Trovadores em Ordem Alfabética

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

José de Ávila (1904 -????)


Ah! estou muito mudado.
Bem diferente me vejo.
Já pequei por atacado
e agora, peco a varejo. 

A mulher manda, pedindo.
Ovelha fera de brava,
a si mesmo até, mentindo,
diz que não passa de escrava.

A mulher não é de graça.
Abusa pra ver! Depois,
não te queixes, que ela passa
o carro à frente dos bois.

Ante a manhã, não me engano
– falo para meu contento –
Deus é poeta parnasiano
de incomparável talento.

Ao lhe contar meu segredo,
mesmo só pela metade,
o nosso amor de brinquedo
virou amor de verdade.

A sua mão estendida,
apertei de olhos em pranto.
Nunca adeus de despedida
dei a alguém que doesse tanto.

A tarde em flor se anuncia.
Silêncio. Paz. Hora santa!
Despedindo-se do dia
sabiá saudoso – canta.

Bem contra a minha vontade,
vento da recordação,
pões o moinho da saudade
a moer meu coração.

Botão-de-rosa vermelho
que do jardim fulge a um canto!
Diante de ti, eu me ajoelho
embriagado de encanto.

Conversas rindo e brincando
e, em tua voz, eu descubro
os passarinhos cantando
nas madrugadas de outubro.

Ela se foi. Falo franco:
chorei lágrimas de dor,
tantas que meu lenço branco
nunca mais voltou à cor.

Ela voltou. Da saudade
cessou a dor que eu sentia.
Chorei de felicidade,
quase morri de alegria!

É pelo amor que me atrevo
a tudo. Sem covardia
faço mesmo o que não devo
e até mais do que devia.

Esperança: meu encanto!
Neste nosso mundo louco,
por que me prometes tanto,
e, depois, me dás tão pouco?...

Esta manhã deslumbrante
é doce beijo de amor
que Deus dá, do céu distante,
na face da terra em flor.

Eu conheço como poucos,
este mundo também, meu.
é mesmo, mais dos loucos,
se não for, louco sou eu.

Exibindo tua graça,
sorri e canta, menina,
que a vida é sonho que passa,
pois – mal começa – termina.

Juro que em Deus acredito
até mesmo, assim – sem crer.
Em tudo que acho bonito,
nunca me canso de  O ver.

Fã da flor, feliz, festejo
esta rosa e me convém
apanhá-la, dar-lhe um beijo
e levá-la pra meu bem.

Feito cego sem ter guia,
sem que soubesse meu santo,
perdi-me na pradaria
florida de teu encanto.

Juro, amor, que não me iludo
ao dizer que tu és, sim,
o sal e o doce de tudo
neste mundo, para mim.

Meu galo músico canta
cantiga de saudação
à aurora – bonita santa
no altar azul da amplidão.

Muitos casais são palhaços
que fazem rir os presentes,
indo de beijos e abraços,
a coices, unhas e dentes.

Na casa de um capixaba
se a gente chega sem pressa,
a pressa logo se acaba
quando a conversa começa.

Não me consolem. Que o pranto
cristalino e superior
cumpra seu trabalho santo
de aliviar a minha dor.

Nêga-fulô de magia,
com a candeia da lua,
risonha, a noite alumia
os namorados na rua.

O homem sem a mulher,
sem cabeça é corpo. Moço,
sozinho, o que ele fizer,
vira um angu de caroço.

Ouvir-te, que coisa grata!
Falas e a gente se encanta.
Terás um sino de prata
na catedral da garganta?

Pela mão do Onipotente
generoso protegida,
na magia da semente
se oculta, dormindo, a vida!

Por te querer, com certeza,
culpa não tenho, menina.
Culpa tem tua beleza
que me escraviza e fascina.

Prezo, estimo, considero
o amor a mais não poder,
mas amor sem ser sincero
é bem melhor não se ter.

Quando namoro uma rosa
ou vejo mulher bonita,
uma paixão tormentosa,
inteiramente, me agita.

Quando viro pensador
e me perco descuidado,
no universo de uma flor,
me sinto maravilhado.

Quem ama, de si faz trigo.
Luta e vence; em Deus – confia;
sem medo enfrenta o perigo
e sofre com alegria.

Que manhã! Das mais formosas…
O céu na infância do dia,
parece que chove rosas,
chovendo luz e harmonia.

Quem diz adeus e ao partir
fica em saudade e lembrança,
devia mesmo não ir
sem nos levar na mudança.

Risonha, a Aurora se agita.
Róseos tons a luz lhe empresta.
Parece moça bonita
chegando alegre da festa.

Santo remédio é o pranto.
Tem o divino condão
de abrandar o desencanto
e as dores do coração.

Se meu coração te apoia
em tudo mesmo, querida,
é porque tu és a joia
que melhor me enfeita a vida.

Senhor Deus, devo saber
o meu destino cumprir.
Que eu faça por merecer,
para ganhar sem pedir.

Sou onda que vai, tangida,
da escura profundidade
do mar inquieto da vida
à praia da eternidade...

Tudo passa tão depressa:
sonho, amor, felicidade
e mal se acaba, começa
o tempo em flor da saudade.

Usa e abusa de agrado
a seu querido a mulher.
Vai chovendo no molhado
e alcança tudo o que quer.

Vai silencioso, em segredo,
o tempo, sem descansar,
cuidando do seu brinquedo
de fazer e desmanchar...

Vivo a vida em sonho imerso.
Tenho amor à fantasia.
Sou operário do verso
e lavrador da poesia.

Vivo vivendo de sonho,
quando te vejo sorrindo.
Sonho acordado e suponho
que estou sonhando – dormindo.

Vou te vigiar, não sou bobo,
o bom-senso me aconselha.
Quem melhor guarda do lobo
se não eu a minha ovelha?

sábado, 4 de novembro de 2017

Nilton da Costa Teixeira (1920 - 1983)

