Trovadores em Ordem Alfabética

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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Edy Soares (Caderno de Trovas)


Ah, mas que espirro maldito,
que me deixou avexado.
Além de forçar um grito,
ainda veio acompanhado!
= = = = = = = = = = = = = =  

A memória enfraquecida,
a fronte calva, a bengala,
mostra no ciclo da vida
o velho que o neto embala.  
= = = = = = = = = = = = = =  

A morte, visita chata,
desprezível,  deprimente
vem sorrateira,  arrebata,
levando a vida da gente.
= = = = = = = = = = = = = =  

A mulher, pura beleza...
foi feita a partir de um osso,
mas a sogra, com certeza...
da carne de algum pescoço.
= = = = = = = = = = = = = =  

Ao deparar com a cena
de uma boa escorregada,
confesso que tenho pena,
mas não seguro a risada.
= = = = = = = = = = = = = =  

A trapaça é artifício
do covarde sem pudor,
que sem nenhum sacrifício
quer se fazer vencedor.
= = = = = = = = = = = = = =  

Cabisbaixo pelos cantos
me pego pensando em ti.
Pai, o maior dos meus prantos,
é saber que te perdi.
= = = = = = = = = = = = = =  

Cada mulher preparando
em seu ventre uma criança,
é o mundo se renovando,
é Deus nos dando esperança.
= = = = = = = = = = = = = =  

Com o planeta por um fio,
tanta gente a desmatar.
Queira Deus que algum plantio,
seja feito no lugar.
= = = = = = = = = = = = = =  

Da semente, a nova planta;
 da planta, a semente e o pão.
Do pão, a vida que encanta,
 que planta e cultiva o chão. 
= = = = = = = = = = = = = =  

Deixemos de lado o orgulho,
pois nobre é o dom do perdão;
rancor guardado é entulho,
que adoece o coração.
= = = = = = = = = = = = = =  

- Era profunda a raiz!
Disse o dentista ao cliente,
ao perceber que o nariz
saiu agarrado ao dente.
= = = = = = = = = = = = = =  

Esse meu corpo curvado,
feito quem reverencia,
já dá sinais de cansado
e agradece mais um dia!
= = = = = = = = = = = = = =  

Este amor que me oferece,
sinto – já não me convence.
Meu coração não merece,
pois a outro já pertence.
= = = = = = = = = = = = = =  

É uma agressão desumana,
uma falta de respeito...
Num país com tanta grana,
hospitais faltando leito.
= = = = = = = = = = = = = =  

Eu... você... as confidências...
Que pena que o tempo passa!
Hoje vivo de aparências
e a vida já não tem graça...
= = = = = = = = = = = = = =  

Há que se enxergar o amor
em cada olhar, cada canto.
E perceber que onde for,
todo olhar tem seu encanto.
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Meu Noel é de dar dó...
Nesta crise, veio a pé,
sem renas e sem trenó...
E entalou na chaminé!
= = = = = = = = = = = = = =  

Necessita ser “curado”,
todo aquele que imagina,
que quando estiver errado,
compra o certo com propina.
= = = = = = = = = = = = = =  

Nunca vi trova sem rima,
macaco enjeitar banana;
nunca vi chover pra cima.
nem político sem grana.
= = = = = = = = = = = = = =  

O chato que mais me irrita
e que mais me funde a cuca...
é aquela pessoa aflita,
que enquanto fala, cutuca.
= = = = = = = = = = = = = =  

Os olhos as vezes falam
mais que palavras em vão;
silentes as bocas calam
enquanto amando se dão.
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Por egoísmo e ganância
a Terra está dividida.
Tanto poder e arrogância,
ante a pobreza sofrida.
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Por se valer da trapaça,
ás vezes quem trapaceia,
por mais esforço que faça,
se enreda na própria teia.
= = = = = = = = = = = = = =  

Qualquer tipo de trapaça,
será sempre repugnante.
Mesmo que vencedor, faça...
Não fará mais que um farsante!
= = = = = = = = = = = = = =  

Quando saio em devaneios,
navegando em pensamentos,
cruzo bravos mares cheios,
velejo em grandes tormentos.
= = = = = = = = = = = = = =  

Quer, ricos ou indigentes,
todos são filhos de Deus;
sejam mansos ou valentes,
sejam nobres ou plebeus. 
= = = = = = = = = = = = = =  

