Trovadores em Ordem Alfabética

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quarta-feira, 30 de julho de 2025

Sérgio Bernardo (Rio de Janeiro/RJ)

1
A glória não mais me acena...
Mas, por amor à ribalta,
eu sou artista que encena,
mesmo se o público falta!...
2
A nuvem que o céu escreve,
desfeita no entardecer,
é uma carta clara e breve
que o vento rasga sem ler...
3
Ao meter no basculante
seus cem quilos de ousadia,
que sufoco o do assaltante:
–  não entrava... nem saía!
4
Ao sentir que a noite nasce,
fecho as cortinas, ligeiro,
pra que o luar não te abrace
sem que eu te abrace primeiro!
5
Ao velho ator fracassado
resta o cenário sombrio
de um projetor apagado
junto ao cinema vazio...
6
Ao ver, com creme vermelho,
da esposa o rosto emplastado,
teve impressão o Botelho
de que entrou no inferno errado!
7
A Rainha, em sua ira,
quer presa a velha condessa,
porque, à noite, o Rei não tira
a "coroa" da cabeça!
8
A vida nada me entrega...
mas quando durmo, a teu lado,
sonho ter o que ela nega
sempre que sonho acordado!!!
9
Baiano, ele odeia pressa,
E avisa, ao se machucar:
–  Se tiver de pôr "compressa",
que seja bem devagar!!!
10
Cava o tempo uma cratera
onde a infância se ocultou,
pois não encontro quem era
no semblante de quem sou...
11
Celular eu não tolero
desde um pré-pago que eu tinha,
que tocou “Mamãe eu quero...”
no velório da vizinha!
12
Chega gritando o anãozinho
no velório do Jacó...
Pede alguém: – Fala baixinho!
E ele diz: – Baixinho é a vó !!!
13
Chegam antes do café...
E a comadre, num sussurro:
–  Visita que vem a pé
quase sempre “amarra o burro”!
14
Comprovo, num pranto mudo,
após a espera frustrada,
que o depois promete tudo
mas não cumpre quase nada!
15
Delírio próprio de um louco,
a que o amor me tem exposto:
–  Olhei-me no espelho há pouco
e em vez do meu... vi teu rosto!
16
Depois de um sonho frustrado
que a própria vida desfez,
insiste... volta ao passado
e sonha tudo outra vez!...
17
Entardece...e a dor dos sós
entra em meu quarto sombrio.
Ontem...tão cheio de nós...
E hoje...de ti, tão vazio!
18
Envelhecemos... Nós dois...
E hoje é que voltas, por fim...
Não pensei que o teu "depois"
fosse tão depois assim...
19
Feitos de instantes tristonhos,
se os meus dias são banais,
não é porque faltam sonhos,
mas porque há mágoas demais!...
20
Fiz à luz de um candelabro
a poesia aqui guardada.
–  Ele sabe o quanto me abro
nessa gaveta trancada.
21
Foram tantos namorados
com mãos lascivas demais,
que hoje ela é um banco de dados
só de impressões digitais!
22
Grita a roceira, ao olhar
seu filhinho na balança :
–  Doutor, só vim consultar...
Não vim vender a criança!
23
Meu sonho, num louco intento,
quis o céu e, em gesto aflito,
prendeu-se à pipa que o vento
despedaçou no infinito!...
24
Minha alma é nau que se solta,
e eu, sem comando de mim,
ouço os gritos de revolta
dos meus sonhos em motim !
25
Na campa do tal rapaz
que no batuque era um bamba,
em vez de por: "Aqui jaz"...
alguém gravou: "Aqui samba"…
26
Na festa de caridade,
Zé, com cara de tragédia,
tirando a média de idade,
foi parar na Idade Média!
