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terça-feira, 12 de março de 2024

Nilton Manoel Teixeira (Ribeirão Preto/SP, 1945 - 2024)


Nilton Manoel de Andrade Teixeira, capricorniano de 3 de janeiro de 1945, nasceu em Ribeirão Preto-SP, onde veio a falecer em 12 de março de 2024
.
Professor e contabilista.

Começou nos anos sessenta publicando seus textos no mimeógrafo à álcool e escrevendo para jornais. Com apoio de Luiz Otávio (fundador da União Brasileira de Trovadores) implantou os Jogos Florais em sua cidade e como presidente da seção ubeteana de Ribeirão Preto, realizou eventos locais e nacionais.

Na área da Literatura, esteve no Conselho Municipal de Cultura, por três gestões.

Livros editados:

Trovas da Juventude; 

Cantigas do meu terreiro; 

Caviar, gororoba e sal de frutas, 

Poesia Mágica (haicais) e 

folhetos de Cordel ao estilo tradicional.

Era membro de:

Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras.
Academia Brasileira de Trova.
Academia de Letras de Uruguaiana,
Academia de Letras Fronteira Sudoeste do Rio Grande do Sul.
Academia Friburguense de Letras.
Academia Goianiense de Letras.
Academia Internacional de Ciências Humanísticas.
Academia Internacional de Heráldica e Genealogia.
Academia de Letras de Ribeirão Preto.
Academia Petropolitana de Poesia.
Academia Poços-caldense de Letras.
Academia Ribeirãopretana de Poesia.
Academia Santista de Letras.
Academia Virtual Brasileira de Letras.
Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto ( fundador e 1º presidente),
Clube Internacional da Boa Leitura.
Instituto Histórico e Geográfico de Uruguaiana.
Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal.
Ordem dos Velhos Jornalistas.
The International Academy of Letters of England.
União Brasileira de Escritores.
Usina de Letras etc.

Títulos:

Título de Magnífico Trovador pela Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel;

Mérito Cultural pelo Instituto Histórico e Geográfico de Uruguaiana;

Medalha de Ouro, no I Aniversário do Clube dos Trovadores Capixabas;

Honra ao Mérito pela Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel;

Mérito Cultural Pablo Neruda, em 2004.

No portal www.movimentodasartes.com.br assinava a coluna Trovador

ALGUMAS TROVAS

Conduzindo arma sem porte,
foi detido o valentão,
que, da praia, por esporte,
vinha abraçando um canhão.
= = = = = = = = = 

Depois dos cinquenta creio
que tudo é lucro e coerência,
homem que não faz rodeio
sabe o que vale a existência.
= = = = = = = = = 

Do passado não me queixo;
o tempo tudo desfaz...
Cenários velhos não deixo
que voltem a ser cartaz.
= = = = = = = = = 

Dos meus sonhos eu bendigo
as passadas frustrações;
hoje é mais puro o meu trigo
sendo humilde nas ações.
= = = = = = = = = 

Fez-se pai o jornalista
e, uma ideia lhe desfralda:
- Batiza a filha, o egoísta,
com o nome de... Jornalda!
= = = = = = = = = 

Homem é o que sabe ser
companheiro, amigo e irmão;
Quem preza o Bem, sabe ter
da vida toda a emoção.
= = = = = = = = = 

Humildade comedida
finge alguém tê-la somente,
ao precisar de guarida
para um problema pendente...
= = = = = = = = = 

Indo por outros caminhos,
neste mundo, às vezes, rude,
vou fugindo dos espinhos,
pois das mulheres não pude!
= = = = = = = = =

Lágrima que escorre é gota,
que marca  o que vai à vista:
- dores da vida marota!
ou problema de oculista?
= = = = = = = = = 

Mãe preta, escreves a história,
com fraternidade pura;
pois na tua trajetória
plantaste amor com ternura.
= = = = = = = = = 

