Trovadores em Ordem Alfabética

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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Maria Thereza Cavalheiro



1
A luz do dia esmorece...
O amarelo perde a cor...
A Deus se eleva uma prece
dos lábios de cada flor.
 2
A nossa vida é fugaz...
É bom partir sem revolta...
Quem vem ao mundo já traz
uma passagem de volta!
 3
A saudade é uma semente
de lágrimas orvalhada;
brota na noite do ausente
e floresce na alvorada.
 4
As estrelas infinitas
que o céu misterioso encerra,
são olhos de mães aflitas
velando os filhos na terra.
 5
Às vezes, por caridade,
para evitar um tormento,
escondemos a verdade
na concha do pensamento.
 6
Bem pior do que a certeza
é a dúvida que nos mata:
- uma, só traz a tristeza;
outra, os fantasmas desata!
 7
Cabeça revolta, inquieta,
que se volta para o céu...
Esse coqueiro é um poeta,
fazendo versos ao léu!
 8
Corre o pranto redobrado
dos olhos da mãe aflita
pelo filho amargurado
e pela própria desdita.
 9
Esconde o pranto depressa
e finge que estás contente,
que aos outros não interessa
saber as mágoas da gente.
 10
Existe muita tristeza
que ao rosto jamais aflora,
guardada na profundeza
dos olhos de quem não chora.
 11
Mamãe: tuas mãos pequenas
que souberam trabalhar,
parecem aves serenas,
já cansadas de voar!
 12
Minha mãe era uma santa
que entre nós veio passear,
mas foi de humildade tanta
que precisou regressar...
 13
 Minha mãe: teus olhos santos,
de um infinito perdão,
a ninguém dizem dos prantos
que guardas no coração!
14
Não há palavra mais linda
do que "Mãe", que tudo encerra!
E mãe é presença infinda,
mesmo ao deixar esta terra...
 15
Não haveria fronteira
neste mundo se a amizade
fosse a união verdadeira
entre toda a humanidade.
 16
Naquele dia tristonho
puseste os olhos nos meus;
vivi na tarde do sonho,
morri na noite do adeus!
 17
Na vida, nem todos temos
lenitivo para o estresse...
É como um barco sem remos
em rio que avança e cresce!
 18
Nos bons tempos de menina,
pula-se corda a valer.
Mais tarde – que triste sina! –
a corda nos vem bater.
 19
O choro de uma criança
à luz do primeiro dia,
é uma canção de esperança,
é a mais linda melodia!
 20
O luar, lascivo e amante,
abre o vestido da mata,
e em seu corpo exuberante
passeia os dedos de prata…
 21
O mar inquieto é um menino.
Tempestuoso, é um rapaz.
Calmo, reflete o destino
do velho que encontra a paz.
 22
Passarinhos, em sonata,
fazem festa no arrebol,
quando despertam a mata
para os afagos do sol!
 23
Poder praticar o Bem
e fugir à ocasião,
perante Deus, é também
um delito de omissão!
 24
Por mais que intimide o mundo
e a vida acarrete o medo,
sempre se guarda no fundo
uma esperança em segredo.
 25
Quando a dúvida se instala
dentro de um peito infeliz,
não importa o que ela fala,
já se sabe o que ela diz!
 26
Quando a lua abre seu cofre
de moedas pelo chão,
o sonhador que ama e sofre,
quer todas em sua mão.
 27
Quando a noite se faz dia
e os sonhos fogem velozes,
há uma luz que se irradia
no eco de muitas vozes.
 28
Quando em teus braços me vejo
esqueço o tempo voraz...
Na tormenta do teu beijo
quero encontrar minha paz!
 29
Quando ocupamos as raias,
uma certeza é sabida:
- por entre vivas e vaias,
atravessamos a vida!
 30
Quem faz o bem tem a paga,
quem é bom nunca está só;
o tempo jamais apaga
o que fica além do pó.
 31
 Quem perde a oportunidade
por medo de ser feliz,
não colhe nem a saudade,
que arrancou pela raiz!
32
Reticências... uma frase
que alguém pensa mas não diz...
Justamente aquele "quase"
que nos faria feliz!
 33
Se anoitece no teu dia,
pega um facho de luar,
laça uma estrela vadia,
vai outro amor procurar!
 34
Sem vitória, nem torcida,
na grande quadra do céu,
a lua é bola perdida
que ficou jogada ao léu.
 35
Ser mãe é ter o olhar cheio
de amor, ternura e bondade...
É dividir tudo ao meio,
também a própria metade.
 36
Têm as mães uma ternura
que ninguém mais tem por nós;
sabem sorrir na amargura
e nunca nos deixam sós...
 37
 Um anjo, de madrugada,
levou minha mãe...E havia
muita luz em sua estrada,
porém sombra no meu dia.
38
Vem o mar jogar-se aos pés
da penedia arrogante;
ela desdenha as marés
e namora o céu distante.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Vanda Fagundes Queiroz