27
Na porteira passa o dia
e a quem passa ele se queixa:
– Eu, por mim, trabalharia...
a preguiça é que não deixa!
28
Nas garras de amor tão louco
que exige agora o depois,
uma vida é muito pouco,
para o encontro de nós dois!
29
Nas horas de desencanto,
não me falta um bom amigo
que, se não seca o meu pranto,
ao menos, chora comigo!...
30
No churrasco, um pelo branco...
E o freguês, desconfiado:
–  Acho que o “boi” desse espeto
já “miou” no meu telhado!!!
31
No portão, seu “Love” a agarra...
E a mãe a põe na berlinda:
–  Tão cedinho e já na farra?
Diz ela: –  Já, não... Ainda!!!
32
Nos corações onde agora
falta o encanto da alegria,
quem sabe não tenha outrora
também faltado ousadia...
33
O elevador não fechava;
e, irritada, uma roceira
quis saber onde ficava
a "tramela" da "porteira"!!!
34
O Pacote é bom, Batista?
–  Pra mim é, pois dá dinheiro...
–  Ah, o amigo é economista?
–  Não, senhor... sou pipoqueiro!
35
O Zé segue o enterro... E ao ver
seu rosto, um verme diz, sério:
–  Quando esse "troço" morrer,
eu fujo do cemitério!...
36
Pelo guarda não multada
por dirigir velozmente,
exclama a moça, espantada
–  Meu Deus, que guarda imprudente.
37
Piada foi quando o Augusto
entrou no armário, apressado,
e quase morreu de susto
quando alguém disse: - Ocupado!
38
Pra falar sozinho, a esmo,
o louco quis inovar,
telefonando a si mesmo
do orelhão pro celular!...
39
Quando um cão grã-fino olhou
sua cadela, de esguelha,
meu cão pulguento ficou
"com a pulga atrás da orelha"!
40
–  Quero ficar um bebê...
Doutor, quais rugas removo?
–  O remédio pra você
seria nascer de novo!!!
41
Quis remédio contra insônia,
mas, sem óculos, não viu
que abria o vidro de amônia...
Aí, sim, que não dormiu!!!
42
– Refém do teu pouco caso,
de alvoradas não entendo...
Meus dias só têm ocaso
sem teu sol me amanhecendo…
43
Se entre os monstros, algum dia,
fosse eleito um presidente,
o fantasma venceria,
pois só ele é "transparente"!
44
Sem ousar, temendo assombros,
meus sonhos recolho e guardo...
E agora sinto em meus ombros
o quanto pesa este fardo!
45
Sempre que a vida me assalta,
eu luto com tanto empenho,
que é quando a força me falta
que eu meço a força que tenho!
46
–  Seu filho pôs brinco, Elisa
–  Que é que tem ? É moda usar!
–  Não tem nada... Mas precisa
pulseira, anel e colar ?
47
Sozinho, ao fim das andanças,
desfio nas madrugadas
meu rosário de lembranças
de ousadias não tentadas...
48
– Subiu na vida o Fernando.
–  Ficou rico? - indaga o Lima.
–  Não, senhor Está morando
seis barracos, morro acima !!!.
49
Tão bom se alguém inventasse
– para o gasto ser contido –
um relógio que marcasse
somente o tempo perdido.
50
Tem um cacoete vulgar
indo à reza, tal senhora:
na pressa de comungar,
já vai com a língua de fora!
51
Uma ironia que arrasa
quem vê perto a despedida:
– Sobram relógios na casa,
mas falta tempo na vida.
52
Vovó fez rir a torcida,
e a gincana quase "fura":
–  Quando a maçã foi mordida,
levou junto a dentadura!
53
Vovó se afoga ... e, no cais,
com vovô tentando a cura,
o boca a boca foi mais
dentadura a dentadura.

