segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Nemésio Prata (Fortaleza/CE)

 1
A droga foi seu arpéu,
sem destino, destroçado,
vagueia na rua, ao léu,
até quando for "levado"!
2
Antes do quebrar da barra,
ao canto do caboré,
sussurrando, ela me agarra,
dizendo: hora do café!
3
Ao relento, relegado,
negado pelo destino;
hoje vive escravizado,
coitado; que desatino!
4
Ao ver a imagem singela
do barco, tranquilo, ao mar,
lembrei-me: não há procela
que Deus não possa acalmar!
5
Chorando, segue o andarilho
solitário, a sua dor;
de deixar pra trás um filho,
fruto de um fugaz amor!
6
Com talento e sutileza
no salão, "a media luz",
o casal mostra a leveza
do belo tango andaluz!
7
Coração, enquanto bate,
é vida, amor e paixão;
mas depois que ele se abate,
é vela, choro e caixão!
8
Correndo, desesperado,
de mala e chapéu na mão,
o passageiro, coitado,
perdeu o trem... e a razão!
9
Deixe a Natureza em paz,
rapaz, tenha mais juízo; 
pois isso que você faz
demonstra falta de siso!
10
Descendo esta escadaria
Onde ela vai me levar?
Se eu soubesse eu desceria;
Como não sei, vou ficar!
11
Despertando, reparei
a "louça" já preparada
em nossa cama, e tomei
o "Café" da madrugada!
12
De toda trova legenda
que já fiz na minha vida
esta veio de encomenda,
pois não dei nem a partida!
13
De tudo que eu aprendi
pra chegar a ser “doutor”,
se, bem, eu o compreendi:
devo muito ao Professor!
14
Deus me livre, por um dia
me faltar um Livro a mão;
de tristeza eu morreria,
em pungente solidão!
15
Deus, o Poeta dos Poetas,
é TROVADOR; e em poesias
manda-nos netos e netas
para encher-nos de alegrias!
16
Dizem, com propriedade,
que a saudade é inexplicável;
explica-se: na verdade,
o senti-la é indecifrável!
17
Dois minutos, Cinderela;
está chegando o momento!
Não vá cair na esparrela
de esquecer o encantamento!
18
É noite, e a brisa do sono
sopra, mansa e sorrateira;
em seus braços me abandono,
enroscado, a noite inteira!
19
Entre lágrimas e risos,
respostas às emoções,
liberamos sentimentos
represos nos corações!
20
Férias! Ah, sim, bem eu sei,
que és bem merecedora;
mas, cá, não esquecerei
de ti, grande trovadora!
21
Homem, mau, vil e perverso;
toda vez que tu desmatas,
mesmo em nome do progresso,
é a ti mesmo que tu matas!
22
Já não suportamos mais
ver os nossos pequeninos,
nas mãos destes marginais:
traficantes-assassinos!
23
Lancei minha rede ao mar
e pesquei bela sereia
que comigo foi deitar
noutra rede, em plena areia!
24
Maranguape a tua glória
são teus filhos de valor;
foi Capistrano, na História,
e Chico Anísio, no Humor!
25
Na mata o machado bate
forte pra tirar "madeira";
e assim o "homem" abate,
uma a uma, a mata inteira!
26
Na mão o toco de giz,
na outra, o apagador;
na assistência o aprendiz,
no tablado o Professor!
27
Não "curta" a sua velhice
dando voz ao seu lamento;
deixe dessa "caduquice"
seu "velhote" rabugento!
28
Não queiras por teu amigo
quem não pode ser provado
no dar água, pão e abrigo,
para alguém necessitado!
29
Na solidão do meu eu,
fugindo da realidade,
meu pensamento varreu
da mente toda verdade!
30
No céu, as nuvens, e as flores,
no campo; um quadro sem par.
É Deus tingindo de cores
a Primavera a chegar!
31
Nos bailes não dava trela,
e a todos dizia não;
mas no fim foi a donzela
quem "dançou": ficou na mão!
32
Nos braços do seu amor,
loucamente apaixonada,
ela sente o seu calor
mesmo sob a chuvarada!
33
O ato de ler praticado
com prazer, pelo leitor;
no final, seu resultado,
assemelha-se ao do amor!
34
O bailarino, indeciso,
na chuva, dá mil volteios;
e o lampião diz, bem preciso:
homem, deixe de rodeios!
35
O envelhecer é sublime
presente a nós concedido
por Deus; o que bem exprime:
Dele, ninguém é esquecido!
36
Olhando com bem clareza
pras marcas do seu herdeiro,
já não tem tanta certeza
de ser o pai verdadeiro!
37
Olho azul, branco e lourinho
o filho do "Zé Negão"
lembrava mais o vizinho;
coitado, tinha razão!
38
Os dois silentes, colados,
corações a palpitar;
olhares apaixonados...
já pensou no que vai dar?
39
Para cuidar da saúde
com desvelo e competência
busco Médico amiúde,
amigo, de preferência!
40
Passei horas meditando,
pensando no que dizer;
terminei nada compondo,
sem nada para escrever!
41
Perdido na multidão
das ruas, sem ter alguém
que ao menos lhe estenda a mão;
não passa de um "Zé Ninguém"!
42
Pintor, por que teimas ver
o teu sol onde ele não
pode mais aparecer,
vítima da poluição?
43
Por aqui passava um rio
caudaloso e pleno em vida;
hoje mal se vê um fio
d'água suja e poluída!
44
Quando chove no sertão
o sertanejo se apega
ao santo de devoção,
esperando pela sega!
45
Quem ama a literatura,
e a ela se entrega, tem
prazer não só na leitura,
mas, no produzir, também!
46
Quem busca noiva, é preciso
que tome muito cuidado;
procure uma de bom siso,
pra não terminar "ornado"!
47
Quem corta, na natureza,
árvores sem precisão,
destrói-a e deixa-a indefesa;
é um ser sem coração!
48
Selva: bela e exuberante;
cria, de rara beleza,
de Deus que, naquele instante,
nominou-a... Natureza!
49
Sem um "pingo" de pudor
o mar fita a lua, arfante,
clamando: vem meu amor,
quero te ter por amante!
50
Ser Poeta neste mundo
é cultivar nele o Amor;
sentimento mais fecundo
na vida do TROVADOR!
51
Se tu estás velho, também,
mais perto de Deus tu estás;
tem tu, pois, por grande bem
ser velho, e bem viverás!
52
Se você anda amargado,
tristonho, ou com grande dor,
procure ser "medicado"
por um Doutor TROVADOR!
53
Se você sofre de tédio
só tem um jeito: tomar
TROVADOR, santo remédio;
e seu tédio vai passar!
54
- Solta-me! Clama o navio
ao cais que o faz prisioneiro;
- deixa-me sair vadio
pelo mar... que é meu parceiro!
55
Tem coisas que não se explica
na vida de um TROVADOR;
uma: é quanto ele mais fica
só, mais cultiva o Amor!
56
Tem Poeta nesta terra
que seus versos dão prazer
de lê-los, pois ele encerra
numa Trova o seu dizer!
57
Tem quem só quer receber
para si o que é melhor,
porém ao aparecer
chance pra dar: dá o pior!
58
Toda noite o seresteiro
aguardava a madrugada
para declarar, faceiro,
seu amor à sua amada!
59
Todo livro deve que ter
"título" bem eficaz...
pois não é que o meu vai ser:
Leia-me... (se for capaz).
60
Triste sina a da criança
deste meu Brasil gigante;
vive “presa” na esperança
de escapar do traficante!
61
Uma folha de caderno,
um lápis, e a inspiração,
bastam ao trovador terno
pra lhe abrir o coração!
62
Vendo a imensidão do mar
pensei cá, com meus botões:
se esta turbina falhar
tem "janta" pros tubarões!
63
Vindo de tão longe, não
se deu conta que chegara
ao seu velho e antigo chão,
que há muito tempo deixara!
64
Voa, canário indeciso,
o que esperas; afinal
seres liberto é preciso,
mesmo pensando irreal!

