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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Izo Goldman (Trovas Humorísticas)


A cozinha da maloca
é tão baixinha e apertada,
que, na panela, a pipoca,
não pula... fica sentada!!!
= = = = = = = = = = =

A mini saia amarela
da professora, eu bendigo...
pois, em frente à mesa dela
é que eu fiquei de castigo!...
= = = = = = = = = = = = = =  

A mulher do carvoeiro
diz que o marido é uma... "graça".
pois faz fogo o dia inteiro
mas, de noite, é só fumaça…
= = = = = = = = = = =

A noiva esconde a... "cintura"...
com as dobras do vestido;
e, na igreja, alguém murmura:
– Casório... pré concebido...
= = = = = = = = = = = = = =  

A noiva, por ironia,
na mala só vai levar
a camisola-do-dia,
que à noite... nem vai usar...
= = = = = = = = = = =

Ao galo meio inibido,
diz a pata sem recato:
–  Não tenha medo, querido,
meu marido é mesmo um... pato!!!
= = = = = = = = = = = = = =  

Ao ver um vulto suspeito,
o ciumento não poupa:
dá dois tiros bem no peito
do espelho do guarda-roupa…
= = = = = = = = = = = = = =  

Cara cheia... Perna bamba,
ele mesmo se conforta,
olha a rua e diz: – "Caramba!"
Nunca vi rua mais torta!..."
= = = = = = = = = = = = = =  

"Casamento... – alguém já disse –
é chegar à encruzilhada
onde acaba a criancice
e começa a criançada..."
= = = = = = = = = = = = = =  

"Causa mortis" de um otário:
alergia ou resfriado.
Espirrou dentro do armário,
e o marido estava armado!
= = = = = = = = = = = = = =  

Da vaidade ela se exime,
é gorda mas não se importa.
Em vez de fazer regime,
mandou aumentar a porta!
= = = = = = = = = = = = = =  

Diz a vaga-lume ordeira
ao vaga-lume estouvado:
– Não me sentes na cadeira
que me queimas o estofado!...
= = = = = = = = = = =

Diz ela, sem esperança:
– Toda noite eu armo o... "bote",
mas, quando tento a... "cobrança",
meu marido... dá o calote!
= = = = = = = = = = =

Diz o Zezinho, zangado,
do zero que recebeu:
– Não acho que escreva errado,
se escrevo, o "pobrema" é meu!...
= = = = = = = = = = = = = =  

É tão magro que de frente,
parece que está de lado,
e de lado, simplesmente,
nem pode ser avistado...
= = = = = = = = = = = = = =  

Explicava, minha amiga,
os muitos filhos que tem:
– "De dia o marido briga,
de noite... fica de bem..."
= = = = = = = = = = = = = =  

Ficou rico o Zé Maria
na seca do Juazeiro,
vendendo "fotografia
de chuva"... por "dois cruzeiro"…
= = = = = = = = = = = = = =  

Foi bem no peito a pedrada!!!
E o Manoel não gostou!!!
Vira pra trás, voz zangada,
e pergunta: "Quem jogou?...”
= = = = = = = = = = =

Grita o ajudante "fiel"
ao pintor, lá na calçada:
– Se segura no pincel
que eu vou precisar da escada!
= = = = = = = = = = =

Minha sogra está doente,
e o diabo apavorado!
Se ela morre de repente,
ele está desempregado!...
= = = = = = = = = = =

Na briga que o meu cabelo
e a careca estão travando,
lamento ter dizê-lo,
a careca está ganhando...
= = = = = = = = = = = = = =  

Não melindre os portugueses!
Conte as piadas assim:
– Era uma vez dois chineses...
Manoel e Joaquim...
= = = = = = = = = = =

No paraquedas, fechado,
uma etiqueta dizia:
– "Se falhar ao ser usado,
reclame. Tem garantia..."
= = = = = = = = = = = = = =  

No seu discurso que cansa,
o candidato ao Congresso
me lembra que "a inguinorança"
é que "astravanca o pogresso"...
= = = = = = = = = = = = = =  

O genro, com voz macia,
chama a sogra de... "Charada..."
Pensando: – Quem sabe um dia,
alguém "mata" a desgraçada!…
= = = = = = = = = = =

O pai da moça, que é mau,
chega em casa e acaba o "baile"...
É que o Zé, "cara-de-pau",
tava namorando em... "braile"!!!
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O parafuso anda cheio,
pois tem o corpo enrolado,
cabeça partida ao meio
e vive sendo apertado...
= = = = = = = = = = = = = =  

Pergunta o padre ao noivinho:
– "É de espontânea vontade?"
e ele respondeu baixinho:
– "Não senhor... necessidade!..."
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Pergunta o pai bigodudo,
com a voz meio engasgada:
– Quem foi que pôs cola-tudo
no pote da marmelada?…
= = = = = = = = = = =

"Pratos rápidos", dizia,
lá no boteco o cartaz;
e quando o prato saía,
o freguês corria atrás!!!
= = = = = = = = = = =

Pulando do nono andar,
o otimista diz a alguém
que, no quarto, o vê passar:
– Até agora... tudo bem!!!
= = = = = = = = = = =

Quando abraço mulher feia
que não seja minha amiga,
ou estou de "cara cheia"
ou separa... porque é briga…
= = = = = = = = = = = = = =  