1
A humildade não se cansa,
conserva a fé arraigada,
e vai plantando esperança
onde não haja mais nada.
2
A mentira do sorriso
é silenciosa e indulgente,
e sempre vem de improviso
aos lábios tristes da gente!
3
Após frustradas quimeras
nossos silêncios ocultos
mostram descrenças e esperas,
choram desejos sepultos.
4
As campas dos cemitérios
sempre, em silêncio, esquecidas,
guardam os tristes mistérios
das esperanças perdidas.
5
A vida triste fantasia,
que abriga tanta ilusão,
é o caminhar dia a dia,
para um funéreo caixão.
6
Buscando mundos risonhos,
plenos de sábios caminhos,
vou na humildade dos sonhos,
esquecer dos meus espinhos.
7
Despreocupado com a morte
para quem tão pouco resta,
mesmo os rigores da sorte
são verdes sonhos de festa!
8
Durante suas andanças,
Jesus Cristo foi fecundo,
recolocando esperanças,
entre as descrenças do mundo.
9
Em silêncio, entre matizes,
estrelas postas ao léu,
mostram sorrisos felizes
dos anjos que estão no Céu.
10
Em silêncio, pelas faces,
vão as lágrimas descendo,
quais esperanças fugazes
dos sonhos que vão morrendo!
11
Há silêncios manifestos
calando sempre mais fundo,
porque são mudos protestos
aos desacertos do mundo.
12
Não! O silêncio não basta
contra uma intriga atrevida
que, caluniosa e nefasta,
quer arruinar nossa vida.
13
Neste abraço em que te aperto,
com a beatitude de um monge,
sinto meu amor tão perto...
Minha esperança tão longe!
14
Nossa vida é uma viagem
de turismo e avaliação,
em que o peso da bagagem
é feito no coração.
15
No silêncio das esperas,
entre meus dias tristonhos,
vou sonhando primaveras
nos espinhos dos meus sonhos.
16
Nos meus cabelos de prata,
silenciosa, sem defesa,
fio a fio, se retrata
minha infinita tristeza!
17
Nos silêncios dos caminhos
a cruz triste e apodrecida
é uma lembrança entre espinhos,
dos espinhos desta vida.
18
Nossos silêncios ocultos,
dentro do peito, sofrendo,
são quais desejos sepultos
dos sonhos que vão morrendo.
19
O Judas de hoje, moderno,
maneiroso, demagogo,
não teme os clarões do inferno,
porque dança sofre o fogo.
20
O meu sonho não se cansa,
vagaroso nos seus passos!
- Vai em buscada esperança,
com a humildade nos braços!
21
Para salvar aparências,
nós pela vida, mentindo,
entre silêncios e ausências,
sofremos sempre sorrindo.
22
Quais tênues gotas de orvalho
sobre as folhas pequeninas,
busca a humildade agasalho
nas almas mais cristalinas.
23
Quem passar por Ribeirão,
fatalmente, irá deixar,
pedaços do coração,
que um dia virá buscar.
24
Quem se conserva de pé
frente à calúnia tacanha,
tem humildade, tem fé,
e transpõe qualquer montanha!
25
Ribeirão - tu sobranceiro,
és do interior, no presente,
o município, primeiro,
porque caminhas à frente...
26
Sempre a palavra saudade
entre o silêncio e a emoção,
tem um quê de eternidade
morando no coração.
27
Sempre em silêncio profundo,
no mais triste desencanto,
vamos nós por este mundo,
chorando e escondendo o pranto.
28
Sempre em silêncio vivendo,
eu venho, desde criança,
por entre espinhos sofrendo
sem ter qualquer esperança.
29
Silenciosos e tristonhos,
desfilam pelos caminhos,
os meus calvários de sonhos
e minhas cruzes de espinhos!
30
Tal uma flor campesina,
sempre a humildade oferece
a grandeza pequenina
do perfume de uma prece!
31
Tenho a casa pobrezinha,
um prato e uma colher,
e a esperança toda minha
de arranjar uma mulher.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Josué de Vargas Ferreira (1925 - 2017)

1
A abelha até que se acabe
não para pra descansar!
Nem "fazer cera" ela sabe...
- logo pega a trabalhar!
2
À deriva, no caminho,
tanta saudade ajuntei,
que cismo, velho e sozinho:
- saudade... jamais deixei!
3
- A Madame, pelo exame,
foi mordida por "barbeiro"!
- Mas, Doutor... aquele infame
me disse que era banqueiro!
4
Após transpor as barreiras
com talento e dignidade,
restaram, por companheiras...
- a solidão e a saudade!
5
Bicho inteiro na goiaba
jamais me causa aperreio.
Mas dá nojo, fico braba,
se, comendo, vejo meio!
6
Como velho motorista
vou dar minha opinião:
- pior que animal na pista
é um burro na direção!
7
Dar aulas e gastar sola
é a vocação do Nogueira.
Corre de escola em escola...
- é professor de carreira!
8
Dar um sorriso é tão nobre 
que o gesto nos engrandece,
quem dá não fica mais pobre
mas quem ganha se enriquece.
9
Diz o guarda ao namorado:
– Use também a outra mão!
Retruca o moço “avançado”:
- quem segura a direção?
10
Diz ser poço de virtude
o meu compadre Pacheco!
Tão magro, tão sem saúde...
só se for um poço seco!
11
Do jeito que anda o salário,
do jeito que as coisas vão,
é arroz pelo crediário
e consórcio de feijão!
12
É cômica a minha terra
e eu vivo rindo, aliás!
O doutor Armando Guerra
é nosso Juiz de Paz!
13
Ela tem sorte tamanha,
que bastou pedir divórcio
e logo seu carro ganha,
sem nem entrar em consórcio.
14
Entre e não seja apressada...
visita me dá prazer!
- Quando não for na chegada,
na despedida há de ser!
15
Era uma pensão pacata...
por vez, lembrava um cortiço!
A comida era barata...
- E bota "barata" nisso!
16
Grande poetisa! Porém,
do verso tão orgulhosa,
que não fala com ninguém!
-Dizem que detesta “prosa”!
17
- Meu bravo soldado, então
você pôs o outro a correr?
- Que corrida, Capitão...
mas não me deixei prender!
18
Minha fonte de ventura,
onde lavo o meu desgosto,
jorra em constante doçura
das covinhas do teu rosto!
19

Minha ventura retrata
pobre brinquedo distante:
- carrinho de velha lata,
puxado por um barbante!
20
Minha vida amiga e boa
deu-me a senda desejada:
– se canso de estar à toa,
depois não faço mais nada!
21
Não canso de gargalhar
das ironias da vida:
- como é fácil de se achar
a mulher que está perdida!
22
Não cedo livro emprestado!
Não o devolve, ninguém!
- Estes que eu tenho guardado,
pedi emprestado também!
23
Não te cases com mulher
entendida de finança.
Não te deixará sequer
passar a mão na poupança!
24
Não traz perene alegria
taça de cristal na mão!
Esse prazer não expia
as nódoas do coração!
25
- Na pinga que eu bebo, tento
a minha mágoa afogar!
- E consegues teu intento?
- Qual, ela sabe nadar!
26
Naquela manhã, no hospício,
houve incomum alarido.
- Junto ao lixo do edifício
estava um doido varrido!
27
No açougue faz alvoroço
este cartaz que contém:
- vendemos carne com osso...
e idem, sem idem, também!
28
O jovem de hoje, não nego,
tem muito tato e razão:
– de fato, sendo o amor cego,
só namora com a mão!
29
Ó Pai, dai-me mais saber
para entender meu patrão!
- Mais força nem vou querer,
porque nele eu taco a mão!
30
O pileque faz das suas!
Pra mim, porre nunca mais!
- Minha sogra virou duas...
castigo assim é demais!
31
O tempo bom já se foi!
Eu mesmo, sem ser patife,
pra não brigar, dava um boi!
- Hoje... brigo por um bife!
32
O tesouro do meu sonho,
que guardo no coração,
vem do sorriso que ponho
na face de cada irmão.
33
Pequena, três não comporta
a casa da Gabriela.
Marido entra pela porta,
alguém sai pela janela.
34
- Posso assentar-me ao teu lado,
meu anjo doce e gracioso?
- Detesto velho assanhado!
- Assanhado e... mentiroso!
35
- Quanto custou teu carrão?
- Só um beijinho, quase nada!
- Que deste no maridão?
- Não, que ele deu na empregada!
36
Quebra o cristal dessa taça,
que a bebida é falso conto!
Foge da alegre trapaça...
Por si só, quem bebe é tonto!
37
Quero buscar-te, Senhor,
mas meu barco é fraco até!
Por vez, ouço o teu clamor...
longe... à deriva, sem fé!
38
Que sentido pitoresco
deste termo incoerente!
O pão que achamos mais fresco
é justamente o mais quente!
39
Que vale fazer promessa,
rezando pra não chover,
se quando a chuva começa
queremos nos esconder?
40
Salve quem, entre o inimigo,
com talento e decisão,
insiste em lançar o trigo
e repartir o seu pão!
41
Se a gente cruzar minhoca
com macho de borboleta,
será que dá "borbonhoca"
ou dará "minhocoleta"?
42
Sempre foi franga avoada
e agora está mais travessa!
De tanto levar bicada,
só tem galo na cabeça!
43
Somou e multiplicou
mas a morte o subtraiu!
Depois que os pés ajuntou,
a família dividiu.
44
Sou, por fim, aposentada!
Trabalho?  Nem pensar nisso!
- Prefiro subir escada
a elevador de serviço!
45
Tu serás velho e paspalho
quando a coisa se inverter:
– o prazer te der trabalho
e o trabalho der prazer!
46
Vejam que vida mesquinha!
Conserto o mundo não tem!
A mulher que andou na linha
um dia, matou-a o trem!
47
Zebra, que belo animal,
de branco e preto pintado.
- Quem o pintou, por sinal,
entendia do riscado!

