele olhou para a linha de chegada, que estava a poucos metros, e depois olhou para baixo, na direção do início da subida.
— A Tatá vai perder isso... — pensou Leco em voz alta. — Se ela andar no ritmo dela, quando chegar aqui, o sol já vai ter se posto e as flores vão se fechar.
Sem pensar duas vezes, Leco deu meia-volta. Ele começou a correr na direção contrária, descendo a colina. Os outros animais, que vinham subindo cansados, olhavam para ele sem entender nada.
— Leco! A linha de chegada é para o outro lado! — gritou o teixugo.
— Você está maluco, coelho? Vai perder o primeiro lugar! — avisou o esquilo.
Leco apenas sorriu e continuou descendo até encontrar Tatá. A pequena ouriça estava no início da subida, respirando calmamente, dando um passo firme de cada vez.
— Leco?! — Tatá piscou os olhos, confusa. — O que aconteceu? Você se machucou? Por que não ganhou a corrida?
— Não me machuquei, Tatá. Mas percebi que correr muito rápido estava me fazendo perder a melhor parte — disse Leco, recuperando o fôlego e sentando-se ao lado dela.
— Mas... e as cenouras doces? E o troféu?
Leco olhou para as patinhas curtas da amiga e depois para o topo da colina.
— As cenouras a gente colhe depois. O troféu de verdade é ver aquele tapete de flores lá em cima. Mas eu só quero ver se for com você.
Tatá sentiu o coração aquecer. Seus espinhos relaxaram completamente.
— Mas eu ando bem devagar, Leco. Você vai ficar entediado.
— Então eu vou aprender a andar devagar também — respondeu o coelho, estendendo a pata. — Vamos juntos?
E assim eles foram. Leco diminuiu o passo. Pela primeira vez na vida, em vez de focar apenas na linha de chegada, ele começou a notar as coisas ao redor. Tatá lhe mostrou as formas das nuvens, o som dos grilos escondidos nas folhas e o perfume de árvores que Leco sempre passava batido por correr demais.
Quando os dois finalmente alcançaram o topo da colina, a corrida já havia terminado e outro animal havia levado a cesta de cenouras. Mas as orquídeas douradas ainda estavam abertas, brilhando sob o sol da tarde.
— Puxa... — sussurrou Leco, maravilhado com a vista. — É a coisa mais linda que já vi.
— Obrigada por me esperar, Leco — disse Tatá, encostando sua cabecinha no ombro do amigo.
— Obrigado você, Tatá — sorriu Leco. — Se eu estivesse correndo, teria chegado primeiro, mas teria visto tudo sozinho. Caminhar com você foi muito melhor.
A vida não é uma competição de velocidade. Às vezes, precisamos desacelerar o nosso próprio ritmo para apreciar a paisagem e desfrutar da companhia daqueles que amamos.
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JOSÉ FELDMAN é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo (1954), ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Taboão da Serra, Curitiba, Ubiratã e Maringá (PR) onde se fixou desde o ano de 2011. Casado desde 1994 com a Ph.D. Alba Krishna Topan, professora e coordenadora do curso de letras em língua inglesa da Universidade Estadual de Maringá. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por mais de 10 anos no Hospital das Clínicas da FMUSP. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. Professor de trovas e escrita criativa. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo “Euclides da Cunha”, na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister da Confraria Luso-Brasileira de Trovadores, em Portugal; Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias de Artur da Távola. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo. É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores:
1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos;
2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor;
3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.
Fonte:
José Feldman. Contos para crianças e não tão crianças. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.


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