1
A criança tem mania,
quer ser grande, sem saber
que, na dura travessia,
dói tanto a gente crescer!
2
A mais sublime lição
de grandeza, amor e fé,
foi ver um homem sem mão
pintando flores com o pé.
3
A minha alma adolescente,
de braços dados com a vida,
parece nem ser parente
desta face envelhecida.
4
Antes que nossa atitude
maiores males cometa,
Deus convoca a juventude:
- Protejam esse planeta!
5
Ao voltar do burburinho
da rua – a humana agressão,
a meiguice de um cãozinho
vem receber-me ao portão.
6
A primavera, suponho,
que tendo sonhos de amor,
faz, sim, com que cada sonho
nasça em forma de uma flor.
7
Aquela duna imponente,
que na paisagem se alteia,
tem na origem, certamente,
minúsculos grãos de areia.
8
Arrumei minha bagagem
com sonhos e fantasia,
e agora, no fim da viagem,
abro a mala… está vazia.
9
A vitória que se alcança
tem lição para ensinar.
– Não fique na praia mansa,
saiba as ondas enfrentar!
10
Caso a sobremesa fosse
escassa, a mamãe mentia:
- Tomem! Não gosto de doce...
e, docemente, sorria.
11
Certas trovas são tão belas,
dão tal encanto e prazer,
que eu vejo, pensando nelas,
quanto preciso aprender!
12
Chinelinho na janela,
belo sonho de criança...
Antes de fugir por ela,
Noel deixou a esperança!
13
Chora o nenê. Fico olhando
e me enlevo, a refletir:
a sua emoção chorando
faz minha emoção sorrir.
14
Chuva a molhar nosso riso,
riso feliz e molhado…
qualquer tempo é paraíso,
quando o amor é partilhado.
15
Colheita, ainda guardada
num simples grão amarelo,
é uma obra a ser lançada,
mas que ainda está no prelo.
16
Contraste se manifesta,
a razão seja qual for:
- nem sempre o riso é de festa,
nem sempre o pranto é de dor.
17
– Corte o texto!… Longo assim,
A ideia até se desdoura.
– Pois não, mestre, corto sim,
vou procurar a tesoura…
18
Doce mistério de amar,
que me concede o talento
de abraçar-te com o olhar
e beijar-te em pensamento.
19
Duas taças sobre a mesa,
numa espera malograda…
Só veio Dona Tristeza,
que nunca foi convidada!
20
Enquanto, amor, tu demoras
e eu vou somando ansiedade,
a travessia das horas
é calculada em saudade.
21
Enquanto há bens passageiros
exibidos no aparato,
há tesouros verdadeiros
ocultos no anonimato.
22
Entro em casa e, no consolo
de ter, no lar, proteção,
piso o primeiro tijolo…
e sinto o céu, no meu chão!
23
Eu sempre lutei sentindo,
nesta arena em que se vive,
a mão de Deus, dirigindo
cada conquista que eu tive!
24
Fez plástica no nariz
e comprou peruca loura…
Pirracenta, a outra diz:
- Falta montar na vassoura…
25
Freio o carro, junto ao mar,
e o cenário é um esplendor,
que só faz acelerar
nossos impulsos de amor.
26
- Lá se foi meu pé-de-meia…
diz, desolado, o vovô.
Vovó se alarma e esperneia:
- Não diga que é o de tricô!
27
Maior prêmio, no decurso
da vida de um trovador,
bem mais que ganhar concurso,
é erguer o troféu do amor!
28
Meu caderno confidente,
primeiros versos de amor:
ilusão de adolescente…
que endeusava um professor!
29
Não basta apenas sonhar,
a vida requer firmeza
de agir, para transformar
uma esperança em certeza.
30
Não há recursos que domem
predação de tal grandeza,
quando é a própria mão do homem
que destrói a Natureza.
31
Na rua… tantos passantes…
e a marcha, incessantemente,
traça, em passos semelhantes,
tanta história diferente…
32
Neste mundo tão mesquinho,
é um prazer ouvir a voz
de quem faz o bem sozinho,
mas usa o pronome “Nós”.
33
No ditado, a turma estoura
de rir, quando, erguendo a mão,
Pergunta o aluno: – “tesoura”
é com “tezinho” ou “tezão”?
34
No meu Livro da Lembrança,
ainda sem conclusão,
saudade é aquela esperança
que compôs a introdução…
35
Num dos lances mais astutos
que a vida tem-me inspirado,