terça-feira, 29 de julho de 2025

Julieta Wendhausen de Carvalho Gomes (Niterói/RJ)

1
A criança adormecida
parece um lírio se abrindo.
É o princípio de uma vida
que o tempo vai esculpindo.
2
É tão belo o amanhecer,
quando o sol enfeita a aurora,
que o luar ao perceber,
fica triste e vai embora.
3
Eu nunca fico às escuras
nos caminhos que percorro,
porque Deus, lá das alturas,
sempre me envia socorro...
4
Eu venho fazendo versos
em fase de encantamento...
Trago na mente Universos
girando em meu pensamento.
5
Há nos jardins uma flor
que se chama Amor-perfeito.
Eu também tenho um amor
perfeito dentro do peito...
6
Há sonhos em nossas vidas
que duram um só momento.
Parecem flechas perdidas
nas asas do pensamento.
7
Há tempos eu descobri
mais uma forma de amor.
É o beijo do colibri
na corola de uma flor...
8
Nosso amor é tão bonito,
que já não tem dimensão,
pois galgamos o infinito
mesmo tendo os pés no chão.
9
- Nuvem leve, tão discreta.
Quem te fez tão leve assim?...
Foi o sonho de um poeta,
ou coisa de um querubim?...
10
O canto do passarinho
que era liberto outrora,
é só saudade do ninho,
é sua alma que chora...
11
O tempo ficou parado
naquele retrato antigo,
que mesmo preso ao passado,
conversa sempre comigo...
12
O verso da trova é leve,
e por ser leve é fluente,
mas na hora que se esereve,
é um pedaço da gente...
13
Para ser sempre lembrado
com alegria e emoção,
o nosso amor foi guardado
no cofre do coração...
14
Pouso os olhos nas estrelas
sob um banho de luar.
E assim, perdida por vê-las,
nem sinto a noite passar.
15
- Qual o ritmo mais belo
que a gente pode escutar?
- É o ritmo singelo
das cantigas de ninar...
16
Quando o inverno terminar,
abrirei minhas janelas...
Quero ver em pleno mar,
muitos barcos, muitas velas...
17
Quando leus lábios se calam,
eu consigo perceber
o que teus olhos me falam
e o coração quer dizer…
18
Quem vive da nostalgia
dos momentos do passado,
não faz do seu dia-a-dia
um presente a ser lembrado…
19
Tão esplêndido luar
desceu do céu sobre a terra,
que eu cheguei a imaginar
que havia prata na serra...
20
Um sorriso de criança
Sempre nos traz novo alento.
É como um fio de esperança
num leve sopro do vento...
21
Uma trova pequenina,
quando sincera e sonora,
a nossa mente ilumina
como o esplendor de uma aurora...
22
Uma verdade se encerra
nesta minha afirmação:
- A flor se eleva da terra
e o verso do coração...
23
Uma vida sem amor
parece casa vazia,
parece jardim sem flor
ou canção sem poesia...

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Gilvan Carneiro da Silva (São Gonçalo/RJ)

