Trovadores em Ordem Alfabética

  • A (49)
  • B (5)
  • C (22)
  • D (12)
  • E (14)
  • F (12)
  • G (9)
  • H (11)
  • I (4)
  • J (30)
  • L (30)
  • M (31)
  • N (8)
  • O (12)
  • P (4)
  • R (18)
  • S (12)
  • T (5)
  • V (5)
  • W (9)
  • Z (2)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Roberto Pinheiro Acruche


1
A alvorada, em seus traços,
me trouxe nova esperança
de ter de novo em meus braços
quem não me sai da lembrança.
2
Amor! Eu estou morrendo
de saudades de você.
Amor, eu só estou vivendo,
de amor por quem não me vê.
3
Ao abrir minha janela,
inundada de luar,
mais forte a lembrança dela
fez a saudade apertar.
4
Ao passar a mocidade,
aquecida, tal verão,
o sol da maturidade
me deu nova direção!
5
Arteiro, ágil e risonho…
Era assim, na mocidade!
Hoje cansado e tristonho,
só leva o peso da idade.
6
Assisto com emoção,
sob a luz dos candeeiros,
nas noites do meu sertão
ao cantar dos violeiros.
7
A tristeza em minha casa
está num quarto vazio:
de dia a saudade abrasa,
à noite mata de frio.
8
Chorei de tanto sorrir!
Sorri ao chegar o fim,
de pensar não existir
amores falsos por mim!
9
Dos instantes devotados
a cada luta vencida,
todos estão retratados
no painel da minha vida.
10
Enquanto estás a sorrir…
Evitas o que aborrece.
Tristeza pode existir,
mas delas, você se esquece!
11
Era jovial e prosa,
Bom contador de vantagens.
A vida lhe foi calosa…
Está no fim da viagem!…
12
Esta vida é complicada,
imagine, meu consorte,
pois se a vida é temporada,
que será, então, a morte??
13
Eu bebi para esquecer
esqueci porque bebi,
agora quero saber,
o que será que esqueci?
14
Eu nunca vivi uma guerra!
Jamais vivi uma tragédia!
Se a dor no meu peito encerra…
Será que a vida é comédia?
15
Foi no banco de uma praça,
no tempo da bela idade,
que encontrei cheia de graça
quem agora é só saudade.
16
Jurou-me que voltaria…
Eu juro, muito esperei!
Outra vez você mentiu…
Outra vez acreditei.
17
Mágico é teu esplendor,
outono da minha vida.
Beijo a sorte, vivo o amor…
Ironizando a partida.
18
Meu coração bate forte
ao chegar sua mensagem
que bom se tivesse a sorte…
Vê-la chegar da viagem.
19
Minha saudade e alegria
no Natal é recordar
do amor que meu pai trazia
quando vinha me abraçar!
20
Ministros e Presidente
tentam dar explicação,
mas o povo, infelizmente,
é quem paga o apagão!…
21
Nada ainda terminou!
Então siga a caminhada…
Se o mundo não acabou,
a vida não está parada!
22
Na madrugada, tristonho,
sem sono o jovem medita
pois a vida é um grande sonho,
feliz quem nele acredita.
23
Na semeadura errada
você cultivou espinho,
mas hoje, em triste jornada,
anda descalço e sozinho.
24
Nas rimas quanta saudade,
de tão triste até chorei,
és uma grande verdade…
Tão pouca vida te dei.
25
Natal… dia de alegria…
de festa…sentimental!
Ah!… tão bom se todo dia
fosse dia de Natal!…
26
Nesta vida o tempo passa
o meu consolo é você!
Mas sou poeta sem graça,
quando passa e não me vê!
27
Nunca foi obra de arte,
mulher de cintura fina,
digo isso em qualquer parte,
ela é uma obra divina!
28
O que eu não quero é morrer
quero ser doce lembrança
sempre que eu merecer
Te encontrar feito criança
29
O sonho do trovador
é fazer trova perfeita;
não consegui ser o autor,
mas consegui vê-la feita!
30
O tamanho do meu sonho
não se mede em comprimento
mas nos versos que componho
na medida do lamento…
31
Palpite não é dinheiro,
mas se fosse eu estava bem…
Pois o que há de palpiteiro,
só me enchendo, como tem!
32
Por capricho do destino
te encontrei tarde demais
Sou badalo, você o sino
sou a moça, és o rapaz.
33
Por momento passageiro
foste trocar os teus sonhos.
