Trovadores em Ordem Alfabética

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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Raymundo de Salles Brasil (Salvador/BA)

A cor dos teus olhos faz
o que só fazem os vinhos:
Me embriaga e é bem capaz
de embriagar os vizinhos.
= = = = = = = = = 

Ao que canta, basta o canto,
para carpir sua dor,
para derramar seu pranto,
basta a trova ao trovador.
= = = = = = = = = 

A trova não tem ciência:
carece de intuição,
um pouco de inteligência
e de muita inspiração.
= = = = = = = = = 

Cheguei da vida ao Inverno.
Retornar? – Ah, quem me dera!
Sorver o doce Falerno*
de uma nova Primavera.
= = = = = = = = = 

Depois de brilhar intenso,
Como flechas de ouro os raios,
No horizonte, o sol imenso,
Desfalece-se em desmaios.
= = = = = = = = = 

Depois de tantas andanças,
ao velho restam seus ais,
voltar a velhas lembranças,
recordá-las,  nada mais.
= = = = = = = = = 

Deus excede a imensidão
dos campos, dos céus, dos mares,
mas cabe em teu coração
se humildemente O buscares.
= = = = = = = = = 

Eu não consigo ocultar
a dor que aqui dentro sinto,
se a boca tenta negar,
meus olhos mostram que minto.
= = = = = = = = = 

Há certo tipo de amor
que a gente nunca se esquece:
na lembrança – morta a flor –
seu perfume permanece.
= = = = = = = = = 

Medo e Sonho, dois caminhos,
se entre um e outro me ponho,
prefiro enfrentar espinhos,
e perseguir o meu sonho.
= = = = = = = = = 

Minha trova é minha amiga,
ela acolhe os meus clamores,
é como modinha antiga,
que embala antigos amores.
= = = = = = = = = 

Misturam-se à paciência
do fantástico artesão,
a força da inteligência
com a destreza da mão.
= = = = = = = = = 

Nada pode embriagar,
nem mesmo os melhores vinhos,
como as mulheres no altar
como os rosais dos caminhos
= = = = = = = = = 

Na minha grande fraqueza,
num poço fundo, sem luz,
descobri a fortaleza,
da mão firme de Jesus.
= = = = = = = = = 

Não precisa o trovador
Ser letrado ou exegeta,
Ele precisa de amor,
Ser sensível e ser poeta.
= = = = = = = = = 

Não teriam mais sentido
meus sentidos sem você,
pois fico todo perdido
quando um deles não lhe vê.
= = = = = = = = = 

Nas horas de devaneio,
Ou mesmo se estou tristonho,
Retiro o véu do receio,
quando a sonhar eu me ponho.
= = = = = = = = = 

Nunca foi um ser normal
o poeta (alguém diria):
ele pega o que é real
e põe dentro a fantasia!
= = = = = = = = = 

O belo sol nascediço**,
vem de luz encher meu quarto;
eu acordo, e me espreguiço,
e agradecido me farto.
= = = = = = = = = 

Preocupa-me o destino
da minha lira sonora
quando badalar o sino,
quando chegar minha hora.
= = = = = = = = = 

Quando o coração padece,
só você sabe o porquê,
ou você magoou alguém,
ou alguém magoou você.
= = = = = = = = = 

Quem ama vê atitudes
virtuosas no defeito,
e quem não, nem as virtudes
são enxergadas direito.
= = = = = = = = = 

Quintana disse-me, a mim,
usando as suas facetas,
que eu cultivasse um jardim
e aguardasse as borboletas.
= = = = = = = = = 

Sacrifício por amor
nunca maltrata, nem cansa;
tem do prazer o sabor
e o gosto da esperança.
= = = = = = = = = 

Se for possível a quem parte,
se permitido a quem sonha,
se merecedora a arte,
deitem-me a lira tristonha.
= = = = = = = = = 

Se meu presente é tão bom,
eu devo muito ao passado,
ele foi que deu meu tom,
e me manteve afinado.
= = = = = = = = = 