1
Abro a cortina do sonho
e num gesto de quem vela,
-me deito a seu lado e ponho
meus sonhos nos sonhos dela...
2
A Justiça, envergonhada,
baixa os olhos impotentes,
quando algumas, por um nada,
prendem pulsos inocentes.
3
Alvorada dos meus dias,
teus olhos – luzes pagãs
acendem com poesias
o céu de minhas manhãs…
4
A mais cruel solidão
é a do cego (sina triste),
vivendo na escuridão,
sabendo que a luz existe.
5
Angustiante dúvida esta
perseguindo os dias meus:
o tempo que ainda me resta
é o mesmo tempo de Deus?…
6
A vida é um breve passeio
e o homem não sabe, talvez,
que ele é um “turista” que veio
e vai voltar outra vez…
7
Baseada em tristonhos fados
a história assim se deduz:
todos nós somos culpados
daquela morte na cruz…
8
Cai a tarde lenta, e nasce
em tudo um gesto de prece...
Ah, se o instante me levasse!
Ah, se a tarde te trouxesse!
9
Caíste amigo? Ergue o peito.
Esconde o pranto. Levanta.
É caindo no seu leito
que o rio mais forte canta.
10
Como esconder a tristeza
que aperta meu coração:
o pão me sobra na mesa
e há tanta gente sem pão!
11
De fato acordos teriam
de a paz selar muitos laços,
se braços que digladiam
se estendessem para abraços.
12
De pensar tanto em Maria,
- oxalá isto endireite -
no restaurante, outro dia,
pedi Maria com leite...
13
Diante de tantos escolhos
em meu insone abandono,
eu sei que são os teus olhos
a luz que impede o meu sono
14
Dizer que a vida não presta
não me cabe isso afirmar.
A minha vida é uma festa
na festa do seu olhar.
15
Em meio a ações violentas,
tanto ódio, pouco juízo,
bendito aquele que ostenta
como armamento um sorriso.
16
Esta manhã que se adensa
em tanta luz e poesia.
basta ter tua presença
para enfeitar mais o dia.
17
Foi ela... Eu sei, é um garrancho
esse "EU TE AMO" escrito assim...
Mas isso faz do meu rancho
um castelo para mim!
18
Fraco ante as minhas paixões,
invejo, juro por Deus,
essa audácia com que pões
teus olhos dentro dos meus.
19
Fui à missa. Que pecado!
- Perdão, "seu" padre, se errei.
Ela sentou-se a meu lado,
olhei... pensei e... pequei!
20
Hoje não te vi. Prevejo
inquietação... desconforto...
O dia em que não te vejo
é para mim dia morto...
21
Mesmo que a tantos iluda
com diversas abordagens,
história de amor não muda,
mudam só os personagens...
22
Meu coração não te esquece,
refém de insones rotinas.
Ah, se a manhã te trouxesse
quando eu abrisse as cortinas!...
23
Minha paixão decidida
doce sentença esquadrinha:
minha vida só tem vida
se a tua vida for minha.
24
Mistérios em si bisonhos, 
que o amor decifra e traduz:
são os teus olhos tristonhos
que enchem meus olhos de luz.
25
Nas mãos de Deus, em verdade,
o universo se afigura
na simples fragilidade
de ser uma miniatura.
26
Neste sonhar em que vivo
da poesia cultor,
o teu desvelo é o motivo
dos meus motivos de amor.
27
Numa tímida esperança
eu a cobiço com medo,
como uma pobre criança
que almeja um lindo brinquedo!
28
O céu de luto parece
quando a cigarra anuncia
num canto em forma de prece
a morte triste do dia...
29
Ó minha alma, por que anseia
ir tão longe os vôos seus?...
O universo é um grão de areia
na palma da mão de Deus...
30
O pobre estende a sacola:
(que triste contradição!)
- os lábios pedem esmola;
- os olhos pedem perdão...
31
– O que é o vento, mamãezinha,
que a gente não vê mas sente?
E a mãe responde: “– Filhinha,
vento é Deus beijando a gente...”
32
O sol vem... E faz algumas
distinções em seu caminho:
deixa um Palácio entre brumas,
cobre de luz um ranchinho.
33
O truque falha...vermelho,
o mágico diz que o enguiço
é culpa do seu coelho
que ainda é novo no serviço…
34
Por mil candangos plantada
com ferro, cimento e asfalto,
eis Brasília, germinada
como uma flor no Planalto!
35
Procuras em vão... Contudo,
não desesperes... Convém.
A felicidade é o tudo
do pouco que a gente tem…
36
Quem me vê tristonho assim,
talvez não saiba que existe
chorando dentro de mim
o eterno menino triste...
37
Refém de ti, não recuo,
réu do amor que me corrói:
cada sonho que construo,
tua apatia destrói...
38
Se crês, uma prece apenas
é possível transformar
um mar de dores e penas
num doce e tranquilo mar...
39
Se não te tenho ao meu lado,
um só instante sem ti
é como um dia passado
que sinto que não vivi...
40
Sendo boa ou má, a vida
teve sempre o seu valor,
se um dia foi repartida
em um momento de amor.
41
Sendo o fim de longa espera
sabendo que sou teu dono,
voltou a ser primavera
em minha vida de outono…
42
Sonhos dourados desmancho...
Meu coração enfim vê
que às vezes, ventura, é um rancho
de chão batido e sapê…
43
Teus rogos, se estás sozinho,
pleno de amor, Deus atende,
mas a luz do teu caminho
teu coração é que acende !
44
Veio um golpe em teu encalço?...
Não desesperes em vão!
Às vezes um passo em falso
não joga a gente no chão.
45
Vejo-te e tanto me apego
com teu ser que me seduz,
que me sinto como um cego
maravilhado ante a luz…
46
Vivendo de um sonho morto
na solidão dos meus dias,
o meu coração é um porto
cheio de amarras vazias...