Refletia a luz da lua,
o orvalho da noite fria;
sobre o menino de rua,
que na calçada dormia.  
= = = = = = = = = = = = = =  

Sem o amor do jardineiro,
o que seria da flor?...
Rosas não teriam cheiro,
jardins não teriam cor!...
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Sempre achei que o céu é aqui,
à sombra dessa palmeira...
escutando o bem-te-vi,
no meu banco de madeira. 
= = = = = = = = = = = = = =  

Se não posso  amar a Bela
ou tê-la aqui junto a mim,
ainda sim, sonho com ela
entre as flores, no jardim.
= = = = = = = = = = = = = =  

Sete vidas eu tivesse
ou talvez, setenta mil,
quantas vidas Deus me desse...
Que elas fossem no Brasil...
= = = = = = = = = = = = = =  

Supera tristeza e dor,
quem na vida por batalhas,
aprende ser vencedor,
sem contentar com migalhas.
= = = = = = = = = = = = = =  

Terra molhada no cio,
pronta, esperando a semente
das mãos que fazem plantio...
Tal qual amada nubente.
= = = = = = = = = = = = = =  

Trago essa grande saudade,
longe, no peito que dói,
por amor a essa cidade...
Por amar-te Niterói.  
= = = = = = = = = = = = = =  

- “Três dias de penitencia”,
pede o padre ao confessado.
- "Pode dobrar a exigência,
vou repetir o pecado!"
= = = = = = = = = = = = = =  

Velhas fotos no monóculo,
na gaveta de uma estante...
É como ver de binóculo,
um tempo já bem distante.
= = = = = = = = = = = = = =  

Vi sumir ao longe o trem.
Levou, chorando, Maria.
Na estação fiquei também
chorando porque a perdia.
= = = = = = = = = = = = = =  
EDY SOARES (cujo nome de batismo é Edmardo Lourenço Rodrigues) é um poeta, sonetista clássico e trovador brasileiro. Nascido na cidade de Ibatiba/ES, em 1964, se destaca nacionalmente como uma das principais vozes da revitalização e preservação do movimento trovadoresco e do soneto clássico no Sudeste do Brasil. Nascido em solo capixaba e filho de pais agricultores, sua trajetória internacional e regional moldou sua vivência. Residiu nos Estados Unidos entre os anos de 1991 e 2006. Santo: Após retornar ao Brasil, fixou residência no município de Vila Velha/ES, onde vive, trabalha e mantém sua base de atuação cultural e empresarial. Paralelamente ao seu envolvimento de décadas com as letras, Edy Soares atua profissionalmente como empresário do ramo hoteleiro. Destaca-se por sua atuação em grandes eventos literários, tendo integrado ativamente as equipes de apoio, debates e programação da FLIC (Feira Literária Capixaba) nas edições de 2015, 2016 e 2017, além de participar da Bienal Capixaba do Livro.
Edy Soares possui uma vasta folha de serviços dedicados à comunidade literária de forma institucional, atuando de maneira marcante na liderança de agremiações de fomento à poesia. Exerceu o cargo de Presidente Estadual da UBT no Espírito Santo e presidiu a seção municipal em Vila Velha. Membro efetivo da Academia Brasileira de Sonetistas (ABRASSO); Membro da Academia Pan-Americana de Letras e Artes (APALA);* Acadêmico Correspondente da Academia Iunense de Letras (AIL); Membro da ASSEI (Associação de Escritores de Ibatiba), em sua terra natal.
O autor é amplamente reconhecido por dominar a técnica de formas poéticas fixas. Suas principais publicações incluem: Poemas, Canções e Sonetos; Flores no Deserto; Sonetos Sonantes; Três em Trovas (coautoria); Além de participação como prefaciador de obras regionais e publicação em dezenas de antologias e coletâneas literárias nacionais. Ao longo de sua trajetória na poesia acumulou importantes distinções, como Troféu Carlos Drummond de Andrade (2015): Recebido na histórica cidade de Itabira/MG, em reconhecimento à sua produção poética. Diploma Especial de Mérito Cultural concedido por academias literárias capixabas devido à sua dedicação e contribuição para a difusão da arte e das letras. Classificado recorrentemente em certames nacionais e internacionais e convidado frequente para compor comissões julgadoras de concursos de trovas.
A relevância de Edy Soares para a literatura contemporânea reside essencialmente no seu papel de preservador e articulador das formas poéticas tradicionais no Brasil. Em uma época literária amplamente dominada pelo verso livre, ele atua como resistência estética ao produzir e ensinar o soneto clássico e a trova. Mais do que produzir textos, sua importância manifesta-se no associativismo: ao liderar a UBT no Espírito Santo, ele ajudou a transformar a trova de uma prática de escrita solitária em um movimento coletivo forte. Edy estimula o surgimento de novos trovadores, organiza concursos de fomento à escrita rápida e sintética e atua ativamente conectando a literatura clássica às novas dinâmicas das redes sociais e feiras de livros modernas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Luiz Poeta (Trovas, com amor)


