Trovadores em Ordem Alfabética

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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Dagmar Aderaldo de Araújo Chaves Mombaça (CE, 1908 – 2002, Rio de Janeiro/RJ)

1
A minha Rosa querida
perfumada e humana flor,
eu prendi à minha vida
com chaves do meu amor.
2
Amizade que se perde
por motivos tão banais,
não merece ser lembrada,
pois era fraca demais.
3
Anchieta, a sua calma
e o seu exemplo de fé,
eu entrego esta minh’ alma
e a minha vida, de pé!…
4
Eu amo esta luz divina
que da Providência advém,
que a minha mente ilumina
e o meu coração também.
5
Hoje é um dia de festa!
Mais de que festa, é de glória.
Subiu ao céu, Anchieta,
deixando o nome na história…
6
Mesmo sem a luz dos olhos,
todo homem sabe em razão
tirar da vida os abrolhos,
tendo a luz do coração.
7
Meu amigo. Vê se aguenta…
Não posso alcançá-lo, não!
Pois, ao chegar aos oitenta,
já, você é noventão.
8
Mudam o tempo, o costume.
E a grande transformação
não tira o doce perfume
da saudade em gratidão.
9
Não temo a luta renhida.
Vim do Ceará. Sou forte.
Venço os embates da vida
e as garras da própria morte.
10
No dia nove de junho
quando Anchieta morreu,
o mundo deu testemunho
que mais um Santo nasceu.
11
Para o céu irei um dia
e com Jesus, de mãos dadas,
ver que Anchieta – o meu guia
me guiou pelas estradas.
12
Qual um raio de esperança
com futuro promissor,
Ana Beatriz alcança
ao nascer, o nosso amor.
13
Que o Bom Deus com Anchieta
o Apóstolo do Brasil
proteja nosso planeta
com todo amor varonil.
14
Se não fosse um Anchieta,
Padre Cícero Romão,
era de temer a “gang”
e a máfia que aí estão.
15
Sim. Vale a pena viver
com muito amor fraternal
tendo fé e confiança
no Bom Deus Universal.
16
Sou Chaves. E a Rosa presa,
que tenho no coração,
tem o viço da beleza
da nossa longa união.
17
Sou poeta e jardineiro,
domino os versos e a prosa;
mas no meu lar – um canteiro,
pois quem manda mesmo é a Rosa.
18
Tenho dois netos bonitos
e uma filha bem querida:
– São três elos infinitos
que prendem a minha vida.
19
Vendo este mundo de dor,
com violência, sem Norte
peço sempre ao Salvador:
– Paz, amor e boa sorte.
20
Você me chama de velho
por desdém ou ironia;
mas se fosse meu amigo,
“velho amigo” chamaria.
21
Vou desfiando os meus dias
qual as contas de um rosário,
levando as horas vazias
da saudade em meu calvário.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Diamantino Ferreira (Campos dos Goytacazes/RJ)

1
À mesa…  taças de vinho…
Alívio de um sofredor.
Já não vive mais sozinho
quem encontrou novo amor.
2
A trova, de qualquer jeito,
chega forte e vai bem fundo.
Em seu contexto perfeito,
já percorreu todo o mundo.
3
A velhinha nem repara
na dança da bailarina:
seu tempo há muito passara…
- Pobre dela!  Triste sina!
4
Beijo nas faces, carícias
- como tantas, inocentes;
mas abraços são primícias
dos desejos mais ardentes!
5
Bonecos… acorrentados!
Libertar-se?  Isso em vão!
Se um tem os lábios selados,
reclamar da escravidão?!
6
Em noite de lua cheia,
tanta luz por sobre o mar…
Bem mais que o dia, clareia
bela noite de luar!
7
Escrevem tanta besteira!
Parem com isso, de vez!
Pois quem des…fralda  bandeira
de… frauda   o  bom  português!…
8
Gente na rua protesta,
mas nem pensa em trabalhar.
Diz que o governo não presta,
nada faz para ajudar…
9
Havia só uma ponte!
- Ao chegar, já vejo duas!
Que o progresso mais desponte...
Saudades de minhas ruas!
10
Lento barquinho que, às cegas
no mar da vida, encrespado,
sem menor temor – navegas
em busca do ser amado!
11
Lua, que vagas, serena,
na amplidão do azul celeste,
traz consolo à minha pena,
leva a dor que me trouxeste!
12
Na casa de quem escreve
há sempre papel no chão:
não perde tempo quem deve
segurar a inspiração!
13
Na mesma rede embalados…
Porém a vida é tão dura!
– No que pensam namorados
se não na vida futura?!
14
Não há palavra nenhuma
tão grande quanto “saudade”
que em sete letras resuma
a dor e a felicidade.
15
Não me negues teu retrato,
que isso é tola precaução,
pois já o tenho, de fato,
gravado no coração!
16
Não sou ave, nem sou peixe;
nunca aprendi a nadar,
mas peço a Deus que me deixe
um dia destes voar!
17
Nunca fui águia altaneira,
como nunca fui condor:
– remédios à cabeceira,
somente um velho… com dor.
18
Os meus garbosos oitenta
jamais pensei alcançar:
será que a carcaça agüenta
uns outros mais a chegar?
19
Para nos meter o malho,
como se fosse inimigo,
Deus inventou o trabalho,
deu-nos sogra por castigo!
20
Praia…  Sentado na areia,
sem nuvens de tempestade,
enquanto a mente vagueia
alguém chora de saudade!
21
Quando a mãe beija seu filho
- tesouro herdado de Deus! -
quanto fulgor! Quanto brilho
se espelha nos olhos seus!
22
Quão  tola a galanteria
que, em bailes, a multidão
exibe, falsa alegria
que não tem no coração!
23
Sendo unidos, todos nós,
podemos salvar  o mundo.
Vamos juntar-nos e, após,
nenhum prazer mais profundo!
24
Ser feliz é ser poeta;
mais feliz, só trovador:
ambos, sendo um só esteta,
dizem tudo com amor!
25
Sofrem tantos na agonia
do delírio, dito "amor";
isso tudo acaba um dia,
faz frio após o calor...
26
Tantos anos, e eu daqui,
cuidei da vida lá fora;
fiquei moço, envelheci...
- Mas estou voltando agora!
27
Temperança é sobriedade,
em tudo, moderação;
não usar à saciedade
o pouco que tem na mão.
28
Trovador!  Que trova fazes?
– Amigo, nem sei dizer!
Com ela, já fiz as pazes,
casados até morrer!
29
Uma placa numa estrada
deseja felicidade.
Mas, não sendo respeitada,
vem a morte… a eternidade…
30
Um casal apaixonado 
que anseia por se casar, 
vendo o relógio parado, 
cansou de tanto esperar…