Meu lápis beija o papel 
num encontro sedutor; 
e é dessa lua-de-mel 
que nasce a trova de amor.
= = = = = = = = = 

Na caminhada, maduro,
ponho fogo na fornalha,
quero deixar ao futuro,
as lições de quem trabalha.
= = = = = = = = = 

Nada mais embriagador
no arrepio das ternuras
que escutar juras de amor
mesmo que sejam perjuras.
= = = = = = = = = 

Não dê bola ao rabugento
que desfaz da mocidade,
pois ele vive o tormento
de não aceitar a idade...
= = = = = = = = = 

O meu palácio encantado,
onde o ano todo é natal,
é um quadradinho alugado,
chamado "caixa postal"!
= = = = = = = = = 

O para sempre felizes
das histórias infantis,
traz à vida bons matizes
dando vida ao que o autor quis.
= = = = = = = = = 

Orgulho é a bola de neve 
que vai, em diário exercício, 
levando o infeliz de leve 
às bordas do precipício.
= = = = = = = = = 

Perdão é a esponja macia
que se passa numa ofensa
por se crer na luz do dia
contra a noite da descrença.
= = = = = = = = = 

Por ter dado uma "banana"
pra tia de um delegado,
o Tiãozinho entrou em cana
e saiu bem "descascado"...
= = = = = = = = = 

Quem caminha destemido
com fé na vida que tem,
não faz, nem teme alarido, 
vive apenas para o Bem!
= = = = = = = = = 

Quem como eu faz poesia,
sabe que a glória é completa:
- Ninguém aposenta o dia
de trabalho de um poeta.
= = = = = = = = = 

Quem tem coração de paz
vive de culpa liberto,
porque faz do bem que faz
um céu de sol mais aberto!
= = = = = = = = = 

Quem tem vida vive atento
pelos caminhos que enfrenta;
brinda as farpas do momento
com chocolate e pimenta.
= = = = = = = = = 

Saudade é como abacate:
-verde!...  por dentro, o caroço
pesa, na alma  que se abate,
e  o corpo curva  o pescoço.
= = = = = = = = = 

domingo, 10 de março de 2024

Professor Garcia (Reflexões em Trovas) 2


 A ganância que te ilude
que te arrasta à solidão,
é a mesma falsa virtude
que esconde a luz da razão!
= = = = = = = = = = = = =

A infância, é uma doce brisa;
passa logo, e de repente...
Vem o outono e se eterniza
no chão da vida da gente!
= = = = = = = = = = = = =

Ao vencer tempo e distância,
a velhice, abraço e aceito;
mas os bons tempos da infância
são crianças no meu peito!
= = = = = = = = = = = = =

Aquele retrato antigo
que o tempo tem castigado,
conversa sempre comigo
segredos do meu passado!
= = = = = = = = = = = = =

Cada verso que desliza
entre esses meus cegos dedos,
numa trova sintetiza
seus infinitos segredos!
= = = = = = = = = = = = =

Deus mostra ao mundo insensato,
injusto, cego e sem luz...
Que o infinito amor, de fato,
coube entre os braços da cruz!
= = = = = = = = = = = = =

Deus pôs no amor tanta essência,
que, o seu grande Benfeitor,
não permite que a ciência
ponha limites no amor!
= = = = = = = = = = = = =

Há uma paz no olhar da mata
quando a brisa em leve açoite,
soprando a velha cascata
embala o pranto da noite!
= = = = = = = = = = = = =

Lembrando os tempos antigos,
mesmo apesar da distância...
Escuto os passos amigos
dos meus amigos de infância!
= = = = = = = = = = = = =

Mãe, é poema de amor
que, a qualquer filho se apega;
alívio que afasta a dor
da cruz que o filho carrega!
= = = = = = = = = = = = =

Mãe - nessas tuas letrinhas
ouço os mais lindos fonemas
que formam todas as linhas
dos versos dos meus poemas!
= = = = = = = = = = = = =