Três Trovas sem Pé nem Cabeça
65
Sem barulho, corta o céu
por entre as nuvens, um trem,
levando pro beleléu
a lua, e o sol também!
66
Era noite e a lua cheia,
viu chegar a madrugada,
trazendo o sol, em candeia,
deixando-lhe "encandeada"!
67
Não deixe a coisa ficar
do jeito que já não dê
pra você, um jeito dar,
no sujeito que é você!

Teia de Trovas sobre o Limão
68
No meio do laranjal
que plantei lá no sertão
deu-se um fato especial:
só foi colhido limão!
69
Recebendo este recado
do presidente Alencar
vou tomar maior cuidado
quando limão for provar!
70
Trovando e tirando as provas
deste fato memorável;
provei, brincando com trovas,
de que o limão é saudável!
71
Ao tomar a limonada
vá bebendo devagar
sorvendo cada golada
pro seu gosto apreciar!
72
Pode até não ser remédio
mas não dê cavaco não;
agora, ao chegar o tédio
o remédio é... com limão!
73
Cabe a cada cidadão
interpretar os pontinhos
desde que o "velho" limão
não falte nos pingadinhos!
74
Se você não é chegado
a quaisquer pingas, então:
esqueça logo o pingado
e chupe, puro, o limão!
75
Quem muito chupa limão,
dizem alguns entendidos,
melhora a "disposição":
aceito seus desmentidos!