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Alberto Fernando Bastos (Rio de Janeiro/RJ, 1921 - ????)

1 
A bela trova, em verdade,
tem aqui berço natal...
Mas o toque de saudade
quem nos deu foi Portugal!...
2
À noite, quando me deito
sem você - por meu castigo -
intrometida em meu leito,
fica a tristeza comigo!
3
A trova eu faço assim - de olho...
E a seguir por essa trilha,
nos cascalhos que eu recolho,
sempre alguma coisa brilha!...
4
Como troféus de vitórias,
minhas rugas, comovidas,
contam todas as histórias
de mil batalhas vencidas!
5
Com presteza indescritível,
confundindo o ser incréu,
da prece o barco invisível
nos leva ao porto do céu.
6
Da chama, outrora incontida,
de minha vã mocidade,
a brasa dorme escondida
sob a cinza da saudade…
7
Da paz deixei a procura...
Não a busco mais, enfim.
Por que sofrer a tortura
se ela está dentro de mim?!...
8
Do frio que me castiga,
neste inverno que perdura,
só me livra, aquece e abriga,
teu cobertor de ternura!...
9
É na renúncia que a gente
salva, mesmo em retirada,
de uma derrota iminente
o tudo de um quase nada!
10
És feliz? Não digas nada.
Goza em silêncio o teu bem,
que há muita gente empenhada
em não ver feliz ninguém!...
11
Há em nossa alma cansada,
mesmo sendo a vida atroz,
criança eterna e levada
que brinca dentro de nós...
12
Mandei-te embora e, ao fitar-te,
em ti não vi qualquer queixa.
Hoje, o amor, em outra parte,
essa tristeza não deixa!...
13
Mesmo sem querer ouvir,
vou guardando, contrafeito,
as ofensas que ao dormir
vou ruminar no meu leito…
14
Na noite em que perco o sono,
pensando coisas a esmo,
sinto o pavor do abandono
por ter medo de mim mesmo...
15
Não consintas, Pai amado,
seja de novo esta Terra
cenário triste e assolado
pelo fantasma da guerra!…
16
Nem mesmo a morte retrata
o horror que a desonra traz:
– Se uma espada fere e mata,
bem pior a língua faz...
17
Neste mundo, onde os problemas,
são reticências impostas,
o trovador busca os lemas
e as rimas trazem respostas...
18
Num contra-senso, é verdade,
- pois vazio é sem valor -
o vazio da saudade
encheu minha alma de dor!...
19
Por certo fico à deriva
no mar da vida - agitado -
se uma ideia negativa
no barco, pesa ao meu lado...
20
Quem nunca se desespera,
nem pedras atira a esmo,
vivendo em busca sincera
encontra a paz em si mesmo.
21
Quis ser famoso e, na vida,
apanhei... levei pancada...
Hoje, ao fim de muita lida,
me conformei: – Não sou nada!
22
Se o nosso céu se escurece,
a própria dor nos conduz
à busca humilde da prece,
que inunda a vida de luz!
23
Trovador, de alma empenhada
em luta, em choques medonhos,
faz da Trova a tua espada
e busca salvar teus sonhos!...
24
Um pensamento retive,
dentre muitos a escolher:
– Quem para servir não vive.
não serve para viver!…
25
Uma sombra - uma inquietude -
lembra-me, agora infeliz,
o bem-fazer que não pude
e o bem que pude e não fiz.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Rômulo Cavalcante Mota (Rio de Janeiro/RJ)