Se tenho amor nas entranhas,
e se cultivo o perdão,
as suas faltas tamanhas,
perdoo-as de coração.
= = = = = = = = = 

Se todos fossem iguais,
o que seria da gente?
- Eu posso ser um a mais,
mas você é diferente!
= = = = = = = = = 

Somente tenho singrado
em águas rasas, serenas,
eu sou barco sem calado
e tenho velas pequenas.
= = = = = = = = = 

Tem três fases na gaveta
da vida de um velho pai:
a de rei, a de careta,
e a de bom, quando ele vai.
= = = = = = = = = 

Um amante, um poeta e um louco,
amor, sonho, fantasia,
sou de cada um, um pouco,
não fosse assim, não vivia.
= = = = = = = = = 

Vejo a noite enluarada,
e esse céu todo risonho,
sem ter de fazer mais nada
de você, eu faço o sonho.
=============================================
doce Falerno = Vinho apreciado pelos antigos romanos e que se produzia outrora em Falerno (Itália)
** Nascediço = que vai nascendo.

Fonte:
Recanto das Letras do Trovador

Lairton Trovão de Andrade (Pinhalão/PR)


01.
Destrua a melancolia,
pois a vida se renova!
Contra a tristeza, Maria,
beba chazinho de trova!

02.
O plagiário é caricato
que no mundo se repete;
é escritor co'a mão do gato
e pintor que pinta o sete.

03.
Ninguém é tão educado
como o fino do Joaquim;
nas lojas, mesmo calado,
saúda até manequim.

04.
Só de ver a sucuri,
adoentou-se a saracura;
com licor de licuri*
nada sara, nada cura.
= = = = = = = = = 
* licuri = coquinho
= = = = = = = = = 

05.
Diz a crença popular:
Não há coisa que enlouqueça
mais que a boca a relinchar
de uma mula-sem-cabeça!

06.
O pobre incauto eleitor
feliz ficou na procura;
diz que o voto é do doutor
que lhe deu uma dentadura.

07.
O símio, bem natural,
exclama ao réptil, de pé:
"Oh, que boquinha sensual
tem o amigo jacaré!"

08.
- Masculino ou feminino?
Perguntou o frei José;
– “Marculino ou Felisbino
não, não! É Zé que o pai qué"!

09.
No velório do riquinho,
há, no íntimo, festança;
"Choro, sim, por meu padrinho,
(mas que venha logo a herança)".

10.
Aquele gato é baiano,
assim nos diz o Lalau;
ouça o miado do bichano:
"Me-au, me-au, me-au, meau"!

11.
É, na Internet, o namoro
paixão que "dá choque"... e muito;
A cada abraço - um suadouro...
e ao beijar - curto-circuito!

12.
Foi assim que aconteceu
entre meu tio e o Mansur;
– Você, meu filho, é ateu?!
- Não, senhor, eu sou Artur!

13.
Era boa caipirinha
de esquentar qualquer "moringa"*.
- O que de bom é que tinha?
- "Açúcar, limão e pinga".
= = = = = = = = = 
* Moringa: Orelha, ouvido (regionalismo).
= = = = = = = = = 

14..
Depois de muito ovo por,
a angola* aguça a matraca
e, festejando com suor,
canta: "tô fraca, tô fraca"!
= = = = = = = = = 
*Angola: Galinha d'angola.
= = = = = = = = = 

15.
Quanta gente cuja obra
é cheia de desatino!
- Tem no cérebro, de sobra,
o que é próprio do intestino.

16.
O cravo brigou co'a rosa,
a rosa despetalou-se;
chora a rosa escandalosa;
- Minha corola encravou-se!

17.
Gosta muito de "pregar"
a mulher do seu Mané;
repete "né", sem parar...
e, no fim, diz "né, né, né".

18.
Neste Brasil brasileiro,
lê-se coisas de arrepiar;
num comércio está o letreiro:
"Volto já, fui ao mossar".

19.
Quão exímia pensadora
é a coruja que se cala;
é tão nobre esta doutora,
que besteira nunca fala.

20.
Para o torcedor fanático,
jogador profissional
é um exemplo claro e prático
de mercenário ideal.

21.
O velhote tagarela,
sozinho em sua viuvez,
propaga muita balela
de mil feitos que não fez.

22.
Às vezes, nem tudo passa
como nem tudo se pode;
nos dias de grande arruaça
pode dar cabra ou dar bode.