Raymundo de Salles Brasil (Salvador/BA)

A cor dos teus olhos faz
o que só fazem os vinhos:
Me embriaga e é bem capaz
de embriagar os vizinhos.
= = = = = = = = = 

Ao que canta, basta o canto,
para carpir sua dor,
para derramar seu pranto,
basta a trova ao trovador.
= = = = = = = = = 

A trova não tem ciência:
carece de intuição,
um pouco de inteligência
e de muita inspiração.
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Cheguei da vida ao Inverno.
Retornar? – Ah, quem me dera!
Sorver o doce Falerno*
de uma nova Primavera.
= = = = = = = = = 

Depois de brilhar intenso,
Como flechas de ouro os raios,
No horizonte, o sol imenso,
Desfalece-se em desmaios.
= = = = = = = = = 

Depois de tantas andanças,
ao velho restam seus ais,
voltar a velhas lembranças,
recordá-las,  nada mais.
= = = = = = = = = 

Deus excede a imensidão
dos campos, dos céus, dos mares,
mas cabe em teu coração
se humildemente O buscares.
= = = = = = = = = 

Eu não consigo ocultar
a dor que aqui dentro sinto,
se a boca tenta negar,
meus olhos mostram que minto.
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Há certo tipo de amor
que a gente nunca se esquece:
na lembrança – morta a flor –
seu perfume permanece.
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Medo e Sonho, dois caminhos,
se entre um e outro me ponho,
prefiro enfrentar espinhos,
e perseguir o meu sonho.
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Minha trova é minha amiga,
ela acolhe os meus clamores,
é como modinha antiga,
que embala antigos amores.
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Misturam-se à paciência
do fantástico artesão,
a força da inteligência
com a destreza da mão.
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Nada pode embriagar,
nem mesmo os melhores vinhos,
como as mulheres no altar
como os rosais dos caminhos
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Na minha grande fraqueza,
num poço fundo, sem luz,
descobri a fortaleza,
da mão firme de Jesus.
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Não precisa o trovador
Ser letrado ou exegeta,
Ele precisa de amor,
Ser sensível e ser poeta.
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Não teriam mais sentido
meus sentidos sem você,
pois fico todo perdido
quando um deles não lhe vê.
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Nas horas de devaneio,
Ou mesmo se estou tristonho,
Retiro o véu do receio,
quando a sonhar eu me ponho.
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Nunca foi um ser normal
o poeta (alguém diria):
ele pega o que é real
e põe dentro a fantasia!
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O belo sol nascediço**,
vem de luz encher meu quarto;
eu acordo, e me espreguiço,
e agradecido me farto.
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Preocupa-me o destino
da minha lira sonora
quando badalar o sino,
quando chegar minha hora.
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Quando o coração padece,
só você sabe o porquê,
ou você magoou alguém,
ou alguém magoou você.
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Quem ama vê atitudes
virtuosas no defeito,
e quem não, nem as virtudes
são enxergadas direito.
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Quintana disse-me, a mim,
usando as suas facetas,
que eu cultivasse um jardim
e aguardasse as borboletas.
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Sacrifício por amor
nunca maltrata, nem cansa;
tem do prazer o sabor
e o gosto da esperança.
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Se for possível a quem parte,
se permitido a quem sonha,
se merecedora a arte,
deitem-me a lira tristonha.
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Se meu presente é tão bom,
eu devo muito ao passado,
ele foi que deu meu tom,
e me manteve afinado.
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Se tenho amor nas entranhas,
e se cultivo o perdão,
as suas faltas tamanhas,
perdoo-as de coração.
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Se todos fossem iguais,
o que seria da gente?
- Eu posso ser um a mais,
mas você é diferente!
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Somente tenho singrado
em águas rasas, serenas,
eu sou barco sem calado
e tenho velas pequenas.
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Tem três fases na gaveta
da vida de um velho pai:
a de rei, a de careta,
e a de bom, quando ele vai.
= = = = = = = = = 

Um amante, um poeta e um louco,
amor, sonho, fantasia,
sou de cada um, um pouco,
não fosse assim, não vivia.
= = = = = = = = = 

Vejo a noite enluarada,
e esse céu todo risonho,
sem ter de fazer mais nada
de você, eu faço o sonho.
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doce Falerno = Vinho apreciado pelos antigos romanos e que se produzia outrora em Falerno (Itália)
** Nascediço = que vai nascendo.