Quando pergunta o burrinho,
diz a mula, envergonhada:
– "Tu nasceste, meu filhinho,
por causa de uma... burrada!..."
= = = = = = = = = = = = = =  

Sai do museu, braço dado
com sua sogra, o Sinfrônio;
e o guarda grita, alarmado:
"Tão roubando o patrimônio!"
= = = = = = = = = = = = = =  

Se a gente fosse dar crédito
ao que diz a maioria,
só de “autor de livro inédito"
tinha uns mil na Academia!...
= = = = = = = = = = =

Se ao telefone um amigo
me pede "algum" emprestado,
eu disfarço a voz e digo:
– Senhorrr ligarrr enganado!...
= = = = = = = = = = = = = =  

Se a saudade fosse pão,
eu simplesmente poria
na porta do coração
esta placa:  "Padaria"!
= = = = = = = = = = =

Tenho medo de mulher
com marido, e mesmo sem...       
– da solteira, porque quer...
– da casada, porque tem...
= = = = = = = = = = = = = =  

Todo "barbeiro" sustenta
que a batida foi assim:
– Veio um poste a mais de oitenta,
na contra-mão, contra mim!...
= = = = = = = = = = = = = =  

Tomou Viagra... Fracasso...
Foi cobrar de quem vendeu:
– E agora, como é que eu faço???
– Enterra! Que já morreu!!!
= = = = = = = = = = =

Vai bem o namoro, até
que o pai dela chega, e então,       
o garotão dá no pé
e a moça fica... na mão…
= = = = = = = = = = =

Vai haver muito freguês
no dia em que alguém disser:
– ”Pague duas, leve três!!!”
e, o “produto”, for... mulher...
= = = = = = = = = = =

"Vem aí um furacão!!!,
avisa a rádio, – Cuidado!!!"
E o genro, por precaução,
põe a sogra... no telhado!!!
= = = = = = = = = = =

Vendo alguém varrer o chão,
ele deita de comprido
e dá logo a explicação:
"Quero ser... doido varrido..."
= = = = = = = = = = = = = =  

Vida de pobre é engraçada,     
ou é dura e divertida:
enquanto dança lambada,
leva “lambadas” da vida...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
IZO GOLDMAN foi um dos mais expressivos e emblemáticos nomes do movimento trovadoresco no Brasil. Considerado um verdadeiro ícone da União Brasileira de Trovadores (UBT), ele dedicou décadas de sua vida à defesa, produção e difusão da trova (poema de quatro versos heptassílabos com rimas). Nasceu em 1932, na cidade de Porto Alegre/RS, faleceu aos 80 anos, em 2013, na cidade de São Paulo/SP. Além de sua terra natal, viveu no estado do Rio de Janeiro (em [Niterói], onde descobriu a trova e, a partir de 1976, fixou residência definitiva na capital de São Paulo. Fora do meio literário, atuou por muitos anos na área corporativa e de recursos humanos, trabalhando como instrutor de dinâmicas de grupo e relações humanas. Foi justamente em um bilhete enviado a uma de suas alunas durante um desses cursos que ele compôs sua primeira trova, sem saber. 
Conheceu oficialmente a trova literária em 1972, por intermédio da trovadora Magdalena Léa, em Niterói. Ingressou na União Brasileira de Trovadores (UBT) em 1974. Ao mudar-se para a capital paulista em 1976, assumiu o desafio de reativar a Seção da UBT em São Paulo, da qual foi presidente estadual por muito tempo. Também ocupou o prestigiado cargo de Secretário da UBT Nacional. Criou o tradicional "Boletim Informativo" da UBT/SP, um periódico que editou por mais de 30 anos e que se tornou vital para conectar trovadores de todo o país.
Izo Goldman foi um dos competidores mais vitoriosos em concursos literários de trovas do país. Ao longo de sua carreira, acumulou entre cerca de 900 premiações em diversos Jogos Florais nacionais. Entre os seus títulos honoríficos de maior prestígio destacam-se: Título de "Magnífico Trovador" concedido pela UBT de Nova Friburgo (RJ); Título de "Notável Trovador" concedido pela UBT de Pouso Alegre (MG); Recebeu por duas vezes o cobiçado Prêmio "Lilinha Fernandes" concedido pela UBT de Porto Alegre.
Embora sua produção estivesse espalhada por centenas de antologias de Jogos Florais, ele organizou e publicou a sua principal obra em vida: Trovas de quem ama a Trova (Lançado originalmente entre 2007 e 2008) — Obra que sintetiza seu estilo poético lírico, filosófico e, por vezes, espirituoso. Escreveu também o Jogral em Trovas, uma composição performática que chegou a ser utilizada como aula inaugural no Curso Superior de Literatura de Bragança Paulista.
A relevância de Izo Goldman reside no fato de ter sido um dos principais batalhadores e guardiões do movimento trovadoresco brasileiro moderno. Sua contribuição vai além dos próprios versos premiados: Ao reerguer a UBT em São Paulo e fundar o informativo impresso, manteve viva a chama da poesia popular no maior centro urbano do país. Ficou conhecido por defender rigidamente a pureza técnica da trova (metrificação, rima e ritmo) com uma personalidade contundente e apaixonada. Apoiou iniciativas de renovação e inclusão da juventude na poesia, ajudando a garantir que a tradição literária das trovas continuasse viva para as próximas gerações.

