Trovadores em Ordem Alfabética

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Vanda Alves da Silva


1
A leve pipa, enfunada,
pela brisa zombeteira,
une toda a criançada
numa alegre brincadeira.
2
Amizade e lealdade,
sempre juntas, de mãos dadas:
correntes de identidade
entre almas entrelaçadas.
3
Amo o branco simplesmente,
por ser a cor que nos traz
a sensação envolvente
de uma bandeira da paz.
4
Amor: dádiva divina
que entrelaça corações;
sem prisão e na surdina,
nos faz viver emoções!
5
Ao lento passar das horas,
aumentam as agonias...
Quanto mais tempo demoras,
mais sinto as noites vazias.
6
Ao vento não lances praga,
pensa, repensa e medita,
pois a boca sempre paga
pela frase que foi dita!
7
A saudade, simplesmente,
como vem logo se vai,
lembra bem o sol poente
no instante que a noite cai.
8
Assim como sonhos vão,
pelos trilhos do infinito…
outros mais devolverão
paz ao coração aflito…
9
A sua ausência, crescendo,
faz aumentar os meus medos
e eu vejo a paz escorrendo,
lenta, por entre meus dedos.
10
A vida, em sua beleza,
deu-me tantas emoções,
que, mesmo ao sentir tristeza,
há doces recordações.
11
Bela legenda a se olhar,
que nos dá… esperança irmãos:
Ver os jovens a amparar
o mundo nas suas mãos.
12
Coloco azul no pincel,
pinto o céu, também o mar…
e deixo no alvo papel,
a luz da lua brilhar!
13
Cultivada no seu peito,
desejo ser um jasmim.
Sei não ser o amor perfeito,
mas me queira mesmo assim.
14
Depois que se aposentou,
seu pijama é só frangalho,
pois nunca mais o tirou
para não lhe dar trabalho.
15
Despindo folhas e flores,
o inverno, o vento conduz,
e a árvore, sem pudores,
vai mostrando os galhos nus.
16
Deus nos dá sabedoria,
para o bem que nos conduz
ao amor que, com a alquimia,
nos torna um farol de luz!
17
Devemos andar na linha
e com prudência também:
“tino e caldo de galinha”
não fazem mal a ninguém!
18
Doce palavra vibrante,
lapidada na emoção…
É a trova um raro brilhante,
moldado na nossa mão.
19
Ela, num dia encantado,
o sonho vai realizar:
leva, mudo e acorrentado,
o seu noivo, para o altar.
20
Em meus tempos de criança,
pelas poças, num tropel,
lançava minha esperança,
em barquinhos de papel…
21
Em seu roçar, minha pá,
peço que no seu vaivém
leve a saudade pra lá
e traga pra cá o meu bem.
22
Flechado por um cupido
vai se inspirando o poeta...
Faz versos de amor doído,
por uma paixão secreta!
23
Imprimo minhas pegadas,
sofridas pelo abandono,
nas folhas amareladas
pinceladas pelo outono…
24
Juraste-me ser fiel,
mas do nosso amor, contudo,
hoje resta o velho anel
num estojo de veludo.
25
Lá em casa, quando anoitece,
dormir não há quem consiga:
gulosa, a sogra parece
ter alarme na barriga.
26
Mas foi batida de frente?
Não, foi mesmo de limão,
que provocou o acidente
do bebum na contramão 
27
Meu relógio, de hora em hora,
badala a mesma canção:
aquela trilha sonora
que embalou nossa afeição.
28
Meu tempo tornou-se esparso…
Por mais que tente retê-lo,
nem com tintura disfarço
o cinza do meu cabelo.
29
Mulher, em sua contenda,
sempre tem o desafio
de tecer a linda renda,
desatando os nós do fio…
30
Na chama ardem fauna e flora,
daí a tristeza grassa
e a natureza então chora
envolta em negra fumaça!
31
Na minha busca amorosa,
não invejo amor alheio,
pois mesmo a vida ditosa
tem seus espinhos no meio.
32
Não se ata pelas algemas,
mazelas ao cidadão,
que enfrenta tantos dilemas
doando vida à nação.
33
Na sala da academia,
fonte da literatura,
jorra emoção em poesia,
para a sede da cultura.
34
Na vida, eu prefiro o jogo,
não de azar, de sedução...
e, em vez de cartas, o fogo
que incendeia uma paixão.
35
Na vida vivo tentando,
tornar meu mundo risonho,
pois a tristeza vem quando,
existe ausência de um sonho.
36
No cinema… entre suspiros,
e ao pulsar dos corações,
o casal, dançando em giros,
