segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Luiz Poeta (Trovas, com amor)


Aquele velho gabola
quis marcar um gol de placa,
tropeçou na própria bola,
coitado! Saiu de maca.
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Aqui, galo não se tem.
Relógio? ...deixa pra lá,
De manhã, me sinto bem,
quem me acorda é um sabiá.
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Caramba! Que desperdício!
Tanto alambique bacana
e o meu carrinho sem vício
movido a goles de cana!
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Coitada... pobre da gringa...
Quis sambar na passarela,
tropeçou na própria ginga
e a ginga tropeçou nela.
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Com a grana que ele roubou,
o doleiro se ufana.
por comer do que sobrou,
o pobre é quem vai em cana.
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Comilão come o que quer,
basta apenas sentir fome,
nem precisa de colher,
mete o dedo e tudo some.
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Fiel ao que a mestra ensina
com tanto amor e ternura,
orgulhosa, a pequenina
sorri ao fim da leitura.
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Filho e mãe, finda a leitura, '
adormecem… que obra prima!
É num toque de ternura
que a leitura se sublima.
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Há certo tipo de lama
que serve de adubação
e a semente nem reclama
da lama da podridão.
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Há lirismo e sentimento
em cada ramo que oscile,
polinizando, com o vento,
grinaldas de Bougainville.
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Há no caminho da trova
um preconceito exigente
de quem nunca se renova
nem sente o que a trova sente.
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Há poder na onda do mar;
há poder no Sol ardente,
mas há mais poder no olhar
de quem ama ardentemente.
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Hoje eu faço aniversário!
...estou vivo, quem diria
que esse meu itinerário
nem num caixão caberia!
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Nossa vida é um desafio:
o recém-nato que o diga;
sem um útero macio,
que ventre que nos abriga?
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Num rabisco num caderno,
a família reunida.
Quando um sentimento é terno,
um desenho ganha vida.
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Numa página molhada
pelo pranto, a poesia
ficou tão desfigurada,
que borrou a fantasia.
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Numa pequena gravura,
a família reunida.
Só Deus desenha a ternura
que representa uma vida,
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Numa trova sensual,
fiz o teu corpo de trilha,
mas meu verso irracional
tropeçou na redondilha.
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Num verso, se me confesso, 
nunca impeço a emoção
de escrever o que nem peço,
impeço, sim, a razão.
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Nunca fui muito bonito...
mas sempre fui sedutor:
seduzi o infinito
bonito do teu amor.
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O amor pede que eu siga
os rumos de um sonhador,
mas a mudez que me instiga,
se abriga na minha dor.
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O bonde do Corcovado
leva o povo embevecido
a cada vez que é trilhado
seu caminho colorido.
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Poeta nasce poeta,
mas o tempo o aprimora;
quando a vida é incompleta,
que poeta que não chora?
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Poeta que diz que mente,
certamente se desdiz,
pois só diz o que não sente,
quando mente que é feliz.
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Quando a alma está vazia
e o amor torna-se vago,
só se tem por companhia
a lembrança de um afago.
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Quem nunca tomou porrada,
não sabe nada da vida;
faz da avenida, a calçada
e da calçada, avenida.
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Quem parte, deixa uma parte,
encarte fora da obra,
mas quando a dor nos reparte,
a parte triste é que sobra,
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Quem prejulga e não se julga,
ou é tolo ou desvairado,
cachorro escondendo a pulga
nos pelos do condenado.
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Quem reclama o tempo inteiro
do tempo que Deus lhe deu,
será sempre prisioneiro
do tempo que já perdeu
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Quem se dedica ao ofício
sublime da poesia,
transforma esse dom em vício
e esse vício em fantasia.
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Quem se vai e a dor não deixa,
não se vai completamente,
pois se a solidão se queixa,
a saudade diz: "presente"!
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Quem te pôs, Drummond de Andrade,
dando as costas para o mar,
na certa quis que a cidade
pudesse te admirar.
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Quis pintar em aquarela
a história do nosso amor,
não pintei nada na tela,
como é que se pinta a dor?
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Redondilhas d'além-mar,
poesia lusitana,
Portugal no meu olhar
na quadra camoniana
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Roubei tuas fantasias,
mas tu ficaste com as minhas;
guardaste mais que podias
e eu quis bem mais do que tinhas.
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Tantas dádivas divinas
e o homem, contestador,
fechando suas retinas
para as dádivas do amor.
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Tantas vezes a sorrir,
minha mãe me abençoava;
quando teve que partir,