Fonte:
Izo Goldman. Trovas de quem ama a trova.
Biografia = Folha de São Paulo, Recanto das Letras, Kakinet, Oceano de Letras, etc.

Luiz Gonzaga da Silva (Trova e Cidadania) 2: Abandono


Oh, Papai Noel, inclua, 
um pedido em seu caminho:
- Dê à criança de rua, 
um pouquinho de carinho!
José Feldman - PR

O abandono é a marca dominante da nossa sociedade. Os estados abandonam seus cidadãos, os governos abandonam seus governados, os ricos abandonam os pobres. A pobreza desestrutura as famílias, que abandonam seus filhos.

Sem rumo e sem esperanças,
vagando pelas cidades,
seguem as nossas crianças
a sofrer atrocidades.
Gonzaga da Silva - RN

É mais fria a madrugada
e muito mais triste o outono
dos que caminham a estrada
das montanhas do abandono.
Rodrigues Neto - RN

Bem mais triste que o lamento
de um velho e rouquenho sino
é o de quem dorme ao relento
sobre o leito do destino.
Sebastião Soares - RN

Dói bem mais que a própria dor
o desumana suplício
de quem tem por cobertor
a sombra de um edifício.
Sebastião Soares - RN

No abandono das marquises,
meninos dormem de mão,
fingindo que são felizes
nos braços da solidão.
Flávio Roberto Stefani - RS

O abandono é sobretudo trágico para as crianças. O Brasil tem 14 milhões de crianças e adolescentes na miséria. Crianças e adultos caçam restos de alimentos nos lixões para sobreviver.

Na mesma rua onde os nobres
desfilam pompa e capricho,
se encontram crianças pobres
entre montanhas de lixo.
Elen de Novais Félix - RJ

As criancinhas errantes,
sem pai, sem mãe, sem guarida,
são espumas flutuantes
nas torrentes desta vida.
Sebastião Soares - RN

Apontam-se como possíveis causas do aumento da violência no Brasil o abandono dessa grande parcela da população. Diante do desespero muitas crianças e adolescentes, para sobreviverem, tornam-se presas fáceis do crime.

A criança abandonada,
na rua a perambular,
é uma semente plantada
que no crime vai brotar.
Francisco Bezerra - RN

A criança abandonada,
sem pai, sem teto, sem pão,
tem a violência estampada
no rosto e no coração.
Luiz Machado Stabile - RS

Dê-se a devida assistência
à criança abandonada,
e a lágrima da violência
jamais será derramada.
Revoredo Netto - RN
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
LUIZ GONZAGA DA SILVA é um respeitado trovador e articulador cultural radicado em Natal/RN. No universo da poesia clássica e das competições de trovas, ele se destaca como uma das figuras mais ativas do movimento trovadoresco do Nordeste brasileiro.  Nasceu em São José do Campestre/RN, em 1940. Aos doze anos sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, mudando definitivamente para Natal/RN, em 1975, onde reside até hoje e concentra suas atividades literárias e profissionais. É um dos principais pilares da trova em Natal. Ele atua frequentemente como coordenador, organizador de certames e interlocutor da poesia potiguar com trovadores de todo o Brasil. É um mestre na composição da trova tradicional. Seus versos transitam com facilidade entre o lirismo filosófico, o amor ao chão nordestino e o humor sutil. Por sua competência técnica e sensibilidade, acumula premiações e classificações de destaque em concursos nacionais de trovas promovidos por diferentes ramificações da trova no Brasil. Atuação como Julgador e Coordenador: É recorrentemente convidado para presidir comissões julgadoras ou coordenar concursos de âmbito nacional, avaliando trovas enviadas por poetas de todas as regiões brasileiras sob temas específicos.
Entre suas contribuições impressas para a preservação do movimento poético, destaca-se: "Trova e Cidadania" (Natal/RN): Obra que reúne parte de sua sensibilidade poética e reflete sobre o papel social da poesia na construção da cidadania; Coletâneas Didáticas: Participação ativa em antologias locais e nacionais, além de registrar suas produções na antologia digital coletiva A Trova Potiguar.
A relevância de Luiz Gonzaga da Silva concentra-se na salvaguarda e difusão da trova na Região Nordeste. Em uma era dominada por versos livres e mídias rápidas, o trabalho de preservação das formas poéticas fixas (como a trova e o soneto) exige dedicação e paixão. Ao capitanear concursos nacionais a partir do Rio Grande do Norte, ele insere o estado na rota dos grandes trovadores do país, garantindo que a tradição lírica originada em solo potiguar permaneça vibrante, acessível e atraente para as novas gerações de escritores.