Aquele velho gabola
quis marcar um gol de placa,
tropeçou na própria bola,
coitado! Saiu de maca.
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Aqui, galo não se tem.
Relógio? ...deixa pra lá,
De manhã, me sinto bem,
quem me acorda é um sabiá.
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Caramba! Que desperdício!
Tanto alambique bacana
e o meu carrinho sem vício
movido a goles de cana!
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Coitada... pobre da gringa...
Quis sambar na passarela,
tropeçou na própria ginga
e a ginga tropeçou nela.
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Com a grana que ele roubou,
o doleiro se ufana.
por comer do que sobrou,
o pobre é quem vai em cana.
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Comilão come o que quer,
basta apenas sentir fome,
nem precisa de colher,
mete o dedo e tudo some.
= = = = = = = = = = = = = =
Fiel ao que a mestra ensina
com tanto amor e ternura,
orgulhosa, a pequenina
sorri ao fim da leitura.
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Filho e mãe, finda a leitura, '
adormecem… que obra prima!
É num toque de ternura
que a leitura se sublima.
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Há certo tipo de lama
que serve de adubação
e a semente nem reclama
da lama da podridão.
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Há lirismo e sentimento
em cada ramo que oscile,
polinizando, com o vento,
grinaldas de Bougainville.
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Há no caminho da trova
um preconceito exigente
de quem nunca se renova
nem sente o que a trova sente.
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Há poder na onda do mar;
há poder no Sol ardente,
mas há mais poder no olhar
de quem ama ardentemente.
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Hoje eu faço aniversário!
...estou vivo, quem diria
que esse meu itinerário
nem num caixão caberia!
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Nossa vida é um desafio:
o recém-nato que o diga;
sem um útero macio,
que ventre que nos abriga?
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Num rabisco num caderno,
a família reunida.
Quando um sentimento é terno,
um desenho ganha vida.
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Numa página molhada
pelo pranto, a poesia
ficou tão desfigurada,
que borrou a fantasia.
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Numa pequena gravura,
a família reunida.
Só Deus desenha a ternura
que representa uma vida,
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Numa trova sensual,
fiz o teu corpo de trilha,
mas meu verso irracional
tropeçou na redondilha.
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Num verso, se me confesso, 
nunca impeço a emoção
de escrever o que nem peço,
impeço, sim, a razão.
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Nunca fui muito bonito...
mas sempre fui sedutor:
seduzi o infinito
bonito do teu amor.
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O amor pede que eu siga
os rumos de um sonhador,
mas a mudez que me instiga,
se abriga na minha dor.
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O bonde do Corcovado
leva o povo embevecido
a cada vez que é trilhado
seu caminho colorido.
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Poeta nasce poeta,
mas o tempo o aprimora;
quando a vida é incompleta,
que poeta que não chora?
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Poeta que diz que mente,
certamente se desdiz,
pois só diz o que não sente,
quando mente que é feliz.
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Quando a alma está vazia
e o amor torna-se vago,
só se tem por companhia
a lembrança de um afago.
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Quem nunca tomou porrada,
não sabe nada da vida;
faz da avenida, a calçada
e da calçada, avenida.
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Quem parte, deixa uma parte,
encarte fora da obra,
mas quando a dor nos reparte,
a parte triste é que sobra,
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Quem prejulga e não se julga,
ou é tolo ou desvairado,
cachorro escondendo a pulga
nos pelos do condenado.
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Quem reclama o tempo inteiro
do tempo que Deus lhe deu,
será sempre prisioneiro
do tempo que já perdeu
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Quem se dedica ao ofício
sublime da poesia,
transforma esse dom em vício
e esse vício em fantasia.
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Quem se vai e a dor não deixa,
não se vai completamente,
pois se a solidão se queixa,
a saudade diz: "presente"!
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Quem te pôs, Drummond de Andrade,
dando as costas para o mar,
na certa quis que a cidade
pudesse te admirar.
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Quis pintar em aquarela
a história do nosso amor,
não pintei nada na tela,
como é que se pinta a dor?
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Redondilhas d'além-mar,
poesia lusitana,
Portugal no meu olhar
na quadra camoniana
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Roubei tuas fantasias,
mas tu ficaste com as minhas;
guardaste mais que podias
e eu quis bem mais do que tinhas.
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Tantas dádivas divinas
e o homem, contestador,
fechando suas retinas
para as dádivas do amor.
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Tantas vezes a sorrir,
minha mãe me abençoava;
quando teve que partir,
foi seu filho quem chorava.
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Tanto achismo e tanto achado,
tanto eu acho e... "desachei",
que olhando o lado errado,
eu percebo que acertei.
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Tantos olhares perdi,
procurando me encontrar,
mas dos olhos que escolhi,
só me vi no teu olhar,
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Te traí comigo mesmo.
Não perguntes como fíz.
Amar quem me ama a esmo
sempre me fez infeliz.
= = = = = = = = = = = = = =  