Vive agora o tempo inteiro
dias vazios, tristonhos…
34
Posso reclamar de tudo…
Direito que me convém!
Mas fico todo “sisudo”
quando reclamas também.
35
Quando chove reclamamos
e se não chove também.
Se a chuva traz certos danos,
outros têm quando não vem.
36
Quando te amei de verdade,
jamais eu pensei, “por certo”,
Que tu serias saudade
e o meu coração, “deserto”!
37
Que nós somos filhos Teus,
muitos dizem, e acredito…
Boníssimo pai, meu Deus…
Teu amor é tão bonito!
38
Quero um natal diferente
Com muita paz e união
Que as bênçãos do onipotente
Alcancem toda a Nação.
39
Sabiá da minha terra,
Por que vem cantar aqui?
Não sabe seu canto encerra
Saudades de onde vivi?…
40
Se eu pudesse voltar à infância
Nem que fosse por um dia
Abraçaria a inocência
nunca mais a soltaria.
41
Se eu tivesse te encontrado
antes, meu imenso amor;
teus olhos que estão molhados
não chorariam de dor.
42
Se o hoje é cheio de dor
não pense que a vida é vã…
enquanto existir amor,
sustente a fé no amanhã!!!
43
Somente o amor verdadeiro
é por Deus abençoado;
e por não ser passageiro
é tão sublime e sagrado!
44
Sopra a brisa, sopra a vida,
passa o tempo, o tempo passa…
Andei por uma avenida
sem luz, sem amor, sem graça!
45
Sou rio, minha querida,
correndo para o seu mar,
para adoçar sua vida
com pena de me salgar.
46
Sou um rio nesta vida
e você meu belo mar;
tento lhe adoçar querida,
você só faz me salgar!…
47
Trabalho que nem “saúva”,
para ganhar o meu pão
pois, lá do céu, só cai chuva
e, às vezes, um avião…
48
Trabalhou por longo tempo
nos muitos anos vividos…
e traz agora o lamento
nos seus ombros doloridos.
49
Tua voz é melodia,
com bemóis e sustenidos,
a mais perfeita harmonia
a encantar os meus sentidos.
50
Uns me chamam de poeta…
Já outros, de Trovador!
Eu só sei que a minha meta,
é escrever com muito amor.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Wanda de Paula Mourthé (Belo Horizonte/MG)

1
Alegrias coleciono
neste meu tardio amor.
É na colheita do outono
que os frutos têm mais sabor.
2
Ao seu filho, desde cedo,
ministre a boa lição:
em vez de armas de brinquedo,
ponha um livro em sua mão!
3
A realidade transponho
e vivo em mundo ideal...
Quero as mentiras do sonho,
não as da vida real!
4
Arma um barulho no "ninho"
ao ver que a cara-metade
curte um som com o vizinho
em "alta-infidelidade!"
5
– Barata em pinga?! Que horror!
E a garçonete “sensata”:
– Mas não pediu o senhor
a cachaça mais barata?
6
Bebe a sogra mais que Baco
e, tendo um gênio de cão,
consegue armar um barraco
maior que meu barracão!
7
Chega bêbado… sequer
distingue um rosto e malogra:
dá alguns tapas na mulher
e muitos beijos na sogra!
8
De um amor que é só miragem
finjo agora ter o assédio,
para escapar da engrenagem
dessa moenda que é o tédio.
9
Disse pra linda tainha
o peixe, muito gamado:
– Casa comigo, peixinha,
que eu estou “apeixonado!”
10
Envolta em brilhos e cores,
a natureza se esmera
para, em delírio de flores,
eclodir na primavera.
11
Esta angústia indefinida,
que sempre à noite me invade,
são sombras próprias da vida
ou disfarces da saudade?
12
Eu fui náufrago da sorte
em um mar de solidão,
mas teu amor foi suporte
e tábua de salvação!
13
Forçada a escolhas na vida
- teatro que não domino
fui marionete movida
pelos cordéis do destino!
14
Gente que escolhe sem tino
as propostas da existência,
quando erra, culpa o destino
pela própria incompetência.
15
Lembranças de amor desfeito...
silêncio em horas tardias,
pois tua ausência em meu leito
dorme onde outrora dormias.
16
Meu coração se comove
por te sentir ao meu lado,
quando a saudade se move
entre as sombras do passado!...
17
Meu diário! Em tuas folhas
morrem desejos sem fim...
Pago o preço das escolhas
que outros fizeram por mim.
18
Minha insensata paixão
passou – transpondo barreiras –
das fronteiras da ilusão
para a ilusão sem fronteiras...