Não vi mais meus pirilampos,
poetas de luz do meu chão,
que iluminavam meus campos
nas noites de solidão!!!
= = = = = = = = = = = = =

Na treva é que se carrega,
a dimensão do empecilho
da dor, que sente a mãe cega,
por não poder ver o filho!
= = = = = = = = = = = = =

Nos teus bilhetes queimando
vi com certo desconforto…
Frases de amor me acenando
das cinzas de um sonho morto!
= = = = = = = = = = = = =

Num mundo de desiguais,
onde há tantos desenganos...
Perdem-se, cada vez mais,
os sentimentos humanos!
= = = = = = = = = = = = =

Os teus cansaços não vão
impedir que o teu suor,
seja o fermento do pão
que te alimenta melhor!
= = = = = = = = = = = = =

Ousado e um tanto atrevido,
mas confesso, e se não fosse...
Jamais teria sentido
o mel de um beijo tão doce!
= = = = = = = = = = = = =

Prefiro os caminhos tortos
aos enlevos mais risonhos,
a ver os meus sonhos mortos
entre as cinzas de outros sonhos!
= = = = = = = = = = = = =

Quanta lágrima sentida
no olhar da mãe peregrina,
regando as rugas da vida
nas rugas da própria sina!
= = = = = = = = = = = = =

Quanta lágrima sofrida,
e na alma, essa inquietude…
Por não ter feito na vida
tudo aquilo quanto pude!
= = = = = = = = = = = = =

Se a flor da infância se afasta,
crê noutras flores bondosas;
que uma flor que o vento arrasta
não rouba a vida das rosas!
= = = = = = = = = = = = =

Sei que a saudade não mata,
mas provoca pranto e dor;
qualquer saudade resgata
saudosos sonhos de amor!
= = = = = = = = = = = = =

Sinto na mãe que se enlaça
nos braços de uma criança...
Que um sonho de amor se abraça
aos bracinhos da esperança!
= = = = = = = = = = = = =

Soprei cinzas!.. E, ao soprá-las,
entre as cinzas da lembrança...
Escutei todas as falas
do meu tempo de criança!
= = = = = = = = = = = = =

Sou como as folhas sem dono
que se arrastam pelo chão,
nas tardes tristes de outono
depois que os ventos se vão!
= = = = = = = = = = = = =

Tua carta de alforria
eu queimei sem embaraços,
porque quero todo dia
ser escravo de teus braços!
= = = = = = = = = = = = =

Vivo cercado de afetos!
Na paz do mesmo endereço...
Vejo em meus filhos e netos
a vida em seu recomeço!
= = = = = = = = = = = = =
Fonte:
Professor Garcia. Versos para refletir. Natal/RN: Trairy, 2021.

sábado, 9 de março de 2024

Wanda de Paula Mourthé (Belo Horizonte/MG) Canteiro de Trovas 2

 A gatona amalucada
tem amantes de montão...
Pode ser meio "pancada",
mas é mesmo um "pancadão!"
= = = = = = = = =

A Raimunda chega ao baile,
e logo se esquenta o clima,
pois alguns "cegos" em braile,
querem só tocar na rima!
= = = = = = = = =

"Colesterol sempre sobe
se bebo e como torresmo"
— Diz a mulher: "Não se afobe!
Só isso é que sobe mesmo..."
= = = = = = = = =

Com tristeza e desencanto,
vejo um mundo injusto e louco;
Há tão poucos tendo tanto,
e há tantos tendo tão pouco!
= = = = = = = = =

Em devaneio profundo,
esqueço os dias tristonhos
e, assim, transformo meu mundo
em universo de sonhos...
= = = = = = = = =

Em teu amor não confio...
Já se acabou a ilusão,
pois ele é vento vadio:
sopra em qualquer direção.
= = = = = = = = =

Esta angústia indefinida,
que à tarde sempre me invade,
são sombras próprias da vida
ou disfarce da saudade?
= = = = = = = = =