foi seu filho quem chorava.
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Tanto achismo e tanto achado,
tanto eu acho e... "desachei",
que olhando o lado errado,
eu percebo que acertei.
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Tantos olhares perdi,
procurando me encontrar,
mas dos olhos que escolhi,
só me vi no teu olhar,
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Te traí comigo mesmo.
Não perguntes como fíz.
Amar quem me ama a esmo
sempre me fez infeliz.
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Tenho pena dessas pombas
que já nem têm mais pombais;
elas são pombas das bombas,
não são mais pombas da paz.
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Tem sempre alguém que nos planta;
e com carinho, nos colhe,
alguém que nos agiganta
e sempre alguém... que nos tolhe.
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Tem tanta gente que indaga
sobre seu destino vão,
porque além da ideia vaga,
Deus lhe deu um coração.
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- Tens tanto predicativo
no teu olhar sedutor...
e eu só uso um vocativo...
sabe qual é? Meu amor!
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LUIZ GILBERTO DE BARROS, amplamente conhecido pelo seu pseudônimo patenteado LUIZ POETA, é um renomado professor, escritor, poeta, cantor e compositor brasileiro. Nasceu em 1950, na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Desenvolveu toda a sua vida pessoal e artística estabelecido na própria cidade natal. Formou-se e atuou fortemente na área da educação como Professor de Língua Portuguesa, Redação e Literaturas Brasileira e Portuguesa. Lecionou em instituições tradicionais como os Colégios Santa Mônica, Itu e em escolas da rede pública do Município do Rio de Janeiro. É reconhecido também como gramático, revisor literário, prefaciador e tradutor. 
Sua veia poética começou a se consolidar fortemente a partir de 1967. Ele transita com extrema facilidade por diferentes vertentes da escrita, atuando como cronista, contista, ensaísta, trovador e adepto do movimento aldravianista. Pelo grande envolvimento e liderança em prol da cultura, Luiz Poeta acumula diversas condecorações institucionais de relevância: Presidente, Embaixador, Cônsul, Comendador e Chanceler em corporações de fomento às artes. Membro atuante e reconhecido no cenário das Federações e Academias de Letras e Artes do Brasil. Foi Presidente da Academia Pan-Americana de Letras e Artes; do Centro Cultural Leopoldina de Souza Marques, da Faculdade Souza Marques, e Diretor Presidente do Jornal “ O Coruja “, de circulação universitária; membro da Academia Luso-Brasileira de Letras; Associação dos Acadêmicos da Academia Brasileira de Letras; Academia Paulista de Letras; Academia Aldrava, Letras e Artes; Cerc Universal des Ambasssadeurs de la Paix; Divine Academie Française de Letters y Arts;  Cônsul dos Poetas del Mundo; Diretor Cultural da Associação Cultural Encontros Musicais; Inbrasci (Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, etc..
Teve, inclusive, o seu nome imortalizado na Sala de Leitura Luiz Poeta, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (5ª CRE), uma homenagem direta ao seu legado acadêmico. Ao longo de sua jornada, Luiz Poeta recebeu expressivos prêmios lítero-musicais (muitas vezes competindo sob pseudônimos para preservar a avaliação cega de suas obras): Prêmio UNESCO: Foi premiado duas vezes pela UNESCO em reconhecimento ao valor humanitário e cultural de seus escritos. Melhor Poeta do Estado do RJ (2008), condecorado pelo Congresso da Sociedade de Cultura Latina (Seção Brasil) na categoria de Poesia Clássica. Prêmio de Ensaio Poético: Teve sua obra "Gullarearte" (um cordel em homenagem a Ferreira Gullar) premiada em um concurso literário em Porto Alegre. Na Pele da Poesia (2007): Uma de suas obras poéticas de maior circulação, onde reúne poesias que exploram o cotidiano, o lirismo e a sensibilidade humana. Canção de Ninar Estátuas (2019) – contos; Trov…Ansi…Arte(2022) – trovas.
Sua extensa produção literária e artística espalha-se por livros autorais, coletâneas, CDs e DVDs, possuindo traduções em cinco línguas (português, espanhol, italiano, inglês e francês). Entre suas principais contribuições estão: Participação em Antologias de Peso: Como a antologia "Poemas à flor da pele", além de inúmeros sonetos clássicos publicados no Brasil e no exterior (como no Portal CEN, de Portugal). Obra Lítero-Musical: Registro expressivo de composições poéticas transformadas em faixas de áudio e vídeo distribuídas no mercado fonográfico e literário.
A relevância de Luiz Poeta reside no seu papel como elo integrador entre a erudição técnica e a sensibilidade popular. Como professor e gramático, ele defende a pureza e a beleza da língua, mas despe a poesia de "rebuscamentos intelectualóides". Ele democratizou o acesso à leitura poética e influenciou gerações de alunos no Rio de Janeiro. Herdando o talento do pai (que tocava flauta de bambu), Luiz tornou-se violonista, cantor, produtor musical e compositor de mão cheia. Ele atuou como Diretor Cultural da Associação Cultural Encontros Musicais, e sua relevância técnica é tão vasta que ele foi integrado como membro do casting oficial de suporte artístico da Orquestra Sinfônica. No campo das artes visuais, ele se destaca de forma inovadora pela criação de telas plásticas utilizando técnicas singulares com esmaltes de unha.

Fontes:
Luiz Poeta. Trov... Ansi... Arte. RJ: ZMF Ed., 2022. Livro enviado pelo autor.
Biografia = Dicionário MPB, Recanto das Letras, O Secular Soneto, Portal CEN, Confraria Brasileira de Letras, etc.

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