19
Minha madrasta é um bagulho!
No pomar, se abrir os braços,
mesmo sem fazer barulho,
vai espantar os sanhaços!
20
Minha mulher é nanica,
mas na cama é colossal:
ronca mais do que cuíca
na terça de carnaval!...
21
Na feira de antiguidade,
ao ancião combalido
perguntam, não sem maldade:
-Vem comprar ou ser vendido?
22
Na noite do seu casório,
sendo um noivo muito antigo,
usou até suspensório,
mas não sustentou o artigo...
23
Não importam a censura
e o louvor da sociedade:
procuro viver à altura
da minha própria verdade!
24
Não prometo, em nossa história,
meu amor por toda a vida,
porque a vida é transitória,
e meu amor, sem medida!...
25
No lento passar das horas,
em insônia e devaneio,
contei inúteis auroras,
à espera de quem não veio.
26
O casca-grossa sincero
pede a mão da moça aos pais:
– Da sua filha eu espero
ter a mão e tudo mais…
27
O destino traiçoeiro
separou-nos, sem piedade,
mas o amor fez do carteiro
o porta-voz da saudade.
28
Olho a rua... a noite avança,
tudo adormece ao luar...
Dorme até minha esperança,
pois cansou de te esperar!
29
– O meu marido é carteiro;
porém bem cedo aprendeu
que, no lar, o tempo inteiro,
quem dá as cartas sou eu!
30
Os meus sonhos delirantes,
em sua trilha fugaz,
são feito nuvens distantes
que o vento logo desfaz.
31
O teu silêncio me afronta;
nem breve mensagem veio,
mas meu amor faz de conta
que a culpa é só do correio.
32
Pão-duro, o cara declara:
– Ter cara-metade é asneira.
Se a metade já é cara,
imagina a esposa inteira!
33
Partiste...e meu desencanto,
vendo ruir a ilusão,
escorre em gotas de pranto,
orvalhando a solidão.
34
Partiu... nem disse o motivo,
e eu, da saudade à mercê,
estou vivo, mas não vivo,
pois não vivo sem você.
35
Quando pisam no meu calo,
“calada” não fico não,
pois sempre, em revide, falo
frases de “baixo calão”.
36
Que me importam os cansaços
e o céu distante e encoberto,
se, quando presa em teus braços,
minha vida é um céu aberto?
37
Que sempre em mim se concentre
esta união que bendigo:
filho nascendo do ventre,
coração gerando o amigo!
38
Se a voz do orgulho me impele,
sempre, a esquecê-lo de vez,
a paixão, à flor da pele,
impõe silêncio à altivez.
39
Sem oásis, retirante,
na aridez do teu sertão,
única sombra flagrante
é tua sombra no chão.
40
Tanto amor e afinidade
entre nós dois, já se vê,
que perdi a identidade:
eu sou eu... ou sou você?
41
Tua partida me fala
do teu desprezo... um açoite!
E a saudade não se cala
nem na calada da noite...
42
Uma estrela cintilante,
os Reis, a Belém conduz.
Maria, mais fulgurante,
deu à luz... a própria Luz!
43
Volto à capela em que, um dia
me esperaste ao pé do altar...
E hoje a saudade, em magia,
me espera no teu lugar...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dinair Leite



1
A dor o meu peito invade,
ao ver tudo assim deserto
Mas lembro a sua saudade
de ouvir estrelas de perto
2
A mão que corta a madeira,
também corta o coração,
dessa floresta altaneira,
parte de um verde pulmão.
3
A nuvem azul-hortência
que se abriu para o poeta
deixou passar em cadência,
trovas da lira seleta.
4
Aquela trova me encanta,
ao declarar num só traço,
que o mal, a justiça espanta
e, em sigilo, ganha espaço!
5
A trova que chora a dor,
mas é com lirismo dita,
acaba enfeitando o amor,
com róseo laço de fita.
6
A raiz que nutre a flor,
desabrochada e feliz,
lembra o homem que rega o amor
que a mulher sonha e bendiz!
7
A voragem da paixão
é como um barco sem rumo,
deriva sem direção,
sem timoneiro e sem prumo…
8
Da inocência e da virtude
Deus capacitou o ser,
e deu-lhe franca atitude
do livre-arbítrio exercer!
9
Essa mão que lavra a terra
planta no chão a semente.
A benção de Deus encerra,
pois mata a fome da gente.