Eu te espero noite afora...
Plange o som de um carrilhão,
fatalmente, de hora em hora,
compassando a solidão...
= = = = = = = = =

Fujo em estrada penosa,
temendo um amor adverso,
mas a saudade, teimosa,
percorre o caminho inverso.
= = = = = = = = =

Mesmo em flagrante apanhado,
o malandro finca o pé:
— Trambique? Foi, delegado...
mas com toda a boa fé...
= = = = = = = = =

Minha alma se enleva ao vê-las
em seu fulgor que seduz;
piscapiscando as estrelas
parecem ilhas de luz!…
= = = = = = = = =

Minha mulher é nanica,
mas na cama é colossal:
ronca mais do que cuíca
em bloco de carnaval!
= = = = = = = = =

Na igreja, em rito divino,
nossa união faz supor
que as badaladas do sino
são de aplauso ao nosso amor.
= = = = = = = = =

Não me importam a censura
e o louvor da sociedade:
procuro viver à altura
da minha própria verdade.
= = = = = = = = =

Não receio o que vier,
pois já vislumbro a partida...
mas luto, enquanto eu tiver
uma fagulha de vida!
= = = = = = = = =

Na vitória, é teu dever
respeitar o opositor;
mais difícil que vencer
é saber ser vencedor!
= = = = = = = = =

— O que te disse o Doutor?
Te deu muita informação?
— Informação? Não, amor,
é bebê... "em formação!"
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Pode a vingança depressa
ter consequências fatais.
Sabe-se como começa,
como termina, jamais!
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Quando a mulher do mascate,
parte pro tapa e, na luta,
chama a outra de "biscate",
esta revida e... disputa!
= = = = = = = = =

Se a solidão é um açoite,
mágoas... não quero retê-las,
pois, entre as sombras da noite,
sempre posso ver estrelas.
= = = = = = = = =

Se é apanhado numa treta,
mineiro não se retrai:
quando vê a coisa preta,
vai logo dizendo "uai!"...
= = = = = = = = =

Sem teu amor, meu fanal,
naufraguei entre os escolhos
na profundeza abissal
do mar azul dos teus olhos!
= = = = = = = = =

Sozinha, na caminhada,
fugindo ao mundo enfadonho,
troco os atalhos do nada
pelas veredas do sonho…
= = = = = = = = =

Vendo o noivo em dura lida,
num constante vem e vai,
a mineira, embevecida,
somente suspira... "uai"...
= = = = = = = = =

— Vendo pipoca, que é o fraco
da criançada, no recreio,
e de tanto que encho saco,
já estou de saco cheio!

Fonte:
Wanda de Paula Mourthé. Com…passos de emoções. Belo Horizonte: Flux, 2013.
Enviado pela trovadora.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Licínio Antônio de Andrade (Juiz de Fora/MG)

 
A água que desce a colina
entre pedras a rolar,
mesmo pura e cristalina,
não mata a sede de amar.
= = = = = = = = = 

A brisa que afaga a terra
soprou nos ouvidos meus:
"paz não é a ausência da guerra,
paz é a presença de Deus..."
= = = = = = = = = 

A brisa que passa leve
sobre a lagoa a soprar
parece, num sonho breve,
a voz de um anjo a cantar.
= = = = = = = = = 

As ondas se desfazendo
na praia, na maré cheia,
parecem sonhos tecendo
toalhas rendadas na areia.
= = = = = = = = = 

A vida não tem sentido
se vivida sem amor,
é qual o grão esquecido
na bolsa do lavrador.
= = = = = = = = = 

Caravelas aportando
em solo rico e gentil,
estava ali, começando,
toda a história do Brasil.
= = = = = = = = = 

Caravelas portuguesas
com o símbolo da cruz,
descobriram as belezas
de um Brasil que nos seduz.
= = = = = = = = = 