Fonte:
Recanto das Letras do Trovador

Lairton Trovão de Andrade (Pinhalão/PR)


01.
Destrua a melancolia,
pois a vida se renova!
Contra a tristeza, Maria,
beba chazinho de trova!

02.
O plagiário é caricato
que no mundo se repete;
é escritor co'a mão do gato
e pintor que pinta o sete.

03.
Ninguém é tão educado
como o fino do Joaquim;
nas lojas, mesmo calado,
saúda até manequim.

04.
Só de ver a sucuri,
adoentou-se a saracura;
com licor de licuri*
nada sara, nada cura.
= = = = = = = = = 
* licuri = coquinho
= = = = = = = = = 

05.
Diz a crença popular:
Não há coisa que enlouqueça
mais que a boca a relinchar
de uma mula-sem-cabeça!

06.
O pobre incauto eleitor
feliz ficou na procura;
diz que o voto é do doutor
que lhe deu uma dentadura.

07.
O símio, bem natural,
exclama ao réptil, de pé:
"Oh, que boquinha sensual
tem o amigo jacaré!"

08.
- Masculino ou feminino?
Perguntou o frei José;
– “Marculino ou Felisbino
não, não! É Zé que o pai qué"!

09.
No velório do riquinho,
há, no íntimo, festança;
"Choro, sim, por meu padrinho,
(mas que venha logo a herança)".

10.
Aquele gato é baiano,
assim nos diz o Lalau;
ouça o miado do bichano:
"Me-au, me-au, me-au, meau"!

11.
É, na Internet, o namoro
paixão que "dá choque"... e muito;
A cada abraço - um suadouro...
e ao beijar - curto-circuito!

12.
Foi assim que aconteceu
entre meu tio e o Mansur;
– Você, meu filho, é ateu?!
- Não, senhor, eu sou Artur!

13.
Era boa caipirinha
de esquentar qualquer "moringa"*.
- O que de bom é que tinha?
- "Açúcar, limão e pinga".
= = = = = = = = = 
* Moringa: Orelha, ouvido (regionalismo).
= = = = = = = = = 

14..
Depois de muito ovo por,
a angola* aguça a matraca
e, festejando com suor,
canta: "tô fraca, tô fraca"!
= = = = = = = = = 
*Angola: Galinha d'angola.
= = = = = = = = = 

15.
Quanta gente cuja obra
é cheia de desatino!
- Tem no cérebro, de sobra,
o que é próprio do intestino.

16.
O cravo brigou co'a rosa,
a rosa despetalou-se;
chora a rosa escandalosa;
- Minha corola encravou-se!

17.
Gosta muito de "pregar"
a mulher do seu Mané;
repete "né", sem parar...
e, no fim, diz "né, né, né".

18.
Neste Brasil brasileiro,
lê-se coisas de arrepiar;
num comércio está o letreiro:
"Volto já, fui ao mossar".

19.
Quão exímia pensadora
é a coruja que se cala;
é tão nobre esta doutora,
que besteira nunca fala.

20.
Para o torcedor fanático,
jogador profissional
é um exemplo claro e prático
de mercenário ideal.

21.
O velhote tagarela,
sozinho em sua viuvez,
propaga muita balela
de mil feitos que não fez.

22.
Às vezes, nem tudo passa
como nem tudo se pode;
nos dias de grande arruaça
pode dar cabra ou dar bode.

23.
- Sou honesto no meu bar,
nada de interrogatório!
De vocês, só vou cobrar
a bebida e o "conversório"!

24.
Pergunta-se, volta e meia,
para quem pouco estudou;
- “Quem deixou a Lua cheia?"
- “Foi o Sol que a engravidou!”

25.
Aquele curvo nariz
é coisa descomunal;
escorre qual chafariz
e, ao assoar, é um temporal.

26.
- Minha cara, dá-me a mão!
É por ti que vivo e morro!
Dá-me afeto, sim, do cão,
não, porém, de um cão cachorro.

27.
Tal paixão te custou caro,
com a mais cega insistência;
esta "coisa", não tão raro,
leva otário pra falência.

28.
Se em toda Literatura
a obra fosse de algum crítico,
carecia sepultura
pra enterrar livro raquítico.

Fonte> Lairton Trovão de Andrade. Perene alvorecer. 2016. Livro enviado pelo autor.