Tenho pena dessas pombas
que já nem têm mais pombais;
elas são pombas das bombas,
não são mais pombas da paz.
= = = = = = = = = = = = = =  

Tem sempre alguém que nos planta;
e com carinho, nos colhe,
alguém que nos agiganta
e sempre alguém... que nos tolhe.
= = = = = = = = = = = = = =  

Tem tanta gente que indaga
sobre seu destino vão,
porque além da ideia vaga,
Deus lhe deu um coração.
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- Tens tanto predicativo
no teu olhar sedutor...
e eu só uso um vocativo...
sabe qual é? Meu amor!
= = = = = = = = = = = = = =
LUIZ GILBERTO DE BARROS, amplamente conhecido pelo seu pseudônimo patenteado LUIZ POETA, é um renomado professor, escritor, poeta, cantor e compositor brasileiro. Nasceu em 1950, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Desenvolveu toda a sua vida pessoal e artística estabelecido na própria cidade natal. Formou-se e atuou fortemente na área da educação como Professor de Língua Portuguesa, Redação e Literaturas Brasileira e Portuguesa. Lecionou em instituições tradicionais como os Colégios Santa Mônica, Itu e em escolas da rede pública do Município do Rio de Janeiro. É reconhecido também como gramático, revisor literário, prefaciador e tradutor. 
Sua veia poética começou a se consolidar fortemente a partir de 1967. Ele transita com extrema facilidade por diferentes vertentes da escrita, atuando como cronista, contista, ensaísta, trovador e adepto do movimento aldravianista. Pelo grande envolvimento e liderança em prol da cultura, Luiz Poeta acumula diversas condecorações institucionais de relevância: Presidente, Embaixador, Cônsul, Comendador e Chanceler em corporações de fomento às artes. Membro atuante e reconhecido no cenário das Federações e Academias de Letras e Artes do Brasil. Foi Presidente da Academia Pan-Americana de Letras e Artes; do Centro Cultural Leopoldina de Souza Marques, da Faculdade Souza Marques, e Diretor Presidente do Jornal “ O Coruja “, de circulação universitária; membro da Academia Luso-Brasileira de Letras; Associação dos Acadêmicos da Academia Brasileira de Letras; Academia Paulista de Letras; Academia Aldrava, Letras e Artes; Cerc Universal des Ambasssadeurs de la Paix; Divine Academie Française de Letters y Arts;  Cônsul dos Poetas del Mundo; Diretor Cultural da Associação Cultural Encontros Musicais; Inbrasci (Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, etc..
Teve, inclusive, o seu nome imortalizado na Sala de Leitura Luiz Poeta, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (5ª CRE), uma homenagem direta ao seu legado acadêmico. Ao longo de sua jornada, Luiz Poeta recebeu expressivos prêmios lítero-musicais (muitas vezes competindo sob pseudônimos para preservar a avaliação cega de suas obras): Prêmio UNESCO: Foi premiado duas vezes pela UNESCO em reconhecimento ao valor humanitário e cultural de seus escritos. Melhor Poeta do Estado do RJ (2008), condecorado pelo Congresso da Sociedade de Cultura Latina (Seção Brasil) na categoria de Poesia Clássica. Prêmio de Ensaio Poético: Teve sua obra "Gullarearte" (um cordel em homenagem a Ferreira Gullar) premiada em um concurso literário em Porto Alegre. Na Pele da Poesia (2007): Uma de suas obras poéticas de maior circulação, onde reúne poesias que exploram o cotidiano, o lirismo e a sensibilidade humana. Canção de Ninar Estátuas (2019) – contos; Trov…Ansi…Arte(2022) – trovas.
Sua extensa produção literária e artística espalha-se por livros autorais, coletâneas, CDs e DVDs, possuindo traduções em cinco línguas (português, espanhol, italiano, inglês e francês). Entre suas principais contribuições estão: Participação em Antologias de Peso: Como a antologia "Poemas à flor da pele", além de inúmeros sonetos clássicos publicados no Brasil e no exterior (como no Portal CEN, de Portugal). Obra Lítero-Musical: Registro expressivo de composições poéticas transformadas em faixas de áudio e vídeo distribuídas no mercado fonográfico e literário.
A relevância de Luiz Poeta reside no seu papel como elo integrador entre a erudição técnica e a sensibilidade popular. Como professor e gramático, ele defende a pureza e a beleza da língua, mas despe a poesia de "rebuscamentos intelectualóides". Ele democratizou o acesso à leitura poética e influenciou gerações de alunos no Rio de Janeiro. Herdando o talento do pai (que tocava flauta de bambu), Luiz tornou-se violonista, cantor, produtor musical e compositor de mão cheia. Ele atuou como Diretor Cultural da Associação Cultural Encontros Musicais, e sua relevância técnica é tão vasta que ele foi integrado como membro do casting oficial de suporte artístico da Orquestra Sinfônica. No campo das artes visuais, ele se destaca de forma inovadora pela criação de telas plásticas utilizando técnicas singulares com esmaltes de unha.