Fonte:
Luiz Gonzaga da Silva (org.). Trova e Cidadania. Natal/RN, abril de 2019. Livro enviado pelo autor.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Lucília A. T. Decarli (Trovas Diversas)


1
A mensagem do poeta,
por muitos despercebida,
de forma sábia e completa
exalta a essência da vida!
2
Ante um fato contundente,
não podendo fazer nada,
é nas mãos do Onipotente
que eu coloco a minha estrada.
3
Antes que a vida se acabe,
não seja vão o viver
e aquilo que não se sabe,
que se comece a aprender.
4
As cinzas, na quarta-feira,
servem para nos lembrar
que esta vida é passageira
e que ao pó vamos tornar…
5
Da sua casa ao cartório
apenas um quarteirão...
Dada a preguiça, o casório
se fez por procuração.
6
Decretaste uma sentença
bem cruel, na despedida,
ao privar-me da presença
que era tudo em minha vida!
7
Deixando em mim forte anseio
pelo seu jeito de amar,
você se foi como veio:
- numa noite de luar!
8
Desde os tempos mais pagãos,
mulher, revelas quem és...
O mundo sempre nas mãos
e sempre um homem... aos pés!
9
Desprovida de coragem
não pude o amor declarar,
mas minha muda mensagem
estava escrita no olhar!
10
De volta, naquela viagem,
carregando o olhar tristonho,
via de perto a paisagem,
mas bem distante o meu sonho...
11
Envolvidos em discórdia,
a Deus pedimos perdão
e a "Eterna Misericórdia"
responde "sim"... de antemão!
12
Esta paixão, minha e tua,
transcende em cada arrebol…
Se é noite, ao clarão da lua,
e se é dia, à luz do sol!
13
Este ciúme, meu tormento,
brota em lágrimas veladas,
que, independente do intento,
revolvem "águas passadas"...
14
Foi pirraça inusitada
aquela da sogra à nora:
ficou com ela abraçada
para passar catapora!...
15
Levo pela vida afora
este dilema sem fim:
o "sim" que eu neguei outrora
fez mal ou bem para mim?!...
16
Mesmo em escrito disperso,
nossa língua portuguesa,
seja em prosa, seja em verso,
reveste-se de beleza!
17
Musa de tantos amores,
neles, inspirada a lua,
repete ao sol sem temores:
– “Incendeia-me… sou tua”!
18
Não conhece despedidas,
nem discórdias, nosso teto:
- é que ligam nossas vidas
os laços fortes do afeto!
19
Não sei se todos ponderam
a troca que o livro traz:
- grandes homens o fizeram,
grandes homens ele faz!
20
Na rua a multidão passa...
Humanos, juntos - é  certo -,
mas, vejo, pela vidraça,
cada qual no seu deserto.
21
Nas ruas de minha vida,
cada esquina uma lição,
e em cada etapa vencida,
muito zelo… de antemão!
22
Nau partindo – céu aberto,
nas verdes águas do mar;
navega com rumo certo
na incerteza de chegar!…
23
Nem sempre vamos vencer
nessa ou naquela disputa...
O que importa é não perder
a coragem para a luta!
24
No bilhete em que disseste:
"vou, mas volto sem demora",
por descuido não puseste
nem o dia nem a hora...
25
Nos ombros dilacerados
Tu carregaste, Senhor,
o peso dos meus pecados
e o meu vazio... de amor!
26
Nossa amizade é tão forte
que eu ouso exemplificar:
– se um corre risco de morte,
o outro morre em seu lugar!…
27
O café, condecorado
por ter sabor sem igual,
hoje, fato consumado:
– é bebida universal!
28
O destino, em nossas vidas
trouxe o reencontro, depois
das distâncias percorridas
nos caminhos de nós dois
29
O relógio, sem piedade,
marcando o tempo inclemente,
foi transformando em saudade,
a esperança decrescente…
30
Os abraços das chegadas
e os abraços das partidas,
com tantas datas marcadas,
vão marcando as nossas vidas!
31
O terapeuta sugere:
- “Apimente” a relação!
Mas a mulher interfere:
- “Tô fora! Pimenta não!
32
Para enxergar a cobiça
e amparar prejudicados,
não deveria, a Justiça,
manter seus olhos vendados!
33
Por nunca amar quem me ama
e amar quem nunca me quis,
as feridas do meu drama
deixam dupla cicatriz...
34
Prisioneira deste encanto
que transmite o teu olhar,
preciso fugir, no entanto,
não quero me libertar!
35
Quando fingir é preciso,
seriamente eu me concentro:
– levo na face um sorriso,
enquanto eu choro por dentro.
36
Quando vens, só de passagem
no escasso tempo, mas pleno,
o amor faz grande a coragem
e o medo fica pequeno!..
37
Quem julga o seu semelhante
carrega pedras na mão
e o que odeia a todo instante,
as guarda em seu coração!
38
Quero ser como o coqueiro,
que não desiste, jamais;
mesmo envergado, altaneiro
à fúria dos vendavais!
39
Repasso o livro da vida...
Nessas páginas viradas,
reverti muita partida
em momentos de chegadas!..
40
Sanar miséria contida
no coração do indigente,
não consiste em dar comida,
mas tratá-lo como gente!
41
Se és menos corpo, mais alma,
se o mundo te fez ancião,
leva no semblante a calma
de ver findando a missão.
42
Sendo a existência pautada
com regras de retidão,
que a marca maior da estrada
seja os passos do perdão!…
43
Se viveres, amiúde,
longas noites de boemia,
perderás tua saúde
e para sempre a alegria…
44
Todo homem tem na mulher
um mistério a desvendar:
- sempre ela sabe o que quer,
mas nem sempre quer falar!...
45
Vigiando o companheiro
ela fica no seu pé;
só se afasta indo ao banheiro,
mesmo assim, de marcha a ré...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
LUCÍLIA ALZIRA TRINDADE DECARLI é uma das mais respeitadas poetisas e trovadoras do estado do Paraná, amplamente reconhecida pelo seu domínio técnico e dedicação às formas poéticas clássicas. Nasceu em Bandeirantes (PR), em 1939. Diferente de muitos escritores que migram para os grandes centros urbanos, Lucília manteve suas raízes fincadas em sua terra natal, onde fixou residência e desenvolveu toda a sua trajetória de vida, familiar e artística. Na vida profissional, Lucília dedicou-se à educação. Atuou como professora por 34 anos antes de se aposentar. Sua carreira no magistério foi fundamental para moldar seu profundo vínculo com a Língua Portuguesa e com a formação cultural e literária de gerações de estudantes paranaenses. 
Sua vida literária é marcada pelo ativismo cultural na defesa da poesia clássica, com destaque especial para a trova (poema de quatro versos setessílabos com rimas alternadas) e o soneto. Lucília é uma das principais lideranças do movimento trovadoresco do Sul do país.
Membra-fundadora da Academia de Letras, Ciências e Artes de Bandeirantes, membra da Academia Brasileira de Sonetistas Clássicos. Atuou historicamente como dirigente da UBT – Seção Bandeirantes, onde exerceu os cargos de Vice-Presidente de Cultura e Presidente, sendo responsável atualmente pela organização de concursos literários e Jogos Florais nacionais e internacionais na região.
Lucília acumulou dezenas de premiações de prestígio em concursos por todo o Brasil. Sua produção literária está eternizada em livros de antologias poéticas, coletâneas da Academia Bandeirantense (ALCAB) e e-books especializados de concursos literários por todo o país. Textos marcantes de sua autoria integram livros e coletâneas como os Jogos Florais de Bandeirantes e os livros oficiais da UBT. Sua identidade poética se traduz em versos profundos sobre o tempo, a saudade e a vida,
A relevância dela para a literatura nacional reside na preservação e descentralização da cultura literária. Em um país onde a literatura de destaque frequentemente se concentra nas capitais, Lucília transformou a cidade de Bandeirantes, no interior do Paraná, em um polo pulsante da trova nacional. Ao liderar a UBT e a ALCAB, ela garantiu que a tradição lírica herdada de nomes como Luiz Otávio continuasse viva, conectando poetas de todas as regiões do Brasil a concursos promovidos no interior do Paraná. Sua contribuição é a de uma guardiã da técnica poética e da sensibilidade, provando que a alta literatura brasileira também se faz com dedicação comunitária e paixão pelas palavras.