nos inflama de emoções…
37
Noite tecida de espera
e orvalhada pelo pranto:
essa lembrança que gera,
a nudez do desencanto.
38
No movimento do mar,
bailando, ondas vêm e vão,
na rua, me encanta olhar:
o vaivém da multidão.
39
No mundo das ilusões,
havendo entrega total,
se entrelaçam corações
numa paixão virtual…
40
No refúgio do meu sonho,
em dias de maré cheia,
sigo driblando risonho,
medos… nas dunas de areia.
41
No regaço dos teus braços,
feliz, carregada ao léu,
sinto na escalada os passos,
nas nuvens… levar-me ao céu!
42
Numa linda cena antiga,
recordo…um amor na tela,
que se embala na cantiga,
num jantar à luz de vela…
43
Numa praia, é lindo amar,
contemplando o sol se pôr;
ondas balançando o mar,
e a rede embalando o amor!
44
Num dia de chuva e raio,
do chefe ninguém me aparta,
tropeço nele... e não saio,
pois não há raio que o parta.
45
Nunca temer al futuro,
porque Dios quita la cruz,
me lleva al puerto seguro,
siendo mi rastro de luz!
46
O barco, pede passagem
quando a terra descortina
e o farol troca mensagem
piscando a luz na surdina…
47
O bebum faz arruaça
se em toda blitz é parado,
de tanto tomar cachaça,
só sopra todo babado.
48
O jardim, nos seus atalhos,
unindo vários canteiros,
tece colcha de retalhos,
ungido com doces cheiros...
49
O mendigo solitário,
perambula pela rua.
Ao redor só o cenário
de uma imensa e fria lua.
50
O nosso amor em tormenta
nos pede tempo a pensar...
Mas, nem mesmo em marcha lenta,
ele consegue engrenar.
51
O valor da roça encerra
o beijo do sol ardente
que, fertilizando a terra,
sacia a fome da gente.
52
Pela emoção mais secreta,
seja de alegria ou dor,
a lua inspira o poeta,
na trova que vai compor.
53
Pela seca, esmorecido,
abandono o meu rincão.
No meu rosto entristecido
há mais água que no chão.
54
Pelo caminho plantei,
as sementes de amizade,
e um patrimônio eu herdei
colhendo a felicidade.
55
Pensando na tua imagem,
em sonhos, sempre te vi...
Que importa se era miragem,
importa o amor que vivi!
56
Poder viver, quem me dera,
sentindo o vento a soprar,
sair da gaiola à espera
da liberdade… e voar !
57
Por ciúmes, no passado,
o nosso amor foi desfeito...
Ficou o sonho tatuado
na penumbra do meu peito.
58
Príncipe da Trova! Honrosa,
nossa entidade acentua:
cada pétala da rosa
contém uma trova sua…
59
Professora viga mestra,
que sustenta a educação,
regendo afinada orquestra
do saber e da instrução…
60
Quando em seus braços me enlaça,
nessas chuvas tropicais,
nosso amor ganha mais graça…
enfrentando os temporais.
61
Quando faz soar o alarme,
lá no prédio da perua,
na sua ronda o gendarme
só vê peladão na rua...
62
Quero ter a plenitude,
de levantar o estandarte,
com caridade e virtude,
de alguém que parte e reparte!
63
Recordo, ao passar das horas,
do meu tempo de criança...
Alegre, contando auroras,
tecendo a doce lembrança.
64
Restam horas já passadas,
da história de uma paixão:
lembranças esfumaçadas,
nas sombras do carrilhão.
65
São Francisco nasceu nobre,
mas despiu-se da riqueza,
cuidou da fauna e do pobre...
e cobriu-se de grandeza.
66
Se existe um amor sublime
embalando o coração
um deslize se redime
num pedido de perdão.
67
Sempre e sempre se convença
de que há distância infinita
entre aquilo que se pensa
e aquilo que a vida dita...
68
Só… sentada olhando o mar
sinto a triste solidão
e a onda põe-se a chorar,
em sua arrebentação.
69
Trovadores em repentes,
se unem num elo de luz...
e as trovas formam correntes:
de emoção... que nos seduz.
70
Vem Deus, na luz da harmonia, 
a família abençoar:
ofertando o pão do dia
comungado em cada lar.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sinclair Pozza Casemiro



Campo Mourão Turístico

AEROPORTO
Pelos céus de todo Brasil
e aqui marcando compasso
muita gente já partiu:
– Um adeus e um forte abraço!

