Tentei em vão suavizar a vida,
Tornar mais leve o fardo tão pesado,
Fazer da volta o ponto de partida,
Buscar na ida o amor tão cobiçado!
Eu quis fazer da pauta a partitura
De um canto leve, doce e tão suave,
Cantar a vida com toda a ternura,
Voar em sonhos como uma ave!
Eu quis da luz o raio de esperança
Mas, por castigo, só me veio a treva.
Não me atrevo e guardo na lembrança
O que a serpente aprontou pra Eva...
E desse jeito fico aqui quietinho,
No meu cantinho, bem acompanhado,
Pois não será por falta de carinho
Que comerei a fruta do pecado!
= = = = = = = = = = = = = =
CONTRASTE
Você é fogo, a chama mais ardente,
Semente a germinar em pleno cio,
É luz que o sol espalha suavemente,
É toque de prazer, é arrepio...
É água cristalina da nascente
Que corre lentamente para o rio,
Paixão que vem assim, tão de repente,
Deixando o coração por quase um fio.
Você é o meu passado mais presente...
Calor a me aquecer durante o frio,
Loucura que enlouquece loucamente!
Você é como um sonho inocente,
É brisa mansa em manhã de estio
E muitas vezes temporal fremente!
= = = = = = = = = = = = = =
MANHÃ
Boceja o sol nessa manhã risonha
No céu brilhante de nuvens esparsas.
E no cenário do alto da montanha
Em revoada bailam lindas garças.
Na estrada estreita desponta um vaqueiro
Pelo aceiro tocando a boiada
Sob o comando de um feitor faceiro
Todo enfeitado para a namorada.
A manhã rompe enquanto a tarde brota,
E mais um dia foge se esvaindo...
O lusco – fusco no sertão se aporta,
E a cigarra, com seu cantar tão triste,
Dá boas – vindas à noite surgindo
O tempo avança - meu sonho persiste…
= = = = = = = = = = = = = =
RUMO DA VIDA
Tirei o traço na trena,
Toquei fogo na fornalha,
Saí de foco, de cena,
Rezei com fé a novena,
Dei flores pra namorada...
Afinei minha viola,
Recitei o meu poema
Confessei o meu dilema,
Pra vida eu nem dei bola.
Fugi cedo da escola
E o filme da minha vida
Projetei no meu cinema...
Arrumei as minhas tralhas,
Fiquei perdido na trilha,
Refugiei-me na ilha
Desse mundo de ilusão.
Doei pra você todinho
O meu pobre coração!
= = = = = = = = = = = = = =
SOL POENTE
Quando contemplo ao longe o sol poente
atrás do monte lá no infinito
sonho acordado o sonho mais bonito,
e tenho a fé de um homem forte e crente.
A luz suave, quase se apagando,
acende em mim um fogo tão ardente,
e ao pensar eu fico imaginando
o amor se pondo assim tão de repente.
O tempo passa e vem a madrugada
como um açoite castigando a gente
na aurora fria, escura e tão calada!
Oh... breve tempo tenha dó de mim
por que flagela um coração carente,
me machucando tanto, tanto, assim!
= = = = = = = = = = = = = =
VIL METAL
Nessa vida só descobre
Quem usa a sabedoria
Para entender que o nobre
Nem sempre se avalia
Usando o ouro e o cobre
Para dizer quem é rico
Ou indicar quem é pobre!
A pobreza e a riqueza
não se veem pelo metal!
Esse juízo é fatal,
é vil, cruel e perverso;
é como julgar poema
simplesmente por um verso!
A riqueza está na alma,
no cerne, no interior,
no âmago de cada um...
por isso digo sem medo
e sem receio nenhum:
(observa e descobre)
tem muito "pobre" que é rico,
tem muito "rico" que é pobre!
= = = = = = = = = = = = = =
VOZ DA RAZÃO
Quando minha razão fala,
com a voz do coração,
tudo em mim então se cala
e minha vida se embala
na mais sublime canção.
E quando a luz matutina
vem meiga me despertar,
a esperança descortina
e a fé, então, me ensina:
é hora de agradecer,
é momento de rezar!
E quando o silêncio cala
profundo dentro da gente,
sem querer a alma sente
que por nós é DEUS quem fala!
= = = = = = = = = = = = = =
Antonio Manoel Abreu Sardenberg (1947)
ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG é um expressivo poeta, trovador e jurista fluminense, amplamente reconhecido por sua profunda ligação cultural e afetiva com o município de São Fidélis. Nasceu em Santo Antônio de Pádua, RJ, em1947. Embora tenha nascido em Pádua, viveu sua infância no distrito de Ipuca, em São Fidélis / RJ, cidade que adotou como seu verdadeiro lar, onde construiu sua família e estabeleceu suas principais raízes comunitárias. Atuou como Advogado Civilista e Consultor Jurídico. Devido à sua intensa participação social, serviços e relevância cultural na "Cidade Poema", recebeu o título de Cidadão Honorário de São Fidélis, concedido formalmente pela Câmara Municipal.
Conhecido pelo pseudônimo e marca de seu espaço lírico "Alma de Poeta", Sardenberg destaca-se como um exímio trovador e poeta romântico. Sua escrita é marcada pelo lirismo clássico, versos rimados e temas bucólicos. Ele canta com sensibilidade sobre a natureza (pássaros, flores), as reminiscências da infância, o amor e, acima de tudo, a profunda saudade de sua terra natal e do cotidiano interiorano. Teve forte atuação e inserção nos movimentos de difusão poética do início da era digital, integrando núcleos como a Academia Virtual Brasileira de Letras (AVBL). No cenário regional e físico de São Fidélis, representou patronos e cadeiras em comemorações e saraus históricos de fomento às letras (como a representação do Patrono nº 21, Theodoro Gouvêa de Abreu). Suas conquistas se concentram no reconhecimento público regional. Ele foi um dos idealizadores, apoiadores e organizadores de destaque do I Encontro Nacional de Poesias de São Fidélis, evento que movimentou e premiou a vertente da trova nacional e uniu poetas de diversos estados brasileiros.
Dedicou-se intensamente tanto ao formato físico quanto à transição para a literatura digital, sendo pioneiro na criação de plataformas virtuais para poetas independentes: Reminiscências Poéticas (Livro Virtual/Antologia de poesias e trovas); Publicou dezenas de folhetos, coletâneas em formato multimídia (poemas declamados e apresentações em PPS), além de possuir vasta participação em Antologias Poéticas coletivas ao lado de outros trovadores do Rio de Janeiro e de Minas Gerais; Seu site, o Sardenberg Poesias (Alma de Poeta) (http://www.sardenbergpoesias.com.br/principal.htm), tornou-se uma espécie de biblioteca viva que imortalizou sua produção literária ao longo dos anos.
A relevância de Antonio Manoel Abreu Sardenberg reside no seu papel de preservador e dinamizador da identidade cultural de São Fidélis. Em uma época em que a poesia regional corria o risco de ficar restrita aos saraus físicos de interior, ele utilizou a internet e encontros nacionais para projetar o município fluminense de volta ao cenário nacional como a legítima "Cidade Poema". Sua importância se consolida em duas frentes: a manutenção da tradição da Trova (uma das formas poéticas mais democráticas e populares da nossa língua) e a sua generosidade em abrir espaços em seus portais e eventos para que novos e antigos poetas pudessem publicar suas obras, descentralizando a produção literária dos grandes eixos capitais.
(Poemas enviados pelo poeta)

Nenhum comentário:
Postar um comentário