vem chegando do outro lado!
correu mundo, ganhou fama,
À noite, ao passar das horas,
esqueço os dias tristonhos,
dão-me folga para os sonhos!
quando tirava a de cima ….
Aos Teus pés eu me ajoelho,
– Quem me dera ser espelho
de um outro, num pega-pega,
diz a galinha: Que lindo!
– E o pato: “Tem mãe que é cega”!…
indaga o Zé, com malícia:
que ninguém pode esquecê-la
jamais consegue esquecê-la!
que se paga qualquer preço
que a vida queira cobrar!…
de mistério, onde, com arte,
sem saber, a gente escreve
somente a primeira parte!…
Cama nova, ele sem pressa
ante a noivinha assustada,
Chegaste a sorrir, brejeira,
E, nunca uma noite inteira
Compensando o meu desgosto
por longos dias tristonhos,
à noite eu vejo teu rosto
no espelho azul dos meus sonhos.
Dando um susto na mulher,
chega em casa bem cedinho…
Dê carona ao seu vizinho!”
vai seguindo o meu caminho
e me dá de vez em quando!…
Deixando os homens aflitos,
Dela não quero mais nada…
– Tranquei a porta e o portão…
– E a saudade, mais ousada,
na indiferença ou na dor,
Diz, em segredo, na venda:
– E houve uma briga tremenda:
seu presente ao seu passado!..
– Com dois pingos na careca,
Ei, garçom, veja o meu prato!
Tem dois cabelos na beira…
quer ver toda a cabeleira?
Ela é mulher de vanguarda,
que ouvindo o apito do guarda,
já vai mostrando a carteira!
e ela encontra seu caminho,
– Fui presa do teu carinho,
hoje estou preso à saudade!…
Em nosso encontro, em segredo,
– Fui eu que cheguei mais cedo,
ou você que chegou tarde?…
e, mesmo assim, se perdeu! …
Em seus comícios, nas praças,
– Vai ele inflamando as massas!
– Vai ela inflamando os moços…
É noite… a porteira range
no rancho, à beira da estrada
Enquanto um velho comenta
sobre a vida: -”Ah! Se eu soubesse…”
um outro vem e acrescenta
já descrente: -”Ah! Se eu pudesse…”
Eu finjo que estou contente…
Ela finge que está triste…
– No canto do amor, a gente
Eu tenho pressa, é verdade,
pois este amor me arrebata…
E se eu não mato a saudade,
Foste embora… e, amargurado,
tentando a volta ao passado,
mas o passado não volta!…
Mesmo nos dias tristonhos
que a vida insiste em nos dar,
liberdade é perder sonhos,
Minha dor foi mais intensa,
ao ver, no adeus, na incerteza:
eu, fingindo indiferença…
você, fingindo tristeza!…
foi ver, no adeus, indeciso:
– Eu disfarçando o meu pranto…
– Tu disfarçando um sorriso…
deixando os homens “de tanga”…
Lá fora o imenso luzeiro…
– e dentro,uma lamparina.
“Não conto mais com você!…”
– Diz a mulher, lá da sala.
no inverno, então, nem se fala !…”
o “pão duro”, em seus intentos,
Não vens… na casa fechada,
a saudade, em horas mortas,
– Se esgueira através das portas.
Na pensão da “dona” Estela,
há curiosos pensionistas:
Tem um dentista “banguela”
e gordos nutricionistas !…
Naquele hotel de terceira,
Nas lojas sempre envolvido,
– ou por ser desconhecido,
No hospício, foi grande o susto,
quando o Zé, no “elevador,”
No palco, o adeus indeciso …
e o cenário, um desencanto …
– Se era falso meu sorriso,
era mais falso teu pranto!…
No “terreiro” ela, com pressa,
diz que o “santo” é mole à beça…
sem mágoas, sem dissabor.
Pondo algemas no passado,
não se prende um grande amor!
com muito amor, de mãos juntas
eu, que fui buscar respostas,
voltei cheio de perguntas!…
e o guarda, apito na mão,
ao cobrir sua “infração”!
Passa o tempo… e eu vivo aqui,
sozinho, em noites de tédio…
que o tempo é o melhor remédio!…
Pelo “saudoso”, intrigada,
– É no quarto da empregada
que seu fantasma aparece!…
Sem preconceitos escravos,
tanto há prudência nos bravos
como ousadia em covardes!…
que eu consigo ver a luz,
mesmo em plena escuridão!.
mas, quando a polícia passa,
não se ouve nem um suspiro!
Soube o marido da Aurora,
que o vizinho dorme fora,
quando ele dorme também…-”
tudo esqueço e sigo em frente…
– Que me importa seu passado,
se você faz meu presente?…
Toda a receita anda pasma,
– Tem funcionário fantasma
Toda noite sai “na marra”,
Dizendo à mulher: -”Não Torra!”
em casa ela vai à forra!…
ao Senhor, em suas preces,
não se escreva com dois esses!…
de cantora, com requinte…
mas foi cantada umas vinte!…
muito linda, em seu cantinho,
Velhote, “cabra da peste”
diz que, quando dá saudade,
toma o remédio, faz teste,
Veja o mico que eu paguei:
a ducha fria: “Oi, titio”!…
muito linda, em seu cantinho,
meu amor nasce outra vez!…