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Miguel Perrone Cione



1
A caridade deriva
e cresce do amor presente,
como a roseira nativa,
sem espinhos... certamente.
2
À deriva.. transportando
meus enlevos ao papel,
sou visionário sonhando
com rimas feitas de mel…
3
Ajoelhado no templo,
o cego fala a Jesus:
- Mesmo na treva eu contemplo
o clarão da Tua luz!
4
A lira dos meus amores,
de anseios e de alegrias,
também tange minhas dores,
nos serões das noites frias.
5
A saudade é uma goteira
que quando vem não se acalma.
Pinga quase a noite inteira
na solidão da minha alma.
6
Coração mau que se inflama
numa aventura qualquer,
deixa, às vezes, quem o ama,
para amar quem não lhe quer.
7
Criança, flor encantada,
luz clara de sol se abrindo,
que sorri por quase nada,
que chora quase sorrindo...
8
Da fé derivam caminhos,
onde Deus canta louvores,
podem ter muitos espinhos,
mas no final só têm flores.
9
Em que bola de cristal
eu vou ler nossos destinos,
neste mundo desigual,
neste mar de desatinos?…
10
Fonte amiga é o coração
de quem dá ao sofredor,
na ajuda de sua mão,
o amparo do seu amor.
11
Fonte clara - o nosso amor,
de esperanças refletidas,
quantos sonhos, quanto ardor
têm banhado as nossas vidas!
12
Já vi semblantes vestidos
de máscaras sorridentes
terem no olhar os gemidos
de corações descontentes .
13
Maritaca tagarela...
Quer ave mais brasileira?
- Fez até a roupa dela
com as cores da bandeira.
14
Meus carnavais de criança...
máscaras... futilidades...
me deixaram na lembrança
mil confetes de saudade.
15
Minha lira anda ferida...
Como posso me inspirar,
vendo crianças na vida,
sem ter pão e sem ter lar?
16
Minha mãe, à luz dourada
do clarão da lamparina,
ilumina a santa amada,
em troca,a santa a ilumina…
17
Nas moendas milenares
que jamais podemos vê-las,
Deus fez a lua e os luares
com pó moído de estrelas.
18
Na sua imensa bondade,
a mãe traz do Criador,
um clarão da eternidade,
em cada instante de amor…
19
Nessa colheita de amores
tu e eu, pelos caminhos,
dividimos muitas flores,
mas, muito mais,os espinhos!
20
Nesta casinha singela,
sem luzes, sem esplendor,
basta o clarão de uma vela
para aquecer nosso amor…
21
No clarão de uma alvorada,
esperança... te esperei...
mas voltaste tão velada,
que quase não te encontrei…
22
No meu sonho o mundo gira,
tangendo a minha emoção...
O meu coração é a Lira,
a Trova... minha canção!…
23
No sofrer das minhas dores,
ou viver felicidade,
entre os espinhos e flores,
só me restou a saudade…
24
O amor sereno que passa
por nossa vida, florindo,
traz de Deus a essência e a graça,
no mesmo abraço se unindo.
25
O talento está na mente,
é inteligência e razão;
mas a razão nunca sente
as coisas do coração.
26
O verde mar se parece
com o destino da gente:
– em meio à paz se enfurece,
torna-se mau de repente.
27
Para uma trova ser pura,
ser mensageira do amor,
basta um sopro de ventura
no sonho do trovador.
28
Por levares com ternura,
teu apoio a quem tem dor,
terás na mão a ventura
de poder semear o amor.
29
Relembrando a tenra idade
na minha verde esperança,
sonhei com a felicidade,
como sonhava em criança.
30
Saudade, quando é de alguém
que nos deu ventura e amor,
dói como espinho, mas tem
perfumes como o da flor.
31
Se o bem tu podes fazer,
e não fazes coisa alguma,
tu não serás ao morrer
mais que uma bolha de espuma.
32
Talento, glória, riqueza,
tudo deixamos na Terra,
só levamos, com certeza,
a crença que em Deus se encerra.
33
Teus olhos verdes, sem sombras,
sem temores e embaraços,
são oásis, são alfombras
no caminho dos meus passos.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Joubert de Araújo e Silva (1915 - 1993)

