segunda-feira, 31 de agosto de 2026

João Batista Xavier Oliveira (Poemas Recolhidos)


O BEM MAIOR

Entre nós uma lança em duas pontas
voltadas bem direto a nosso peito,
porém compreensão com o respeito
são atributos de insondáveis montas.

Na conta permanente do direito
espaços dão às asas, sempre prontas,
os ares das visões do preconceito
e afastam as algemas tão medrontas.

É assim que um grande amor entre pessoas
atrai as vibrações das almas boas
com a esperança de um mundo melhor.

Respeito o teu espaço em todo meio
assim como respeitas meu passeio.
Nosso trabalho ao bem é bem maior!!
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O PEDESTAL DO HORIZONTE

Quando me vejo aqui, no pedestal
onde a lida acalenta e se faz luz,
a vitória cintila no portal
e desintegra a treva que seduz.

Conseguir algo mais, travar o mal,
vislumbrar no crepúsculo, conduz
sentimento de força sem igual
na vereda luzida por Jesus.

Volver à luz que brilha no horizonte
mostrando o caminhar em forte ponte
é a mesma luz que brilha a todos nós...

bastando simplesmente a coerência
na busca da lavoura em consistência.
Seremos então livres, jamais sós!!
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SILÊNCIO

Quando eu pensei que tudo estava certo...
eis que você, na calma de serpente,
virou meu mundo assim tão de repente
numa miragem plena de um deserto.

Meu pensamento sóbrio, tão presente,
não alertou-me como estava perto
um coração fechado... e bem aberto
à pequenez de um sopro tão latente!

Me refazendo aos poucos, fui olhando
nas passarelas de um mundo nefando
desfiles frágeis, quem olha e não vê.

Hoje agradeço sua insensatez
silenciando o vazio de vez
feliz por mim e triste por você!
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SINAIS INVERTIDOS

Olhando a terra acima dos sentidos
um ar tristonho abate-me na entranha:
sermões abaixo aos ares da montanha
e súplicas em motes de alaridos.

Como esperar que rogação tamanha
venha a elevar as almas dos “ungidos”
pelos sinais, nas mentes, invertidos,
se trechos do alfarrábio mal arranha?

Verter em lágrimas na espera, inerte,
(açoite de cilício não reverte)
na frialdade do silêncio atroz...

é malograr-se às vestes endeusadas;
é recorrer às luzes apagadas
se Deus reside aqui... dentro de nós!!
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SUTIL OLHAR

A nova era agora tão veloz
atinge os ares lassos de metais;
a quântica figura não é mais
o mito que atordoa a todos nós.

Os olhos deslumbrados por fanais
que buscam horizontes, antes sós,
percebem muito além de nossa voz
as vibrações sutis de mil sinais.

Desperta criatura limitada!
Aguça a tua aura dos sentidos;
o mundo ao teu redor é quase nada!

A nova era agora tem ouvidos;
o espírito retarda evolução
se olhar de uma segunda dimensão!!
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TROPEÇO

Vejo-me agora no final da estrada
e as consequências de uma vida aflita
a procurar afoito a mais bonita
virtude altiva, joia lapidada.

As mãos vazias cheias de desdita
não afagaram outras sem ter nada.
E a consciência viva, tão pesada,
arrasta o fardo que a ambição incita.

Peço perdão para mim mesmo, eu sei
que para evoluir existe lei
da semeadura e sua consequência.

Queira ou não queira o fim faz o começo
para engendrar a escala sem tropeço;
ser mais humilde na nova existência!
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VELEJANDO

Varanda, vales, verdes, primavera;
o ar envolto em meigas cantilenas...
Imagens tão serenas que eu quisera
perenes, tácitas em mim apenas.

Sonhar é o som sagrado da quimera
num canto enquanto as dores são amenas.
Descanso à rede a lágrima sincera
que luz na luz dos olhos dos mecenas.

A bordo de uma rede a velejar
eu sorvo a paz que a brisa faz ao mar
no vento que acarinha as mãos poetas.

Bendigo a natureza onde os estetas
descrevem a meiguice de um tormento
na voz que se enternece à voz do vento!!
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O poeta paulista JOÃO BATISTA XAVIER OLIVEIRA foi um expressivo trovador e sonetista brasileiro, amplamente reconhecido por sua dedicação à preservação da poesia clássica de formato curto e por seu engajamento no cenário lírico do interior de São Paulo. Nasceu na cidade de Presidente Alves (SP), em 1947 e faleceu em Bauru/SP, em 2025, aos 77 anos, Embora nascido no interior profundo do estado, estabeleceu sua residência fixa e desenvolveu toda a maturidade artística no município de Bauru. Além de sua dedicação à escrita, João Batista era muito ativo nas esferas de comunicação comunitária e fomento cultural da região de Bauru. Destacou-se por colaborar frequentemente com jornais locais e periódicos de orientação humanista ou espiritualista (como o Momento Espírita), publicando crônicas, reflexões doutrinárias e poesias voltadas a temas como fraternidade, infância e o cotidiano. Também atuava na organização de manifestações e festivais líricos regionais. Sua vida literária foi predominantemente marcada pela paixão pela trova e pelo soneto clássico. Ingressou formalmente na Delegacia de Bauru da UBT — em dezembro de 1998. Se tornou um dos integrantes mais atuantes da entidade na região, ajudando a promover exposições e a difusão da arte trovadoresca inclusive em formatos acessíveis, como em Braille.
A partir de 1999, João Batista transformou-se em uma figura constante e altamente premiada em diversos concursos oficiais de trovas promovidos em todo o país e no exterior: Teve suas primeiras trovas oficialmente classificadas e premiadas internacionalmente. Consolidou seu nome em certames de relevância nacional para o gênero. Conquistou distinções e menções importantes em eventos de cidades historicamente ligadas aos Jogos Florais, como no Concurso de Poesia de Bauru e no Concurso de Trovas de Pirapetinga/MG.
A produção de João Batista Xavier Oliveira divide-se entre publicações impressas e uma contribuição maciça para antologias literárias coletivas, informativos de trovas da UBT e folhetins de poesia regional, como o Folhetim Literário Desiderata. Grande parte de suas trovas e sonetos permaneceu imortalizada nas coletâneas oficiais dos concursos nacionais em que foi laureado e em acervos dedicados ao fomento da trova na internet.
A importância de João Batista Xavier Oliveira reside em seu papel como guardião da poesia clássica no interior paulista. Em uma época de forte transição estilística, onde as formas fixas tradicionais como a trova e o soneto encontravam menos espaço nos grandes veículos de massa, ele manteve a chama da redondilha maior acesa e vibrante. Sua habilidade técnica para criar textos de enorme sensibilidade e forte apelo popular respeitando rigorosamente as exigências de métrica e rima inspirou novos autores locais. Ajudou a democratizar o acesso à literatura e a preservar o legado da poesia curta como uma das expressões mais genuínas da identidade cultural do país.

Fontes:
Biografia = Social Bauru, Blog do Professor Feijó, Centro Espírita Amor e Caridade

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