Fontes:
Luiz Poeta. Trov... Ansi... Arte. RJ: ZMF Ed., 2022. Livro enviado pelo autor.
Biografia = Dicionário MPB, Recanto das Letras, O Secular Soneto, Portal CEN, Confraria Brasileira de Letras, etc.

domingo, 30 de agosto de 2026

Paulo Roberto Oliveira Caruso (Buquê de Trovas)


1
A chave ao meu coração
só tu tens; não tenho medo.
Temos tão rica união
que eu nunca mudo o segredo!
2
As partidas de xadrez
têm decerto a sua essência.
Jogador tem sua vez;
é preciso paciência!
3
Certa vez ouvi um papo.
Um machista disse: “Eureca!
Homem não engole sapo...
Ele come perereca!”
4
Dando-se as mãos a cidade
com zeladora vigília
mostra solidariedade
virando grande família.
5
Deus construiu este mundo
com suor do seu trabalho.
Seu esforço foi profundo.
Assim nos nasceu o orvalho!
6
Fogueira em festa junina...
Eu me queimei um bocado!
Na quadrilha eu vi menina
e saí de lá casado!
7
Foto de bonita dama
atraiu Seu Juvenal.
Viu ser dum homem a trama
no tal mundo virtual!
8
Horas por dia eu passei
no tal mundo virtual,
até que um dia paguei
uma conta bem real!
9
João golpes praticou
no tal mundo virtual,
até que um dia encarou
um xilindró bem real!
10
Lendo sobre camisinha,
Joaquim logo gargalhou.
Em peça pequenininha
de agasalho ele pensou!
11
Menina virou rapaz
e rapaz virou menina...
Hoje muito isso se faz
não só em festa junina...
12
Meu coração suburbano
tu conheces muito bem!
Tem muito do amor humano
que preenche o teu também!
13
No ano de mil e quinhentos,
dia vinte e dois de abril,
Portugal, com ricos ventos,
arrecadou o Brasil.
14
Nosso amor é o sagrado.
O que revela união.
Ele sabe ser gerado
com paixão e compaixão.
15
O poeta Zé Mitôca
é mesmo "o cara" de Ocara!
Versos mil de sua boca
tornaram-se joia rara!
16
O político safado
faz o povo de capacho.
Da panela do coitado
raspa até o fim do tacho!
17
O silêncio é uma virtude,
disso todo mundo sabe.
Cala-te, não sendo rude,
quando falar não te cabe.
18
Para ser lugar perfeito
nossa querida cidade,
requer sempre um bom prefeito
praticando a honestidade.
19
Perguntou Seu Dorival
“o que é que a baiana tem?”
Não somente em carnaval,
rebola como ninguém!
20
Que dolorosa ironia:
a terra muito pisamos,
mas a morte chega um dia...
E sob a terra ficamos!
21
Quem diria? A sementinha
pela mamãe recebida
gera uma pessoazinha
regada a leite e querida!
22
Se mantemos o decoro,
o “eu” se doa pelo “nós”,
assim nasce o melhor coro,
parecendo uma só voz.
23
Se pregarmos a bondade,
o sagrado nós veremos:
em vez de fria cidade,
grande família teremos!
24
Teus olhos da cor da terra
são meu solo, são meu chão.
É neles dois que se encerra
minha antiga solidão!
25
Toda saudade, de fato,
traz o início dum sofrer.
Sabemos que ela num ato
vem do fim de um conviver.
26
Um enfermeiro embriagado
susto deu-me a injeção.
Meu braço foi preparado
com bafo, sem algodão.
27
Um soneto ia eu tentar,
mas a preguiça chegou.
Antes de os olhos pregar,