ANEL VIÁRIO
Arco íris de concreto
torna mais fácil partir
levando o corpo e o afeto
pra onde o sonho quer ir.

ANTIGA RODOVIÁRIA
Antiga Rodoviária
de tantas idas e vindas
à minha’lma solitária
é que, silente, tu brindas?

BANDEIRA E GEMBRÉ
Dizem que em Campo Mourão
dois índios eram rivais.
Um se tornou capitão
o outro se foi, nunca mais…

BIBLIOTECA PÚBLICA
Este destino é a viagem,
deste prédio monumento
ontem, em terra, ancoragem,
hoje, em livre pensamento.

CAPITÃO ÍNDIO BANDEIRA E A AVENIDA
Entre a patente e a bandeira
empenhou a própria vida.
A voz, de sagas, herdeira
vai muito além da Avenida.

CATEDRAL SÃO JOSÉ
A Catedral São José
foi em plena Praça erguida
é marco de amor e fé
desta cidade querida!

Padroeiro São José
que deu nome à Catedral
conduz o seu povo à fé
e a mui sublime fanal.

CEFET
CEFET, universidade
Que orgulha de coração
Esta grandiosa cidade
Chamada Campo Mourão.

ESTAÇÃO DA LUZ
Estação da Luz – vigia,
de partidas e de amores,
tão intensos, já, um dia,
cuida: se ouvem os clamores!

ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO CERRADO
Este é o Cerrado que ostenta
riquezas que não têm preço
nele o passado apresenta
do futuro , um seu começo.

FECILCAM
Faculdade portentosa
do saber a guardiã
és rebelde flor mimosa
e a mais nobre anfitriã.

GRUTA DA SANTA CRUZ
De pedra em pedra se fez
a Gruta da Santa Cruz,
misto de dor e altivez,
por promessas a Jesus.

IGREJINHA DOS CAROLLO
Igrejinha dos Carollo,
que bom é nela chegar,
buscando paz e consolo
de distante caminhar!

MERCADO MUNICIPAL
Mercado Municipal
para o povão, Mercadão
foi peça fundamental
hoje é só recordação.

MUSEU DEOLINDO PEREIRA
O ontem tem guarda segura
no presente que prepara
a nossa vida futura
para uma rica seara.

PARQUE DE EXPOSIÇÃO
No Parque de Exposição
o povo faz sua festa
de ano em ano há a emoção,
ao sonho e encanto se presta.

PARQUE DO LAGO
Bem vindo ao Parque do Lago
e viva nele a beleza
que esbanja com tanto afago
a nossa mãe natureza.

PARQUE LAGO AZUL
“Parque Lago Azul” se veste
de mui ricas fauna e flora
entre as águas e o celeste
luzir da cândida aurora!

RIO 119
Corre o Cento e Dezenove
banha os sonhos, a memória
e a indiferença demove
ao se tornar viva a história.

SANTUÁRIO DE APARECIDA
Santuário de Aparecida,
aqui eu vim adorar
a Santa da minha vida
e muitas graças buscar.

TEATRO MUNICIPAL
Teatro Municipal
de dançarinas, artistas,
de sonhos, rico cristal
do povo, joias benquistas!

TRECHO DE PEABIRU
Marco do velho Caminho
por Peabiru conhecido
resiste ao tempo e sozinho
mostra o laurel esquecido.

Peregrinando Pela Região Da COMCAM
COMCAM =Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão

COMCAM
Coração do Paraná,
do Ivaí ao Piquiri,
há canções, e “causos” há,
que lembram gês, guarani.

PEREGRINAÇÕES
COMCAM da Rota da Fé,
Caminhos de Peabiru,
Terra Sem Mal, São Tomé,
Quão bela canção és tu!

JOÃO MARIA D’AGOSTINI
O beato João Maria
diz que esteve na região
atendendo ao que sofria,
trazendo consolação.

CAVALGADAS NA COMCAM
Relembrando pioneiros
no chão de tuas estradas
te fazem, os cavaleiros,
a região das cavalgadas.