Biografia = Folha do Norte do Paraná, UBT-Recife, Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro-Sul do Paraná, Dário Indústria & Comércio, etc.

Edy Soares (Cristais Poéticos)


EPÍLOGO

Já sem querer mudar o mundo,
Sinto-me apenas um sentinela,
Um simples vigia.

Arrisco olhares pela janela.
É imenso, é profundo
O abismo da cidade fria.

Nem frestas, nem lampejos,
Nem luz no fim do túnel.
Até me fraquejo!
Nada vejo; nada espero!

Ao que me parece,
No intervalo de cada prece,
Assim como as mentes,
As ruas ficaram vazias.

Sem luta, sem luto,
Sem recompensa,
Se finda a história.

Não há música,
Ninguém toca,
Ninguém mais escuta,
Não há mais, sequer,
Quem movimente a batuta.
* * * * * * * * * * * * * * * *  

JANGADEIRO

Jangadeiro na noite escura,
Sem vela, sem armadura,
Sem remo, perdeu o norte.
Tá entregue ao acaso e à sorte.

Jangada que sob os pés se desfaz,
Socorro que não chega mais,
Pois a esquadra perdeu seu dono,
E os fuzileiros caíram no sono.

Tempestades que trazem medo,
Mares de céu cinzento,
Jangadeiro pede socorro,
À deriva vai noite adentro.

Na terra, ficou sem chão;
No mar, quase sem jangada
à procura de peixe ou pão,
Perdeu-se da enseada.
* * * * * * * * * * * * * * * *  

O SILÊNCIO

Silenciaram-se os sinos e buzinas,
O trem não mais saiu da estação.
Folhas vagam sopradas nas calçadas,
Faz algum tempo...
Muito tempo, desde aquele último clarão.

Da janela, nunca mais trancada,
A vista da rua gélida, fantasma.
Nada que tenha vida ou movimento,
A não ser coisas que o vento ainda sopra.

Imagens na memória, longínquas,
De pessoas sentadas na praça,
E gritos infantis nunca mais ouvidos,
Somente o ruído do vento que passa.

A lua...
Ah! A lua parada no céu,
Até o sol, não mais movimenta,
Parece que a terra agarrou em sua órbita,
Nem sei se é ela, ainda um planeta.

Apalpo nas coisas, me apalpo a toa,
Que susto!...
Nada sinto! Nada sinto!
Estou abstrato, não toco nem grito,
Não tenho um formato, tá tudo esquisito.

Pouco a pouco arisco, arrisco um grito,
Nada sai da garganta, me vem um arrepio!
Não há marcação de tempo, só ouço o vento,
Não há mais dia ou noite... Ficou infinito.
* * * * * * * * * * * * * * * *  

QUANDO A ALMA SE VAI

Um dia a alma acorda,
Bate asas e vai-se embora.
Aqui ela deixa apenas
Saudades nos olhos que choram.