esta trova me sobrou.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Paulo R. O. Caruso (1975)
PAULO ROBERTO OLIVEIRA CARUSO é um prolífico escritor, poeta contemporâneo e jurista fluminense, amplamente conhecido nos círculos de literatura independente e academias de letras virtuais e regionais pelo seu impressionante volume de produção textual. Natural do Rio de Janeiro (1975), continua ativo em sua produção intelectual. Conciliando a literatura com uma sólida carreira técnica e jurídica, ele atua em diferentes frentes. Trabalha como servidor público atuando na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É advogado e administrador formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), além de possuir especialização voltada ao Direito do Trabalho e Processo do Trabalho.
A trajetória literária de Paulo Roberto de Oliveira Caruso é marcada por números colossais e forte presença no ambiente digital e acadêmico. Começou a escrever de forma amadora ainda na infância, mas passou a encarar a literatura com foco profissional a partir de 2008. É um dos autores mais prolíficos da internet brasileira, tendo redigido dezenas de milhares de textos ao longo de sua jornada (ultrapassando a marca de 26 mil poemas em suas contagens de catálogo). Embora escreva crônicas, contos e prosas, sua grande especialidade é a poesia estruturada. Ele domina formatos clássicos e complexos como o soneto, a trova, o haicai (ao estilo oriental), o indrisos, a glosa, além de transitar pela poesia livre. É membro e correspondente de uma vasta lista de academias de letras. Já participou de mais de 50 antologias impressas e virtuais.
Seus textos são vistos como uma forte resistência em prol da "verdadeira valorização da literatura", preservando o rigor técnico das rimas e das métricas fixas que muitas vezes se perdem na modernidade. Por publicar massivamente em blogs, sites e espalhar cartazes físicos em universidades como a UERJ e a UFF, sua escrita é vista como democrática, alcançando o leitor comum diretamente no cotidiano. A qualidade técnica de suas construções poéticas rendeu ao autor diversas medalhas, troféus, menções honrosas e títulos de comendador por associações culturais.

Fontes:
Texto enviado pelo autor. 
Biografia: Recanto das Letras, Portal CEN, Enciclopedia Itaú Cultural, Confraria Brasileira de Letras, etc.

sábado, 29 de agosto de 2026

Professor Garcia (Trovas do Meu Cantar)


A aquele que arrasta a cruz
e, aos ritos do amor se entrega...
Deus põe dois braços de luz
na cruz do bem que carrega!
= = = = = = = = = = =

Adeus!... Passado tão lindo,
encanto dos dias meus!...
Disseste-me adeus, sorrindo
e, eu triste, te disse adeus!
= = = = = = = = = = =

A ingratidão se resume
num coração descontente,
a um velho facão sem gume
cortando os sonhos da gente!
= = = = = = = = = = =

A mão do bem que nos rege,
mostra-nos gestos de amor,
até na mão que protege
a inocência de uma flor!
= = = = = = = = = = =