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Eliana Dagmar (Amparo/SP)

 1
A certeza que me encanta
e a ti também, certamente,
é saber que a mãe mais santa
será sempre a mãe da gente!
2
Aplauso é luz de dois gumes...
Cuidado... avisa o teu ego...
O excesso, às vezes, de lumes
transforma o sábio num cego...
3
As veredas de meu ego
são rotas de um labirinto
que quanto mais eu trafego,
mais perto de mim me sinto!
4
Chegar longe é quase nada
para aquele que na vida
faz do ponto de chegada
novo ponto de partida.
5
Com pedrinhas de saudade
uma torre eu construí:
– dentro dela tenho a idade
dos sonhos que já vivi!
6
Coragem mesmo, de fato,
encontro em cada Maria
que da prole, em raso prato,
mata a fome todo dia!
7
Da infância ainda guardo viva
a imagem de um lampião:
– era uma estrela exclusiva
num céu tão perto do chão!
8
De meu pai, desde pirralha,
guardo a lição que hoje entono:
- não há fortuna que valha
a paz que me embala o sono!
9
Disfarcei, com tal destreza,
minha dor e cicatriz,
que até a própria tristeza
pensou que eu fosse feliz!
10
Esta certeza me invade
e a vida nunca a distorça:
- Um sorriso de bondade
convence mais do que a força!
11
Estrela de um brilho régio,
de uma luz que não se esvai;
Luzia - que privilégio!
- foi meu mestre, amigo e pai.
12
Falso amor, ainda me inspira
tantos versos de saudade...
Que importa se era mentira?
Eu fui feliz de verdade!
13
Igual penetra faceiro
meu coração sem juízo,
deita e rola por inteiro
na festa do seu sorriso!
14
Luiz Otávio renova
o perfume que há no verso,
semeando a Rosa da trova
pelos jardins do universo!
15
Meu reino é coisa tão minha,
é meu lar e onde estiver,
nele sou mais que rainha:
– sou mãe,amiga e mulher!
16
Meus sonhos tinham outrora
toda a altivez dos pinheiros,
que a serra da vida agora
vem transformando em madeiros...
17
Meu tesouro é singular,
superlativo e tão pleno...
E, mesmo assim, no meu lar
cabe num berço pequeno!
18
Nana-nenê... Teus caminhos,
mesmo que excedam meus passos,
ainda cabem todinhos
no aconchego dos meus braços…
19
Não condenes o delírio
que atiça as paixões humanas;
não perde a pureza o lírio
colhido por mãos profanas...
20
Não te iluda a fantasia
nem te impressione a bravata:
– há palhaço todo dia
vestindo terno e gravata.
21
Na solidão da sarjeta,
sob a marquise tão nua,
o sono cobra gorjeta
dessas crianças de rua...
22
Nem sempre o tamanho ordena
a nobreza de um troféu:
– na manjedoura pequena
coube um Rei maior que o Céu!
23
No delírio, entre lençóis,
a tua boca encarnada
tem a cor dos arrebóis
invadindo a madrugada...
24
Olho a estrada percorrida
e reconheço, à distância,
que o respeito pela vida
a gente aprende na infância.
25
Palavra é força graúda,
mesmo em pequena oratória.
Um bilhete, às vezes, muda
todo o curso de uma história...
26
Para fugir da saudade
me disfarcei de alegria;
e a danada, por maldade,
pôs a mesma fantasia..
27
Quanta exceção há na regra
que o adeus, às vezes, constrói:
– pois chegar nem sempre alegra
e partir nem sempre dói...
28
Senhor Deus, misericórdia,
se, na soma dos meus dias,
tantas vezes fui discórdia
e não a Paz que querias...
29
Sereno é colcha fluida
que ao cair, abençoada,
cobre a relva adormecida
no berço da madrugada...
30
Siga, filho, nessa graça
da virtude que o distingue:
– seja o brilho da vidraça,
jamais a mão do estilingue.
31
Só o amor sabe de cor
esta divina lição:
– nenhuma ofensa é maior
que a grandeza do perdão!
32
Sou saudade caminhando
pelos pés de uma lembrança,
a todo instante indagando
o porquê de tanta andança...
33
Torno a vida um fardo leve
porque acredito no amor;
sou palhaço que se atreve
a sorrir da própria dor...
34
Velhice é a idade de quem
perdeu o brilho do olhar;
é a vida empurrando alguém
que desistiu de sonhar...

XXV Concurso de Trovas de Caicó-RN 2026 (Premiados)

Tema: Conquista ÂMBITO NACIONAL  VETERANOS 1. Lugar:  Cezar Defilippo  (Astolfo Dutra-MG) Nas crises emocionais – conquisto em mim – nas bat...