1
A aliança é um elo sagrado,
mas quando o amor morre cedo,
lembrando um sonho acabado,
é um zero enfeitando o dedo...
2
A Morte vem tarde ou cedo
- com brumas no fim da estrada.
São as neblinas do medo...
- Talvez tudo... -Talvez nada...
3
A neblina sobre a mata,
antes que o sol doure a terra,
parece um manto de prata
nos ombros verdes da serra.
4
Ao sol, as rosas vermelhas,
sensuais, tontas de luz,
à carícia das abelhas,
vão expondo os colos nus!
5
Aquela aranha paciente,
que tece despercebida,
lembra o destino da gente
e as armadilhas, da vida!
6
A sorte foi bem marota
para o pobre do Aristeu,
fazendo morrer de "gota"
quem só da "pinga" viveu.
7
Bonita e muito falada
na sua repartição
vai a Cota, decotada,
subindo de cotação!
8
Cegonha é coisa de rico
e não passa de pilhéria...
- Quem trouxe o filho do Chico
foi o urubu da miséria!
9
Destino não é somente
a sina que Deus traçou.
- Ninguém se esqueça que a gente
colhe aquilo que plantou.
10
Destino é coisa ilusória,
nesta vida passageira...
- Os fracos não têm história;
e os fortes não tem fronteira!
11
De todas as despedidas,
esta é a mais triste, suponho:
duas almas comovidas,
chorando a morte de um sonho!
12
Ela não anda, flutua...
mas com tanta e tanta graça,
que até os postes da rua
se inclinam, quando ela passa!
13
Ela se foi... E esta espera,
pouco a pouco, transformou
o moço feliz que eu era,
no poeta infeliz que eu sou!
14
Enganam-se os ditadores,
que, no seu furor medonho,
mandam matar sonhadores,
pensando matar o sonho!
15
Formam um par divertido,
mas que foge à realidade:
- pesa o dobro do marido
aquela cara-metade...
16
Lembrando este amor de outrora,
embora oculte o meu pranto,
há uma saudade que chora
em cada verso que eu canto!
17
Lembro, triste, o amor passado,
vendo a Luz e o velho cais:
- saudade é barco ancorado
no porto do "nunca mais" ...
18
Linda viuvinha, a Anacleta,
nos deixa de vistas turvas...
- Não pode ter vista reta
a dona daquelas curvas!
19
Manhã... Ao passar das horas,
incendeia-se o horizonte...
E o Sol - pastor das auroras,
varre as neblinas do monte.
20
Meu dentista entrou em cana;
numa grande confusão...
e uma "coroa" bacana
foi o "pivô" da questão.
21
Morreu a sogra do João
e a família se apavora:
- Com sete palmos de chão,
a língua ficou de fora!
22
Muita gente que eu não gabo
lembra a pipa colorida:
- quanto mais comprido o rabo
mais alto sobe na vida!...
23
Na cachaça, o Zé Caolho
se sente realizado:
embora tendo um só olho,
ele vê tudo dobrado...
24
Não há nódoa mais escura
na história de uma nação
que a dos gritos de tortura
de uma noite de opressão!
25
Nas louras manhãs de estio,
numa suave sonata,
o vento, artista vadio,
dedilha os cipós da mata!
26
No maior crime da História,
morreu um justo na cruz...
- Seu martírio se fez glória
e seu sangue se fez luz!
27
O bem nunca vem de graça,
nem o mal que nos alcança.
- Deus pesa a graça e a desgraça
usando a mesma balança.
28
Os currais estão vazios...
o verde fugiu do chão...
e a seca, bebendo os rios,
vai devorando o sertão.
29
O vento, pastor estranho,
tangendo as nuvens ao léu,
conduz seu alvo rebanho
pelas campinas do céu!
30
Para Deus, na eternidade,
vale mais, nos corações,
um minuto de bondade
que cem anos de orações!
31
Para pescar, o Vicente,
sem que isto o desabone,
usa linha diferente:
- a linha do telefone!
32
Pecadora de olhar terno,
neste mundo, andando ao léu,
muitas almas para o inferno
mandou Maria do Céu!
33
Pra botar fogo na gente
é assim que a mulata faz:
em cima estufa pra frente;
em baixo estufa pra trás!
34
Prefiro ver-te na igreja,
pois na praia há o vento e o mar:
um te abraça... outro te beija...
- Vai, Maria, vai rezar!
35
Quando um povo escravo acorda,
pondo fim ao jugo insano,
a mão de Deus põe a corda
no pescoço do tirano ...
36
Seca Braba. Ao longe, o grito
do carro de bois gemendo
parece um "ai" longo e aflito
do sertão, que vai morrendo ...
37
Sejam "brotos” ou “coroas”
- Isto dispensa argumentos -
São sempre as mulheres "boas”
que inspiram "maus” pensamentos...
38
Se quiser proceder bem
quem briga alheia ajuíza,
dê razão a quem não tem,
pois quem já tem, não precisa!...       
39
"Só com o Zé se casaria...”
Jurou, e foi verdadeira:
Já tem três filhos Maria,
e continua solteira!..
40
Toda a desgraça do Alfredo,
que se encontra na prisão,
foi descobrir um segredo:
- o do cofre do patrão!
41
Velho com broto casado,
se brigam, logo entrevejo
que o que ela quer no atacado
ele mal dá no varejo...
42
Vem a neblina... e a cidade
goteja um pranto silente...
- Neblina é como a saudade
molhando os olhos da gente.
43
Vendo-a sorrir, quando passa,
lamento não ser solteiro...
pois ela é cheia de graça
e o pai... cheio de dinheiro!
44
Vigário, a prima Inocência
está na vila outra vez:
me dê logo penitência
para os pecados de um mês!...

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

João Ney Rodrigues Damasceno (1924 - 2005)