Amor de mãe, que esplendor,
ó, que divino mister...
Deus pôs a essência do amor
no coração da mulher!
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À noite, o que me conduz,
me acompanha e me rastreia,
é o tênue raio de luz
da solidão da candeia!
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Cantas preso, canarinho
consolando a tua dor!
Eu também canto sozinho
preso às redomas do amor!
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Com remendos e arremedos,
em desmedidos desvãos;
alguns vão sujando os dedos
na sujeira de outras mãos!
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Contra o Sol, não há censura
e, ao bom pintor se assemelha,
quando pinta com ternura
a aurora, de cor vermelha!
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Daquele amor tão risonho
que moldou nosso roteiro...
Guardo o derradeiro sonho
como se fosse o primeiro!
= = = = = = = = = = =

Depois de feita a moldura
da aquarela do arrebol,
Deus pôs gotas de ternura
na rosa rubra do sol!
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De volta à tapera antiga,
ouço uma voz que à distância,
era a mesma voz amiga
que eternizou minha infância!
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Do mar, a mais linda prenda
que a espuma branca ponteia,
é a camisola de renda
que as ondas tecem na areia!
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Feliz, não dá passos vãos
a lua, era seu caminhar,
enquanto, entrelaça as mãos
na barba branca do mar!
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Hoje, eu refiz o meu ninho
e, abri janelas e portas,
para cantar com carinho
cantigas das tardes mortas!
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Lembro, mamãe, do teu canto,
num doce e breve estribilho,
tentando enganar o pranto
do choro triste do filho!
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Meu pensamento deduz,
seguindo os teus passos certos
que, a intensidade da luz
dobra em teus braços abertos!
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Minha fronte encanecida,
já, pelo tempo, aos borralhos,
põe as auroras da vida
nos meus cabelos grisalhos!
= = = = = = = = = = =

Não há estação perdida
para quem no amor se esmera!
Quem ama o outono da vida,
vive a eterna primavera!
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Na vida há tantas essências
e aparências desiguais,
que, eu penso que as reticências
são velhos pontos finais!
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Neste Natal, meu Senhor,
quando a vida se refaz...
Teu vinho, é o sangue do amor
teu pão, o corpo da paz!
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No aceno das horas mansas,
vejo na humilde casinha,
da infância, as ricas lembranças
da pobre mansão que eu tinha!
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O amor, em seus embaraços,
e às vezes, com seus desvãos...
Entrelaçou nossos braços
e amordaçou nossas mãos!
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O mar, de fatos e lendas
quando se zanga e se alteia,
se joga em lençóis de rendas
e espicha os braços na areia!
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O ocaso da vida, é um sonho.
Quando se alcança esse prazo,
fica um pouco mais tristonho
nosso sorriso, no ocaso!
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O poeta, em suas cantigas,
em noites calmas, dá provas
de esquecer queixas antigas,
cantando as mágoas mais novas!
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O poeta e o passarinho,
são parecidos demais:
Quanto mais longe do ninho
mais cantam tristes seus ais!
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O sino desperta o sono
da tarde que silencia,
enquanto a lua sem dono
enche a noite de poesia!
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O tempo é roda fremente
num parque de diversões,
moendo os sonhos da gente
nessa roda de ilusões!
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Peço, ó tempo, que me acudas,
faz-me entender a canção
do canto das folhas mudas,
secas, mortas pelo chão!
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Por temor da noite ingrata
e, antes que, a treva se afoite,
surge uma luz, cor de prata,
no teto negro da noite!
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Posso dizer de joelhos
ante os teus pés andarilhos,
que escuto pai, teus conselhos
aconselhando os meus filhos!
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Que ingratidão tão mesquinha,
que ausência de amor e brilho,
viver a mãe tão sozinha
ao lado do próprio filho!
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Quem contempla o amor, percebe
e, a todo instante, deduz...
Que, em tudo quanto recebe,
há uma centelha de luz!
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Quem crê na fé, na alegria,
não torna seus sonhos vãos.
Pois, cada mão que nos guia,
tem digitais de outras mãos!
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Saudade é um sonho roubado,
que de forma inconsequente...
Vive no tempo passado,
numa ilusão do presente!
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Saudade! – Velhas raízes
da solidão dos meus ais,
longe das noites felizes
dos meus antigos Natais!
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Se a cruz pesar mais, descreve
o que dela se deduz:
Que tudo quanto se deve,
Deus põe nos braços da cruz!
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Se há estradas tão dolorosas
e há cardos pelos caminhos...
Larga o caminho das rosas.
Põe teus pés sobre os espinhos!
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Se for falta de agasalho,
ou porque não tenho escolha,
a escolha do meu trabalho
se agasalha em qualquer folha!
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Sei que a saudade me escolta,
mesmo triste e tão sozinho!...
Como é bom quando se volta,
mesmo velho, ao velho ninho!
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Seis horas!... E, em triste canto,
o sino em seu padecer...
Vai driblando a dor do pranto
nos dobres do entardecer!
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Sempre o mar nas horas calmas
dos sóis de suas manhãs,
liberta os grilhões das almas
presas, às ondas pagãs!
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Se o amor é cego e reclama,
reclama sem sentir dor;
quando um cego acende a chama,
é um feliz cego de amor!