23.
- Sou honesto no meu bar,
nada de interrogatório!
De vocês, só vou cobrar
a bebida e o "conversório"!

24.
Pergunta-se, volta e meia,
para quem pouco estudou;
- “Quem deixou a Lua cheia?"
- “Foi o Sol que a engravidou!”

25.
Aquele curvo nariz
é coisa descomunal;
escorre qual chafariz
e, ao assoar, é um temporal.

26.
- Minha cara, dá-me a mão!
É por ti que vivo e morro!
Dá-me afeto, sim, do cão,
não, porém, de um cão cachorro.

27.
Tal paixão te custou caro,
com a mais cega insistência;
esta "coisa", não tão raro,
leva otário pra falência.

28.
Se em toda Literatura
a obra fosse de algum crítico,
carecia sepultura
pra enterrar livro raquítico.

Fonte> Lairton Trovão de Andrade. Perene alvorecer. 2016. Livro enviado pelo autor.

domingo, 2 de novembro de 2025

Alvitres do Professor Renato Alves = 8

 
“Quando o carteiro chegou / e o meu nome gritou / com uma carta na mão…”
(“Mensagem”: Aldo Cabral e Cícero Nunes)

Talvez os jovens, dos “e-mails” e “whatsapps”, não entendam do que vou tratar. Peço desculpas! Vou falar de cartas, outrora um instrumento poderoso de comunicação. Na literatura, chegava a constituir um gênero literário próprio: a Correspondência Epistolar.

Cartas são veículos eficientes para o transporte de emoções humanas diversas, são flechas certeiras disparadas ao coração humano.

Na trova, há bons exemplos que exploram o tema transbordando emoções eivadas de um lirismo profundo. Às vezes, não se referem a cartas propriamente ditas, mas a mensagens, bilhetes, recados.

Não deixe as cartas que eu mando
sem respostas, por favor,
porque é bom, de vez em quando,
reler mentiras de amor.
(Maria Nascimento)
= = = = = = = = =  

De tuas mãos para as minhas,
chegam cartas com segredos,
que eu leio afagando as linhas
onde bailaram teus dedos.
(Cleber Roberto de Oliveira)
= = = = = = = = =  

Carteiro, ao fazer a entrega
das cartas, de porta em porta,
o pranto e o riso carrega,
nos segredos que transporta.
(Jacy Pacheco)
= = = = = = = = =  

Pediste: “Espere, querida!”
num cartãozinho assinado…
E eu fiquei, por toda a vida,
refém de um simples recado.
(Thereza Costa Val)
= = = = = = = = =  

Ao receber tuas cartas,
uma frustração me invade…
Tu me dá notícias fartas,
mas… me matas de saudade!
(Renato Alves)
= = = = = = = = =

As tuas cartas, afago-as
toda vez que as releio,
e leio todas mágoas
na carta que não me veio.
(Octávio Venturelli)
= = = = = = = = =  
Fonte:
Texto enviado pelo autor, de Comentando Trovas n. 113. 26.10.2025

domingo, 24 de agosto de 2025

Neide Rocha Portugal (Bandeirantes/PR)