1
A casa alheia varrendo
antes de limpar a sua
- é o que o homem está fazendo,
tão preocupado com a Lua.
2
Acusado, sem clemência,
de tudo quanto eu não sou,
meu defensor é a consciência
daquele que me acusou!
3
Agora, ao fim da jornada,
dispõe de um bom capital,
que afinal não vale nada,
pois lhe falta o principal...
4
A justiça tem cegueira
mas tem olfato apurado;
quando o dinheiro ela cheira
nem o diabo é condenado!
5
Amigo e capacho é isso
que só difere na rima:
- ambos só prestam serviço
quando a gente está por cima.
6
Ao afirmar que a cegonha
trouxera os três de presente,
ouviu do mais sem-vergonha:
- Papai então é impotente?
7
Ao contemplar tua imagem
como nasceste, eu insisto:
deixa, de vez, a roupagem,
que o belo é para ser visto!
8
Ao pescar a doce amada,
o homem nunca tem noção
de que a sogra avinagrada
vem, de quebra, no arrastão!
9
As paredes que se ocultam
nos antigos casarões,
são mausoléus que sepultam
segredos de gerações!
10
As pompas do casamento
são um ato de sadismo:
- Não se festeja o momento
em que alguém salta no abismo!
11
Bonitão, forte e viril,
valia por três, sozinho!
E a mulher dele fugiu...
com um anão, seu vizinho.
12
Brigas, atritos, disputas,
ambições de toda sorte...
- De que valem tantas lutas
se tudo acaba com a morte?
13
Casamento é como um doce
só por fora açucarado:
é como se o doce fosse
de jiló cristalizado.
14
Casar seria tão lindo
se não houvesse o "depois":
os filhos acabam vindo
e roubam o amor dos dois!
15
Causa da própria orfandade,
tão feio nasceu o Augusto,
que a mãe, na maternidade,
ao vê-lo, morreu de susto...
16
Ciúme é como pimenta,
tem que se saber dosar:
- sendo pouco, condimenta,
muito, pode até matar!
17
Com dois “faróis” pela proa
e um “porta-malas” atrás,
Mercedes, mulata boa,
faz jus ao nome que traz!
18
Com o troféu que conquistou
num rodeio, de lambuja,
o peão também ganhou
um susto... e uma calça suja!
19
Deixaram de ser solteiras,
tornaram-se umas matronas...
e aquelas lindas cadeiras
transformaram-se em poltronas!
20
Depois que o sapo beijou
o corpo dela todinho,
a sapa então protestou:
- Na boca, não! Dá sapinho!
21
Deste modo era escolhido
um servidor da nação:
quanto mais prostituído
mais alta era a posição.
22
De uma longa enfermidade
que lhe minou os pulmões,
Jacob morreu, na verdade,
em suaves prestações.
23
Diz a cegonha à colega:
- Minha amiga, ultimamente,
eu quase não faço entrega,
mas dou susto em muita gente!
24
Ela foi tão apertada
quando ainda era mocinha,
que ficou apelidada
de "botão de campainha"!
25
Ele a amou loucamente
e por ela era querido,
até quando, infelizmente,
dela se tornou marido.
26
Ele era mesmo um talento,
tão "completo" pianista,
que pra levar o instrumento
tornou-se halterofilista.
27
Em um forró nordestino,
quando o locutor berrou:
"Telefone, Severino!",
o salão se esvaziou!...
28
Em véspera de eleição
até preso de xadrez,
pra conseguir votação,
vira padrão de honradez.
29
Em vida, vou dando um jeito
de quitar débitos meus
antes do acerto a ser feito
das minhas contas... com Deus.
30
É no aconchego do lar
que nós dois, juntos enfim,
melhor podemos julgar
o acerto daquele "sim".
31
É tão errado o José,
diz tanta coisa sem lógica,
que o apelido dele é:
"previsão meteorológica"!
32
Eu digo por que razão
o pobre tanto engravida:
- porque esta é a distração
mais barata que há na vida.
33
Farta em exemplos, a história
mostra que, às vezes, um passo
leva o caminho da glória
ao abismo do fracasso.
34
Há momentos em que penso
que eu não devo dispensar
toda a atenção que eu dispenso
a quem não sabe pensar.
35
Joguei tanto tempo fora
com quem me fez infeliz
e imploro um segundo, agora,
de quem me quis e eu não quis...
36
- Meu Deus! Que brilho ofuscante!
Como é lindo este anel seu!
Conte pra mim: é diamante?
- Não. Meu marido é quem deu.
37
Minha mulher fica tonta
com festa em hora marcada;
quando ela diz: "Estou pronta!"
a festa está terminada.
38
Muita gente sofre e chora
porque trocou, sem receio,
toda a certeza do "agora",
por um "depois" que não veio...
39
Na mão da criança triste,
estendida à caridade,
há sempre um dedinho em riste
acusando a sociedade.
40
Não acha que se perdeu
com o seu ex-namorado;
depois do que aconteceu
é que ela diz ter-se achado!
41
Na trajetória da vida
o que me causa revolta
é chegar ao fim da ida
e não ter direito à volta.
42
Num contra-senso aparente,
se, por acaso, me afrontas,
só vejo o momento ardente
do nosso acerto de contas...
43
O amor tem controvertidas
formas de apresentação:
em seu nome uns ceifam vidas,
por ele a vida outros dão.
44
O ascensorista escondido
dentro do armário, tremendo,
pra despistar o marido,
abre a porta e diz: - Descendo!
45
O careca é um revoltado
unicamente porque
só tem cabelo espalhado
nos pontos que ninguém vê.
46
O casamento é um contrato
que quem o assina, em verdade,
sem saber assina um ato
de extinção da liberdade.
47
O ciúme é uma suspeita
que, quando fundamentada,
quem não tem cabeça feita,
fica com ela enfeitada!...
48
O coração não se empresta,
dá-se quando se quer bem,
e a quem recebe só resta
dar em troca o seu também.
49
Olhando a ilha perdida
na imensidão do oceano,
eu tenho a exata medida
do nada que é o ser humano...
50
Os mais raros predicados
que eu atribuo a você,
dariam, catalogados,
um glossário de “A” a “Z”.
51
Para cumprir as promessas
que fez para ser eleito,
precisa - agora confessa -
ser cem anos o prefeito!
52
Para sair deste tédio
eu faço aqui um apelo:
- Descubram-me um bom remédio
para dor de cotovelo!
53
Passarinhos me sujaram
a roupa, sem que eu notasse;
mas vocês já imaginaram
se vaca também voasse?
54
Pecadora é a que revela
as suas ações impuras,
e virtuosa é aquela
que só as pratica às escuras.
55
Perdeu o juízo quando
começou a namorar;
também perdeu namorando
o que jamais vai achar...
56
Por meus possíveis fracassos
assumo a culpa sozinho:
se Deus libera os meus passos
sou eu que escolho o caminho.
57
Pra fugir da solidão
casou-se e, meses depois,
sofria a mesma tensão
multiplicada por dois.
58
Quando eu respondi que sim
no dia que nos casamos,
todos olharam pra mim
como a dizer: "Lamentamos"...
59
Quem bebe para curar
o mal de amor por alguém,
vai somente acrescentar
ressaca ao mal que já tem.
60
Quem está sempre dizendo
que a morte é melhor que a vida,
se nisto estivesse crendo,
já seria um suicida.
61
Quem, hoje, segue na vida
padrões morais do passado,
é rima rica perdida
em versos de pé-quebrado.
62
Quem oferece um presente
e o recorda a toda hora,
vai cobrá-lo, certamente,
até com juros de mora!
63
Seja qual for o quinhão,
há sempre quem o bendiga;
a migalha do seu pão
é um banquete pra formiga.
64
Se quer que todos bem cedo
saibam de um fato qualquer,
conte-o então como um segredo
a qualquer uma mulher.
65
Só bebo "rabo de galo",
sou mestre em 'rabo-de-arraia",
curto "rabada" e me ralo
por qualquer "rabo-de-saia"!
66
Só consegue se casar
e não burlar o contrato
quem for capaz de almoçar
todo dia o mesmo prato.
67
Só compartilha contigo
quando quer que votes nele;
- o político é o amigo
das horas difíceis... dele.
68
Tem uma dor de consciência
que não o deixa jamais:
- ser causa e não consequência
do casamento dos pais.
69
Todo bem que praticares
nenhum mérito terá,
se ao praticá-lo visares
as graças que Deus dará.
70
Tua nudez acarinho...
e, entre sutil e arrojado,
trilho o bendito caminho
que leva ao doce pecado!
71
Velho rico é o verdadeiro
caso paradoxal:
tem o burro do dinheiro
mas não tem 'o capital"...
72
Vendo os franguinhos girando
num bruto espeto, alguém diz,
todo se desmunhecando:
- Ah!... Que morte mais feliz!
73
Você me lembra a escultura
daquela estátua de Vênus;
não é pela formosura,
mas pelos braços a menos...

