Trovadores em Ordem Alfabética

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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Apollo Taborda França (Tertúlia da Saudade)

 

1
A beleza da mulher
tem aura de alacridade…
Como a flor, um bem-me-quer,
inspira a fidelidade!
2
 “Água mole em pedra dura”
   – No ditado popular…
  “Tanto bate até que fura”,
  não se tem o que negar!
   3
   A minha trova é silente,
    toda de luz e calor…
 Ponho na rima meu poente,
   meu universo de amor!
    4
  “A moda não incomoda”
 clama incauta a sociedade...
 Enquanto isso corre a roda
   e se esvai a probidade!
 5
    Amor à primeira vista,
   das loucuras a maior…
  Nos abaixa muito a crista
  e nos cega, o que é pior!
6
“Amor com amor se paga”,
 que emotiva sensação…
No coração sempre há vaga,
  pra atender esse refrão!
  7
   A silhueta do Pinheiro
é expressão de elegância…
Tão bela como um cruzeiro,
  se destaca na distância!
  8
A Trova boa, sentida,
fluindo com emoção…
 É como a prece florida
  que brota do coração!
   9
A Trova não morre nunca,
Retempera a humanidade
e vence a tristeza adunca,
 alegrando a mocidade!
  10
  A Trova que tem valor
 é muito simples, singela…
 E diz um mundo de amor,
com tintas de uma aquarela!
11
Aves grandes e pequenas,
  de refulgentes roupagens...
 Cores que vão às centenas,
 celebrizando as plumagens!
 12
Borboletas, aves, flores,
 que bem nutrem os florais...
  Dão contornos às silhuetas
   Dos esbeltos pinheirais!
    13
Cada página da vida,
Faz lembrar um grande amor...
É você, minha querida,
  a que guardo com fervor!
   14
Cai a tarde, fico triste,
pressuroso como o quê...
O coração não resiste
a saudade de você!
15
   Com garra de trovador,
vou seguindo meus caminhos...
Venturoso e com amor,
  num roseiral sem espinhos!
 16
 Coração que ama não chora
males que afligem a gente;
 exalta e nunca deplora
  a mágoa dura, pungente!
17
Curitiba é chão de amores,
  toda feita de candura…
 O seu perfume é de flores,
 Deus namora lá na Altura!
 18
 Das rosas do meu jardim,
 Maria sempre a mais bela...
perfuma mais que o jasmim,
 que floresce em torno dela!
19
 “Devagar se vai ao longe”,
 mas, não parar é preciso...
Usar a calma de um monge,
  a cautela e o bom juízo!
  20
 Disse adeus à virgindade,
 optou, em seus dilemas...
Quis amar com pouca idade:
 – Está cheia de problemas!
21
  Dizem “espeto de pau”
  para a casa do ferreiro...
Que enriquece o seu mingau,
 tendo “prata” o ano inteiro!
 22
   E no afã da economia,
 “Barato sempre sai caro”...
  Pãodurismo, que mania,
 só nos leva ao desamparo!
23
E “Quem planta vento colhe
   tempestade" pela vida...
  Se aniquila qual um molhe
   que perdeu sua medida!
24
  Eu sinto as trovas nas veias,
  meu sangue todo alvoroço…
  Verso me envolve nas teias,
   meu coração é de moço!
25
 Há exceção em toda a regra,
      o sistema é flexível…
Pois, que a vida assim se alegra,
   nada ficando impossível!
26
 “Mais vale quem Deus ajuda”
   na vertigem da semana...
 “Do que quem cedo madruga”
 sempre queimando a pestana!
27
Melhor fora não amar,
não ficaria à mercê...
Não seria mais vulgar,
de pensar tanto em você!
28
    Meu coração é valente,
não chora o mal que me fez...
E diz que bem de repente,
termina a sua altivez!
29
Minhas trovas são pingentes,
   incrustadas no aranhol…
    São idéias imanentes,
   lindas gemas sob o sol.
30
   Na limpeza e na saúde,
  os sucessos dessa lida…
   Valorizam certo, amiúde,
    as asperezas da vida!
31
  Não cantes loas ao Chefe,
  sofrerás qual um proscrito,
    levarás um tal tabefe,
   pois, assim está escrito!
32
  Nossa marca é o Pinheiro,
  soberano sobre a mata…
   É esbelto, sobranceiro,
  seu murmúrio uma sonata!
33
  O bem não dura sem fim,
como o mal também não dura…
    Então, vivamos assim,
  na amizade e na brandura!
  34
    O teu sorriso menina
  é feiticeiro demais...
   Tão forte qual vitamina,
 muito alvoroça meus ais!
35
Página triste da vida,
não se guarda na lembrança...
Sim, aquela bem querida,
que nos trouxe a esperança!
 36
    Para fazer boa trova,
  verso puro que se integra,
  cuide a rima, como prova,
   e respeite bem a regra!
37
   “Para quem ama o feio
     o bonito lhe parece”...
   Por bondade é galanteio,
   com nobreza é uma prece!
  38
  “Para um bom entendedor,
   só meia palavra basta”...
   Para ele um grã-louvor,
por ter compreensão bem vasta!
39
 Poeta diz sempre o que quer,
na verdade ou de impulsão...
 Tenho certeza e assim penso,
com você e sem vaidade!
 40
Por trovador, eu me esmero,
   no rito de bem compor…
 Nas minhas trovas sou mero,
  puro instrumento do amor!
  41
   Pra você vencer na vida,
  ter vitória assim perfeita…
   Leve a sério a sua lida,
   esta é a melhor receita!
    42
Quando a gente ama não sente,
  o mal que fazem prá nós
 Escondemos d' alma silente,
   num secreto albornoz!
     43
“Quem espera sempre alcança”,
   é hoje outra a verdade…
   Quem espera só se cansa
   e perde a oportunidade!
44