= = = = = = = = = = =
Sigo do ocaso ao sol posto,
da vida não me envergonho.
O tempo enruga o meu rosto
mas não põe ruga em meu sonho!
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Sinto que o amor se agasalha,
nos teus olhos cor de mel...
Quando a lágrima enxovalha
meu lencinho de papel!
= = = = = = = = = = =

Tuas juras, sempre vãs,
compromissos de ninguém,
são velhas juras pagãs
ferindo o orgulho de alguém!
= = = = = = = = = = =

Um samba, dentre os mais belos
que, a memória perpetua...
E aquele, de teus chinelos
nas pedras de minha rua!
= = = = = = = = = = = = = =  

Vejo que teus velhos braços
mantém a mesma medida,
com que mediste os meus passos
na primavera da vida!
= = = = = = = = = = = = = =  
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
PROFESSOR GARCIA (nome artístico de Francisco Garcia de Araújo) é um dos maiores expoentes da cultura potiguar, destacando-se como poeta, trovador, escritor e compositor profundamente ligado a Caicó e à região do Seridó. Sua trajetória une a educação formal à preservação das tradições líricas e da literatura de cordel no Nordeste. Nasceu na Fazenda Acari, no município de Malta (PB), em 1946. Mudou-se para Caicó (RN), em julho de 1959, acompanhado de seu tio, o também poeta José Lucas de Barros. Desde então, fincou raízes na cidade e adotou o Seridó como seu lar definitivo. Graduou-se em Letras (Português e Inglês) e em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), além de possuir pós-graduação em Teologia e Éticas Especiais. Como educador, lecionou as disciplinas de Português, Francês, Inglês e Espanhol. Atuou profissionalmente como bancário. No setor público, exerceu forte representação política em Caicó, onde foi Vereador e Secretário Municipal.
Dedica-se ativamente à divulgação da poesia lírica e da trova, apresentando o programa semanal "Momentos Com Nossos Poetas" na Rádio A Voz do Seridó (100 FM). Presidente do Clube dos Trovadores do Seridó (CTS); Sócio-efetivo da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte (ATRN); Delegado e membro ativo da União Brasileira de Trovadores (UBT), Seção de Natal/RN e Caicó/RN; Membro efetivo da Academia Virtual Brasileira de Letras (AVBL), acadêmico da Confraria Brasileira de Letras (PR). Alguns livros Publicados: Trovas que Sonhei Cantar (1974); Cantigas do Meu Cantar (2017).
Ao longo de sua carreira literária na cultura popular e no movimento trovadoresco brasileiro, obteve diversas classificações e menções honrosas em concursos nacionais de trovas promovidos pelas seções da UBT. O Professor Garcia desempenha um papel fundamental como guardião da identidade e da memória do Sertão do Seridó. A sua relevância reside na manutenção viva do Trovadorismo — uma vertente literária clássica e poética focada em composições rimadas de quatro versos de sete sílabas poéticas (redondilha maior). Ao liderar o Clube de Trovadores regional e utilizar os meios de comunicação de massa para espalhar a poesia nordestina, ele conecta a erudição da sua formação acadêmica com a pureza da cultura de raiz. Ele eleva a produção poética do interior do Rio Grande do Norte ao cenário nacional, garantindo que o lirismo sertanejo continue influenciando novas gerações de escritores.

Fontes:
Professor Garcia. Poemas do meu cantar. Natal/RN: Trairy, 2020. Livro enviado pelo autor.
Biografia = Confraria Brasileira de Letras; Portal CEN; Severo Garcia; Universidade Estatual do Rio Grande do Norte (tese).

Hely Marés de Souza (Tertúlia da Saudade)

A neve, o frio, a trincheira... o pracinha suportou. Pela honra brasileira ele não se intimidou. A nossa brava Nação, em festa de aniversári...