Se vai pra lugar distante,
Repousar em outras esferas,
Preparar, talvez, lugares
Pra outras que aqui esperara.

De onde veio é incógnita,
Aonde vai não se sabe.
Se encontra lugar melhor,
Em nosso pensar não se cabe.

Se aonde vai é eterno,
A alma não é pequena,
Mas grande se prende ao fato
De que a vida aqui vale à pena.
* * * * * * * * * * * * * * * *  

REBANHO PERDIDO

Estourada boiada, sem rumo,
Berrante que não ecoa,
Manada que, sem um norte,
Se perde correndo à toa.

Sem um campeiro nobre,
Condutor que conhece a trilha,
Tem lugar, tantos errantes,
Que entregam o rebanho à matilha.

Não andam mais, perfilados,
Dispersos e em desatino,
Pisoteia-se toda a manada.

Qual rebanho que, sem campeiro,
Em trote, vão sem destino
Ou perdidos em disparada.
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EDY SOARES (cujo nome de batismo é Edmardo Lourenço Rodrigues) é um poeta, sonetista clássico e trovador brasileiro. Nascido na cidade de Ibatiba/ES, em 1964, se destaca nacionalmente como uma das principais vozes da revitalização e preservação do movimento trovadoresco e do soneto clássico no Sudeste do Brasil. Nascido em solo capixaba e filho de pais agricultores, sua trajetória internacional e regional moldou sua vivência. Residiu nos Estados Unidos entre os anos de 1991 e 2006. Santo: Após retornar ao Brasil, fixou residência no município de Vila Velha/ES, onde vive, trabalha e mantém sua base de atuação cultural e empresarial. Paralelamente ao seu envolvimento de décadas com as letras, Edy Soares atua profissionalmente como empresário do ramo hoteleiro. Destaca-se por sua atuação em grandes eventos literários, tendo integrado ativamente as equipes de apoio, debates e programação da FLIC (Feira Literária Capixaba) nas edições de 2015, 2016 e 2017, além de participar da Bienal Capixaba do Livro.
Edy Soares possui uma vasta folha de serviços dedicados à comunidade literária de forma institucional, atuando de maneira marcante na liderança de agremiações de fomento à poesia. Exerceu o cargo de Presidente Estadual da UBT no Espírito Santo e presidiu a seção municipal em Vila Velha. Membro efetivo da Academia Brasileira de Sonetistas (ABRASSO); Membro da Academia Pan-Americana de Letras e Artes (APALA);* Acadêmico Correspondente da Academia Iunense de Letras (AIL); Membro da ASSEI (Associação de Escritores de Ibatiba), em sua terra natal.
O autor é amplamente reconhecido por dominar a técnica de formas poéticas fixas. Suas principais publicações incluem: Poemas, Canções e Sonetos; Flores no Deserto; Sonetos Sonantes; Três em Trovas (coautoria); Além de participação como prefaciador de obras regionais e publicação em dezenas de antologias e coletâneas literárias nacionais. Ao longo de sua trajetória na poesia acumulou importantes distinções, como Troféu Carlos Drummond de Andrade (2015): Recebido na histórica cidade de Itabira/MG, em reconhecimento à sua produção poética. Diploma Especial de Mérito Cultural concedido por academias literárias capixabas devido à sua dedicação e contribuição para a difusão da arte e das letras. Classificado recorrentemente em certames nacionais e internacionais e convidado frequente para compor comissões julgadoras de concursos de trovas.
A relevância de Edy Soares para a literatura contemporânea reside essencialmente no seu papel de preservador e articulador das formas poéticas tradicionais no Brasil. Em uma época literária amplamente dominada pelo verso livre, ele atua como resistência estética ao produzir e ensinar o soneto clássico e a trova. Mais do que produzir textos, sua importância manifesta-se no associativismo: ao liderar a UBT no Espírito Santo, ele ajudou a transformar a trova de uma prática de escrita solitária em um movimento coletivo forte. Edy estimula o surgimento de novos trovadores, organiza concursos de fomento à escrita rápida e sintética e atua ativamente conectando a literatura clássica às novas dinâmicas das redes sociais e feiras de livros modernas.

Fontes:
Edy Soares. Flores no deserto. Vila Velha/ES: Ed. do Autor, 2015. Livro enviado pelo poeta.
Biografia = Recanto das Letras, Academia Iunense de Letras, Facebook, Clério Borges, etc.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Jerson Brito (1973)