10
Extinguiu-se a flor do lume
Do poeta expira o canto
Qual menino vaga-lume,
chega ao céu e vira encanto
11
Inocência adorna a fronte
de toda pessoa nova,
depois se esvai no horizonte
mas, volta perto da cova.
12
Mulher que trabalha e sonha
mudar a realidade,
mesmo cansada é risonha,
pois planta a felicidade!
13
Murchou rosa, chorou trova
e o poeta emudeceu…
Despertou em vida nova,
onde a rosa reviveu
14
Na floreira pequenina
floresceu rosinha nova,
que então gravei na retina
e imortalizei na trova…
15
Não pule do trem do tempo
em desembarque apressado.
Viaje sem contratempo
e não pare adiantado.
16
Naquela trova que eu lia,
senti minha redenção,
pois sem punir, redimia,
mostrando a libertação.
17
No morno sopro do vento,
passarinho em revoada,
para viver novo evento,
cantar a Deus em toada.
18
No último canto o queixume,
por ele que foi embora
Na terra a flor, e o perfume
um anjo recolhe agora.
19
O destino foi a mó
e jardineiro da estrada
e o vento varreu o pó,
das pedras da caminhada.
20
O meu pai, bom trovador,
trovava como ninguém,
hoje faz trova ao Senhor
nos campos azuis, além.
21
Os dois velhinhos no ocaso
relembram com nostalgia,
noites tórridas e o caso
de amor que inda hoje existia.
22
Pela Maria da Penha,
lei-justiça conquistada,
quebro pau e queimo lenha
mas, congraço a mulherada!
23
Poesia é a arte maior
de um Espírito divino
– nossa alma sabe de cor -
aflorada em sons de sino.
24
Quando o poeta atravessa
para o outro lado da vida
Chega ao céu leve e com pressa
de prosseguir sua lida.
25
Quando seu trem dá partida,
já saindo da estação,
seu destino é outra vida,
deixando atrás a ilusão.
26
Quem nasceu pra dar amor
fraternal e compaixão,
é feliz se tira a dor
do que é seu próximo irmão.
27
Quem só visa o próprio bem,
agredindo a Natureza,
com desrespeito e desdém,
sei que é um tolo, com certeza!     
28
Quero ser sempre a criança
com desejo de estudar,
curiosa e na esperança
de nunca me completar…
29
Raiz? O que são raízes?
São alinhavos de Deus,
juntando os homens felizes,
quer sejam cristãos ou ateus…
30
Se a violência o esfola,
tristeza no peito cresce
de quem fez do crime escola
sem ver, que o que sobe desce…
31
Trovador e passarinho,
dois arautos da poesia:
Se perdem amor ou ninho
gorjeiam dor…todavia.
32
Trovador fica sedento,
quando a inspiração renova.
Bebe da alma o sentimento
e o derrama em sua trova.
33
Trovador por ironia,
quando a trova terminou,
da pena viu que escorria
pranto que a trova borrou.
34
Trovador quando ama a rosa
respeitando seus espinhos,
da flor carinho ele goza
perfumando seus caminhos.
35
Você que não me respeita,
a você eu sempre arrosto:
- Sai de perto, não me peita,
pois respeito é bom e eu gosto!

sábado, 28 de janeiro de 2017

Lucilia Alzira Trindade DeCarli



1
A mensagem do poeta,
por muitos despercebida,
de forma sábia e completa
exalta a essência da vida!
2
Ante um fato contundente,
não podendo fazer nada,
é nas mãos do Onipotente
que eu coloco a minha estrada.
3
Antes que a vida se acabe,
não seja vão o viver
e aquilo que não se sabe,
que se comece a aprender.
4
As cinzas, na quarta-feira,
servem para nos lembrar
que esta vida é passageira
e que ao pó vamos tornar…
5
Da sua casa ao cartório
apenas um quarteirão...
Dada a preguiça, o casório
se fez por procuração.
6
Decretaste uma sentença
bem cruel, na despedida,
ao privar-me da presença
que era tudo em minha vida!
7
Deixando em mim forte anseio
pelo seu jeito de amar,
você se foi como veio:
- numa noite de luar!
8
Desde os tempos mais pagãos,
mulher, revelas quem és...
O mundo sempre nas mãos
e sempre um homem... aos pés!
9
Desprovida de coragem
não pude o amor declarar,
mas minha muda mensagem
estava escrita no olhar!
10
De volta, naquela viagem,
carregando o olhar tristonho,
via de perto a paisagem,
mas bem distante o meu sonho...