De suas mãos recebi
carícias nunca sonhadas
e eternas glórias vivi
nas insones madrugadas.
= = = = = = = = = 

Disse-me a cigana um dia,
lendo a sorte em minha mão:
– Vejo paz, vejo alegria,
muito amor no coração.
= = = = = = = = = 

Entre as Marias que amei
na história dos meus amores,
só uma lembrança guardei:
– A da Maria das Dores.
= = = = = = = = = 

Hoje, no outono da vida,
não tenho mais ilusão,
sou qual a folha caída
que o vento arrasta no chão.
= = = = = = = = = 

Não desdenhe dos sem nada
se a sorte o favorecer,
quem sobe ao alto da escada,
um dia pode descer.
= = = = = = = = = 

Não pise na flor que medra
nem zombe da sua graça,
pois, aquele que hoje é pedra,
pode, amanhã, ser vidraça.
= = = = = = = = = 

Na velha igreja da Cruz
onde os sonhos vão rezar,
a Santa esparge mais luz
 que as velas brancas no altar.
= = = = = = = = = 

Nem sempre a luz da vitória
é de quem vence a batalha,
Jesus subiu para a glória
tendo uma cruz por mortalha.
= = = = = = = = = 

Nos lençóis em desalinho
que marcaram nosso amor,
hoje adormeço sozinho
na angústia da minha dor.
= = = = = = = = = 

Nos seus cachinhos, criança,
o sol gosta de brincar
e, com raios de esperança
pôs verde no seu olhar.
= = = = = = = = = 

Nosso amor que começou
brisa morna de ternura,
cresceu e se transformou
num vendaval de loucura.
= = = = = = = = = 

O volume é tão gritante
na barriga do Menezes,
que até lembra uma gestante
já beirando os nove meses.
= = = = = = = = = 

Passa a "Maria Fumaça"
com seu apito pungente,
segue nos trilhos, com graça,
levando os sonhos da gente.
= = = = = = = = = 

Pouco importa se as capelas
não tenham luxos reais,
pois o Deus que habita nelas,
é o mesmo das catedrais.
= = = = = = = = = 

Quando a princesa assinou
a Lei da Libertação,
o Brasil se emocionou
com o fim da escravidão.
= = = = = = = = = 

Quando Deus criou o mundo,
para completar a lida,
no seu gesto mais fecundo
fez o milagre da vida.
= = = = = = = = = 

Quanta saudade reporta
um lenço branco a acenar,
é angústia que bate à porta
e a solidão manda entrar.
= = = = = = = = =

Que triste seria o mundo
sem sonhos, sem poesias
e, de um vazio profundo
sem a graça das Marias!
= = = = = = = = = 

Se a sorte bater-lhe à porta
mande depressa ela entrar;
depois feche, pouco importa
mas, não a deixe escapar.
= = = = = = = = = 

Se a vida parece vã
quando a sorte vai embora,
lembre-se: em cada manhã
resplende uma nova aurora.
= = = = = = = = = 

Se é por vontade divina,
a boa semente medra
e, por milagre germina
em qualquer fenda de pedra!
= = = = = = = = = 

Segue o barco da ilusão
singrando o mar da bonança,
no leme, meu coração,
e o seu destino: a esperança.
= = = = = = = = = 

Sinfonia é o mar quebrando
em rendas brancas na areia,
é o vento que vem cantando
nas ondas da maré cheia.
= = = = = = = = = 

Sua boca pequenina
de uma beleza sem par,
é uma fonte cristalina
onde a sede eu vou matar.
= = = = = = = = = 

As suas mãos pequeninas,
de uma beleza sem par,
são duas conchas divinas
que um sonho roubou do mar.

