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domingo, 13 de setembro de 2026

Voando nas Asas da Poesia * 1 *

Imagem = IA Microsoft Bing

A. A. de Assis 
Maringá/PR

TROVAS SOLTAS

Mesmo soltas e espalhadas,
as pétalas são formosas;
porém somente abraçadas
é que elas se tornam rosas!

Curvada ao peso da idade,
a vovó, serena e bela,
distrai o tempo e a saudade
entre o novelo e a novela...

Xô inverno... vá-se o frio...
volte depressa o calor...
que as rosas já estão no cio,
à espera do beija-flor!
= = = = = = = = = = = = = =  

Amilton Maciel Monteiro
São José dos Campos/SP
PARTE DE NÓS

Criar poema é qual plasmar um filho;
lhe damos todo o amor que houver na gente,
mas, depois que soltamos seu anilho,
quem toma conta dele... é o Onipotente.

Também, quando criamos sonetilho,
queremos que ele seja convincente,
correto, puro e tenha certo brilho;
... nem sempre ocorre isso, infelizmente.

Mas não importa. O que conta é só amá-lo!
Quer fique lindo, ou mesmo um pouco feio,
de porte soberano, ou de vassalo;

Pois é parte de nós, porção de amor,
que quisemos doar ao nosso meio,
por vocação do próprio Criador!
= = = = = = = = = = = = = =  

Dária Farion
Pinhais/PR
CARISMA DIVINO

Ter na alma o afeto,
Na palma da mão a vida.
Encerrar no coração a imagem
Na mente a coragem.

Ter certeza,
Gritar com firmeza:
Meu filho , és meu rei
meu herói.
= = = = = = = = = = = = = =  

Ademar Macedo 
Santana do Matos/RN, 1951 – 2013, Natal/RN
TROVAS AVULSAS

Na vida o que me conforta,
está nesta frase bela:
“Deus jamais fecha uma porta,
sem que abra uma janela”!

Entregue ao próprio abandono,
eu vi na rua um menino,
igualmente um cão sem dono
sem lar, sem pão, sem destino...

Eu beijei tantas “donzelas”
nesta minha vida, a esmo,
que quando me lembro delas
sinto nojo de mim mesmo!…
= = = = = = = = = = = = = =  

Fernando Pessoa 
Lisboa/ Portugal(1888 - 1935)
SÚBITA MÃO DE UM FANTASMA OCULTO

Súbita mão de algum fantasma oculto
Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.

Mas um terror antigo, que insepulto
Trago no coração, como de um trono
Desce e se afirma meu senhor e dono
Sem ordem, sem meneio e sem insulto.

E eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda de Inconsciente
A qualquer mão noturna que me guia.

Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nada existo como a treva fria.
= = = = = = = = = = = = = =  

Lígia Antunes Leivas
Pelotas/RS
ENTRELINHAS

Na insensatez dos conceitos
emergem desejos...
Quebra-se o elo:
desequilibra-se o universo.

A expectativa antessonha auroras
neste querer maior
de peles de veludo unidas
no desenho de nós mesmos.

Na hora cálida da tarde
atiçam-se todas as luzes...
Um pouco de mim, de ti, de nós
e a explosão de todos os sentidos.

Cada espaço traz a medida certa
...um oceano cresce entre nossas vidas
e nesta separação entre desenganos
descubro-me atônita!

Olhos ao longe (tão longínqua distância!...)
Sou voz perdida, sou desterro
sou muito menos agora
que as entrelinhas deste poema...
= = = = = = = = = = = = = =  

Luiz Poeta
(Luiz Gilberto de Barros)
Rio de Janeiro/RJ

AMANTE É QUEM AMA

Somos amantes sem sê-lo,
Mesmo epidermicamente,
Somos mesmo sem sabê-lo,
Somos amantes na mente.

Se um corpo alheio, ao vê-lo,
Sentimos um calor fremente
E, num átimo, por tê-lo,
Ansiamos de repente...

Mesmo estando tão presente
A pessoa que nos ama,
Mesmo estando até na cama
Em carícias envolventes...

Traímos o que nos sente,
Sem todavia traí-lo,
Sentimos o amante ausente,
Sem entretanto senti-lo.

E não depende da gente
Lembrar alguém no momento
Do amor mais forte e envolvente,
Repleto de sentimento.

Traímos no pensamento,
Sem toques e sem contatos,
Portanto, se não há ato,
Não traímos, tão-somente.

Se em pensamentos traímos...
Traímos! ...mas quem reclama?
Porque, quando nos unimos,
Amante é aquele que ama.
= = = = = = = = = = = = = =  

Margot de Freitas Santos
Juiz de Fora/MG
SILÊNCIO

O silêncio de hoje é preciso.
Me nego a falar, nada tenho a escutar
Que seja mais forte e intenso
Do que repousa dentro de meu peito.

O silêncio de hoje é preciso.
Tenho lágrimas guardadas que não posso ocultar
De uma ausência doída, que por mais que eu chame,
Por estar em sono profundo, não consigo acordá-la.

O silêncio de hoje é preciso.
Busco o amparo forte
De abraços adormecidos
Que não mais podem me amparar.

O silêncio de hoje é preciso
Para aceitar esta ausência sentida
Por todo o meu corpo
Que sinto
Não mais existir!

O silêncio de hoje só não mais seria preciso,
Se aqui você estivesse e, então,
A vida teria sentido: o renascer do amor a cada dia
Onde o adormecer jamais existiria!
= = = = = = = = = = = = = =  

Antônio Roberto Fernandes 
São Fidélis/RJ, 1945 – 2008, Campos dos Goytacazes/RJ
LADAINHA

Olhai pra mim, mulher da minha vida!
Senhora dos meus sonhos, me escutai!
Minh' alma já não sabe aonde vai,
neste vale de lágrimas perdida.

Com a luz de vossos olhos me mostrai
um caminho, uma chance, uma saída,
Senhora finalmente aparecida,
meus negros horizontes clareai.

Não tenho vocação para o martírio,
perdão se é heresia o meu delírio
mas nestes lábios que têm fogo e mel.

Arrebatai-me agora, ao gozo eterno
para que eu - que já conheço o inferno -
possa, convosco, conhecer o céu!.…
= = = = = = = = = = = = = =  

Guilherme de Almeida 
Campinas/SP, 1890-1969, São Paulo/SP 
NÓS

Quando as folhas caírem nos caminhos,
ao sentimentalismo do sol poente,
nós dois iremos vagarosamente,
de braços dados, como dois velhinhos...

E que dirá de nós toda essa gente,
quando passarmos mudos e juntinhos?
---" Como se amaram esses coitadinhos!
Como ela vai, como ele vai contente!"

E por onde eu passar e tu passares,
hão de seguir-nos todos os olhares
e debruçar-se as flores nos barrancos...

E por nós, na tristeza do sol posto,
hão de falar as rugas do meu rosto...
Hão de falar os teus cabelos brancos…
= = = = = = = = = = = = = =  

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