11
Envolvidos em discórdia,
a Deus pedimos perdão
e a "Eterna Misericórdia"
responde "sim"... de antemão!
12
Esta paixão, minha e tua,
transcende em cada arrebol…
Se é noite, ao clarão da lua,
e se é dia, à luz do sol!
13
Este ciúme, meu tormento,
brota em lágrimas veladas,
que, independente do intento,
revolvem "águas passadas"...
14
Foi pirraça inusitada
aquela da sogra à nora:
ficou com ela abraçada
para passar catapora!...
15
Levo pela vida afora
este dilema sem fim:
o "sim" que eu neguei outrora
fez mal ou bem para mim?!...
16
Mesmo em escrito disperso,
nossa língua portuguesa,
seja em prosa, seja em verso,
reveste-se de beleza!
17
Musa de tantos amores,
neles, inspirada a lua,
repete ao sol sem temores:
– “Incendeia-me… sou tua”!
18
Não conhece despedidas,
nem discórdias, nosso teto:
- é que ligam nossas vidas
os laços fortes do afeto!
19
Não sei se todos ponderam
a troca que o livro traz:
- grandes homens o fizeram,
grandes homens ele faz!
20
Na rua a multidão passa...
Humanos, juntos - é  certo -,
mas, vejo, pela vidraça,
cada qual no seu deserto.
21
Nas ruas de minha vida,
cada esquina uma lição,
e em cada etapa vencida,
muito zelo… de antemão!
22
Nau partindo – céu aberto,–
nas verdes águas do mar;
navega com rumo certo
na incerteza de chegar!…
23
Nem sempre vamos vencer
nessa ou naquela disputa...
O que importa é não perder
a coragem para a luta!
24
No bilhete em que disseste:
"vou, mas volto sem demora",
por descuido não puseste
nem o dia nem a hora...
25
Nos ombros dilacerados
Tu carregaste, Senhor,
o peso dos meus pecados
e o meu vazio... de amor!
26
Nossa amizade é tão forte
que eu ouso exemplificar:
– se um corre risco de morte,
o outro morre em seu lugar!…
27
O café, condecorado
por ter sabor sem igual,
hoje, fato consumado:
– é bebida universal!
28
O destino, em nossas vidas
trouxe o reencontro, depois
das distâncias percorridas
nos caminhos de nós dois
29
O relógio, sem piedade,
marcando o tempo inclemente,
foi transformando em saudade,
a esperança decrescente…
30
Os abraços das chegadas
e os abraços das partidas,
com tantas datas marcadas,
vão marcando as nossas vidas!
31
O terapeuta sugere:
- “Apimente” a relação!
Mas a mulher interfere:
- “Tô fora! Pimenta não!
32
Para enxergar a cobiça
e amparar prejudicados,
não deveria, a Justiça,
manter seus olhos vendados!
33
Por nunca amar quem me ama
e amar quem nunca me quis,
as feridas do meu drama
deixam dupla cicatriz...
34
Prisioneira deste encanto
que transmite o teu olhar,
preciso fugir, no entanto,
não quero me libertar!
35
Quando fingir é preciso,
seriamente eu me concentro:
– levo na face um sorriso,
enquanto eu choro por dentro.
36
Quando vens, só de passagem
no escasso tempo, mas pleno,
o amor faz grande a coragem
e o medo fica pequeno!..
37
Quem julga o seu semelhante
carrega pedras na mão
e o que odeia a todo instante,
as guarda em seu coração!
38
Quero ser como o coqueiro,
que não desiste, jamais;
mesmo envergado, altaneiro
à fúria dos vendavais!
39
Repasso o livro da vida...
Nessas páginas viradas,
reverti muita partida
em momentos de chegadas!..
40
Sanar miséria contida
no coração do indigente,
não consiste em dar comida,
mas tratá-lo como gente!
41
Se és menos corpo, mais alma,
se o mundo te fez ancião,
leva no semblante a calma
de ver findando a missão.
42
Sendo a existência pautada
com regras de retidão,
que a marca maior da estrada
seja os passos do perdão!…
43
Se viveres, amiúde,
longas noites de boemia,
perderás tua saúde
e para sempre a alegria…
44
Todo homem tem na mulher
um mistério a desvendar:
- sempre ela sabe o que quer,
mas nem sempre quer falar!...
45
Vigiando o companheiro
ela fica no seu pé;
só se afasta indo ao banheiro,
mesmo assim, de marcha a ré...

Versos Esparsos * 2 *