eu mostro os olhos enxutos,
e escondo o lenço molhado.
36
Num momento de magia,
nós dois ali, face a face…
e o meu coração pedia
para que o tempo parasse!
37
Olhando do meu terraço
o céu que ilumina a rua,
com enlevo um gesto eu faço…
e quase que abraço a lua!
38
Olhando o velho retrato
da praça, eu ouço à distância
acordes que são, de fato,
cirandas da minha infância.
39
Olhaste...Nada foi dito,
mas consegui decifrar
um conto de amor, escrito
no apelo do teu olhar!
40
O luar intenso me induz
a crer que Deus guarda o dia,
diz ao céu que acenda a luz…
mas nos cobra uma poesia.
41
O mar, a tarde silente,
a rede, a troca de afeto…
Um momento, simplesmente,
mas… um momento completo!
42
Para um garoto, os quintais
eram reinos de magia,
guardando tesouros reais
nos mapas de fantasia…
43
Poda as plantas, na lavoura,
Mas planeja, o tempo inteiro:
- vou crescer, vender tesoura…
Eu hei de ser tesoureiro!
44
Por mais que o progresso iluda,
deturpe e inverta valor,
o que Deus fez ninguém muda:
amor será sempre Amor.
45
Quatro abraços, meigos passos,
traços de amor e bonança,
infância: pequenos braços -
sustentam grande Esperança!
46
Que imenso mundo se esconde
na pena de intenso brilho
que torna em sábio Visconde
um sabuguinho de milho…
47
Quem crê não teme o fracasso
e nunca segue sozinho,
pois, quando quer dar um passo,
Deus já prepara o caminho.
48
Meu “eu” antigo encontrei…
sinto que não perdoou
por ver que não realizei
os sonhos que ele sonhou.
49
Meu lenço, meu companheiro,
saiba os segredos guardar.
Além do meu travesseiro,
só você me viu chorar…
50
Parece um conto de fadas
ver, em perfeita harmonia,
sete cores alinhadas,
no céu, jorrando poesia!
51
Por mais que o progresso iluda,
deturpe e inverta valor,
o que Deus fez ninguém muda:
o amor será sempre amor!
52
Praia tranquila, discreta…
Deus escuta, com certeza,
o silêncio do poeta
falando com a Natureza…
53
Prossigo em minha viagem,
ora alegre, ora tristonho…
levando em minha bagagem
pouca coisa e muito sonho.
54
Quando a vida é limitada
eu lhe amplio a dimensão:
cada coluna é bordada
com retalhos de ilusão…
55
Que este preceito se integre
ao meu simples dia-a-dia:
Melhor do que estar alegre,
só mesmo dar alegria
56
Revezam-se em nossas rotas
sombra e luz, contras e prós,
e as vitórias e derrotas
começam dentro de nós…
57
Se ausência é cena vazia,
guarda, invisível, latente,
a marca de algo que, um dia,
ali já esteve presente
58
Sinto imensa gratidão
por alguém que nunca vi,
mas que fez a plantação
dos frutos que hoje colhi!
59
Sombra e luz fazem nuança
no largo painel da vida.
Luz é o raio de esperança,
e sombra, a ilusão perdida”.
60
Somos heróis, sem medalhas,
vencendo, com valentia,
as anônimas batalhas,
na luta de cada dia.
61
Sou vaso, às vezes quebrado...
mas, cada vez, Deus permite
que eu volte a ser restaurado,
com Seu amor sem limite!
62
Tenho no meu peito um mar
de amor, imenso e profundo
sonho vê-lo transbordar,
causando enchentes no mundo.
63
Todos têm um potencial
diferente… é indiscutível.
O que importa é cada qual
tentar o melhor possível!
64
Uma alegria incontida,
por algo que a gente goste,
gera luz mais desmedida
que a luminária do poste.
65
Um barquinho deslizando
sobre a ondulação tão mansa…
parece um anjo levando
ao mundo paz e esperança.
66
Um casebre na favela…
o espaço ganhou fulgor,
quando alguém pôs na janela
um simples vaso de flor!
67
Velha torre escura, ao longe...
O seu perfil me insinua
a ideia de um velho monge
tomando conta da lua.

Luiz Carlos Abritta (Tertúlia da Saudade)

A natureza se vinga de toda agressão sofrida e essa revolta respinga no centro de nossa vida! = = = = = = = = = = = = = Aos jovens dou um co...