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Gamaliel Borges Pinheiro

1
À falta de inteligência,
são argumentos de estulto
o destempero, a violência,
a gritaria, o tumulto.
2
A insegurança, a tristeza
dos que se dizem ateus
é nunca terem certeza
da inexistência de Deus!
3
Ante a dor do desgraçado,
quem se faz indiferente
tem o ouvido calejado
e a consciência dormente.
4
As fluentes, cristalinas
cataratas dos teus beijos
fazem girar mil turbinas
da usina dos meus desejos.
5
Até agora, meu bem,
ao certo saber não pude
se teu carinho faz bem
ou se me agrava a saúde.
6
A tua boca precisa
de levar esparadrapo,
para ver se imobiliza
a tua língua de trapo.
7
Como o sábio é ponderado,
comedido, tolerante,
o néscio é precipitado,
oco, vaidoso, arrogante.
8
Da vida de toda gente
quis o medíocre saber;
e a si mesmo, que era urgente,
não tratou de conhecer.
9
De palavras más, intensas,
trago os ouvidos vazios,
pois jogo fora as ofensas,
guardo só os elogios.
10
Do meu filho, homem formado,
eu conservo na retina
de alegre pai deslumbrado,
o guri vivo e traquina.
11
Do pensamento em conflito
ressalta a ideia serena:
ao mundo sofrido e aflito
vim somente pagar pena.
12
Em meio às lutas da vida
afirmo-te compensado:
nosso casório, querida,
tem sido um longo noivado.
13
Esta moda divertida
na mulher mais se acentua:
velha e feia - bem vestida;
bela e jovem - quase nua!
14
Mais do que o verbo inflamado,
me encanta, nas assembléias,
os grandes prélios travados
no terreno das ideias.
15
Musicando o riso e o pranto,
minha Itaocara aprendeu
as doces aulas de canto
que o Paraíba lhe deu.
16
Na luta do pensamento
o que se torna empolgante
é que, no fraco, o talento
pode torná-lo um gigante.
17
Numa alternância vadia,
a vida atira em meu rosto
um minuto de alegria
para um ano de desgosto.
18
Paraíba caudaloso,
nas tristes tardes de estio
sinto um murmúrio queixoso
nos marulhos deste rio.
19
Para amenizar o estio
de jornada tão sofrida,
vez por outra nasce um rio
no deserto desta vida.
20
Parece que, sem comando,
para chegar neste ponto,
de tanto viver rodando
o mundo já ficou tonto.
21
Pela vida entre perigos
dos caminhos percorridos,
tive nobres inimigos
e tive amigos fingidos.
22
Por mais negro e perigoso
que seja o mundo, nós temos,
em Deus, um sol luminoso,
para os momentos extremos.
23
Por-me-iam desnorteados
seus trejeitos atrevidos,
se eu não fosse vacinado
contra amores proibidos.
24
Quem sabe fazer alarde
a sua fama constrói,
por isso há muito covarde
condecorado de herói.
25
Tomba o trono, a majestade,
a glória em breve se vai,
mas do cimo da humildade,
meu amigo, ninguém cai.
26
Uma estátua a humanidade
deveria, solidária,
erguer em cada cidade
à professora primária.
27
Vai-se o dia sem promessa,
uma folha a mais caída,
o outono chega depressa
ao bosque de nossa vida.
28
Viúva, no inverno da vida,
sem carinhos do vovô,
vovó, no canto, esquecida,
coitadinha, faz tricô.
29
Vivido, bem tarimbado,
que experiência expressiva:
já vi o orgulho humilhado,
já vi a humildade altiva.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Dimas Lopes de Almeida (1915 - 1994)

1
A alegria desabrocha
no meio da nossa dor,
como na fenda da rocha
nasce, às vezes, uma flor.
2
A morte é paz e sossego,
nela outra vida começa,
mas se ela é doce aconchego
dou a vez quem tem pressa.
3
Aos músicos serve o som,
aos pintores serve a cor,
para servir o homem bom
existe apenas o amor.
4
A vida é página breve
que Deus em branco nos dá.
A gente é que nela escreve
coisa boa ou coisa má.
5
Com nova tinta e vestido,
uma esposa inteligente
dá, cada dia, ao marido,
uma mulher diferente.
6
Das mãos se juntam as palmas,
mas união não se alcança
se não se juntam as almas
numa perfeita aliança.
7
Desenvolver o turismo
é criar costumes sãos,
dar à vida dinamismo,
fazer os homens irmãos.
8
Disfarçando os seus horrores,
a humanidade iludida
espalha bonitas flores
sobre os abismos das vida.
9
Dizes mal do mundo todo,
mas a vida há que entendê-la:
na fonte onde encontras lodo
há quem descubra uma estrela.
10
Diz ser minha eternamente,
mas, na vida transitória,
mesmo a sua permanente
será sempre provisória.
11
Dos plágios não digas mal,
se és artista consagrado:
Quem fez algo original
foi Adão, e era pecado!
12
D. Pedro, um grande dos nossos,
movido pela afeição,
deu ao Brasil os seus ossos
e ao Porto o seu coração.
13
É feliz quem tem o dom
de sonhar a vida inteira.
Se não acha o mundo bom
faz um à sua maneira.
14
Entre esses padrões de glória
que se ergueram mundo além,
julgo que o maior da História
seja a Torre de Belém!!!
15
Éramos tristes e sós.
Hoje, sou teu, tu és minha:
as almas são como as mós
que unidas fazem farinha.
16
Eu não me quis casar cedo,
que ganhei com essa teima?
Quem das fogueiras tem medo,
depois nas cinzas se queima.
17
Felizes são as crianças
porque vivem cada dia
entre sonhos e esperanças,
no reino da fantasia!
18
Há quem passe pela vida
e nunca chegue a viver:
quanta boca ressequida
passa à fonte, sem a ver!
19
Jamais um fraterno laço
devemos romper à toa,
pois cada irmão é um pedaço
da nossa própria pessoa.
20
Julgas-te velha? Tem calma,
e não vivas deprimida.
Juventude é estado da alma,
não é uma quadra da vida.
21
Mandas-me pelo correio,
tantas saudades, em suma,
que eu até tenho receio
que tu fiques sem nenhuma!
22
Meu Deus, quantas vezes cismo
ao ver uma sepultura!
Cabe o mais profundo abismo
em poucos palmos de altura...
23
Nada minha alma conforta
como ouvir a serenata
que os rios, na noite morta,
entoam com voz de prata!
24
Não cuides só da fachada,
que a aparência não é tudo:
um livro não vale nada
se não tem bom conteúdo.
25
Não estranhes que o Mar largo
seja salgado demais:
é devido ao pranto amargo
que se chora em cada cais.
26
Não me importo de ser cego
à beira de moças belas:
- até gosto, não o nego,
de andar às apalpadelas!...
27
Não queiram subir dum salto
a escadaria da Vida,
pois é sempre em lugar alto
que vemos a Cruz erguida.
28
Não tem valor a riqueza
que os grandes do mundo têm,
quando o pão de sua mesa
sabe às lágrimas de alguém.
29
Natal é tempo bizarro
porque nós todos, no fundo,
somos bonecos de barro
neste Presépio do Mundo.
30
O que sinto não tem nome,
no momento de te ver.
Não sei se lhe chame fome,
se vontade de comer...
31
Perdi o melhor que tinha,
agora o mundo me enjeita:
- Ninguém olha para a vinha
depois da vindima feita.
32
Por que é que não te assemelhas,
humanidade cruel,
às pequeninas abelhas que,
unidas, fazem o mel?
33
Que importa que a casa nossa,
amor, tenha pouco espaço?
Numa pequena palhoça
mais estreito é nosso abraço!
34
Relógio, roubas-me a paz
com tuas doces mentiras,
pois as horas que me dás
são aquelas que me tiras.
35
Se esta vida é uma passagem,
riquezas não valem nada:
quanto mais leve a bagagem,
menos custa a caminhada.
36
Sem a força da união
não há vida nem carinho:
grãos unidos fazem pão,
uvas juntas fazem vinho.
37
Sendo o mar quase infinito
cabe num lenço dos meus,
nesse lenço que eu agito
quando te aceno um adeus.
38
Sofrendo seu mal eterno,
há tanta gente oprimida
que não tem medo do Inferno
pois já tem inferno em vida.
39
Sou fiel à companheira
porque a velhice é cruel:
agora, mesmo que eu queira,
não posso ser infiel!…
40
Um beijo causa dispêndio,
tal como a fogueira ao vento,
pois se esta produz incêndio,
ele produz casamento.
41
Um beijo de amor encerra
a ventura que eu bendigo:
se o sal não beijasse a terra
a terra não dava trigo.
42
Um moinho de ilusão
no meu peito se contém,
pois não vivo só de pão,
vivo de sonhos também.