1
Aprendi muitas lições,
delas não faço mistério:
– “a rua dos valentões,
tem sede no cemitério”.
2
A quem não sabe a lição,
ensino a pequeno custo:
– “entra na casa o ladrão,
do pobre só leva o susto”.
3
De espelho posso afirmar,
de mulher sei repetir:
– “um reflete sem falar
outra diz sem refletir”.
4
De manhã desperta o nobre,
ouvindo seu passarinho,
“mas despertador de pobre
é o galo do seu vizinho”.
5
De mulher não se adivinha
o que ela disse ou pensou:
– “a mulher que andou na linha
o trem que passou, matou”.
6
Ensina um famoso vate
esta verdade tamanha:
– “coração de rico bate,
coração de pobre apanha”.
7
É profunda, é grande dor,
solidão de um passarinho.
Mais triste é sonhar o amor
e cedo acordar sozinho.
8
Eu lhe digo com certeza
aquilo que você quer:
– “do homem a maior riqueza
é ter sincera a mulher”.
9
Há gente que até graceja,
com esta grande verdade:
– “desconhecendo que é a inveja
fruto da incapacidade.”
10
Há muito já se dizia,
esta lição do passado:
– “solteiro, vida vazia,
como enche a de casado.”
11
Merecem rosas e palmas
quem nos ensina a viver,
“ pois somente as grandes almas
silentes sabem sofrer”.
12
Não tens pena, moreninha,
de quem te espera e não cansa?
Sei que a culpa é toda minha,
nunca me deste esperança.
13
Na vida, vou caminhando,
por este caminho infindo:
– “às vezes pago, chorando,
o que prometi sorrindo”.
14
Nem sempre aquilo que é belo,
é, de fato, o mais bacana:
– “para que queres castelo,
se és feliz numa cabana?”.
15
O rosto é que nos retrata
do coração a ferida:
– “sei que a saudade não mata,
mas nos sepulta com vida”.
16
Para que se vai à guerra
para que tanto barulho,
“ se algum dia a mesma terra
cobrirá o teu orgulho”.
17
Para que tanta corrida
se temos a mesma sorte,
corremos atrás da vida
perseguidos pela morte.
18
Procurei a vida inteira
pelo amor que eu mais queria:
– “a saudade é companheira
de quem não tem companhia”.
19
Quanta gente há que procura
encontrar consolação:
– “a medicina não cura
a dor da separação”.
20
Quem tem uma grande culpa
aos outros a culpa atira:
– “Porque, atrás de uma desculpa
sempre se esconde a mentira”.
21
Tenho amigos e bendigo,
quando me presta socorro:
– “mais vale um cachorro amigo
do que um amigo cachorro”.
22
Teu retrato que eu desejo,
é uma desculpa. Afinal,
na saudade em que me vejo,
quero é o teu original.
23
Todo mundo ri e se dobra
por mais que tenha preguiça:
– “o cão mordido por cobra
tem medo até de linguiça”.
24
Viola de trovador
tem cordas bem afinadas
e, se o tema for amor,
toca em todas as toadas.

XXV Concurso de Trovas de Caicó-RN 2026 (Premiados)

Tema: Conquista ÂMBITO NACIONAL  VETERANOS 1. Lugar:  Cezar Defilippo  (Astolfo Dutra-MG) Nas crises emocionais – conquisto em mim – nas bat...