1
A carranca, na janela,
tanto medo produzia,
que ao passar em frente dela
o diabo se benzia...!
2
A família, com seus “trancos”,
às vezes não é perfeita...
Mas aplainando os “barrancos”
com jeitinho ela se ajeita!...
3
- A fechadura enguiçou!
Grita o bêbado na rua;
Quando um vizinho alertou:
- Esta casa não é sua!...
4
A glória, em nenhum momento,
vale pela caminhada
de quem, sem discernimento,
pisa os fracos pela estrada!
5
A mulher, em vigilância,
põe o “gajo” no porão,
pois conhece, na distância,
o ronco do caminhão!...
6
Ante a decisão errada
de um momento, em desatino,
a resposta não pensada
altera qualquer destino!
7
Ante a dor e a nostalgia
surge a luz... e, de repente
parece que um novo dia
surge na vida da gente!
8
Ao ler “FECHADO POR LUTO”
o bebum se envaideceu:
- eu bebi todo o “produto”...
e o boteco é que morreu!
9
A primavera dá cores
e o destino me dá tranco,
por isso é que as minhas flores
são todas em preto e branco!...
10
Até o destino chorou
ao ver tantos embaraços
que depressa colocou
você de novo em meus braços!!
11
A velha revirou tudo,
mas no escuro ela não via
que atrás do criado-mudo
a dentadura... sorria!!!
12
A vida parece um rio
neste universo sem fim;
quanto mais me distancio
mais eu me afasto de mim!
13
Caminho em qualquer estrada,
atento aos princípios meus:
- nem sempre aquilo que agrada,
agrada aos olhos de Deus!...
14
Causa tristeza maior,
ante o muito que se almeja,
quando a surpresa é menor
que aquilo que se deseja!
15
Caxias, em luta armada,
mostra que ao pacificar,
quem quer a paz esperada
precisa saber lutar!...
16
Contemplando, ao fim da vida,
só lembranças... nada mais,
a minha alma, entristecida,
ronda sempre o mesmo cais!
17
- Dei um suspiro, mais nada!
Mas o filhinho, matreiro,
pergunta, dando risada:
- Mamãe, suspiro tem cheiro???
18
Dilemas, frases mesquinhas,
melhor que acabem de vez,
se existem duas rainhas
no teu jogo de xadrez!...
19
Diz o doutor, sem mancada:
- Tire a blusa de veludo.
E a velha bem assanhada:
- Não é melhor tirar tudo?
20
Em conversa, me dizia,
Zé Fernandes, o Doutor,
que o sonho que mais queria
era ser um trovador!
21
Em nosso mundo restrito,
a liberdade é criança
que ergue os pés para o infinito
mas o braço não alcança!!!
22
Entre o barro e o pó da estrada
das lavouras de onde eu venho,
minha herança, na jornada,
são esses calos que eu tenho!
23
Esperança é um galho torto
numa floresta esquecida:
por fora, parece morto;
por dentro, cheio de vida!
24
- Fazer prédio? Desperdício!
Diz o caipira a sorrir:
- Se embaixo diz “Edifício”,
como é que se vai subir?
25
Foi tão falso o teu apreço,
que no instante em que fui tua,
esqueceste o endereço,
o meu nome... e a minha rua!
26
Lá no asilo começaram
a briga, e nas “bofetadas”,
os velhinhos acordaram
de dentaduras...trocadas!
27
Lutando em busca de espaço,
naqueles tempos de outrora,
era menor o cansaço
do que o cansaço de agora!
28
Mantendo a calma, na espera
pelo teu amor eterno,
minha vida é primavera
que nem se lembra do inverno!
29
Meus filhos, que eu não renego,
mesmo que os dias feneçam,
são primaveras que eu rego,
para que sempre floresçam!
30
Não bastam as mãos erguidas
pedindo paz e união:
- as distâncias são vencidas
quando a ponte é o coração.
31
Não chore e nem perca a calma,
querendo um rosto perfeito;
quem traz a meiguice na alma,
não mostra nenhum defeito!...
32
Não entendo olhares falsos
que desviam, nos caminhos,
quando encontram pés descalços...
sangrando sobre os espinhos!
33
Não faça de um nó no peito
motivo de pessimismo:
- é graças a um nó bem feito
que se transpõe um abismo!
34