domingo, 1 de outubro de 2017

Clarindo Batista de Araújo (1929 - 2010)

1
A Mãe, por ser indulgente,
tudo em seu coração cabe.
A mãe é aquilo que a gente
quer definir mas não sabe.
2
À mulher do caranguejo,
propõe um siri de fama:
- Se você me der um beijo,
eu tiro você da lama!
3
Ano Novo, nova vida
e muita poesia nova,
desejo a elite que lida
na lapidação da Trova!
4
Aquele que segue os passos
da pureza e da virtude,
Deus o carrega nos braços
na pior vicissitude!…
5
Com a fé de que ora disponho
não caminho sobre as águas,
mas dou asas ao meu sonho
e jazigo às minhas mágoas!
6
Contra o perigo atual
já não há quem se previna
porque, do gênio do mal,
há um clone em cada esquina!
7
Dá pena essa juventude
cheia de vida, que joga
o seu futuro e a saúde
no antro infernal da droga!
8
Dói fundo vermos a flora,
que é vida da nossa terra,
sendo devastada, agora,
por machado e  motosserra!
9
Educar uma criança
com um trabalho eficaz,
é ter plena confiança
de não punir o rapaz!
10
Este teu corpo de misse
me deixa o coração tenso,
imagina, se eu te visse
daquele jeito que eu penso!
11
És uma cruz que carrego
por destino ou por castigo,
presa com tanto nó cego
que desatar não consigo!…
12
Eu suponho que a riqueza
que sobra dos poucos nobres,
seja o que falta na mesa
dos muitos que vivem pobres.
13
Gotinhas d’água na aurora
sobre a mata destruída,
traduzem pranto que chora
a Natureza agredida.
14
Nada tem tanta poesia
como este brilho profundo
que a natureza irradia
do pantanal para o mundo!
15
Nada trouxe mais lirismo
às feiras do interior,
que cordel, no dinamismo
de seus romances de amor!
16
Negra cinza no chão pobre
que resultou da queimada,
é o triste manto que cobre
a Natureza enlutada!…
17
Neste caminho sem luz
que por desdita trafego,
tu és um clone da cruz
que ao meu calvário carrego!
18
Ninguém ouve mais o canto
matinal da passarada...
Vê-se agora, a fauna em pranto,
carpindo a dor da queimada!
19
Ninguém se julgue, na vida,
maior do que o pequenino,
pois, na triste despedida,
todos têm um só destino…
20
No Potengi me extasio
fitando o beijo molhado
das águas doces do rio,
na boca do mar salgado...
21
Nós cremos no Deus da vida
e vemos com nitidez
que onde Ele tem acolhida,
sortilégio não tem vez!
22
Nos meus olhos divagando,
eu vejo um contraste infindo:
meus olhos tristes chorando,
minha alma alegre sorrindo!
23
Nós não podemos julgar
erros ou falhas de alguém,
sem antes examinar
nossa "pureza' também!
24
O contraste que amargura
a maioria indefesa
é uns, com tanta fartura,
e tantos sem pão na mesa!
25
O orvalho que cai agora
nos sobejos da queimada,
traduz o pranto que chora
a Natureza arrasada!…
26
Por tua porta fingida
entrou minha alma indefesa
em um beco sem saída,
onde até hoje está presa.
27
Quando em nosso ninho pobre
tu me abraças carinhosa,
a tosca palha que o cobre
vira pétalas de rosa!...
28
Sem darem trégua um segundo,
desmatando em brutal dose,
não tarda o pulmão do mundo
contrair tuberculose!…
29
Sem trabalho e vomitando
 sobre um morcego no lixo,
 diz o ébrio: - Num tô lembrando
 de ter comido este bicho!
30
Se todos fossem honestos
ninguém veria, na praça,
mendigos comendo restos
do pão que a miséria amassa!
31
Sinto a presença divina
em tudo que me rodeia:
na vibração matutina,
num sabiá que gorjeia!
32
Sou devoto de Santana
com tanto amor pela igreja,
que, nem a seca tirana,
do Seridó me despeja!…
33
Todo castigo atormenta,
mas não há nada pior
que uma mulher ciumenta
resmungando ao seu redor!
34
Trinos tristes são protestos
da passarada que implora
a preservação dos restos
da fauna e da nossa flora!
35
Tudo sobe!… A carestia
na feira já me derruba.
Só não sobe todo dia
o que eu preciso que suba!
36
Vendo os dotes da Jussara
no seu biquíni miúdo,
morro de inveja do cara
que é dono daquilo tudo!!!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Roberto Resende Vilela (Pouso Alegre/MG)


1
A educação esmerada,
ao preparar para o novo,
conduz, em sua escalada,
à identidade de um povo.
2
Alegria verdadeira,
neste mundo de ilusão,
é sonhar a vida inteira...
sem tirar os pés do chão.
3
A luz que jorra na fonte
que os olhos não podem ver,
amplia mais o horizonte
que a nuvem tenta esconder !
4
A mentira, com extrema
e total habilidade,
tem passado, sem problema,
como exemplo da verdade!
5
A noite, pela cidade…
coração triste e alma nua,
eu sempre encontro a saudade
me procurando na rua!
6
Ao som do despertador,
erga-se alegre... sorria!...
E agradeça ao Criador
pelo sol de um novo dia!
7
A Trova bem construída...
que aos bons princípios conduz,
pelos escuros da vida
é uma cascata de luz!
8
Cai a chuva... o rio inunda...
o vento torce o arvoredo...
Mas, se a raiz é profunda,
nenhuma planta tem medo!
9
Com belas coreografias
no chão e na imensidade,
as aves, todos os dias,
dão lições de liberdade!
10
Da varanda da fazenda,
uma saudade sem fim
escuta aquela moenda
que agora só range em mim!
11
Embora longe e tardia,
com débil luminescência,
a estrela do amor nos guia
pelas noites da existência.
12
Esta mulher que me inspira
– Musa na luta esculpida –
é ingênua, pobre e caipira,
mas razão da minha vida!
13
Este relógio é um castigo!
- Vai, de meia em meia hora,
acordando um sonho antigo...
que se nega a ir embora!
14
Mesmo contra a correnteza
- poluída, que envenena -
o Amor à Pátria é a certeza
de que a luta vale a pena.
15
Mesmo quando se fracassa
e a vida é mar de incerteza,
a esperança, embora escassa,
é sempre uma vela acesa!
16
Nada machuca, dói tanto
nem nutre mais a descrença
e o profundo desencanto
do que a extrema indiferença.
17
Não malogre o seu desejo…
Nem pense que é uma vergonha,
pois é nas asas de um beijo
que chega à lua… quem sonha!
18
Nem mesmo em noite de inverno
o luar contém mais brilho
que as luas do olhar materno
rondando o berço de um filho!
19
Nos bons tempos das varandas,
das mangueiras nos quintais
e das alegre cirandas
o mundo sonhava mais!
20
O meu coração é um galo
empoleirado no sino
silencioso e sem badalo
da capela do destino!
21
O meu espírito é um frade
em sua própria capela...
a procura da saudade
que vagueia dentro dela!
22
O patrimônio maior
- saldo da luta… sofrida -
todos sabemos de cor:
É o bom exemplo de vida.
23
O poeta não lamenta
o caminho e a caminhada,
pois é a graça que o sustenta
todo o tempo, em toda a estrada!
24
O que fiz, quando criança,
deu rédeas à mocidade...
Hoje - o coração balança
na gangorra da saudade!
25
Pelas veredas singelas
da Trova e da Poesia,
se difundem as mais belas
lições de Filosofia.
26
Por entre as ramas hirsutas,
em pomares carregados,
o luar espreme frutas
na boca dos namorados!
27
Quando a estiagem persiste
e a terra se faz ardente,
nenhuma nuvem resiste
aos apelos da semente.
28
Quando piso, descuidado...
as trilhas da solidão,
sinto, a cada passo dado,
minha mãe me dando a mão!
29
Quanto mais se estende a mão
e a justiça cresce e avança,
mais brilha, no coração,
a centelha da esperança!
30
Quem não escolhe a semente,
nem cultiva com capricho,
às vezes colhe somente
restolhos e carrapicho.
31
Quem trabalha a ecologia
Com exemplo e amor profundo
Sente o prazer e a alegria
De estar melhorando o mundo.
32
Rio de águas incontidas,
como é vária a tua sorte,
- se tu levas muitas vidas,
carregas também a morte.
33
Sem dúvida, em toda parte,
Naturalmente, não cansa:
Brinca, grita, ri, faz arte…
-criança é sempre criança!
34
Sem responder pelos atos,
à luz da conveniência,
ainda há muitos Pilatos
crucificando a inocência!
35
Se quiseres um luar
prateando o interior,
deixa em ti mesmo piscar
uma centelha de amor.
36
Sob os trapos do luar,
na brisa envolvente e branda,
a saudade vem chorar
pelos cantos da varanda.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