Fonte: Messias da Rocha (org.). Múltiplas palavras vol. III. Juiz de Fora/MG: Ed. dos Autores, 2022.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Araceli Rodrigues Friedrich (Pequenos Versos)


Cara amiga, neste dia,
gentilmente eu ofereço,
com modéstia e alegria,
a pureza do meu verso.
= = = = = = = = = 

A dezenove de julho
foi que a Ida Márcia nasceu.
Estava frio... era inverno...
Mas a minha alma aqueceu.
= = = = = = = = = 

Afonso, meu queridinho,
bisneto do coração
veio bem de mansinho
para alegrar-me a visão!
= = = = = = = = = 

Ao ler tanta poesia
enorme emoção me invade
e aumenta em meu coração
o perfume da saudade.
= = = = = = = = = 

A quadrinha é uma prece
que recito com fervor
nela minha alma agradece
as graças do Criador.
= = = = = = = = = 

Das palavras pequeninas
"não" é a que mais força tem.
Tanto leva para o mal
como serve para o bem.
= = = = = = = = = 

De Joinvile, na lembrança,
eu trago uma laranjeira,
grande, onde havia um balanço
e eu brincava a tarde inteira.
= = = = = = = = = 

De manhã quando levanto
logo tomo um bom café,
dando ao corpo mais encanto
com mais firmeza no pé.
= = = = = = = = = 

Do coração, bem no fundo,
tenho uma grande ambição:
- Que desta copa do mundo
o Brasil seja o campeão.
= = = = = = = = = 

Ele fugiu da escola
não quis mesmo aprender
até parece uma bola
no subir e no descer.
= = = = = = = = = 

E meu coração, em prece,
em carinhoso fervor
reverente Te agradece
“Obrigado, Deus de amor!"
= = = = = = = = = 

Em oposição à guerra
e às tristezas que traz
alguém inventou na terra
a suavidade da paz.
= = = = = = = = = 

Eu tenho medo do dia
daquele que vai chegar
ele não traz só alegria
mas, também, muito pesar.
= = = = = = = = = 

Eu tenho uma dor constante,
judia de hora em hora,
ela maltrata bastante
e não pensa em ir embora.
= = = = = = = = = 

Hoje é dia de eleição;
são tantos os candidatos
que meu pobre coração
não distingue os mais sensatos.
= = = = = = = = =

O menino brincou com a bola
a bola rolou e caiu;
O mesmo aconteceu na escola
o estudo rolou. Ninguém viu.
= = = = = = = = = 

Ó nosso Jesus amado,
Senhor, Nosso Deus do Céu
De Ti nos afasta o pecado;
não nos abandone ao léu!
= = = = = = = = = 

O primeiro beijo eu dei
escondidinho e sapeca
foi aquele que apliquei
na minha primeira boneca.
= = = = = = = = = 

Os primeiros versos fiz
quase todos pé quebrado
- foi isto mesmo que eu quis,
eles me lembram o passado.
= = = = = = = = = 

Pela minha honestidade
eu alcancei a vitória
e com discreta vaidade
vou desfrutando esta glória...
= = = = = = = = = 

Quando eu escrevo um versinho
é de alegria que o faço
é verdadeiro caminho
pra te mandar um abraço.
= = = = = = = = = 

Quantas flores há nas serras,
do Estado do Paraná
Eu desconheço outras terras
tendo tanto manacá.
= = = = = = = = = 

Que o trovador tem seu dia
não me disseram. Confesso.
Hoje, é com grande alegria
que lhe dedico este verso.
= = = = = = = = = 

Querida seleção atente
para meu desejo profundo;
- Volte feliz e contente
trazendo a Copa do mundo.
= = = = = = = = = 

Recebi hoje a notícia
encantadora! Vejam só:
- Pra mim foi uma delícia;
- "Logo serei bisavó."
= = = = = = = = = 

Recebi uma visita
lá da terra do meu pai
foi a minha prima Roly
que veio do Uruguai.