A melhor alternativa

para alcançar a vitória
é tornar a tentativa
atitude obrigatória!
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Aquela vila afastada,
nas brenhas do interior,
parece pobre... Que nada!
É manancial de amor…
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A riqueza genuína
da tapera ou da mansão
vem do amor que predomina,
não se mede com cifrão.
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Da minha infância tranquila
recordo, os olhos marejo.   
Mil vezes aquela vila
do que concreto e azulejo!
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Digo com sinceridade:
É melhor pro coração,
o amargor duma verdade,
do que o mel d’uma ilusão
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Ela é charmosa e pequena,
concisa, porém, completa.
Eis a trova, expressão plena
da mensagem do poeta.
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Esperança assim defino:
rio que corre veloz,
banhando nosso destino
sem chegar à sua foz.
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Existe um tênue limite
entre paixão e loucura;
para as duas, acredite
não é fácil ter a cura.
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Faltou bronze ao escultor
que, sem outra solução,
resolveu, na praça, expor
a estátua do herói anão!…
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- Fui bronze! Missão cumprida!
Disse o sujeito aos parentes,
sem mencionar que a corrida
só tinha três concorrentes.
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Já tentei tirar de mim
a semente dessa flor,
que espalhou no meu jardim
o perfume do amor.
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Libertado das ruínas
de um amor sem solidez,
ao abrir outras cortinas,
meu coração se refez.
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Na crise, eu me fortaleço,
não perco os sonhos de vista;
toda queda é o recomeço
para quem crê na conquista!
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Na luta, quando entendido
o recado de um tropeço,
qualquer espinho vencido
escreve um fim... e um começo!
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Não maldiga o desafio
se a jornada é longa e dura;
a glória é fruto macio,
carregado de doçura.
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No baú da experiência,
guarde dor e alegria.
As lições dessa vivência
são úteis no dia-a-dia.
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Nossa paixão dissemina,
nos sonhos, a insanidade
quando surge, clandestina,
disfarçada de saudade.
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No teu sussurro extravasas
um sopro avassalador
que mantém vivas as brasas
da fogueira deste amor.
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O fracasso e a vitória
fazem parte do existir.
É normal na trajetória,
de vez em quando cair.
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Olhando estas mãos feridas,
lamento, orgulhoso, as falhas
e não as chances perdidas
no decorrer das batalhas!
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O vivente caminheiro,
se palmilha senda escura,
na esperança tem luzeiro
que no coração fulgura.
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Qual cometa incandescente,
a paixão passa e se vai,
deixa no peito da gente
uma dor que nunca sai.
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Quem se empenha na leitura
nada perde e tem certeza
de que, para a mente escura
livro aberto é luz acesa.
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Se de rancor está cheio
nosso coração doente,
estão vazias, eu creio,
a nossa alma, a nossa mente.
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Sentindo o golpe certeiro
da paixão que me extasia
louvo teu sorriso, arqueiro
de notável pontaria.
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Se o fracasso tem dois lados,
vale muito a decisão;
chorar os planos frustrados
ou bendizer a lição.
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Se põe fogo em nossa cama,
amor, esse teu perfume
é a mesma essência que inflama
o facho do meu ciúme!
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Será crescente a desgraça
da fome e grande o lamento
enquanto existir quem faça
da ganância um alimento.
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Sobre opiniões e crenças,
a sensatez nos diria
que o respeito às diferenças
tece teias de harmonia.
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Somos almas garimpeiras
nessa vida de perigos
onde, em lavras rotineiras,
valem ouro os bons amigos.
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Tentei enxugar meu pranto
na fronha do travesseiro.
Péssima ideia, porquanto
chorei mais, senti teu cheiro…
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Um amor especial
trouxe a flecha do cupido,
a saudade, esse punhal,
fez meu coração partido.
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Um cenário me devasta:   
a garrafa de champanhe,
duas taças, vela gasta
e ninguém que me acompanhe.
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        JERSON LIMA DE BRITO é um dos principais expoentes contemporâneos da poesia clássica, do soneto e da trova na Região Norte do Brasil, amplamente reconhecido por sua maestria técnica e dedicação à preservação das formas poéticas tradicionais. Nasceu em Porto Velho, no estado de Rondônia, em 1973. Sempre residiu em sua cidade natal, filho de José Brito e Maria Ducevalda. Graduou-se em Administração e em Direito pela Fundação Universidade Federal de Rondônia. Atua desde 1996 como servidor público federal, exercendo o cargo de Técnico Federal de Controle Externo na Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU), em Rondônia.
Teve o primeiro contato com a poesia métrica na infância por meio dos folhetos de cordel que seu pai comprava. Consolidou-se na fase adulta como um exímio sonetista, trovador e cordelista, dedicando-se rigorosamente à rima, à métrica e ao lirismo clássico. É uma liderança ativa no movimento da trova nacional, atuando como Delegado da UBT na capital rondoniense. É um autor muito ativo na plataforma literária [Recanto das Letras], onde compartilha milhares de composições. Membro fundador da Academia Brasileira de Sonetistas Clássicos (ABSC), integrante ativo do Fórum do Soneto. Acumula dezenas de premiações de destaque em certames de Sonetos e Trovas pelo Brasil. Embora o autor concentre grande parte de seu acervo em coletâneas nacionais da trova, antologias poéticas e portfólios digitais de longo alcance, ele possui mais de 2.000 textos publicados na web focados na difusão da trova e do cordel.
A relevância de Jerson Lima de Brito reside em descentralizar a poesia clássica, provando que a tradição do soneto rígido e da trova rimada pulsa com força fora do eixo literário do Sudeste. Como delegado da trova e membro da ABSC, ele atua diretamente na formação de novos leitores e escritores na Amazônia Ocidental. Ele resgata a herança cultural do cordel nordestino trazida por seus antepassados e a funde com a identidade rondoniense, mantendo viva a riqueza da poesia metrificada na literatura contemporânea do Brasil.
Fontes:
Messias da Rocha (org.). Múltiplas palavras vol. III. Juiz de Fora/MG: Ed. dos Autores, 2022.
Livro enviado por Lucília Trindade Decarli

