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domingo, 6 de setembro de 2026

Antonio Brás Constante (Um Toque Sobre a Essência das Mãos)


As mãos estão conosco desde que nascemos. São cuidadosas mãos as primeiras coisas que encontramos ao chegarmos neste mundo pós-uterino, nos segurando e protegendo. Mãos de pulso firme batem com bondade em nossa corpórea fragilidade nos fazendo chorar, respirar, viver, e em outras vezes, mãos covardes espancam com maldade o nosso corpo, nos fazendo gritar, engasgar, morrer.

As mãos falam através de sinais mudos. É a mão que encontrando outras mãos, expressa sua amizade e confiança através da força e firmeza que imprime neste encontro. Os amantes pedem a mão desejada em casamento. As mãos benevolentes estão sempre abertas para auxiliar a quem precisa, mas existem mãos rancorosas que se fecham pelo ódio e cólera que a tantos intimidam.

A mão que acolhe com bondade é a mesma que empurra com brutalidade. A mão que puxa para aproximar é a mesma que solta sem demonstrar se importar. São as mãos que nos socorrem nos momentos em que a escuridão nos envolve e, sem qualquer aviso, cega o nosso olhar. Mãos que nos fazem ver, muitas vezes, aquilo que não queremos enxergar.

A mesma mão que aponta acusando é aquela que se une com outras em prece pedindo perdão. Uma mão caridosa lava a outra, lhe ajuda, protege e ampara, fazendo o que estiver ao seu alcance na hora de prestar auxilio. Mas a mão impregnada de egoísmo também lava a própria culpa de si mesma, quando quer se omitir de ajudar quem precisa.

A mão suja representa o trabalho, mas a sujeira nas mãos também é o símbolo da corrupção. As mãos vazias de riquezas, sem nada, representam a pobreza, bem como as frágeis mãos ainda tão pequenas, desamparadas e pedintes. Cruel realidade das crianças mendicantes nas sinaleiras.

São as mãos que batem continência em sinal de respeito e disciplina militar em nome de uma pátria nem sempre amada. Mas também foram elas que ficaram erguidas, o braço direito estendido para frente, simbolizando a loucura nazista que marcou uma era malograda.

São mãos amigas que amparam quando as palavras falham, nos envolvendo na comunhão de um abraço. É uma mão cheia de ternura que dá adeus quando alguém parte, e enxuga a vertente de lágrimas que escorre pela face de nosso semblante sofrido.

São as mãos que batem na porta para anunciar a chegada. Mãos cheias de energia aplaudem aqueles que admiram, e se juntam ampliando o som das vozes quando querem vaiar. As mãos unidas podem até derrubar governos...

São as mãos que acariciam vários instrumentos de corda fazendo-os tocar, espalhando os sons dos anjos pelo ar. A mão que nos alimenta é também aquela que nos auxilia a aprender a contar, brincar, trabalhar, amar.

São as mãos que abrem a carta com as notícias tão desesperadamente esperadas. E através de um simples toque de seus dedos, um clique é dado sobre o mouse, abrindo o e-mail desejado.

É a mão que aperta o gatilho da arma. É a mão que tapa a boca da vítima impedindo-a de gritar. São mãos frias que puxam a alavanca do cadafalso cumprindo a ordem de matar.

A mesma mão que escreve as verdades também rasga os direitos em sinal de intolerância, jogando pedras em corpos vivos e livros ao fogo, que ardem em nome do preconceito.

São elas que fecham nossas têmporas quando enfim rumamos para imensidão.

Foi por causa dessas mãos, dessas tantas mãos: fortes e frágeis, grandes e pequenas, jovens e velhas, negras, brancas, orientais, universais, que me pus pacientemente a dedilhar o teclado, dando vida a este pretenso texto com ares de poesia. Enfim, as mãos unidas pelo amor são a essência de nossa humanidade. Agora peço que você releia todo texto novamente, trocando as expressões que representam as “mãos” por “pessoas”... Feliz 2012.
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ANTÔNIO BRÁS CONSTANTE é um escritor, cronista e contista brasileiro contemporâneo, amplamente reconhecido no ambiente digital por suas produções literárias marcadas pelo humor satírico e pela ironia cotidiana. Embora não haja um registro público detalhado de sua data de nascimento ou de uma biografia institucional tradicionalizada pelas grandes academias nacionais, suas publicações fornecem informações precisas sobre sua trajetória literária. É um autor gaúcho, residindo e desenvolvendo grande parte de suas atividades e inspirações na cidade de Canoas/RS. Ele costuma se definir publicamente de forma bem-humorada como um "eterno aprendiz de escritor, amigo e amante da musa inspiração". Teve forte atuação na chamada "literatura de internet" durante as décadas de 2000 e 2010. Ganhou notoriedade ao publicar textos, crônicas e contos em plataformas e blogs como o Recanto das Letras, Overmundo e WebArtigos. Sua marca registrada é o uso do humor azedo, da sátira social e de reflexões irônicas sobre a modernidade (como o vício em redes sociais e e-mails) e as reviravoltas da vida cotidiana. Seu foco de atuação sempre esteve voltado à produção independente e à democratização da leitura via internet. Embora não possua grandes prêmios institucionais listados, o autor já integrou seleções de destaque popular. Sua obra alcançou o ranking dos 100 Livros de Crônicas Mais Lidos e dos 50 Melhor Avaliados na plataforma literária Skoob, uma das maiores comunidades de leitores do Brasil. Livros e Textos Publicados: Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE: Livro físico de crônicas e contos de humor. É autor de crônicas e contos populares na internet. 
A importância de Antônio Brás Constante reside na sua capacidade de desmistificar a literatura e aproximá-la do público geral através do humor cotidiano. Ao utilizar a internet como seu principal vetor de distribuição, ele se tornou um exemplo de escritor que rompeu as barreiras editoriais tradicionais. Seus textos conseguem atingir diferentes camadas sociais, servindo tanto para o entretenimento leve de leitores assíduos quanto como ferramenta de mediação de leitura e debates socioeducativos para jovens em salas de aula e projetos de reinserção social.

Fonte:
Texto enviado pelo autor

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