Não há paixão que descarte
a despedida sem mágoas:
todo veleiro que parte,
deixa um rastro sobre as águas!
35
Não me assuste se eu te assusto,
que dois sustos assustados,
vão provocar grande susto
em dois sustos desmaiados!
36
Não me peças esperanças
Perdidas em vendavais,
se eu não posso ter lembranças
do que eu já nem lembro mais!
37
Não me prendo à realidade
mais por questão de direito:
- quem chega na minha idade
já fez tudo... e fez bem feito!...
38
Não sou artista, sequer,
nem tenho vida notória,
mas o teu corpo, mulher,
eu esculpo na memória!
39
Nas madrugadas de frio,
o circo deixa a cidade...
E, no terreno vazio,
Sobram restos de saudade!...
40
No casório da vizinha,
uma invejosa insinua:
- quem nasceu pra ser galinha,
nunca chega a ser perua!
41
No Norte, o povo valente
pede a chuva em oração
para que brote a semente
e que nunca falte o pão!
42
No velho sonho dourado,
a liberdade é ilusão:
- seja qual for o reinado,
quem manda é sempre o leão!
43
O caixão do aposentado
era curto, e ele, comprido:
na vida... foi “apertado”
na morte... foi “espremido”!
44
O rio passa...arrebenta,
causando estragos, desgostos,
e, quando passa a tormenta,
brotam riachos... nos rostos.
45
Os agrados de verdade
que você me prometeu,
me fazem sentir saudade
do que não aconteceu!...
46
O tempo, em suas mensagens,
poliu tanto o camafeu,
que eu não sei, nestas imagens,
quem é você...quem sou eu!
47
- O teu ovo... não repico!
Diz a galinha peteca.
- Menor que o do tico-tico
e dentro não tem meleca!
48
O velho mar sente o cheiro
e redobra o seu carinho
ao perceber que o cargueiro
está transportando vinho!
49
O vinho, em nosso passado,
por mais tinto que ele fosse,
em nosso beijo, molhado,
não era tinto... era doce!
50
Para rever quem ficou,
voltei à mesma janela.
E o tempo, que em mim passou,
nem tocou no rosto dela!...
51
Pelo mapa, ninguém nega,
e ao medir os seus assombros,
vê que o gaúcho carrega
todo o Brasil em seus ombros!...
52
Quando a sogra sente dor,
o genro bem “solidário”,
nunca lhe traz o doutor,
traz sempre o veterinário!
53
Quando a vida não descora
a identidade dos brilhos,
o nosso brilho de outrora
se reflete em nossos filhos.
54
Quando penso estar partindo
por estar velho e sozinho,
o tempo vai permitindo
que eu viva mais um pouquinho!...
55
Quanta energia perdida
ao longo de uma jornada,
de quem passou pela vida,
teve tempo... e não fez nada!
56
- Quanto custa a dentadura?
- Eu cobro vinte por dente.
E a velhinha, na “pindura”:
- Então põe só os da frente!...
57
Quem vive igual “parafuso”
só no “aperto”, vive em pânico:
de oficina, não faz uso...
e desvia de mecânico!!!
58
Se agora vivo sozinho
carrego a culpa, fui falho,
ao trocar o bom caminho
pela ilusão de um atalho!...
59
Sem ver o pão sobre a mesa,
eu não reclamo, porque,
em meio a tanta pobreza,
minha fortuna é você!...
60
Silêncio nas madrugadas...
e enquanto adormece a flor,
brotam searas molhadas
dos nossos beijos de amor!
61
Sinto, aos apelos em vão,
quando minha mão acena,
que aos homens falta visão...
ou minha mão é pequena!
62
Solidão, cerveja quente
e espera de quem não vem...
somente quem prova... sente
o gosto amargo que tem!
63
Sorrateiro... sem fumaça,
arrasador, inclemente,
é aquele fogo que passa...
- Queimando os sonhos da gente!
64
Teu adeus foi muito grave,
mas o destino conforta:
perdeste a cópia da chave
e voltaste à mesma porta!...
65
Tua cantiga de amor
adormece em tempos idos,
mas o vento, a meu favor,
vem soprá-la em meus ouvidos!
66
Vem Trovador, vem correndo
ao meu Paraná, porquê,
o Pinheiro está morrendo...
-De saudades de você!

Versos Esparsos * 2 *