Luiz Gonzaga da Silva (Trova e Cidadania) 1 – Conceito de Cidadania

Nota do blog:
Recebi do trovador potiguar Gonzaga da Silva o livro Trova e Cidadania, onde ele organiza uma compilação de trovas de trovadores de diversas regiões referentes a tópicos que envolvem a Cidadania. A partir de hoje coloco no blog, periodicamente alguns tópicos em trovas do excelente livro deste trovador. 
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CONCEITO DE CIDADANIA

O termo cidadania deriva do latim civitas, cidade. O conceito tem origem na Grécia antiga e designava o exercício dos direitos e deveres de cidadão, ou seja, do sujeito que vivia na cidade e que participava ativamente dos negócios e das decisões políticas. Entretanto, mesmo na Grécia, nem todos eram considerados cidadãos, ficando excluídos desta categoria os escravos, as mulheres, as crianças e os estrangeiros.

Atualmente, o termo cidadania está mais relacionado ao exercício dos chamados direitos fundamentais ou direitos humanos, previstos nos Tratados internacionais e nas Constituições dos estados. Mas esta previsão não assegura, por si só, o direito de cidadania.

Neste mundo de defeito,
no perpassar destes anos,
vivemos sem ter direito
aos tais "direitos humanos"!
Aloísio Bezerra - CE

Para os que seguem sozinhos,
descalços e combalidos,
que importa ter mil caminhos
se todos são proibidos?
Amália Max - PR

É necessário um esforço contínuo dos cidadãos para que os seus direitos sejam efetivados e respeitados. Nossos trovadores dizem o que é cidadania e como ela pode ser exercida.

Cidadania é civismo;
sobretudo é comunhão:
é ajuda mútua, é altruísmo,
partilha Justa do pão!
A. A. de Assis - PR

Exerce a cidadania
quem faz valer seu direito
e luta, no dia a dia,
por um mundo mais perfeito!
Renata Paccola - SP

Exercer cidadania,
em meio à desigualdade,
é conquistar, dia a dia,
um quinhão de liberdade!
Marisa Vieira Olivaes - RS

Exercer cidadania
é postar-se vigilante,
e com serena ousadia
lutar pelo semelhante.
Gonzaga da Silva - RN

Cidadania é o dever
do ser humano exemplar
gritar, com o seu poder,
por quem não pode gritar!
José Valdez de Castro Moura - SP

Com sentimento profundo
de pura cidadania
é que um povo afirma ao mundo
a sua soberania.
Sandro Pereira Rebel - RJ

Cidadania, em seus pleitos,
toda a grandeza contém
no conjunto dos direitos,
mas de deveres também.
Alonso Rocha - PA

Cidadania se exerce
com consciência e respeito,
pois se assenta no alicerce
do dever e do direito...
Élbea Priscila Souza e Silva - SP
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LUIZ GONZAGA DA SILVA é um respeitado trovador e articulador cultural radicado em Natal/RN. No universo da poesia clássica e das competições de trovas, ele se destaca como uma das figuras mais ativas do movimento trovadoresco do Nordeste brasileiro.  Nasceu em São José do Campestre/RN, em 1940. Aos doze anos sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, mudando definitivamente para Natal/RN, em 1975, onde reside até hoje e concentra suas atividades literárias e profissionais. É um dos principais pilares da trova em Natal. Ele atua frequentemente como coordenador, organizador de certames e interlocutor da poesia potiguar com trovadores de todo o Brasil. É um mestre na composição da trova tradicional. Seus versos transitam com facilidade entre o lirismo filosófico, o amor ao chão nordestino e o humor sutil. Por sua competência técnica e sensibilidade, acumula premiações e classificações de destaque em concursos nacionais de trovas promovidos por diferentes ramificações da trova no Brasil. Atuação como Julgador e Coordenador: É recorrentemente convidado para presidir comissões julgadoras ou coordenar concursos de âmbito nacional, avaliando trovas enviadas por poetas de todas as regiões brasileiras sob temas específicos.
Entre suas contribuições impressas para a preservação do movimento poético, destaca-se: "Trova e Cidadania" (Natal/RN): Obra que reúne parte de sua sensibilidade poética e reflete sobre o papel social da poesia na construção da cidadania; Coletâneas Didáticas: Participação ativa em antologias locais e nacionais, além de registrar suas produções na antologia digital coletiva A Trova Potiguar.
A relevância de Luiz Gonzaga da Silva concentra-se na salvaguarda e difusão da trova na Região Nordeste. Em uma era dominada por versos livres e mídias rápidas, o trabalho de preservação das formas poéticas fixas (como a trova e o soneto) exige dedicação e paixão. Ao capitanear concursos nacionais a partir do Rio Grande do Norte, ele insere o estado na rota dos grandes trovadores do país, garantindo que a tradição lírica originada em solo potiguar permaneça vibrante, acessível e atraente para as novas gerações de escritores.

Fonte:
Luiz Gonzaga da Silva (org.). Trova e Cidadania. Natal/RN, abril de 2019. Livro enviado pelo autor.

Hely Marés de Souza (Tertúlia da Saudade)

A neve, o frio, a trincheira... o pracinha suportou. Pela honra brasileira ele não se intimidou. A nossa brava Nação, em festa de aniversári...