Há quem caminhe como se o chão lhe devesse respeito. Pisa com cuidado, calcula cada passo, desvia das pedras e acredita que a prudência pode negociar com o acaso. Mas o caminho, esse velho professor sem diploma, não costuma avisar quando prepara uma queda.
Tropeçamos em palavras mal escolhidas, em pessoas que pareciam abrigo, em decisões tomadas com a coragem de quem ainda não conhecia as consequências. Às vezes, tropeçamos em nós mesmos: no orgulho, na pressa, no medo de tentar. E, quando caímos, o mundo parece continuar andando sem a menor consideração. Os outros passam. O relógio insiste. A vida, indiferente e generosa, não interrompe seu curso para que possamos lamentar.
É nesse instante que descobrimos quem somos.
Não no equilíbrio perfeito, nem nos dias em que tudo dá certo, mas no momento em que permanecemos sentados no chão, com a poeira nas mãos e a dignidade amassada junto aos joelhos. Podemos culpar a pedra, amaldiçoar o caminho ou fingir que não doeu. Também podemos olhar para o obstáculo e perguntar: “O que isso veio me ensinar?”
Levantar não apaga a queda. A cicatriz continua sendo uma espécie de memória escrita no corpo e na alma. Mas há uma diferença entre carregar uma ferida e morar dentro dela. Quem se levanta não nega o sofrimento; apenas decide que ele não terá a última palavra.
Talvez amadurecer seja isso: aprender a cair sem transformar a queda em identidade. Entender que um erro é um acontecimento, não uma sentença. Que perder uma batalha não significa perder a guerra — e que, às vezes, significa apenas descobrir que estávamos lutando no lugar errado.
Depois do tropeço, mudamos o passo. Ficamos mais atentos às pedras, mas também mais compassivos com quem cai. O chão, que antes parecia inimigo, passa a ser testemunha. Foi nele que choramos, respiramos fundo e encontramos força para tentar novamente.
A vida não exige que caminhemos sem tropeçar. Exige apenas que, quando o pé falhar, ainda sejamos capazes de escolher: permanecer no chão ou transformar a queda no primeiro movimento de uma nova caminhada.
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José Feldman (1954)
JOSÉ FELDMAN é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo (27.set.1954), ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Taboão da Serra, Curitiba, Ubiratã e Maringá (PR) onde se fixou desde o ano de 2011. Casado desde 1994 com a Ph.D. Alba Krishna Topan, professora e coordenadora do curso de letras em língua inglesa da Universidade Estadual de Maringá. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por mais de 10 anos no Hospital das Clínicas da FMUSP. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. Professor de trovas e escrita criativa. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo “Euclides da Cunha”, na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister da Confraria Luso-Brasileira de Trovadores, em Portugal; Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias de Artur da Távola. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.
Possui 10 livros publicados, entre eles : Alquimia do Tempo, Labirinto da Vida, Caleidoscópio da Vida, Ecos do Deserto, Peripécias de um Jornalista de Fofocas, Almanaque Poético Brasileiro (poetas do Brasil), 35 Trovadores em Preto & Branco (análise de trovas de 35 trovadores brasileiros), Canteiro de Trovas, etc. e mais 5 a caminho (Minhas Irmãs de 4 patas; Guirlanda de Versos; Pérgola de textos; Contos para crianças e não tão crianças, Chafariz de Versos). Todos disponibilizados gratuitamente.
É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores:
1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos;
2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor;
3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.

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