Trovadores em Ordem Alfabética

  • A (49)
  • B (5)
  • C (22)
  • D (12)
  • E (14)
  • F (12)
  • G (9)
  • H (11)
  • I (4)
  • J (30)
  • L (30)
  • M (31)
  • N (8)
  • O (12)
  • P (11)
  • R (18)
  • S (12)
  • T (5)
  • V (5)
  • W (9)
  • Z (2)

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

José Feldman (Instantes Mágicos)


O tempo é uma substância estranha. Temos relógios para medi-lo em partes iguais, mas o coração ignora os ponteiros. O instante que vivemos pode ser o que há de melhor. Alguns momentos são tão preciosos que desejamos que durem para sempre, toca exatamente nessa ferida aberta da nossa existência: a nossa eterna briga com a efemeridade.

Preparamos a vida inteira para os grandes palcos. Estudamos anos para uma carreira, planejamos meses para uma viagem, economizamos décadas para o futuro. Porém, quando olhamos para trás em um momento de silêncio, o que nos sustenta não são os grandes blocos de horas planejadas. São os fragmentos. O instante exato em que o sol bateu no rosto de quem amamos e rimos de uma bobagem qualquer. O segundo de silêncio compartilhado antes de um abraço de despedida. O estalar de dedos em que a solidão deu trégua e nos sentimos parte do universo.

Há uma contradição bonita e dolorosa na busca humana pelo "para sempre". Queremos eternizar o que é bom porque a beleza nos assusta com a sua brevidade. Se o instante precioso durasse para sempre, ele deixaria de ser instante. Viraria rotina. Perderia o brilho exato que só a urgência do fim consegue dar. A eternidade de um momento não está na sua duração cronológica, mas na profundidade da marca que ele deixa na alma. Um segundo de felicidade plena é mais vasto do que um ano inteiro de dias cinzentos e automáticos.

O perigo da nossa era moderna é que estamos esquecendo como habitar o instante. Estamos sempre um passo à frente, antecipando o próximo compromisso, ou um passo atrás, remoendo o que já passou. Quando o instante precioso acontece, muitas vezes tentamos sacá-lo do fluxo do tempo com a câmera de um celular, tentando congelar o que só deveria ser sentido. Ao tentar registrar o momento para guardá-lo no futuro, esquecemos de estar presentes nele agora.

Alguns instantes mereciam o infinito. Como não podemos parar o relógio, nos resta a dignidade de viver esses momentos com entrega absoluta. Se não podemos fazer o tempo parar, que saibamos pelo menos expandir o agora, mergulhando de cabeça em cada segundo precioso. Afinal, a eternidade não é o tempo que nunca acaba; é o instante que nunca esquecemos.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  

        JOSÉ FELDMAN é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo (1954), ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Taboão da Serra, Curitiba, Ubiratã e Maringá (PR) onde se fixou desde o ano de 2011. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por mais de 10 anos no Hospital das Clínicas da FMUSP. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. Professor de trovas e escrita criativa. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo “Euclides da Cunha”, na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister em Letras, em Portugal; Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias de Artur da Távola. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores: 
1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos; 
2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor; 
3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Jerson Brito (1973)

A melhor alternativa para alcançar a vitória é tornar a tentativa atitude obrigatória! = = = = = = = = = Aquela vila afastada, nas brenhas ...