GASTRONOMIA
Na COMCAM, gastronomia
tempera os bons corações
trazendo paz e alegria
juntando em festa as nações.

CAMINHOS DE PEABIRU
Como rendadas toalhas,
fez-se o nosso Peabiru,
tecido de extensas malhas,
do Paraguai ao Peru.

POLÊMICAS
Aonde vai o Peabiru?
E quem foi que o construiu?
Mesmo não fosse ao Peru,
na COMCAM ele existiu!

TERRA SEM MAL
Em migração permanente,
tendo o Sol como fanal,
o guarani segue em frente,
buscando a Terra Sem Mal.

ALTAMIRA DO PARANÁ
Altamira da COMCAM,
tens beleza singular.
Dos teus rios és guardiã,
no Paraná a orgulhar.

ARARUNA
Bela Araruna, nascida
na moldura do Caminho.
Por Peabiru conhecida,
tem de nós todo o carinho.

BARBOSA FERRAZ
Barbosa em seu chão guardou
tesouro em pedra e sinais,
que o Peabiru registrou
para não perder jamais.

BOURBÔNIA
Bourbônia, palco da história
do índio, branco e tropeiro.
Nas trilhas da sua glória
peregrinou-se primeiro.

CAMPINA DA LAGOA
Campina, orgulhosa, ostenta
pesquisas da arqueologia,
provando, já nos setenta,
que o Peabiru existia!

CAMPO MOURÃO
Camorão, Campo Mourão,
filha e mãe tão orquestradas.
Bela COMCAM em ação,
fez-se história nas estradas.

CORUMBATAÍ DO SUL
Corumbataí do Sul
tem no seu alvorecer,
além do céu muito azul,
trilhas de índios para ver.

ENGENHEIRO BELTRÃO
Em Engenheiro Beltrão
há tanta ruína escondida,
pois uma nobre Missão
em seu chão ficou perdida.

FAROL
No Farol inda há quem conte
que o beato João Maria
batizou a Água da Fonte
e fez muita profecia.

FÊNIX
Fênix chamou-se um dia
Vila Rica, em plena glória.
Da Missão que ali existia
guarda viva hoje a memória.

GOIOERÊ
Goioerê, muitos povos
já trilharam o teu chão
deixando aos teus filhos novos
mui valiosa lição.

ITARARÉ
A convite de Altoé,
o arqueólogo num canto.
descobriu que o Itararé
do Peabiru fez-se encanto.

JANIÓPOLIS
Foi Janiópolis caminho
e palco de tanta saga.
Hoje é o rico e alegre ninho
de um povo que a paz afaga.

JURANDA
Oh, Juranda, Jurandah,
no teu nome, tão sonoro,
sempre a graça se achará,
qual um pássaro canoro.

LUIZIANA
Luiziana das cachoeiras,
dos caminhos sempre em flor,
das muitas sagas pioneiras
de que herdaste o teu vigor.

MAMBORÊ
Mamborê tem seus segredos,
misteriosos sinais.
São curiosos enredos
herdados dos ancestrais.

MOREIRA SALES
Moreira és jovem agora
mas tens tão rico passado
muitas nações já outrora
nos teus campos têm lavrado.

NOVA CANTU
Teu rio, Nova Cantu,
teu tambo, a vila espanhola,
índio, Missão, Peabiru,
tudo em ti é pura escola.

PEABIRU
A Peabiru coube a glória
de o seu nome registrar
o fato vivo da história
do Caminho milenar.

IV CENTENÁRIO
Barro branco, Gato Preto
hoje Quarto Centenário
eu canto neste poemeto
teu passado legendário.

QUINTA DO SOL
Quinta do Sol tem encantos,
verde e pujante visão.
Terra de paz, onde há tantos
motivos para a emoção.

RANCHO ALEGRE
O rancho de tantos causos
alegres, sempre bravios
desperta muitos aplausos
e afasta os dias sombrios.

RONCADOR
Nas trilhas de Roncador
João Maria fez história,
nos “causos” do sofredor
e em coletiva memória.

TERRA BOA
Terra Boa, gente boa
escreveu nos seus anais
tanta história que povoa
velhos tempos coloniais.

UBIRATÃ
Ubiratã, você traz
entre as suas tradições,
a vocação para a paz
vinda de antigas nações.

Versos Esparsos * 2 *