 Quem falou que a trova é dura,
 sem valor, um tanto azeda?…
  Pois que certa ela perdura,
   se consagra de vereda!
45
 Quem tem estro e tem cultura
    e se inclina à poesia,
   vai na Trova com lisura,
  cheio de graça e estesia!
46
 Que reluz nem sempre é ouro,
 que cai nem sempre balança…
  Por isso, chega de agouro,
  não percamos a confiança!
   47
  Sempre no pequeno frasco
 é que está a grande essência…
   E a Trova traz no casco,
     o rigor dessa exigência!
     48
  Sempre “o santo desconfia
quando a esmola é por demais”...
 Refinada hipocrisia,
    a ilustrar nossos anais!
49
 Sempre que nos cessa a calma,
    falta-nos a educação…
   A rudeza nos fere a alma,
     martiriza o coração!
50
    Sete sílabas por cima
com idéia sempre nova,
e cadência, boa rima,
numa quadra…a bela Trova!
  51
    Sou trovador e entendo
   a rima, em forma de flor…
   E tal qual um reverendo,
    só rezo trovas de amor.
52
Sou trovador sem remendo,
   o verso meu é de cor…
 Vou com assombro dizendo
 as minhas trovas de amor!
 53
 Sou trovador, tenho senso
 da importância da poesia:
 Encerra tudo o que penso,
realidade e fantasia.
54
Sou trovador venturoso,
conheço desse fulgor…
Trovar de modo charmoso
sobre a mulher, com sabor!
55
Trova tem aura dileta,
enebria o pensamento…
É magia do poeta,
arroubo do seu talento!
   56
Trova tem sabedoria,
é tão fértil como a terra…
Bons conceitos ela cria,
pelas verdades que encerra!
57
Trovas são um doce encanto,
delicadas por demais…
Nelas vibro, com espanto,
no calor dos meus florais.
58
Uma Trova de cadência,
conteúdo e expressão…
Precisa de inteligência
e muita reflexão!
59
Uma Trova…um belo tema,
Pra dizer o que se quer;
Quando o poeta é bom, da gema,
Inspira-se…na mulher!
60
Você quer boa saúde,
com perfeita digestão?…
Mastigar bem, é virtude,
esta a nossa sugestão!
61
Vale mais do que um troféu.
é letra favorita,
Decisiva e dá apogeu;
Valoriza toda escrita.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Apollo Taborda França (1926 – 2017)
APOLLO TABORDA FRANÇA foi uma das personalidades mais marcantes da vida cultural, acadêmica e literária do Paraná. Vindo de uma ilustre linhagem de intelectuais, ele aliou o lirismo da trova com uma prolífica atuação como advogado, jornalista e professor. Nasceu em Curitiba/PR, em 1926. Filho do célebre poeta Heitor Stockler de França e de Brasília Taborda Ribas de França (e tio da trovadora Vânia Ennes). Faleceu na mesma cidade, em 2017, aos 90 anos de idade. Graduou-se em Direito (1952) e em Ciências Econômicas (1959) pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Formou-se também em Jornalismo pela Faculdade Católica de Filosofia (atual PUCPR). Exerceu a chefia da Consultoria e Procuradoria Jurídica do Sesi/PR por 18 anos. Foi redator do matutino O Estado do Paraná por mais de duas décadas. Essa vasta experiência serviu de base para sua carreira como professor e coordenador do Curso de Jornalismo da UFPR, onde lecionou por muitos anos. Fundou e dirigiu ainda o quinzenário Tribuna de Guaratuba.
Dono de um estilo focado na clareza e na musicalidade da poesia clássica, liderou as principais instituições literárias do estado: Academia Paranaense de Letras (APL): Foi o primeiro ocupante da cadeira nº 36 e o jornalista responsável pela revista oficial da instituição (Academus); Centro de Letras do Paraná: Presidiu a entidade na gestão 1993/1994; Academia de Letras José de Alencar: Foi presidente na gestão 1969/1970; Teve papel de liderança máxima na trova, presidindo a UBT Seção Curitiba (em duas gestões), a UBT Estadual do Paraná e atuando como vice-presidente do Conselho da Região Sul. Comandou de 2004 a 2010 a tradicional Soberana Ordem do Sapo, uma famosa confraria cultural curitibana.
Recebeu diversas honrarias civis e literárias ao longo de sua trajetória, incluindo o reconhecimento de entidades como o Rotary Club de Curitiba (onde criou concursos de poesia) e premiações em Jogos Florais pelo Brasil. Publicou 17 livros no total, divididos entre prosa, ensaios, poesias e trovas. Entre eles, destacam-se cinco livros inteiramente dedicados às Trovas.
Apollo Taborda França foi fundamental para o fortalecimento do ecossistema literário paranaense no século XX. Ele não apenas herdou a tradição literária de sua família, mas expandiu-a ao formar gerações de novos comunicadores e escritores através das salas de aula de jornalismo da UFPR. No universo da trova, sua importância está ligada à defesa ferrenha da estrutura técnica perfeita do gênero. Ele usava as trovas como ferramentas de sociabilidade, distribuindo-as em cartões para amigos e alunos, e consolidou Curitiba como uma das capitais mais ativas do movimento trovadoresco do país. 

Sites Consultados = Academia Paranaense de Letras, Singrando Horizonte (dados enviados por Vânia Ennes), Gazeta do Povo, Portal Cá Estamos Nós, Oceano de Letras, Academia Brasileira Rotária de Letras Paraná.

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