Luiz Hélio Friedrich. Maurício Norberto Friedrich. Família Friedrich em Trovas. Curitiba/PR: Centro de Letras do Paraná, 2018.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Fábio Siqueira do Amaral (Trovas Dispersas)


Ao que vive de promessa,
ouça bem o que lhe opino:
– Pense mais no que professa
e fabrique seu destino.
= = = = = = = = = 

Aos meus caros notifico,
com claros sons de clarim,
toda a paz que lhes dedico
vem do céu, não vem de mim!
= = = = = = = = = 

Com toda esta minha idade
aventurei-me no amor
e a desgraça da saudade
não me fez nenhum favor…
= = = = = = = = = 

Contemplo meu sol de outono
e as borrascas deste mar;
confesso o triste abandono
num amargo lamentar…
= = = = = = = = = 

Da antiga infância... que sinto?
Juventude?  Não provei...
Se falo em saudade... eu minto!
Lembro só... quanto chorei...
= = = = = = = = = 

De alegria singular
governante tem a glória
persistente e popular
quando faz da paz, história...
= = = = = = = = = 

De tornar ao meu passado,
sonho até com mais vontade;
mas do amar sem ser amado
é impossível ter saudade.
= = = = = = = = = 

Deus dos céus, oh! sol fulgente,
santa paz da eternidade;
dá-nos esse grão presente:
a luz da fraternidade!
= = = = = = = = = 

E do amor tanto se fala,
se escreve e nada se sente;
esta trova não se cala
e haverá quem a desmente?!
= = = = = = = = = 

Enrugado e impopular
como fole de sanfona,
corre o risco de ficar
quem o amor só coleciona.
= = = = = = = = = 

Gostaria de esquecer...
Ser-lhe igual... Nada sentir...
Mas... Qual! Bem sei que vou ter 
a saudade a me oprimir!
= = = = = = = = = 

Há nos céus menos estrelas
do que os versos que eu cantei;
nosso amor vai surpreendê-las
com os beijos que lhe dei...
= = = = = = = = = 

Há quem culpe seu destino
pelas desgraças que enfrenta,
mas esquece o desatino
da má vida que fomenta!
= = = = = = = = = 

Lancei sementes de paz
para ver da guerra o fim
e o triunfo que perfaz
toda fé que existe em mim...
= = = = = = = = = 

Livros teus, abraça forte
se cultura queres ter;
coisas fúteis, dá-lhes corte
deixa de moleque ser!
= = = = = = = = = 

Melancólica estação
das cores esmaecidas
gera alguma inspiração
no outono de nossas vidas…
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O destino pode ser 
a desculpa do fracasso 
daquele que julga ter
uma pedra em cada passo.
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O sincero sentimento
faz cantar nova canção,
sopra à vida o vivo alento,
quando o amor cala a razão.
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O vento derruba as folhas,
fez o tapete no chão
do outono que, sem escolhas,
pôs rimas numa canção…
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Quem a paz deseja ter,
honra e valor conquistar,
procura não se envolver
no ato que o mal lhe insuflar!
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“Queres paz? Prepara a guerra!”
Funesto lema romano!
Faze assim e... pobre Terra...
e... do que é chamado humano!
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Sem meus pais e irmãos aqui;
e os amigos que partiram,
por saudade traduzi
tanta dor que me impingiram...
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Sempre foi o meu destino
ser calado e assim sofrer;
nem a fé, num descortino,
fez-me a vida bendizer...
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Somos todos criaturas
pelo amor de Deus gerados;
Ele nos vê das alturas
e nos faz apaixonados...
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Temos o exemplo no mundo,
 – livre de qualquer domínio –
da paz, de um jeito profundo,
dos seres sem raciocínio!
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Todo afeto se alivia
no cantar ou no sofrer
e a saudade, em sintonia,
faz-nos trovas escrever...
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Um amor ou outro eu tive...
Conto-os nos dedos da mão;
me foram joias de ourives
que perdi por precaução.
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Fonte:
https://www.asesbp.com.br/TROVADORES/indice%20trovadores.html

Revista Crestomatia de Trovas nº 3 – junho de 2026 (download gratuito)

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