César Torraca


1
A cova do falecido
tinha tranca e cadeado.
Por ciúme desmedido
da viúva do coitado.
2
Cantou muito bem, embora
saísse todo quebrado,
pois cantou uma senhora
que tinha o marido ao lado!
3
Desprezando a minha crença,
quando te vejo passar,
ao sentir tua presença...
ponho pecado no olhar!
4
Distraída, a moça entrou
sozinha no elevador
e ao gabineiro falou:
- Vamos pro quarto, senhor.
5
Diz a vacina, zangada:
- No braço eu não vou gostar;
fico mal acomodada;
é melhor outro lugar!
6
Ela é nova e ele velhinho...
e veio um par de rebentos...
- curioso é que, ao vizinho,
não faltaram cumprimentos...
7
"Lucíola", minha "Senhora",
foi em "Sonhos d'Oiro" a "Diva",
"As Asas de um Anjo" e agora
é a "Expiação" rediviva.
8
Mordomo nada primário,
educado e muito ordeiro,
não abre nenhum armário
sem antes bater primeiro.
9
Na cova da falecida,
ao ver o patrão em pranto,
o viúvo, alma ferida,
viu porque ganhava tanto...
10
No futebol se consola
e ganha a vida suando;
ela também, "dando bola",
vai na vida prosperando…
11
O Anedotário horroroso
que ele repete em torrente,
é do tempo em que o famoso
Mar Morto estava doente!
12
O canário não cantava,
entretanto, o vendedor,
a quem comprou explicava:
"Não canta, é compositor..."
13
O maiô que, por acaso,
veste a jovem modernista,
foi comprado a longo prazo,
porém, deixa tudo à vista!
14
O pai de santo aplicado
quando da terra "partiu",
tinha o corpo tão 'fechado"
que nem o legista abriu...
15
Sendo aventureiro e otário
virou pinguim o Pereira:
sem tempo de entrar no armário,
se escondeu na geladeira.
16
Se o marido chega tarde,
em silêncio, sem tropel,
é a mulher quem faz o alarde,
com seu rolo de pastel!
17
"Seu pulso está muito lento",
diz o doutor, mas confessa
o cliente, bem atento:
- Não faz mal, não tenho pressa!

domingo, 3 de setembro de 2017

Benedito de Góis


1
Ah! Se Deus me desse a graça
de ter-te sempre ao meu lado,
eu não teria a desgraça
de viver tão maltratado…
2
Ave-Maria! Soou
lá na capelinha o sino.
E só a saudade ficou
de um coração peregrino...
3
A vida é como um navio
que, na procela do mar,
vai indo como Deus quer,
até seu porto encontrar.
4
Eu vivo perambulando
noite e dia sem cessar.
A sorte de um vagabundo
que nasceu para penar...
5
Há nos teus olhos ciúmes,
no teu corpo sedução.
No meu peito, uma saudade
nas noites de solidão.
6
Minha mãe, deusa querida,
santa que reza por mim,
és razão da minha vida,
és a flor do meu Jardim!
7
Minha terra tem salinas,
tem rios, tem coqueirais.
Também tem moças bonitas,
para quem mando os meus ais.
8
Na minha vida o caminho
é sempre tão negro e atroz...
Nem sequer tenho um carinho,
dela já não escuto a voz...
9
No meu silêncio tristonho
que teu amor me deixou,
minha vida é quase um sonho
e tudo, tudo arruinou...
10
No pé daquele arvoredo
coloquei o nome dela,
para que morra em segredo
o amor que tenho por ela.
11
Ó lua branca e formosa,
mandai do céu, por favor,
um bom presente, uma rosa,
como oferta ao meu amor...
12
Ó mundo todo maldade,
tu, que me roubas a calma,
dá-me um pouco de bondade
e alívio para minha alma!
13
Ó! Tu que pisas mansinho
e tens um bom coração,
dá-me bastante carinho
e mata minha paixão!
14
Quando eu a vejo sozinha
na escuridão dos meus dias,
sinto a dor que me espezinha
e as esperanças sombrias...
15
Saudade, dor que me invade
o coração facilmente...
Espinho atroz da maldade,
que me destrói lentamente...
16
Se ela por mim sentisse
um sentimento qualquer,
nem que ela apenas fingisse
que foi um dia mulher...
17
Se tu soubesses, morena,
o gosto que o beijo tem,
não me fazias tal cena...
me beijarias também.
18
Só entre escolhos vivido,
não sei mais o que fazer.
Eu já me sinto perdido
quando não posso te ver!
19
Tarde sombria de outono,
Orion já longe vai…
Quisera sempre ter sono
na hora em que o pranto cai.
20
Você, ó fada encantada,
dona do meu coração,
não lembra a vida passada,
berço de negra ilusão...
21
Vou sentindo dentro em mim
um quê de amor e paixão.
Meu viver é tão ruim
que até Deus tem compaixão...

Revista Crestomatia de Trovas nº 3 – junho de 2026 (download gratuito)

Confira os destaques que preparei para o seu deleite em suas 37 páginas: * Panteão da Trova: Inicia nossa jornada com uma seleção primorosa ...